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Agentes fotossensibilizantes veiculados apresentam vantagens em relação à sua utilização em forma dispersa, uma vez que podem ser utilizados em solventes em que o fotossensibilizador é insolúvel e há seu transporte para localizações específicas. A interação do fotossensibilizador com um suporte sólido é explicado pela existência de ligações iônicas, troca iônica e ligação covalente entre o fotossensibilizador e o suporte, ou ainda apenas por forças de Van der Waals (Nakonechny et al, 2013).

Segundo Nakonechny, F, et al, 2013, entre a variabilidade de suportes para a veiculação de fotossensibilizadores, até o momento os mais estudados são: Poli (cloreto de estireno-co- vinilbenzilo), poli [(N-isopropilacrilamida)-co-(cloreto de vinilbenzilo)], poli [(sódio p- estirenosulfonato)-co-(cloreto de 4-vinilbenzil)], quitosana, gel e nanopartículas de sílica.

Dentre as diversas opções, as nanopartículas de sílica se destacam pela simplicidade do processo de fabricação, baixo custo em relação às outras nanopartículas como de ouro e de prata, facilidade na adsorção de substâncias fotossensíveis, além de serem transparentes às ondas eletromagnéticas favorecendo a utilização da TFD. Também são compatíveis com células eucarióticas, e tóxicas para micro-organismos sendo um ótimo suporte para veiculação de fotossensibilizadores a fim de erradicar infecções ocasionadas por micro-organismos.

29 Para a inativação de micro-organismos, as nanopartículas de sílica têm demostrado um grande avanço, uma vez que há estudos recentes que demonstram a não toxicidade das npSi em células de mamíferos e alta toxicidade em bactérias, em presença e ausência de antimicrobianos (Capeletti, 2014). Pode-se ver pela fig. 8 a representação da interação entre as nanopartículas de sílica com a membrana externa de bactérias gram-negativas, através de ligações de hidrogênio pelos grupos hidroxila da superfície da sílica. Nota-se que não há interações com as células de mamíferos, o que é explicado pelas diferenças na estrutura das membranas. Devido à compatibilidade das npSi com células de mamíferos, há um interesse para utilização como veículos para o processo de erradicação de micro-organismos, utilizando fotossensibilizadores (Capeletti, 2014).

Figura 8: Interação entre nanopartículas de sílica com: (a) bactéria Gram-negativa e (b) células de mamíferos.

Fonte: Capeletti, 2014 adaptado pelo autor.

A importância da veiculação de FSs por nanopartículas, especialmente de sílica, objetivando a fotoinativação microbiológica é dividida por duas vertentes. Uma em que há a utilização de fotossensibilizadores em vez de antibióticos, desfavorecendo o processo natural de resistência microbiana, especialmente bactérias. E a outra em que há a utilização de nanopartículas de sílica que além de apresentarem um baixo custo e fácil fabricação, agem como veículos para o transporte dos fotossensibilizadores, sendo altamente tóxicas para bactérias gram-negativas e muito compatíveis com células de mamíferos (Capeletti, 2014).

Os antibióticos têm sido cada vez mais substituídos por outros agentes que podem erradicar micro-organismos sem favorecer mecanismos genéticos de resistência, como aquisição de um novo material genético por meio de bacteriófagos (transdução), incorporação

Glicocálix Lipopolissacarídeos Nanopartículas

Peptideoglicano

30 de DNA (transformação) ou aquisição de um plasmídeo (conjugação), assim, problemas como infecções e diversas doenças causadas por micro-organismos já resistentes são resolvidos pela utilização de agentes fotossensibilizantes (Dzidic, 2003).

Junto ao uso de agentes fotossensibilizantes, as nanopartículas de sílica agem formando agregados que podem perfurar a parede celular da E. coli e se concentrar em torno delas, tornando-as mais vulneráveis à TFD. A interação entre superfície de E. coli e as npSi podem induzir um estresse tornando-as menos resistentes a ataques externos (Benabbou et al, 2011).

Há estudos com vários tipos de nanopartículas, no caso nanopartículas de quitosana e prata foram utilizadas por Xiao, G. et al 2015, com TiO2, objetivando a inativação fotocatalítica

da E. coli através da emissão de luz visível e foi obtida uma taxa de inativação superior a 99% em 2 horas de irradiação. A Figura 9 mostra a imagem obtida por Microscopia Eletrônica de Transmissão comprovando a deterioração da integridade celular da E. coli utilizando as nanopartículas. Em (a) nota-se a parede celular íntegra; (b) 60 minutos de contato e irradiação, a integridade celular começa a se desfazer; (c) Após120 minutos e (d) 180 min de irradiação, é notado a perda total da integridade celular.

Figura 9: Microscopia Eletrônica de Transmissão de E. coli após tratamento com nanopartículas para diferentes

tempos: (a) 0 min. (b) 60 min. (c) 120 min. (d) 180 min.

Fonte: Xiao, G. et al 2015.

Mesquita, M. et al, 2014, imobilizou clorina catiônica em dois materiais comerciais: (1) sílica funcionalizada com 3- bromopropil e (2) em resina Merrifield. A inativação de E.coli ocorreu com luz branca de potência 4,0 mW cm-2 e a eficácia foi comprovada com redução de

3 log, mantendo a eficiência por três ciclos repetidos de fotoinativação.

Alves, E. et al, 2014 imobilizaram porfirina em um nano ímã com um núcleo de CoFe2O4 e avaliaram a capacidade de reciclagem da amostra. Os experimentos foram feitos

31 com potência de 40 Wm-2 e uma dose de luz total de 345 J cm-2. O estudo destacou a

fotoestabilidade dos compostos e a alta capacidade de fotoinativação de E. coli.

Magaraggia, M et al, 2013, utilizou uma porfirina anfifílica meso-substituída tetracatiônica encapsulada no interior de micropartículas de sílica. O conjugado apresentou estabilidade quando exposto à luz visível. Houve decréscimo do índice de sobrevivência da E.

coli de 4 log em 30 minutos de irradiação.

O FS pode interagir com a superfície de nanopartículas de sílica de forma física ou química. Assim, há pesquisas utilizando nanopartículas de ouro, bem como a eficiência de azul de metileno e azul de toluidina interagindo com matriz polimérica como silicone e poliuretano (Perni, P, 2009 e 2011).

O primeiro estudo de FS imobilizado na superfície de nanopartículas foi feito por Bezman et al., imobilizando rose de bengala ligado em partículas de poliestireno, mostrando que quando exposto à luz branca, foi capaz de inativar E. coli. Também utilizou um derivado de porfirina ligado à superfície de ouro metálico e rose de bengala ligado à superfície de sílica mostrando eficiência na inativação de S. epidermidis (Bezman,B. et al 1978; Perni, 2011).

A utilização de sílica, como suporte de FS em suas diversas formas, seja em nano, micro ou meso-partículas, em filmes ou sílica com modificações na sua superfície, tem despertado curiosidade para o processo relacionado à TFD, uma vez que na maioria dos estudos são utilizados fotossensibilizadores dispersos em solução.