4 Anbefalinger
4.2 Anbefalinger for utvalgte kontraktstyper
O termo ética atualmente é utilizado no discurso midiático, por profissionais de várias áreas e pela população em geral, entretanto nem sempre seu significado é empregado de maneira consensual. Moore (1975) retrata a ética como sendo a investigação geral a respeito daquilo que é bom. Já Clotet (1986) propõe que a ética objetiva facilitar a realização das pessoas: o ser humano realizando-se como tal, como pessoa. Vasques (2000) a define como a busca de justificativas para verificar se as ações humanas estão ou não adequadas. Já Veatch (2000) traz uma definição operacional de ética ao defini-la como a realização de uma reflexão disciplinada das intuições morais e das escolhas morais feitas pelas pessoas.
Embora distintas entre si tais definições são essencialmente complementares ao abordarem a ética como uma virtude, ou seja, como algo considerado correto e desejável. Por permear o campo dos valores e bons costumes o senso comum tende a confundir ética com moral. Tais conceitos designam o mesmo campo de fenômenos e o mesmo domínio de reflexão sobre a ação, o bem ou o justo. Entretanto, a moral, originária do latim ―mores‖ –
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Santos (2016) se fundamenta nos trabalhos de Carvalho e Gíl-Pérez (2007); Campos e Diniz (2001); Brasil (2002); Freitas e Villani (2002); Selles (2002); Rosa e Schnetzler (2003); Diniz e Campos (2004); Brasil (2006); Santos et al. (2006); Bastos (2008); Duarte et al. (2009); Maldaner, Zanon e Auth (2011); El-Hani e Greca (2011); El-Hani et al. (2011); Fernandez (2011); Figueirêdo e Justi (2011); Bonzanini e Bastos (2013); Azevedo e Abib (2013); Carmo (2013); Urzetta e Cunha (2013); Fernandes, Munford e Ferreira (2014) e Viana (2014).
costume -, é considerada como fruto do padrão cultural vigente incorporando regras eleitas como necessárias ao convívio entre os membros dessa sociedade.
Com o rápido desenvolvimento da ciência e da tecnologia, principalmente dos últimos cinquenta anos, paradigmas morais passaram a ser questionados e transformados, emergindo, assim, a necessidade de se estabelecer novos referenciais éticos que, por sua vez, requerem da sociedade ordenamentos jurídicos pertinentes (GARRAFA, 2006). Tais mudanças têm exigido que as áreas de conhecimento envolvidas com os fenômenos relacionados ao nascimento, vida e morte das pessoas se adequem às novas situações e dilemas. As novas tecnologias reprodutivas, os transplantes de órgãos e tecidos humanos, terapias gênicas e outras situações relacionadas aos limites da vida, têm impulsionado a filosofia, por exemplo, a caminhar agilmente de forma a acompanhar a evolução dos conceitos, descobertas e mudanças que se instauraram no cotidiano das pessoas e coletividades (GARRAFA, 2006).
Tornam-se cada dia mais frequentes e delicados os conflitos entre os direitos humanos e os avanços científicos e tecnológicos. A discussão bioética se impõe, assim, visando entender o tênue limite que separa as duas situações e contribuir na busca de respostas equilibradas aos embates atuais e vindouros. Schramm (1994) afirma que agir eticamente é um labor secundário de algo que pertence à biologia humana, assim, na opinião dele ―toda ética é, antes e fundamentalmente uma bioética‖.
Garrafa (2006) destaca que o pluralismo de valores, a responsabilidade individual e pública, a tolerância e o que chama de quatro ―P‖s necessários a uma prática ética responsável – prevenção (preparo antecipado visando o impedimento de algum acontecimento), proteção (manifestação de cuidado com algo para que fique a salvo de perigos ou fatores externos), precaução (cuidado, medida antecipada com o intuito de prevenir contra algum mal) e prudência (fazer prever e procurar evitar inconveniências e perigos) - são indicadores essenciais e necessários, porém não suficientes para uma nova abordagem ética.
Nos últimos anos a sociedade tem passado por grandes transformações advindas dos avanços da ciência e da tecnologia e este fato tem sido objeto de discussão pelas implicações éticas que provoca. As produções científicas e tecnológicas se atrelam a interesses econômicos, políticos, sociais, morais e éticos sendo inseridas, assim, em processos e valores da sociedade e, portanto, criam preocupações que deveriam fazer parte do currículo do ensino de Ciências (SILVA, KRASILCHIK, 2013).
Razera e Nardi (2006) se propuseram a analisar as publicações de pesquisas em ensino de Ciências no Brasil e o resultado indicou um volume expressivo de trabalhos publicados
sobre temas relacionados ao ensino, currículo e formação de professores priorizando aspectos cognitivos referentes à construção e desenvolvimento do conhecimento. Por outro lado, o levantamento apontou que assuntos relacionados à ética e à construção e evolução moral dos alunos são negligenciados ou omitidos nas investigações da área. Tal cenário pode ser considerado insatisfatório haja vista a responsabilidade das Ciências nas implicações éticas profundas ocorridas na sociedade (SILVA, KRASILCHIK, 2013).
Bryce e Gray (2004) realizaram um estudo no qual apontam que professores e alunos descrevem como essenciais e valiosas as discussões envolvendo aspectos éticos e sociais no ensino de ciências principalmente aqueles relacionados à biotecnologia. Entretanto a pesquisa destaca as dificuldades que os professores manifestam frente a questões controversas em sala de aula. As discussões em torno de assuntos polêmicos geralmente são deixadas para as ciências sociais e justificam tal negligência alegando falta de tempo; desconforto em relação à exposição; receio de superficialidade na apresentação e tratamento dos fatos; dificuldade em lidar com discussões e o interesse em ensinar somente ciências (BRYCE; GRAY, 2004). O estudo aborda, ainda, as percepções dos discentes em relação às controvérsias: eles unanimemente relatam que, quando acontecem, as discussões são provocadas por eles mesmos, sendo raramente ocasionadas pelos professores que – na visão dos estudantes – se posicionam de maneira sempre neutra (BRYCE; GRAY, 2004).
Bishop (2006), em sua proposta de ensino de bioética voltada para discentes dos anos finais do Ensino Fundamental e discentes do Ensino Médio, aponta que, dentre outros, os objetivos do ensino e da aprendizagem da bioética seriam: desenvolver habilidades de raciocínio analítico, desenvolver a percepção ética, adquirir senso de responsabilidade pessoal e lidar com a ambiguidade moral. Esta abordagem requer cuidado e preparo por parte do professor que guia as discussões levando os alunos a descobrir questões de valores, a expressar por si mesmos e a pensar a respeito de pontos favoráveis e contrários diante de uma situação (SILVA, KRASILCHIK, 2013).
Sob esta perspectiva a bioética pode ser considerada um valioso instrumento metodológico para a socialização do debate científico podendo desencadear interessantes trabalhos pedagógicos interdisciplinares (SILVA, KRASILCHIK, 2013). Interessados nisto dedicamo-nos a trazer - para o contexto da sala de aula de ciências - assuntos que abordam a vulnerabilidade da existência humana na tentativa – com base em diversas opiniões - de tecer discussões com vistas ao desenvolvimento e fortalecimento da argumentação para futuras tomadas de decisões.