1 Introduction
1.1 Atmospheric icing on structures: an overview
1.1.1 Analytical parameterizations of droplet collision efficiency
Até o momento estivemos analisando aspectos econômicos, sociais e culturais do Movimento de Ocidentalização do Mundo, constituído historicamente através das ações e relações que delinearam o processo evolutivo dos indivíduos. Paralelamente, estabelecemos discussões acerca da Racionalidade e da Irracionalidade, difundidas em nome da Modernização Econômica, que se justifica e se legitima na acumulação de riquezas e bens de consumo.
Ao longo da análise, apresentamos também indagações, dúvidas e esclarecimentos em torno das relações de produção e sistematização da informação e dos conhecimentos que são oferecidos como suportes da estrutura educacional, associando saber e poder como catalisadores da Trama Mito-Técno-Lógica, e assegurando os instrumentos de controle na Comunicação Contemporânea.
Em linhas gerais, circunscrevemos relações conceituais que estimularam a amplitude do Mito, da Técnica, da Ciência e da Tecnologia. Dentro dos limites da nossa compreensão, também destacamos algumas implicações desses conceitos na Sociedade Contemporânea. Apesar de ainda existirem questões envolvendo tais conceitos, estas não foram tomadas como perspectiva de mudança paradigmática na nova composição interpretativa do Pensamento Contemporâneo.
Essa composição e mudança paradigmática, a que nos referimos, focalizam questões como objetividade-subjetividade e intersubjetividade, em torno das quais se organizam os processos comunicativos. Nesse contexto, ainda prevalece a orientação que tem seus fundamentos basilares respaldados em pólos interpretativos projetados pela visão dicotômica sujeito-objeto, a partir da qual se analisam outros pares interpretativos: Mito- Razão, Homem-Natureza, Indivíduo-Sociedade, Ciência-Senso Comum.
Abordar tais questões, entretanto, exigirá de nós uma redução metodológica como estratégia de análise, a fim de estabelecermos recortes compreensíveis, aproximando discussões históricas de questões atuais. A redução a que nos referimos visa a afunilar categorias epistemológicas e ontológicas, parcialmente desenvolvidas neste estudo, e aprofundar interfaces do Mito com a Razão. Na seqüência do desenvolvimento, deveremos apresentar uma perspectiva de análise que rompe com o modelo dicotômico dos Modernos, pautado na relação sujeito-objeto, como base de sustentação para vir a compreender o Movimento das Transformações Contemporâneas.
No que diz respeito ao Cenário Mundial, o conjunto das informações apresentadas neste estudo nos revelou que a Sociedade Contemporânea serve de palco para a extensão da Modernização Política e Econômica, na qual a Educação, em específico a brasileira, ocupa lugar de destaque. O script que dinamiza as ações da Educação brasileira, no contexto da Modernização, a apresenta como ambiente propício para acomodar a magnífica fusão do Mito com a Racionalidade Técnico-Científica e, para gerar o que denominamos de Mito- Tecno-Lógico. Este detém o papel principal e entra em cena como o protagonista das
As informações e questões aqui desenvolvidas também nos apresentaram indicadores de que a montagem do espetáculo da Modernização passou, historicamente, por grandes investimentos em produtos técnicos e tecnológicos. Ela chegou à Contemporaneidade apoiada nos suportes eletroeletrônicos, servindo de mola propulsora para as políticas de acumulação e reprodução do Capital.
A representação coletiva da fusão que deu origem ao Mito-Tecno-Lógico na Sociedade Contemporânea pautou-se por princípios básicos de motivação individual e pelo desejo de se consumir indiscriminadamente produtos tecnológicos. Desse modo, prevalece a doce ilusão de que participamos de uma “nova” Era, apontada por alguns teóricos como “o ponto alto da evolução da espécie humana”. O destaque e o louvor ficam por conta da Racionalidade Técnico-Científica. E, nesse mesmo contexto, a Escola esforça-se para ocupar seu lugar no rito de passagem, do Não-Moderno para o Moderno ou Pós-Moderno. Implicações da relação acima descrita não são fáceis de ser diagnosticadas, por isso as colocamos, parcialmente, no campo das incertezas, o que se justifica porque, tanto poderão provocar grandes alterações, como não alterar em nada o ambiente sócio-cultural e educativo em que se insere a instituição Escola. Essa postura encontra respaldo nas palavras de Duarte (2000), para quem,
(...) O diagnóstico do presente cultural, na sua multiplicidade e pluralismo, na sua pelo menos aparente ausência de limites, não permite certezas sobre o devir, desafiando qualquer tipo de previsão sobre o futuro. Falar sobre ele, hoje, é enredar-se num exterior irrepresentável que ignora descontinuidades de opiniões ou posições isoladas, para partilhar pontos cruciais que reúnem, sob eixos comuns, posturas, às vezes, opostas.55
Por outro lado, entendemos que se faz necessário aproximar as fronteiras das certezas e incertezas, o que nos força a entrar na esfera cognitiva, mediada pela discussão da assimilação, construção e desconstrução do Conhecimento. Nesse caminho, a análise não tem mão-única, ou seja, se por um lado reconhecemos e valorizamos o indivíduo atribuindo-lhe o ‘status’ de Ser pensante - o que exige e pressupõe estar capacitado para discernir entre o que é e o que não é -, por outro, corremos o risco de desconhecer, ou não valorizar, a dimensão imaginativa e sensitiva, na qual pode ter sido gerado, envolvido e desenvolvido o próprio Pensamento.
Por isso, a perspectiva metodológica que assumimos neste estudo é uma via de mão-dupla, procurando evitar ou, pelo menos, diminuir os riscos de cair na armadilha cognitiva da falsa sensação de “plenitude racional”. Nossa intenção é identificar a existência de um canal aberto entre o pensar e o fazer, o qual mantém íntima ligação com o processo de reordenação do mundo sob o comando do Mito-Tecno-Lógico. Contexto já descrito em tópicos anteriores, em que observamos o apelo feito, hoje, à Racionalidade Técnico-Científica, como forma de oferecer motivos e estímulos fomentadores de desejos para o consumo, justificando assim tanto a produção tecnológica, quanto as ações pensadas e idealizadas nos níveis político e econômico.
Com o intuito, por exemplo, de forjar estratégias para a aceitação social do sutil movimento de exploração e acumulação do Capital Financeiro, aciona-se o discurso da mídia sensacionalista, para acomodar as dúvidas e as incertezas. Por sua vez, o discurso
mítico contemporâneo induz a se acompanhar passivamente as constantes redefinições das noções conceituais e valorativas de espaço e tempo, ser e não-ser, pensar e conhecer, viver
e morrer, com a mesma postura ou “naturalidade” de quem vê, ou pratica, um ato de barbárie, resultante de mentes insanas em defesa de falsos direitos humanitários.
O discurso do Mito-Tecno-Lógico encontra-se assim resguardado pela Racionalidade Técnico-Científica, embora se destaque pelo alto grau de Irracionalidade que o acompanha no processo e na produção de ações reguladoras para a Modernização. É possível que o referido Movimento discursivo contenha algum vírus corrosivo, atuando destrutivamente no conjunto do Conhecimento Técnico-Científico e invertendo suas funções, para acelerar a produção pautada em um saber que se acredita ter, e não na dúvida que se credita para conhecer.
Em Habermas (1998), encontramos uma interpretação do entrelaçamento dessas questões, que poderão ajudar a construir um referencial mais consistente. No discurso filosófico da Modernidade, o autor critica as idéias de Adorno e Horkheimer, difundidas na obra “Dialética do Esclarecimento” (Iluminismo)56, na qual defendem a tese de que a Racionalização proposta pelo Iluminismo já contém em si mesmo o germe da sua contradição, ou seja, o Mito.
Para demonstrar a afirmação acima, Adorno e Horkheimer utilizam a obra de Homero, a “Odisséia”, na qual relata as aventuras do guerreiro Ulisses, e o seu retorno para Ítaca, após a guerra de Tróia. As aventuras se passaram em ambientes de Natureza mítica, onde o autor – Homero - apresenta o herói Ulisses, explorando tanto a capacidade racional, quanto as habilidades e artimanhas da Guerra, para escapar dos obstáculos que lhe dificultavam o seu retorno.
O esforço de Habermas (1998) se apresenta no sentido de demonstrar que Adorno e Horkheimer estão equivocados quanto à idéia de que o Mito e a Razão participam de uma mesma unidade. Ele tem claro que, para os autores supracitados, a potência mítica se mostra com o propósito de retardar a emancipação do indivíduo. Para isso, o Mito utiliza sedutoras teias que impedem a Racionalidade de seguir seu curso emancipatório.
O caminho seguido por Adorno e Horkheimer toma como pressupostos de análise estágios da consciência e algumas estratégias assumidas pelo “eu” racional, para dominar os perigos da Natureza externa. Os dois autores usam a narrativa mítica de Homero - a Odisséia - para destacar o conflito no qual vive o indivíduo contemporâneo representado pelo interno (a Racionalidade) e pelo externo (os obstáculos que se põem à Razão).
Numa das passagens mais conhecidas da Odisséia de Homero - o encontro de Ulisses com as sereias -, fica evidenciado o conflito vivido pelo guerreiro, na sua tentativa de não se deixar arrastar pelo canto sedutor das belas sereias. É o momento em que Ulisses mostra como usar a razão para dominar obstáculos externos, ainda que para tal tenha que reprimir os instintos interiores, os quais são presas fáceis para as estratégias que utilizam conteúdos sedutores, tais como o encanto das sereias, que geram confusões na aplicação correta da razão e, por conseguinte, levam a atitudes irracionais.
Para Habermas (1998), Adorno e Horkheimer querem nos levar à interpretação de que a Ciência Moderna assumiu a sua forma no Positivismo Lógico, mas seu conteúdo foi absorvido pela Razão Instrumental, e por isso, renunciou à pretensão de um conhecimento teórico em favor da aplicabilidade Técnica. Segundo Habermas (1998), essa interpretação