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Célu las de meta zo ários possuem a habilidade de pro liferar para manter a morfologia e a função dos te cidos du rante toda a vid a. Se por um lado e ssa capacidade confere autonomia e volu tiva ao ser vivo, po r outro o expõe a risco s rela cionados a o processo

permanente de divisão ce lular, especia lmente aqueles

relacionados à oco rrên cia de mutaçõe s no genoma, e qu e le vam a aquisição de característica s fenotípicas não fisio ló gicas e a padrões de crescim ento celula r inapro priados.

Segundo W EINBERG (2007), en qu anto célu las normais são

cuidadosamente programadas para constru írem tecidos

necessários à so bre vivência do ser vivo que inte gram, a s neoplásicas parecem orientadas para somente produzirem clones de si p róp rias, o que permite inferir que o cânce r é uma doença de célula s disfuncion ais em decorrência de lesões promovidas na matriz genética.

A grande maio ria d os cânce res que afetam a esp écie hu mana tem origem epitelial. Denominados de ca rcinomas são re sponsá veis por 80% das mortes relacionadas com as neoplasias no hemisfério ocidental.

Os ca rcinomas sã o cate gorizados e m dois grupos principa is - carcinomas de cé lulas e scamosas e adenocarc inoma s -, que refletem as duas principais funções bioló gicas do epitélio: re vestimento e d e secre ção de substâncias para a proteção epitelial. Ne sses dois grupos e stão cla ssificado s dua s das três

principais neoplasias malignas da pele, o carcinoma epidermó ide e o carcinoma baso celula r, en quanto o melanoma, em ra zão dos melanócitos tere m origem neu ro ectodérmica , com põe grupo histopatoló gico e sp ecífico.

O prin cipa l fator causal re lacionado a qualque r tipo de câncer de pele é a radia ção solar u ltra vio leta (U V). A inten sidade d a radiação UV va ria com a lo calização geo gráfica (latitude), a ho ra do dia, a estação do ano, a condição climática e representa 5% d a radiação solar incidente na superfície do p laneta.

Conside rando seu espectro de onda, pode ser d iferen cia da em três subtipos: a rad iaçã o UV -A, com comp rimento de onda e ntre 320 e 400 nanômetros (n m); a radiação UV -B, de comprimento de onda entre 280 e 320 n m; e a rad iação UV -C, que possu i comprimento de onda menor qu e os anteriormente descritos e é p ratica mente toda absorvida na atmosfera terrestre .

Tanto a UV-A e a UV-B ap resentam efeitos nocivo s sob re a pele . A expo sição e xcessiva UV -B é o fator mais re lacionado ao surgimento do câ ncer de pele, ain da que chegue à superfície terre stre em peque nas quantida de s em condição de integridade da camada de ozônio , na estrastofera. A Organ iza ção Mundia l da Saúde (OMS) estima que ce rca d e 4,5 mil caso s novo s de melanoma surgiria m a cada 10% de redução da camada de ozôn io. A re lação entre a e xposição à rad iação UV e o surgimento do câncer de pele é comple xa e depende tanto de características

fenótipo, história familia l para cânce r de pele e, especialmente, da expo sição cumula tiva ao sol ao lon go da vid a. São co nsiderado s também fatores predisponente s a concorrência de doenças imunossupre ssora s e a e xposição ocu pacional. Con side ra -se que a expo sição e xcessiva e cumulativa ao Sol, nas duas primeiras décadas de vida, e particula rmente na infância, é o mais importante fator de risco para o desen vo lvimento de cân cer de pe le (INCA, 2006 ).

A medida da incid ência de rad iação UV na superf ície da Terra é calcu lada pelo Ín dice Ultra vio leta, representando a intensidade máxima de radia çã o ao meio dia, quando a regiã o se en contra com céu cla ro e sem nu ven s (Tabela 1 ):

Tabela 1

F o n t e : B r a s i l . I n s t i t u t o N a c i o n a l d o C â n c e r – I N C A .

A cada ano, se gun do a Organ ização Mundia l de Saúde, cerca de 2 milhões de pessoa s são acometidas de câncer de pel e, dos qua is 200 mil são do tipo melanoma.

C a t e g o r ia s d e in t e n s i d a d e d e r a d ia ç ã o U V s e g u n d o a O r g a n i za ç ã o M u n d i a l d a Sa ú d e C AT EG O R I A Í N D I C E B a ix o ≤ 2 M o d e r a d o 3 a 5 A lt o 6 a 7 M u i t o a l t o 8 a 1 0 Ex t r e m o ≥ 11

O mais fre qüente tipo de cânce r no Brasil para ambos os se xos é o de pele não -melan oma. Sob essa den ominação estão cla ssificados o carcinoma epide rmóide e o carcin oma basocelula r, ambos com baixa leta lidade e índ i ces de cura cirúrgica e le vados. Estima -se que para o ano d e 2008 surgirão cerca de 115.010 casos no vos dessas neopla sias no país.

Melanomas são neoplasia s malignas que se originam de

melanócitos deriva dos da crista neu ral, p resentes norm almente na epiderm e e oca sionalmente na derme. O tumo r acomete apro ximadamente 54.200 norte -ame ricanos por ano, re sultando em 8.200 mortes, e é considerado de baixa incidên cia quando comparado com os cânce res de pele não -melanoma. Contudo, as série s estatística s mundiais de scre ve m um aumento de 300% nos últimos quarenta a nos. Se a incidência p rosse gu ir nesse ritmo, na pró xima década o risco de ad qu irir -se melanoma será ≥1%.

As causas da progressão são incerta s, mas envolvem modificações na atmosfera do planeta, com a redução da camada de Ozôn io, e a expo sição e xcessiva e contínua a luz sola r, principalmente na infância. Foi demonstrado que pessoas com perfil étnico semelhante, que migram para re giões ou países co m ele vada incidên cia sola r d epois dos de z anos de idade, possuem menor risco de ad quirir m elanoma do que a queles nasce ram ou migraram para o pa ís antes d e completarem uma década de vida.

rapidamente se queimam quando e xpo stas ao So l. Outro fator importante de risco é a existência de história familia r de melanoma, pois a pro ximadamente 1 em cada 10 portadores da doença tem relato de caso semelhante na família. Indivíduos com nevo s atíp icos e com registro de pelo menos dois casos de melanoma na família têm 50 ve ze s mais chance s de desenvo lve r a doença (KASPER e t cols., 2005).

O tipo étnico, por sua ve z, represe nta um risco inte rmediário, embora a doença seja cerca de 10 a 20 ve ze s menos freqüente em

pessoas afrodescendentes e asiáticas. Apenas 30% dos

melanomas se o riginam em ne vo, ma s alte raçõe s persistentes na forma, espessura, sensib ilidade e coloração dos sina is cutâneos e a existência de nevos em número superior a 50 com espessura ≥ 2 mm elevam o risco de melanoma em 50 ve zes.

No Bra sil, para o a no de 2008, é estimado que surjam 5 920 casos novo s de melano ma. Quando se considera a grande e xtensão territo ria l e a dive rsidade de fenótipos brasile iro s, é observado que

o melanoma possui distribuição e taxas de incidên cias

diferenciadas pa ra ambos os se xos (Tabela 2) :

Tabela 2:

Incidência de Me la noma nas Capita is Brasile ira s

Cid ad es (a n o d a sé ri e h i stó ri ca ) N º d e ca so s / 1 00 mi l Ma scu li n o Fe m in in o São Pau lo (1 99 7 -1 99 9 ) 6,7 5,9 Port o A l eg re ( 19 94 - 19 9 8) 5,5 4,5 Go iân i a (1 99 6 -2 00 0 ) 5,3 3,9 Pal ma s ( 20 00 ) 5,1 3,5 Be lo Hor izon te ( 20 0 0) 4,2 4,3 Di st rit o F ed e ral ( 19 96 - 1 99 8) 4,1 3,6 Ca mp in a s (1 99 1 -1 99 5 ) 3,3 2,8 Ara cajú ( 19 96 ) 2,0 1,7 Natal ( 19 99 - 20 0 0) 1,9 2,8 Sal v ad or ( 19 97 - 20 0 1) 1,9 1,2 Cu i ab á (2 00 0 -2 0 01 ) 1,6 1,4 For tal ez a ( 19 9 6) 1,4 0,6 Joã o P e s soa ( 19 9 9 - 2 00 0 ) 1,2 0,7 Vit óri a ( 1 99 9 -2 00 0 ) 1,2 0,9 Be l é m ( 1 99 6 -1 99 8) 0,7 0,2 Re ci f e (1 99 5 -1 9 99 ) 0,7 0,9 Man au s ( 19 99 ) 0,3 0,3 F on t e: B ra si l. In sti tu to Na cion al d o Câ n c er – IN CA

Apesar de se r con siderada a mais a gressiva neop lasia maligna da pele, quando dia gnosticado p recoce mente e tratado corretamente os índice s de controle e de so bre vida ao mela noma são conside rados bons. A média mundial de sobre vida ge ral é de 69%

em cinco anos, mas nos países desen vo lvidos e em

desenvo lvimento a sobre v ida em cinco anos de pacientes com melanoma é estimada em 73 e 56% re spectivamente.

A modalidade te ra pêutica de esco lha para trata r o me lanoma, em qualque r n íve l de estadiamento, é a excisão cirúrgica da lesão, com o cuidado de fazê -lo com marge ns cirú rgic as ampliadas. Nos

esva ziamento está indicado. Outra s modalidades te rap êuticas são conside radas adju vantes e apenas de ve rão se r utilizada s em casos selecionados (inte rferon 2b, radiote ra pia, etc.).

A Terapia Fotod in âmica no tratame nto do melanoma humano é conside rada expe rimental. De sd e 2000 é conduzido nas Unive rsidades do Co lorado, Flórida, Mich igan, Missou ri e Pennsylvan ia ensa io clín ico, fase I e II open label, para avalia r a terapia fotodinâm ica em 30 pacientes nos está gio s III e IV da doença. Os objetivo s são determin ar a segu rança da terapia fotodinâmica com ve rtepo rfin e Deto x -B -adju vante ; determinar a resposta clínica em pacientes tra tados com esse protocolo; determinar se essa modalidade terapêutica indu z resposta humoral e celula r a antígenos de melanoma e determinar o grau de destru ição tumora l obtida com esse s fármacos.

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