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Ao tratar de marcadores históricos e dos personagens que compõem as narrativas dos estudantes nos deparamos com dois elementos importantes em relação à

aprendizagem histórica que são o tempo e o espaço. Tempo e espaço são essenciais na compreensão histórica, pois:

Para um ensino de história que considere os aspectos espaços-temporais como elementos de construção da compreensão de mundo, mister se faz dotar de sentido este ensino, visto que é através dele que o aluno constrói uma visão global de uma sociedade complexa em permanente mudança no tempo, numa dimensão mais abrangente e plural do mundo. (FERREIRA, 2005, p. 4-5).

O tempo histórico marcado pela sua complexidade permite dar sentido à narrativa histórica e compreender as experiências do passado, sendo assim,

O tempo histórico caracterizado pela complexidade é articulado na narrativa histórica como categoria que organiza a estrutura verbal (discurso), mas, principalmente, como categoria a qual subjaz a compreensão, pelo sujeito-narrador, de uma gama de conceitos articuladores: memória, mudanças e permanências, diferenças e semelhanças, cronologia, convenções, periodizações, perspectivas de futuro. São os sentidos de tempo histórico, tempo híbrido de conceitos, tempo significado historicamente, que possibilita a existência da narrativa histórica como produto de um processo de reconstrução do passado humano (a História), e não o contrário. (RIBEIRO, 2012, p. 198).

Nas narrativas analisadas encontramos uma série de marcadores temporais que se relacionavam com os personagens dando sentido e uma consciência sobre os eventos relatados. Além disso, podemos perceber uma articulação entre o passado, o presente e em alguns casos projeções de futuro.

Basicamente os marcadores temporais podem ser divididos em dois grupos: os cronológicos, relacionados a datações como anos, décadas e séculos; e aqueles ligados a uma linguagem temporal, expressados por verbos ou outras expressões que dão indicativo de uma sucessão e ordenação do tempo.

Quadro 9: Marcadores Temporais expressados por estudantes do 6º e 9º anos

Marcadores Cronológicos Linguagem temporal

1500 7 de setembro Século XIX 2014 2016 Antigos moradores Depois Anos atrás Quando chegaram

Estudantes de 6º ano Estudantes de 9º ano

Os índios eram os antigos moradores do Brasil. E depois Pedro Alvarez Cabral.

O Brasil foi descoberto por Pedro Álvares Cabral e foi colonizado pelos portugueses.

(Aluno 6º ano, Escola Pública).

Os portugueses acharam o Brasil e lutaram contra os índios e venceram. Dom Pedro dia 7 de setembro proclamou a independência. (Aluno 6º ano, Escola Particular).

Em 1500. Depois disso começou a criar os estados, as cidades e a população foi aumentando cada vez mais pois o Brasil foi aumentando e a população também. (Aluno 9º ano, Escola Pública).

Quando Cabral descobriu o Brasil foi no ano de 1500, quando chegou aqui só habitavam índios que houve a tentativa de torná-los escravos. Hoje em dia a cultura dos índios diminuiu bastante há poucos índios habitantes no Brasil. As principais festas do Brasil são o carnaval e agora a copa do mundo de futebol em 2014 e as olimpíadas em 2016. (Aluno 9º ano, Escola Particular).

Fonte: Autor, 2013

Quanto ao espaço, elemento básico na composição de narrativas históricas, os estudantes apresentaram dados que faziam referência a determinados locais, os quais ajudam a contextualizar suas produções. Como os estudantes narraram a História do Brasil, este espaço naturalmente estava posto nas histórias, o qual podermos identificá-lo como geral, no entanto, como era uma produção livre outros espaços foram citados, sendo que se apresentou espaços mais específicos do Brasil e outros que tinha uma relação com o Brasil. Quadro 10: Marcadores Espaciais citados por estudantes do 6º e 9º anos

Marcadores espaciais Brasil Portugal Argentina Índia Litoral Nordeste Rio de Janeiro São Paulo Continente americano Fonte: Autor, 2013

As citações referentes ao Brasil, Portugal, Índia, litoral tem uma relação muito próxima, pois estão vinculadas às navegações portuguesas, citadas pelos estudantes para conceber o marco fundador do país. Em relação à Índia, ressalta-se que o seu aparecimento nas narrativas se dá para explicar, do ponto de vista dos estudantes, a forma como os portugueses chegaram ao Brasil, pois no entendimento deles o objetivo de Cabral era chegar às Índias e o Brasil foi um erro de percurso que culminou no seu “descobrimento”.

O Brasil foi descoberto pelos portugueses eles iam para a Índia, mas se enganaram e vieram para um território estranho chamado Brasil, eles chegaram e dominaram o território e fizeram os índios de escravos. (Aluno 6º ano, Escola Pública)

O Brasil foi descoberto por Pedro Álvares Cabral. Na verdade ele descobriu o Brasil por acaso, pois era para ele ter ido para a Índia. Por isso quando ele chegou aqui, o Brasil já tinha habitantes, pelo qual ele colocou o nome de índio. Os portugueses começaram a trocar objetos com os índios, só para ter o pau-brasil e o nosso ouro, nossos animais. Tudo isso gerou uma guerra. Por que os portugueses queriam mais coisas e os índios não queriam mais dar. Ai os portugueses ganharam porque seu armamento era mais desenvolvido. Depois de tudo isso veio a independência do Brasil já pela década de 1500. Quem conseguiu a independência foi D. Pedro I. Os portugueses, italianos entre outros começaram a colonizar o Brasil. (Aluno 9º ano, Escola Pública).

Quanto às citações sobre São Paulo e Rio de Janeiro resulta da compreensão que são cidades adequadas para shows e outros eventos, até para fazer um contraponto com o local onde vivem que para eles é pequeno e não oferece muitas opções.

O Brasil é um país com uma grande biodiversidade, em todos estados podemos encontrar diversos tipos de bichos e plantas. O Brasil também tem muitos pontos turísticos, o Cristo Redentor é o principal, mas também contamos com muitas praias. Se você gosta de música o ideal é você morar em São Paulo ou Rio de Janeiro e caso você queira conhecê-lo espere no hotel Fasano, artistas como Lady Gaga, Madona entre outros vieram para cá. (Aluno 9º ano, Escola Particular).