2. ANTECEDENTES
2.1. Conceptualización de la osteoporosis
2.1.6. Anatomía patológica del hueso osteoporótico
De acordo com Rodrigues (2000, p. 15), as línguas indígenas da família Jê são consideradas como línguas amazônicas11, ainda que sua intrusão tenha sido mais ou menos recente nessa região.
As línguas da família Jê são classificadas no tronco Macro-Jê. Existem divergências sobre a classificação dessas línguas nesse tronco linguístico. Apresentamos, neste trabalho, duas visões, a primeira baseada em estudos de Seki (2000) e a segunda baseada em estudos de Moore, Galúcio e Gabas Jr. (2008)12.
Na primeira visão, o tronco Macro-Jê possui cinco famílias genéticas: Jê (com 27 línguas e dialetos), Bororo (com duas línguas), Botocudo (com apenas uma língua), Karajá e Maxakalí (cada uma com três línguas) e mais quatro línguas: Guató, Ofayé, Rikbaktsá e Yaté ou Fulniô (SEKI, 1999, p. 259-260; 2000, p. 239). De acordo com Seki (1999; 2000), as línguas e os dialetos que compõem o tronco Macro-Jê são falados em território brasileiro, particularmente em regiões de campos e cerrados, que compreendem desde o sul dos estados do Maranhão e do Pará, passando pelos estados do centro-oeste, até os estados do sul do país. Ou seja, além do Pará não há indícios de que o tronco Macro-jê esteja presente em outros estados da região norte como, por exemplo, Rondônia, nem em estados do nordeste.
Vejamos o quadro de classificação das línguas indígenas do tronco Macro-Jê segundo Seki (2000):
11
São consideradas línguas amazônicas as línguas indígenas faladas por povos que habitam as áreas banhadas pelo sistema fluvial do rio Amazonas.
12
O texto dos autores citados foi retirado de um site na internet não contendo número de páginas. Dessa forma toda referência ao texto será feita através do ano. Disponível em: <http://prodoc.museudoindio.gov.br/down/O_Desafio_de_Documentar_e_Preservar_as_Linguas_Amazonia- revisada.pdf>. Acesso em: 20 jun. 2010.
Quadro 08 - Classificação das línguas indígenas do tronco Macro-Jê.
TRONCO FAMÍLIA LÍNGUA
Macro-Jê Jê Akwén (akwë)
Xakriabá (xikriabá) Xavante (a’ wë) Xerente (akwë) Apinayé Kaingang (coroado) Kayapó Gorotíre Kararaó Kokraimôro Kubenkrangnotí Kubenkrankêgn Mekrangnotí Tapayúna Txukahamãe (mentuktíre) Xikrín (xikrï) Kren-akarore [Panará – LS] Suyá Timbíra Canela apãniekrá Canela Ramkókamekrá Gavião do Pará (Parakáteye) Gavião do Maranhão (pukobyé) Krahô
Krëyé (krenyé) Krikatí (krinkatí)
Xokléng (aweikoma)
Bororo Boróro (boóro oriental, orarí) Umutína (Barbados)
Botocudo Krenak – Nakrehé
Karajá Javaé Karajá Xambioá Maxakalí Maxakalí Pataxó Pataxó hãhãhãe
Outras línguas Guató
Ofayé (Ofayé-Xavánte)
Rikbaktsá (Erikbaktsá, Arikpaktsá) Yatê (Fulniô, Karnijó)
Na segunda visão, defendida por Moore, Galúcio e Gabas Jr. (2008), a classificação do tronco Macro-Jê é organizada de forma um pouco diferente da ilustrada por Seki (2000). Entre os dois estudos se observa, porém, a intersecção de quase uma década. No quadro organizado por Moore, Galúcio e Gabas Jr., observamos que se apresenta como dialetos e/ou grupos o que Seki considerou como língua. Verificamos também que Moore, Galúcio e Gabas Jr. (2008) classificam cinco famílias linguísticas a mais que o estudo anterior, isto é, de Seki (2000). São as línguas Guató, Ofayé, Rikbaktsá, Yathê e Jabuti. As quatro primeiras, no estudo de Seki, são consideradas como línguas, não chegando ao status de família linguística. A família linguística Jabuti, por sua vez, é apresentada no estudo de Moore, Galúcio e Gabas Jr. (2008) como pertencente ao tronco linguístico Macro-Jê. A presença dessa família no tronco Macro-Jê se constitui a grande diferença entre os dois estudos.
A inclusão da família Jabuti no tronco Macro-Jê ocorreu após estudos realizados por Ribeiro e Van der Voort (2005; prelo). Os autores fornecem evidências lexicais e gramaticais que confirmam a hipótese levantada por Curt Nimuendajú (2000), ainda em 1935, sobre a conexão entre Jabuti e Macro-Jê. De acordo com as pesquisas de Ribeiro e Van der Voort (2005; prelo) e Van der Voort (2007; 2008), a família linguística Jabuti é provavelmente um ramo do tronco linguístico Macro-Jê, comprovando “que esse importante tronco se estendeu ao sul de Rondônia há mais de 2.000 anos, forçando uma revisão das ideias sobre a pré- história dos povos Macro-Jê” (MOORE; GALÚCIO; GABAS JR., 2008).
Vejamos a classificação proposta por Moore, Galúcio e Gabas Jr. (2008)13:
13
Quadro 09 - Classificação das línguas indígenas do tronco Macro-Jê.
TRONCO FAMÍLIA LÍNGUA DIALETOS/GRUPOS
Macro-Jê Boróro Boróro
Guató Guató
Jabuti Djeoromitxí (Jabutí) Arikapú
Jê Akwén Xakriabá
Xavante Xerénte Apinayé
Kaingáng Kaingáng do Pará
Kaingáng de Santa Catarina Kaingáng do Rio Grande do Sul Kayapó (Mebengokre) Gorotire
Kararaô Kokraimoro Kubenkrankegn Menkrangnoti
Mentuktíre (Txukahamãe) Panará (Kren-akore, Kren-
akarore)
Suyá Suyá
Tapayúna (Beiço-de-pau)
Timbíra Canela Apaniekra
Canela
Ramkokamekra
Gavião do Pará (Parkateyé, Kyikatêjê, Akrâtikatêjê)
Gavião do Maranhão (Pukobiyé) Krikatí (Krinkatí)
Xokléng
Karajá Karajá Javaé
Karajá Xambioá
Krenák Krenák
Maxakalí Maxakalí
Ofayé Ofayé (Opayé, Ofayé-Xavante)
Rikbaktsá Rikbaktsá (Erikpaksá)
Yathê Yathê (Iatê, Fulniô, Carnijó) Fonte: MOORE, GALÚCIO E GABAS JR., 2008.
Como observado nos dois quadros acima ilustrados, a família linguística Jê é a principal família do tronco Macro-Jê. Nas palavras de Rodrigues (1986, p. 47), a família Jê é “o constituinte maior do tronco Macro-Jê”, pois possui muitas línguas ou dialetos, além de reunir línguas faladas em áreas entre o cerrado no Brasil central e a floresta Amazônica.
De acordo com Reis Silva (2001, p. 1), “as línguas da família ainda faladas na atualidade se agrupam naturalmente em três ramos: Jê setentrional, Jê central e Jê meridional”, conforme se verifica abaixo.
Quadro 10 - Línguas da família Jê classificadas em três ramificações.
Jê setentrional Jê central Jê meridional
Mebengokre (Kayapó, Xikrin) Apinayé
Suyá Panará
Timbira (Ramkokamekra, Apãnjekra, Krahô, Krikati, Pykobje, Parkatejê)
Xavante Xerente
Kaingang Xokleng
Fonte: REIS SILVA, 2001, p. 2.
A língua Mẽbêngôkre faz parte, portanto, do ramo Jê setentrional juntamente com as línguas Apinayé, Suyá, Panará e Timbíra. A similaridade entre as línguas Mẽbêngôkre, Suyá, Apinayé e Timbíra, isto é, a grande proximidade entre os vocabulários, outrora mencionada, é justificada porque essas línguas estão territorialmente próximas, compartilhando do mesmo ramo, o Jê setentrional.