• No results found

Anbefalinger for forbedret kartframstilling og framtidige anvendelser

In document 57-2013-BDE-Stavanger.pdf (1.645Mb) (sider 25-29)

Mattos e Silva, sobre os Fatores sócio-históricos condicionantes na formação da

língua brasileira, afirma que, desde a primeira metade do século XX, a questão da

formação do português brasileiro é interesse não apenas de filólogos e linguistas, mas também de cientistas sociais. Esse interesse sempre existiu por parte de alguns estudiosos do fenômeno linguístico que, paralelamente aos estudos de Linguística Histórica e de Filologia, acreditavam que seus objetos de estudos mantinham fortes relações com os objetos da Sociologia e História (SOUZA, GOMES E ABREU, 2009, p. 227).

24 O diálogo da Linguística com outras áreas das Ciências Humanas e Sociais pode render resultados muito positivos, aquando da sua natureza interdisciplinar, possibilitando que olhares de outras áreas contribuam para a elaboração de respostas para os pontos lacunosos que circundam os estudos linguísticos. O grande problema que reside, porém, nas pesquisas das Ciências Humanas é que, segundo o Abreu (2011), na tentativa de respeitar os limites éticos entre elas, houve uma fragmentação decorrente de uma profunda especialização.

Foi, inclusive, a Linguística que emprestou o seu modelo metodológico estruturalista às demais ciências, o que consolidou o seu estatuto de ciência do conhecimento; no entanto, essa metodologia baseada no modelo estruturalista estabeleceu um limite muito rígido no que diz respeito à interferência de outras ciências no seu objeto de estudo e causou um movimento de distanciamento dos estudos linguísticos em relação a outros campos.

A menos que revele as operações de construção do objeto pelas quais foi fundada e as condições sociais da produção e da circulação de seus conceitos fundamentais, a sociologia não poderá escapar a todas as formas de dominação que a linguística e seus conceitos exercem ainda hoje sobre as ciências sociais. A facilidade com que o modelo linguístico é transportado ao terreno da etnologia e da sociologia se deve ao fato de ter se conferido à linguística o essencial, isto é, a filosofia intelectualista que faz da linguagem um objeto de eleição mais do que um instrumento de ação e poder. (BOURDIEU, 2008, p. 23).

Sobre essa questão, Borges Neto (2014) aborda o pluralismo teórico presente na própria trajetória histórica da Linguística, com vieses como, por exemplo, no Estruturalismo europeu, no Estruturalismo Americano, no Gerativismo, no Funcionalismo, na Sociolinguística, na Psicolinguística, na Análise do discurso, na Linguística textual, na Linguística aplicada, na Linguística histórica, dentre tantos outros.

O problema que se coloca aqui é basicamente metodológico: é possível abordar a linguagem humana de todas as perspectivas simultaneamente? Creio que não. É necessário, pois, privilegiar um enfoque, ignorando – ao menos temporariamente – todos os outros. Assim, se por uma razão, uma abordagem sociologizante da linguagem me parece mais interessante e frutífera, fatalmente deixarei de lado abordagens logicizantes ou psicologizantes. E isso se dará em todos os casos. (BORGES NETO, 2004, 69).

25 O discurso de conectividade “é o local para qual deverão migrar todos os pesquisadores das Ciências Humanas, sob pena de assistirem ao gradual desgaste e fragilização da sua ‘especialidade’ e, por fim, como afirmam os radicais, à morte da respectiva ciência” (ABREU, 2011, p.22). A Linguística, apesar de ser uma das áreas que apresenta muita resistência com relação a estas mudanças de paradigmas, através da Linguística Histórica, por sua interface interdisciplinar, tem apresentado um percurso promissor no que tange às novas perspectivas. Atualmente, no âmbito dos processos de investigação da constituição histórica do português brasileiro, os estudos linguísticos recentes buscam, de forma intensa, uma complementação das análises da história interna da língua portuguesa através das análises da história social da linguagem (SOUZA; GOMES; ABREU, 2009, p. 227).

Tal diálogo é muito possível com aquilo que Burke (2002) denomina de Teoria

Social. Essa nova perspectiva propõe um elo entre os cientistas sociais (sociólogos,

linguistas, antropólogos, historiadores, etc.) de forma que exista uma conexão entre essas disciplinas capaz de ser alvo de novas pesquisas. Tal atitude eliminaria o que Burke (2002 apud ABREU, 2011) chama de “diálogo do surdo”, que, nas palavras de Abreu (2011) é “um ambiente de animosidade no qual os cientistas menosprezam o fazer intelectual do outro gerando o que Burke denominou de ‘paroquialismo’” (p. 16).

Propor uma História Social da Linguagem, segundo Bessa-Freire (2008), ainda é muito difícil, uma vez que os linguistas, sem as ferramentas do historiador, não entram nos arquivos; por outro lado, os historiadores não recebem uma formação teórica que lhes dê respaldo para trabalhar o tema. Diante disso, Porter (1993, p.13), afirma que “a linguagem é tão intima da existência que tem sido, há muito, negligenciada pelos historiadores [...]”. Daí, a necessidade de uma História da Linguagem feita por linguistas, e não por historiadores, como atesta a afirmação muito pertinente de Oliveira (2001) acerca da epígrafe A História que eu precisaria para o meu trabalho muitas

vezes não existe, de Bordieu, e sobre a dificuldade de se fazer Linguística Diacrônica

sem uma História que dê conta das questões linguísticas:

Essa epígrafe aponta para uma percepção freqüente entre aqueles que trabalham com Lingüística Diacrônica. O fato de “essa história não existir” tem sido responsável pelo pouco sucesso de um dos mais célebres empreendimentos das disciplinas da linguagem: a explicação da mudança lingüística concomitantemente por fatores internos e externos ao sistema lingüístico. O insucesso desse empreendimento

26 decorre, entre outras coisas, da tentativa de ligar dois quadros já dados: o quadro da História e o quadro da Lingüística, cada um deles gerado autonomamente, com interesses específicos e metodologias próprias de trabalho. É nesse sentido que a epígrafe de Bourdieu se refere à História: em nenhum lugar, de fato, estará a História pronta, esperando a mão do lingüista para colhê-la. Essa história terá que ser escrita pelo próprio lingüista concomitantemente aos seus estudos lingüísticos. Escrever essa história implica aprender a historicizar os conceitos que utilizamos, implica desenvolver modos de historicizar o nosso fazer disciplinar. (OLIVEIRA, 2001, p. 401).

Nesse ínterim, Orlandi (2006) reforça o pensamento de Oliveira (2001) e atenta para responsabilidade e legitimidade em se fazer uma História das Ideias Linguísticas amparada em conceitos que não estão de posse do historiador comum e que são capazes de analisar fenômenos linguísticos. Para a autora, a elaboração de uma História das Ideias Linguísticas permitirá trabalhar com a história do pensamento sobre a linguagem no Brasil antes da Linguística e trabalhar a ciência da linguagem a partir da especificidade do olhar interno de especialistas. Sendo uma história que não partiria do olhar externo de historiadores, mas de especialistas da linguagem, seria possível “avaliar teoricamente as diferentes filiações teóricas e suas consequências para a compreensão do seu próprio objeto, ou seja, a língua”. (ORLANDI, 2006, p. 16).

Desse modo, esta pesquisa centra-se na proposta do novo paradigma que, “ao contrário do que muitos pensam, não se declara holístico, mas sim passível de mesclar suas análises às respostas dadas por outros campos do saber, de forma a contribuir para uma compreensão mais completa do nosso objeto” (ABREU, 2011, p. 27). Acreditamos que esta nova perspectiva é capaz de aliar os estudos dos aspectos sócio-históricos do português do século XVIII, contexto de produção do nosso documento, à interpretação dos cenários linguísticos que se formaram no Brasil e que foram responsáveis pela feição que a língua portuguesa apresenta, hoje, nesse território.

Assim, tendo em vista a contribuição para uma História das Línguas feita pelos estudiosos da linguagem, procuraremos adotar o perfil do novo pesquisador, defendido por Abreu (2011): o historiador linguista.

27

In document 57-2013-BDE-Stavanger.pdf (1.645Mb) (sider 25-29)