6. Konklusjon og Implikasjoner
6.5. Anbefalinger for videre forskning
1972.287K. Frampton analisa o projeto Monumento continuo como uma “utopia silenciosa, antifuturista e
tecnologicamente otimista”288.
16 - Trecho do story board Monumento Contínuo, Superstudio, 1971. Fonte:KAMIKURA, 2010, p. 166
Conforme J.Montaner, a obra do Superstudio é ampla e “vai desde a fotomontagem e o desenho industrial até a arquitetura e o urbanismo - as referências à literatura, filosofia, ciência, pintura, fotografia e outras artes visuais foram constantes”289. Segundo R. Kamimura as propostas do Archizoom e Superstudio “parecem configurar a metáfora de um impasse”290 que o referente é a “própria situação
na qual a disciplina e a profissão arquitetônicas encontravam-se naquele momento”291.
As propostas desses grupos italianos são fruto do que M.Tafuri denominou “mitologia
marcusiana”. Ele desacredita que “futurologias” possam superar a ambiguidade daquele momento que
está presente até mesmo no slogan do Maio de 68: “A imagination au pouvoir sanciona o compromisso
entre contestação e conservação, entre metáfora simbólica e processos produtivos, entre evasão e realpolitik.”292
M. Tafuri que foi próximo da Nova Esquerda radical293 italiana e membro da Escola de Veneza,
a qual se propôs a “uma das revisões mais abrangentes e nuançadas da utopia moderna do Plano”294
do Movimento Moderno e, defende o fracasso das vanguardas295 e da arquitetura como “instrumento
ideológico”296, para ele a crise da arquitetura moderna começara “no preciso momento em que o seu
287 O Superstudio realizou também os filmes: “Arquitetura Interplanetária” e “Life, Supersurface e Ceremony”. KAMIMURA, Rodrigo.Tecnologia, emancipação e consumo da arquitetura dos anos sessenta: Constant, Archigram, Archizoom e Superstudio. Dissertação de mestrado em arquitetura, São Carlos, EESCUSP, 2010.
288 FRAMPTON, Kenneth. História Crítica da Arquitetura Modern. São Paulo: Martins Fontes, 1997, p. 351.
289 MONTANER, Josep Maria. Depois do movimento moderno: arquitetura da segunda metade do século XX. Barcelona: Gustavo Gilli, 2009, p. 223. 290 KAMIMURA op. cit.
291 Ibidem, ibidem.
292 TAFURI, Manfredo. Projecto e utopia: arquitetura e desenvolvimento do capitalismo. Lisboa: Editorial Presença, 1985, p. 92.
293 M.Tafuri publicou o artigo “Per una critica dell’ideologia architettonica” na revista Contropiano: materiali marxisti, fundada em 1968, por Antonio Negri, Mario Tronti,Alberto Asor Rosa, Antonio Negri e Massimo Cacciari estabelecida em Florença, onde a Nova Esquerda italiana floresceu. Alguns de seus artigos foram publicados também das revistas “combativas” como Quarderni Rossi, Clase Operaia,Rinascita e Angelus Novus. Cf. KAMIMURA, Rodrigo.Tecnologia, emancipação e consumo da arquitetura dos anos sessenta: Constant, Archigram, Archizoom e Superstudio. Dissertação de mestrado em arquitetura, São Carlos, EESCUSP, 2010, p. 164. Cf. MONTANER, Josep Maria. Arquitetura e Crítica. Barcelona:Gustavo Gilli, 2007, p.112.
294 ARANTES, Otília. Lugar da arquitetura depois dos modernos. São Paulo: Edusp, 2000, p. 97.
295 TAFURI, Manfredo. Projecto e utopia: arquitetura e desenvolvimento do capitalismo. Lisboa: Editorial Presença, 1985, p. 92. 296 MONTANER, Josep Maria. Arquitetura e Crítica. Barcelona: Gustavo Gilli, 2007, p.112.
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destinatário natural - o grande capital industrial - supera a sua ideologia de fundo”297, de cunho social, pois o “nível da utopia do seu Plano fora subvertido pela realidade”298.
No início dos anos 1970, a Arquitetura Moderna estaria se transformando a ponto de C.Jencks tê-la considerada morta no instante da implosão do conjunto Pruit Igoe299. Segundo ele, um dos
“falhaços mais notórios”300 do “modernismo restrito” foi o de não gerar um desenvolvimento urbano convincente, de não “comunicar-se efetivamente” e cuja ideologia não “conseguiu transformar a sociedade numa direção positiva”301. Ainda segundo C.Jencks, a revisão do modernismo para o pós- modernismo tem relação direta com a contracultura:
“Pós-modernismo começou como uma formação cultural como mencionado na introdução, em muitos pontos e tempos. Ele cresceu com a contra-cultura dos anos 1960, a ascensão da sociedade pós industrial na América, com o desencanto do expressionismo
abstrato no mundo da arte, o crescimento de um mercado global e assim sucessivamente.”302
A arquiteta F. Scott analisa que os movimentos contraculturais radicais norte americanos tinham sido eclipsados em meados dos anos 1970, enquanto a contestação social continuava, e que na arquitetura os debates foram codificados como pós-modernismo, quando um novo conjunto de temas “tomou lugar de honra: citação e pastiche de precedentes históricos ou populares, assim como as teorias de memórias, ou seja, tipologia, o contexto, e da linguagem, entre outros”303. Ainda segundo
F.Scott, neste período surgiram experiências novas, muitas das quais decorrentes dos “tumultuados anos 1960”304, que envolvem “novas tecnologias e ideais sócio-políticos que motivaram grande parte
desse trabalho”305, referindo-se às experiências dos grupos Ant Farm, Drop City e outras.
Nos países industrialmente avançados, a contracultura - utópica, libertária, contrária ao establishment e à tecnocracia - motivou manifestações sincrônicas em vários países306 com pautas reivindicatórias, tais como: liberdade individual; contra a opressão tecnocrática; contra abusos predatórios do avanço industrial; pelos direitos civis; igualdade entre gêneros; pacifismo anti-nuclear e ecologismo.
297 TAFURI, op. cit., p. 92.
298 bidem, ibidem.
299 O conjunto habitacional Pruit Igoe, considerado um equívoco da arquitetura moderna foi implodido no dia 15 de julho de 1972, às 15h e 32min. Ver: JENCKS,
Charles. The new paradigma in architecture.Yale University Press New Haven and London, 2002.
300 JENCKS, Charles. Movimentos Modernos em Arquitetura. São Paulo: Martins Fontes, 1985, p. 347. 301 Ibidem, p.351.
302 Id. The new paradigma in architecture.Yale University Press New Haven and London, 2002, p. 53, (tradução e grifo nosso). 303 SCOTT, Felicity D. Architecture or techno-utopia: politics after modernism. Massachusetts, MIT Press, 20/10, p. 152.. 304 Ibidem, p. 153.
305 Ibidem, ibidem..
306 Sobre as manifestações que ocorreram naquele período Cf.SAMUEL, Albert. X. A Revolta dos estudantes. Revista Civilização brasileira, ano IV, no. 19 e 20, p.101-129, mai.ago, 1968. ; Cf. BRANDÃO, A.C.; DUARTE, F. Movimentos culturais de juventude. São Paulo: Moderna, 1990; Cf. ZAPA, R.; SOTO, E. 1968
eles só queiram mudar o mundo. Rio de Janeiro: Zahar, 2008; Cf. BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. As revoluções utópicas dos anos 60. 3ª. Ed. São Paulo:
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