A Base Nacional de Conhecimento (BNC) é um Sistema de Gestão do Conhecimento que pode ser acessado através de um ambiente seguro que congrega ferramentas da Engenharia do Conhecimento com intuito de integrar e cruzar dados e informações com vistas à produção de conhecimento para atividade de inteligência.
É importante ressaltar que o fato do conhecimento ser disponibilizado para atividade de inteligência não significa que será utilizado apenas na área policial, pois a atividade de inteligência visa fornecer assessoria para tomada de decisão de autoridades em várias esferas das organizações.
A topologia da BNC visa cruzar informações transacionais de diversas instituições da esfera federal e pode ser observada na Figura 63.
158 A BNC procura cruzar e integrar dados e informações estruturadas33 e não estruturadas34 das instituições federais, procurando utilizar critérios de confidencialidade adotadas da legislação especifica da atividade de inteligência e possibilitadas pelas ferramentas de engenharia do conhecimento.
Segundo Nantes, as informações estruturadas e não estruturadas tem valor dentro de uma organização e trata:
De uma forma geral, os sistemas de informação tendem a contemplar essencialmente informações estruturadas, obtidas a partir de processos sistemáticos de coleta, armazenamento, tratamento e disseminação.
Tais informações usualmente estão associadas na organização ao que se convencionou denominar de conhecimento explícito, disponível sob a forma de registros formais (relatórios gerenciais, bancos de dados estruturados, manuais de procedimentos, “melhores práticas”, entre outros). Sem pretender minimizar a importância das informações estruturadas, a gestão contemporânea deve também valorizar outra dimensão constituída pelas informações não estruturadas a respeito de negócios ou produtos, usualmente disponíveis sob forma implícita por pessoas ou grupos, dentro ou fora da organização.
Em conformidade com Drucker, tais informações em boa parte estão associadas na empresa ao denominado knowledge worker (trabalhador do conhecimento) que, segundo o autor, é “alguém que sabe mais sobre seu trabalho do que qualquer outro integrante da organização”. (NANTES, 2006, p. 2).
Estes conhecimentos produzidos serão explicitados aos gestores públicos que os utilizarão para subsidiar a tomada de decisão nos níveis estratégicos, táticos e operacionais das instituições. Isto faz com que o administrador tenha uma visão geral do problema e o conhecimento necessário para resolvê-lo.
Esta visão holística pode ser definida graças ao conjunto de componentes tecnológicos inter-relacionados que trabalham juntos para coletar, recuperar, processar, armazenar e distribuir informação com a finalidade de facilitar o planejamento, o controle, a coordenação, a análise e o processo decisório em organizações (SILVA et. al, 2008).
Entretanto, para que ocorra o cruzamento das informações, é necessário formular a interoperabilidade dos sistemas e a integração das informações.
A Figura 64 apresenta uma forma producente de integração para as informações de segurança pública entre os órgãos.
33 Pode-se citar como informações estruturadas aquelas que estão depositadas em banco de dados e sistemas dentro de critérios e parâmetros estabelecidos como, por exemplo, datawarehouses e sistemas legados. 34 Pode-se destacar como informações não estruturadas são aquelas que não estão dispostas dentro de
parâmetros para acesso sistêmico com as informações armazenadas em arquivos de texto, planilhas eletrônicas, arquivos de e-mail, dentre outros.
Figura 64 – Integração de dado e informações para BNC
A criação de índices para os dados e informações é uma das principais formas de integração, pois é através desta interação que são realizadas as correções e a interconexão das informações no banco de dados da BNC. Os índices das informações são armazenados na base de dados com auxílio da biblioteca de ontologias que organiza as informações de acordo com os critérios previamente adotados no processo de engenharia de ontologias. Os dados são estagiados na base de dados e neste local é garantido o critério de unicidade das informações para que não haja duplicidade.
Em síntese, o índice consiste basicamente na adoção de uma base onde são inseridos os dados registrados nos sistemas e processados nas instituições, mas adotando funções de identificação de similaridade entre os dados. Quando um sistema que tem suas informações disponíveis na BNC vai realizar a abertura de um novo procedimento interno, o sistema envia os novos dados por meio dos protocolos de integração adotados entre as instituições. Esta atualização é realizada de forma incremental, ou seja, apenas as últimas informações registradas ou alteradas são enviadas com a finalidade de não haver informações em duplicidade.
O critério de aferição das informações pode ocorrer por meio da triangulação dos dados para diminuir o número de respostas duplicadas, pois o sistema tem que reconhecer as informações e verifica por meio de uma escala de similaridade a duplicação de informação e realiza a junção das informações duplicadas.
O intuito é possibilitar a interconexão das informações e explicitar para o analista, de forma facilitada e oportuna, os conhecimentos para orientar o processo decisório. Isto, graças às técnicas de engenharia do conhecimento utilizadas na solução.
160 O processo de cruzamento de informações que é utilizado na BNC se espelha nas outras bases de conhecimento que podem ser criadas nos vários níveis e esferas estaduais. A diferenciação ocorre nas informações que elas trabalharão, ou seja, o insumo será dos níveis regional, estadual, setorial ou municipal.
A Figura 65 apresenta a estrutura da Base Regional de Conhecimento (BRC). Percebe-se que ela pode manter a interligação com a BNC, pois tem as mesmas características de buscar as informações. Entretanto, as informações que são retiradas das fontes de informação advêm do nível regional (sistemas informatizados dos estados mídias eletrônicas e sites) e bases não estruturadas da região.
O intuito é trabalhar com informações para tomada de decisão que transcendam as fronteiras estaduais e que acarretem necessidades de atuação entre governos estaduais limítrofes. O governo federal pode auxiliar na coordenação e fomento das BRC, por meio das Divisões Regionais de Inteligência Estratégica (DRIE) da Coordenação de Inteligência, que pertence a Coordenação-Geral de Inteligência da SENASP/MJ.
A Figura 66 apresenta a topologia de coleta de informações para a Base Estadual de Conhecimento (BEC). Fica claro que o propósito da BEC é trabalhar com informações a nível estadual, utilizando as técnicas e os métodos da engenharia do conhecimento para realizar cruzamento de informação e explicitação do conhecimento para tomada de decisão dos agentes envolvidos nos processos estaduais de políticas públicas.
A BEC pode ser ligada a BNC ou a BRC, dependendo da finalidade que se deseja usar, mas também pode trabalhar com informações de forma isolada dependendo da conveniência do estado.
A Base municipal de Conhecimento (BMC) trabalhará com as informações municipais como mostra a Figura 67. Estas informações são extraídas dos sistemas transacionais das instituições municipais. Entretanto, como mencionado, anteriormente, ela também pode se ligar a BEC ou até mesmo a BRC em um nível de menor circunferência estatal.
Base Regional de Conhecimento Bas e Estadual de Conhecim ento - BEC Estado 01 B as e Est adual de Conhecim ento - BRC Esta do 02
Base Est adual de Conhecim ento
- BRC Estado 03
Base Estad ual de Con hecimento - BRC Estado 04 Base Estadual de Conheciment o - B RC Estado 05 Base Estadual de Conheciment o - BRC Estado n. Informaçõe s da mídia e Sites re gio nais e estadua is
Bases Estaduais de Conhecimento
Informações d e base não estru turad as de r epositório s s eleciona dos DRIE Base Nacion al de Conhe cime nto
CGI - SENASP
Figura 65 – Estrutura de coleta de informações da Base Regional de Conhecimento
Base Estadual de Conh ecimento Informações da Polícia Civil Informaç ões da Polícia Militar Informações do Instituto de Perícias Informações do Sistema Prisional Inf ormações do Menos In frat or Informações de Outras Fontes Estaduais Informações da mídia e Sites estaduais e municip ais
Bases Municipais de Conhecimento
Informações de
base não
estruturadas de repo sitórios
selecionado s Estado
BNC ou BRC CG I
Figura 66 – Estrutura de coleta de informações da Base Estadual de Conhecimento
162 Com a adoção gradativa das bases de conhecimento nas variadas esferas de governo e trabalhando com informações dos níveis estratégicos, táticos e operacionais das organizações, com vistas a buscar a interoperabilidade das bases e a integração das informações, se conseguirá traçar cenários mais fidedignos para auxiliar a tomada de decisão na gestão pública.
A Figura 68 mostra a estrutura do sistema nacional de conhecimento que pode ser aplicado na segurança pública.
Base Estadual de Conhecimento Base M unicipal de Conhecimento - BM C Base Municipal de Conh ecimento - BM C M unicípio 02 Base Municipal de Conhecimento - BMC Base Municipal de Conhecimento - BMC Base M unicipal de Conhecimento - BM C Base M unicipal de Conhecimento - BM C M unicípio N. Informações da mídia e Sites estad uais e municipais BEC Base Nacional de Conh ecimento
Município 01 Município 03 Município 04 M unicípio 05
Base Estadual de Conhecimento BEC Base Estadual de Conhecimento BEC Base Estadual de Conhecimento BEC Base Estadual de Conhecimento BEC BNC Base Regional de Conhecimento BRC Base Regional de Conhecimento BRC Base Regional de Conhecimento BRC
Figura 68 – Estrutura Interoperável de informações entre as Bases de Conhecimento
A construção de um sistema desta magnitude aumentará o nível de utilização das informações na segurança pública, mas é necessário que um órgão desempenhe a atividade de normatização, controle e fiscalização na interoperabilidade entre as bases de conhecimento. Assim, este órgão deve ser responsável pela fiscalização contra vazamento de informações e controle de acesso. As informações no sistema devem gozar de total segurança, pois a inteligência serve para garantir a democracia e dar suporte às autoridades. Não pode se valer do anonimato para invadir a privacidade. Desta forma, a legislação de inteligência regulará o acesso e os mecanismos de segurança auxiliam na salvaguarda das informações contidas no sistema. O gestor garante a fiscalização e punição quanto aos excessos na sua utilização para proteger o cidadão.
O Ministério da Justiça (MJ) detém a missão de garantir e promover a cidadania, a justiça e a segurança pública, através de uma ação conjunta entre o Estado e a sociedade. Assim, a Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), através da Coordenação-Geral de Inteligência pode fomentar e garantir aos entes federados a incorporação do sistema para auxiliar nas políticas de segurança pública.