Konsept 4. Maksimumskonseptet
10 Drøfting og anbefaling
10.2 Anbefaling av konsept
A Grécia Antiga, conhecida pela valorização da cultura do corpo no tocante à beleza, vigor e capacidade física, mantinha a visão de que um corpo com deficiência ou limitado para o exercício da agricultura ou para a guerra, não favorecia um motivo para sua existência, uma vez que não iria contribuir socialmente para um bem coletivo.
O corpo sempre foi algo mais do que o individual, mas parte de um corpo social. Foucault fala que “o corpo singular torna-se um elemento, que se pode colocar, mover,
articular com outros. Sua coragem ou força não são mais as variáveis principais que o definem; mas o lugar que ele ocupa (...) ”. Por isso a busca por um corpo saudável sempre foi uma necessidade de enquadramento dentro de um parâmetro de normalidade definido pela sociedade vigente Então, tudo o que foge do padrão é considerado anormal, diferente e, portanto, passível de ser relegado, excluído, minimizado, rotulado.
A imagem do corpo perfeito não foi diferente na mitologia. Basta olhar os heróis e os deuses: Ares, Hércules, Afrodite, Zeus e tantos outros, belos e fortes, capazes de façanhas inimagináveis. Esses mitos nos trazem o arquétipo de corpo saudável e belo. As suas representações artísticas nos mostram isso.
Pelo fato dos gregos também não possuírem uma explicação lógica para as deficiências, estas eram explicadas através da mitologia, como uma ação dos deuses. E mais uma vez observa-se o quanto as questões religiosas interferem nas concepções sobre a pessoa com deficiência.
Portanto a partir das idéias mitológicas difundidas entre os gregos é possível se perceber que na civilização grega, as deficiências eram vistas como deformações, comprometimentos que não só prejudicam o desempenho físico, mas afetavam a harmonia corpo e mente, a perfeição da raça e a beleza. Assim, pessoas com deficiências eram banidas do convívio com as famílias, mas se sobrevivessem deveriam recorrer a locais distantes da cidade. Ademais, baseado no fato de que todas as ações imprevistas eram tidas como resultado de castigos dos deuses sobre o homem pode notar que a deficiência era evidentemente, o saldo de dívidas que o individuo deficiente ou sua família teria com a divindade. (SANTIAGO, 2011, p. 78)
Segundo Gugel, os próprios filósofos gregos, a exemplo de Platão (no livro ‘A República’) e Aristóteles (no livro ‘A Política’) sugeriam o extermínio dessas pessoas. “A eliminação era por exposição, ou abandono, ou, ainda, atiradas do aprisco de uma cadeia de montanhas chamada Taygetos, na Grécia”. “Na concepção de Aristóteles ‘era inútil o Estado investir na educação da pessoa surda, pios ‘o pensamento é impossível sem a palavra’. Posterirormente, criou-se a ideia de que os deficientes eram endemoniados...”(CASTRO, 2010, s/p)
Santiago (2011, p. 81) também nos mostra que não somente do ponto de vista estético, mas as questões socioeconômicas determinavam o futuro das pessoas com deficiência. Em Atenas a autora relata a seguinte situação: “Evidentemente, dependendo da classe social em que se encontrava a pessoa com deficiência, suas chances de não sobrevivência aumentariam, seja pelas próprias necessidades, seja pelas dificuldades econômicas” Também em momentos de desequilíbrio demográfico ou de falta de alimentos, este segmento populacional era o primeiro a ser eliminado.
Silva (2009) afirma que no antigo Peloponeso as crianças com deficiência eram abandonadas sozinhas à própria sorte para morrerem, mas podiam ser encontradas e recolhidas. Na cidade de Tebas, eles deixavam as crianças em locais considerados sagrados, a exemplo de florestas, beira de rios, cavernas, etc. Eram colocadas numa grande panela de barro ou num cesto, com roupas que continham seus símbolos maternos. Caso sobrevivessem, os símbolos levariam à identificação da família original e caso morressem, as vestimentas serviriam para adornar o próprio funeral.
Se alguma pessoa com deficiência não fosse eliminada, teria que vivenciar o preconceito de sua situação. E segundo Castro, a própria educação era mantenedora dessa situação, uma vez que a educação estava totalmente relacionada à aptidão física tanto voltada para o combate, quanto para a prática desportiva, uma vez que a cada quatro anos as cidades- estados gregas realizavam um festival olímpico em homenagem à Zeus (deus supremo da mitologia grega) (SANTIAGO, 2011, p. 80). Assim quem não correspondesse a essa expectativa seria excluído e preterido (CASTRO, 2010).
Castro (2010) relata um aspecto positivo do papel da pessoa com deficiência no campo educacional, pois afirma que os jovens gregos “ao deixarem os cuidados da ama, ficavam a cargo de um pedagogo-escravo ou servo a quem era confiada à responsabilidade do zelo moral e do cuidado geral sobre a criança.” (MONROE, 1974. p. 41 apud CASTRO). Este pedagogo, muitas das vezes, era escolhido pelo fato de possuir algum tipo de deficiência em virtude de sua impossibilidade de realizar serviços domésticos.
Em Esparta, a sociedade era totalmente militarista e o objetivo maior era fazer de seus cidadãos soldados preparados para a guerra. Portanto, não poderiam apresentar nenhum tipo de deficiência. Assim ao nascerem as crianças eram avaliadas e caso se constatasse alguma deformidade, seriam logo eliminadas.
Segundo Rezende (2012), a educação espartana era voltada para a formação militar e no momento em que a criança completava sete anos já era separada da família para ser inserida no exército onde ficava até aos 12 anos recebendo ensinamentos sobre a dinâmica do Estado e as tradições de seu povo. Após essa idade, eram treinados militarmente para o desenvolvimento de força, destreza, resistência física e psicológica, a fim de combater com eficácia e sobreviver em condições adversas.
Portanto, em qualquer fase desta preparação, a questão da deficiência era vista com grande empecilho ao bom desenvolvimento do ser. Caso a criança demonstrasse fraqueza, inabilidade ou qualquer limitação para atender aos objetivos do treinamento militar era sumariamente eliminada. (SANTIAGO, ibdem. p. 85)
Mas não somente as crianças eram eliminadas. Por ser Esparta uma cidade que vivia constantemente em combate e em treinamento militares, muitos soldados ficavam mutilados por ferimentos de guerra e Santiago nos diz que independente dos serviços prestados e das conquistas realizada, se um soldado adquirisse uma deficiência em combate seria eliminado no próprio campo de batalha pelos seus companheiros.
Mas não podemos ver apenas a exclusão das pessoas com deficiência, pois algumas delas se destacaram na cultura e na sociedade da época a exemplo de Homero, com cegueira e Tirteu, com deficiência física, ambos poetas líricos. Silva (2009) afirma que Homero, autor dos poemas Ilíada e Odisseia, retrata em seus escritos, diversas citações que retrata as pessoas com deficiências desempenhando funções com grande sucesso. Na Ilíada, ele fala de Hefesto, um deus com deficiência física e que era hábil ferreiro. Fala também de Demódoco, um cantor cego de voz melodiosa que também era contador de história e de rapsódia e de Tirésias, um adivinho famoso que ficara cego por castigo por haver revelado à humanidade os segredos do Olimpo.
Silva(2009) relata uma lenda onde os espartanos para cumprirem uma indicação do sagrado oráculo de Delfos, foram obrigados a solicitar que os atenienses escolhessem dentre eles um general para comandar seus soldados. De forma irônica, indicaram o poeta Tirteu, manco e sem nenhum preparo para o combate. Ao invés de rechaçar, os espartanos acolheram Tirteu, pois viram nele um verdadeiro sinal de Apolo, o deus da música, das artes e da profecia. Tirteu demonstrou competência, trabalhou com a autoestima dos seus liderados através da composição de cantos de guerra onde valorizava a coragem dos mesmos e dessa forma, venceram a batalha.
Outras pessoas com deficiência se tornaram importantes: Demóstenes com problemas de comunicação foi orador e político ateniense. Demócrito (470 a 360 a.C.) foi um físico e filósofo grego, que segundo uma lenda, tornou-se cego ao inutilizar seus próprios olhos objetivando meditar melhor. E isso sem falar nos adivinhos da época, os famosos oráculos, pessoas a quem as autoridades recorriam em busca de conselhos diante de decisões importantes a tomar pois acreditavam que possuíam algum tipo de comunicação com os deuses. Segundo Silva, alguns deles apresentavam diversas deficiências, a exemplo da epilepsia ou de cegueira, na maioria dos casos.
A Medicina da época também se debruçava sobre o estudo das deficiências, a exemplo do médico Cláudio Galeno (131 a 201 D.C.), da cidade de Pérgamo, na Grécia que estudou sobre deficiência física. Hipócrates (460 a 377 a.C.) desmistifica a epilepsia como um “mal divino” e a coloca numa perspectiva de uma afecção hereditária causada por alguma
disfunção cerebral. E assim começa a “separar a superstição e o misticismo, da realidade dos fatos em medicina” (SILVA, 2009, s/p). Hipócrates também descrevia e analisava alguns males incapacitantes ou limitadores a exemplo da espondilite, escoliose e do deslocamento congênito da bacia e indicava ainda como fazer o tratamento por meio de massagens, de calor e de sua "ginástica terapêutica” objetivando o alívio da dor.