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3 THEORETICAL FRAMEWORK

4.3 Data analysis

Com intuito de apresentar as mulheres que participaram desta pesquisa, neste capítulo, serão relatados seus nomes fictícios, uma breve biografia de cada uma, o conteúdo expressivo de seus discursos e alguns fatos relacionados ao recebimento do diagnóstico da infecção pelo HPV.

Nesta apresentação, o ressalto do conteúdo expressivo, teve a finalidade de demonstrar valores, crenças ou até emoções e sentimentos que se destacaram nos discursos de cada mulher.

Em sua íntegra, os discursos estão apresentados no Apêndice B.

A

NA

Ana, 25 anos, auxiliar administrativa, ensino médio completo, em união estável há 6 meses, foi casada por cerca de 7 anos e tem uma filha de 7 anos dessa união. Atualmente, mora com os pais, um irmão e sua filha. Tem renda familiar de mais de oito salários mínimos. Recebeu o diagnóstico de HPV associado a uma neoplasia intraepitelial grau 1 em maio de 2007. Em sua fala, não utilizou nenhuma vez a palavra câncer de colo do útero, apesar de ter o conhecimento da associação do HPV com este agravo. Preferiu sempre se referir à infecção como “feridinha”. Buscou informação na internet, além de conversar com o médico. Para ela, o fato de estar com HPV não desencadeou nenhum impacto negativo, pois não apresentava nenhuma lesão visível, como as que tinha visto nos sites pesquisados.

B

IA

Bia, 22 anos, dona de casa, renda familiar de dois salários mínimos, ensino médio completo, católica, casada há 3 anos, tem um filho de 3 anos. Nunca tinha ouvido falar em HPV e associou a doença à AIDS. Durante o processo de cuidado na atenção básica, recebeu, especialmente do médico e

de familiares e amigos várias orientações sobre o HPV. Questionou a fidelidade de seu parceiro e também a qualidade da assistência das unidades básicas, como a eficácia da esterilização dos materiais.

C

ÉLIA

Célia, 23 anos, vendedora, ensino médio incompleto, evangélica, casada há 4 anos, renda familiar de dois salários mínimos, tem uma filha de 2 anos. Recebeu o diagnóstico de HPV associado a uma neoplasia intraepitelial grau 1 e presença de bacilos. Célia não tinha conhecimento prévio sobre o HPV. Não se sentiu bem atendida em suas necessidades de cuidado, pelo serviço público de sua região e buscou tratamento em outro estado. O marido acusouRa de traição. Relatou ter sido um processo doloroso, mas, afirmou que se sentia vitoriosa por ter passado por tudo e ter ficado bem com sua família. Ela chorou durante quase toda a entrevista.

D

ORA

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Dora, 47 anos, atualmente dona de casa, era cozinheira. É casada há 27 anos, tem duas filhas, uma de 25 e outra de 18 anos. Concluiu o ensino médio, é católica e sua renda familiar gira em torno de quatro salários mínimos. Recebeu poucas informações sobre o HPV e não buscou mais conhecimentos. Demonstrou ter um relacionamento conjugal com um estereótipo de gênero, onde há dominação do homem na relação e submissão da mulher. Este modelo refletiuRse em suas relações sociais, ou seja, na relação com os profissionais de saúde.

E

LZA

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Elza, 39 anos, cozinheira de uma escola, católica, ensino médio completo e renda familiar de pouco mais de um salário mínimo. Foi casada por mais de 12 anos e teve dois filhos dessa relação, uma menina de 8 e um

menino de 13 anos. Hoje, Elza não está mais com o marido e, há quase 2 anos, vive uma outra relação estável. Procurou a Unidade de Saúde com queixas ginecológicas típicas de leucorreias. Após o tratamento, sentiuRse atendida em suas necessidades, entretanto, ao receber o resultado do preventivo, ficou sabendo que tinha um “vírus”, mas não recebeu muitas informações sobre a infecção nem mesmo que estava com o HPV. Demonstrou conhecimento sobre o contágio das DST, de uma forma geral, e como preveniRlas. Sabia que a sua infecção era uma DST, mas não entendeu qual.

F

ÁBIA

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Fábia, 38 anos, babá, renda familiar de dois salários mínimos, ensino médio incompleto, embora sem religião definida, disse ter muita fé. Teve três uniões estáveis; o primeiro marido, morreu em um acidente automobilístico; o segundo, após 9 anos de relação, abandonouRa para morar com outra mulher e há 6 anos, vive com o parceiro atual. Teve sete filhos, um da primeira união, quatro da segunda e dois da atual. Perdeu uma filha de 16 anos, há 5 anos, assassinada. Fez acompanhamento psiquiátrico por 3 anos. Recebeu o diagnóstico de NIC 1 associado ao HPV. Ela associou a infecção a sua alta paridade e não acreditou que o HPV fosse uma DST. Em suas falas, destacou a importância da busca de informações e do apoio familiar.

G

ILDA

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Gilda, 22 anos, do lar, marido com 23 anos, com quem vive há mais de 7 anos, engravidou pela primeira vez aos 13 anos, tem quatro filhas, renda familiar de meio salário mínimo, mora em uma casa com três cômodos, com precárias condições de higiene, e todos os seis dormem no mesmo quarto, divididos em duas camas, uma de casal e uma de solteiro. Gilda concluiu o ensino fundamental, não tem religião definida e freqüenta as igrejas evangélica e católica. Quando ainda estava grávida de sua quarta filha, recebeu o

diagnóstico de ASCUS associado à lesão condilomatosa em vagina e colo. A investigação inicial deuRse pela presença de condiloma peniano em seu parceiro. Não associou esta lesão a uma DST nem mesmo ao câncer.

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ELENA

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Helena, 22 anos, auxiliar de cozinha de um supermercado, renda familiar de dois e meio salários mínimos, tem o ensino médio completo, é católica, está em união estável há 4 anos e tem uma filha de 1 ano e 2 meses. Recebeu o diagnóstico de NIC 2, após a realização de um exame de Papanicolaou de rotina. Em seguida, descobriu que estava grávida e não deu andamento à investigação da lesão por decisão sua. Por ter muitas dúvidas, procurou um serviço particular para realização de um novo exame.

I

LDA

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Ilda, 21 anos, assistente administrativa, renda familiar de quatro salários mínimos, estudante do ensino superior, faz graduação em administração. É católica, mora com os pais e dois irmãos mais novos, um de 14e e outro de 19 anos. Namora há 3 anos. O namorado é seu primeiro e único parceiro sexual. Usa contraceptivo hormonal oral, desde os 15 anos, como tratamento dermatológico, e há 3 anos também como método contraceptivo. Quando fez o segundo preventivo de sua vida, em junho de 2008, recebeu o diagnóstico de NIC1 associado ao HPV. Relatou que foi informada de que o resultado era “sugestivo de alguma alteração, mas que se fosse algo sério, seria convocada para ir à Unidade de Saúde.” Como não foi mais chamada, ficou tranquila. Seu parceiro já fez um tratamento em uma “ferida no pênis”, mas ela não associou este episódio a seu diagnóstico.

J

OICE

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Joice, 37 anos, cozinheira de uma creche, renda familiar de um salário mínimo, ensino médio incompleto, é católica, casada há 13 anos, tem um filho de 9 anos. Recebeu o diagnóstico de NIC1 associado ao HPV, em janeiro de 2007. Sabe da associação do HPV com o câncer e com a relação sexual, mas afirma que não procurou muita informação sobre o assunto e disse ter tido dificuldade no aceite do uso da camisinha pelo seu parceiro.

K

ÁTIA

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Kátia, 47 anos, vendedora autônoma de tapetes, renda familiar de um pouco mais de dois salários mínimos, ensino fundamental incompleto, é católica, foi casada por 11 anos, tem quatro filhos dessa relação e, há 11 anos, está com outro parceiro. Recebeu o diagnóstico de NIC1 associado ao HPV, em junho de 2007. Diz ser muito nervosa e gostar das coisas “certinhas”. Achou que seu processo de encaminhamento para a realização dos exames solicitados pelo médico foi ruim.

L

IA

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Lia, 40 anos, empresária, ensino superior completo, em união estável há mais de 13 anos, tem dois filhos, ambos meninos, um de 9 e outro de 11 anos, renda familiar de mais de dez salários mínimos, e é evangélica. Recebeu o diagnóstico de HPV associado a uma neoplasia intraepitelial grau 3, em maio de 2007, que resultou em histerectomia. Tem conhecimento da associação de HPV com o câncer de colo do útero e sobre sua transmissão sexual.

M

ARA

1

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Mara, 30 anos, do lar, segundo grau completo, em segunda união marital há 3 anos, com um parceiro de 60 anos, tem dois filhos da primeira união, uma menina de 11 e um menino de 10 anos, renda familiar de mais de dez salários mínimos e é evangélica. Recebeu o diagnóstico de HPV quando estava grávida de sua primeira filha.

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Nice, 43 anos, ensino superior completo, profissional de saúde, em união estável há 2 anos e meio, não tem filhos, renda familiar de mais de cinco salários mínimos e é evangélica. Recebeu o diagnóstico de lesão cervical leve por HPV, há cerca de 3 meses. Tinha conhecimento prévio amplo sobre o HPV. Sabia da relação da infecção com o câncer de colo do útero, da possibilidade do vírus ser oncogênico ou não e de sua transmissão sexual.

Após esta apresentação, serão discutidos os resultados desvelados pelo fenômeno ser mulher e estar infectada pelo HPV, sob a óptica dos conceitos fenomenólogos de Martin Heidegger.