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Anbefalinger for fargesetting av fasaden inkludert gavlfelt og kapiteler

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5.2 Anbefalinger for fargesetting av fasaden inkludert gavlfelt og kapiteler

As narrativas de experiências são uma metodologia de pesquisa que, segundo Eisner (1988), não goza de grande prestígio no meio acadêmico numa época em que a tecnologia tanto de ensino como de aprendizagem é dominante; numa época em que se busca a padronização, a medição entre variáveis. Isso ocorre, segundo o autor, pois a experiência é algo escorregadio, difícil de operacionalizar; no entanto, por outro lado, pode com frequência possibilitar descrições precisas do comportamento humano. Nesse sentido, a experiência é

[...] o que as pessoas sentem, os tipos de significados que explicam como eles ensinam e aprendem, e as formas pessoais deles interpretarem o mundo em que vivem. Tais aspectos da vida são difíceis de se relegar para uma tecnologia de observação padronizada, com horários ou medidas comportamentais. Além do que as experiências pessoais nas escolas são fundamentais para qualquer esforço no sentido de entender o que significam as escolas para aqueles que tem uma parte importante de suas vidas lá (EISNER, 1988, p. IX).12

Como fica claro, uma das vantagens da utilização dessa metodologia é justamente a possibilidade de o pesquisador ter contato com significados importantes sobre o ensinar e o aprender, que são dados fundamentais para se estudar o que as escolas significam para quem lá está, e também é uma forma mais eficiente de captar algumas características da vida escolar que poderão ser de grande valia para as pesquisas educacionais. Assim, com esse método, é possível desenvolver programas de avaliação e observação do comportamento de professores e alunos, com dados perfeitamente confiáveis, e ainda com a oportunidade de relatarem sobre o que fizeram e o que estão fazendo. A utilização das narrativas pode relatar ao pesquisador como as pessoas envolvidas estão interpretando seu trabalho e podem revelar muito mais das suas vidas do que se fosse utilizada qualquer outra medida comportamental.

Possibilitar aos professores a oportunidade de refletirem sobre suas experiências poderá dar mais sentido para as suas vidas como docentes, e também dar mais crédito a uma importante ferramenta com um enorme poder e potencial, que são as suas experiências docentes. Os professores são capazes, pela reflexão das suas próprias práticas, de revolucionarem essas mesmas práticas, surgindo novas ideias, novos conceitos através do processo reflexivo. Nesse processo reflexivo, devem-se considerar também as ideias dos alunos como seres que estão na escola para crescerem e se desenvolverem. Quanto mais os professores ouvem os alunos, mais têm para ouvir, e mais aprendem e se convencem de que a saída para a reforma escolar está na interação com as histórias de vida (CONNELLY; CLANDININ, 1988).

Todavia, para utilização desses dados, é necessária certa coragem, pois as narrativas podem estar recheadas de metáforas, com diferentes ênfases que podem levar a um relativismo pessoal; podem causar alguns problemas à pesquisa que busca validar algum tipo de teste. Essa metodologia cada vez mais tem ganhado legitimidade. Progressivamente, aumenta o número de estudiosos que utilizam esse método, sendo que duas grandes contribuições podem ser esperadas: a primeira é que podemos adquirir um melhor e maior

significado para o currículo e para a aprendizagem nas escolas; já a segunda é que a sua utilização vai dar legitimidade para as experiências pessoais e individuais nas pesquisas educacionais (EISNER, 1988).

Justamente porque a metodologia das narrativas de experiências possibilita esse contato mais direto e mais claro, revelando características da ação educativa que não são desveladas por outras metodologias, porque nos dá a chance de refletirmos sobre nossas experiências, possibilitando a criação de novas ideias e conceitos, e por fim, porque possibilita a descrição de experiências que podem ser confrontadas com o cabedal teórico consultado, é que iremos utilizá-la para descrever as nossas experiências com dança e futebol. Essas experiências com dança e futebol que serão narradas ocorrerão nas aulas de Educação Física durante o ano letivo de 2008, em uma escola estadual que chamaremos de Morada do Sol13, localizada na cidade de São Paulo, na zona leste. Em relação às

características da unidade escolar, ela possui cerca de 540 alunos divididos em dois períodos. Desses, as meninas representam aproximadamente 43% e os meninos 57%. A escola, em suma, possui estruturalmente doze salas de aula, uma sala de arte, uma biblioteca, uma sala de informática, uma quadra, um pátio e uma área gramada.

Em relação aos sujeitos da pesquisa, eles serão os meus alunos e alunas, que se dividem em oito classes do Ensino Fundamental ciclo I (1ªA, 1ªB, 2ªA, 2ªB, 3ªA, 3ªB, 4ªA, 4ªB), totalizando aproximadamente 240 alunos.14 No tocante à faixa etária, eles e elas têm

entre 6 e 10 anos (exceto 12 alunos que são inclusos15 ou repetentes, que têm mais idade). No

que se refere às características socioeconômicas, eles e elas são na maioria provenientes de famílias carentes de recursos materiais. Muitos são moradores de uma grande área livre16.

Assim, 54% das famílias das crianças têm renda mensal inferior a dois salários mínimos, sendo que há um alto número de pais e mães desempregados. Muitas crianças provêm de famílias migrantes nordestinas; muitos convivem diariamente com a criminalidade e não

13 O nome da escola assim como os nomes das pessoas citadas são fictícios.

14 Em relação à quantidade de alunos, colocamos aproximadamente, pois devido à intensa mobilidade

populacional, esse número apresenta variações.

15 Apesar do termo não ser correto, coloco-o assim pois essa é a forma que os alunos que apresentam alguma

necessidade educacional especial, são denominados nas escolas do Estado de São Paulo.

possuem uma família estruturada nos moldes clássicos (pai, mãe e filhos), sendo que muitos são criados apenas pelas mães ou pelos avós.17

17 Cito esses dados, pois como já apontado anteriormente, as discriminações referentes ao gênero são observadas

em todas as classes sociais; todavia, são nas famílias mais desprovidas de recursos materiais que tais discriminações são maiores.