6.2 Sensitivity analyses of increasing RES penetration
6.2.3 Analysis 3: Excluding hydro power and PHS
Em virtude de não ter mais aquela rotina do emprego no Banco, a referência do trabalho de tantos anos, levou cada egresso a lidar com essa ausência, de maneiras distintas. Para aqueles que já desenvolviam atividades paralelas, no caso do Elias e do Tiago, foi mais tranqüilo, porque apenas passaram a dedicar mais tempo. Aos que, como Rute, procuraram rapidamente uma nova ocupação, apostando no novo empreendimento, além daqueles que não tinham nada em vista, precisaram de um tempo para definir o que iriam fazer. Interessante notar no relato do Paulo, que nunca imaginou estar fora do BB, a dificuldade de planejar o seu futuro. Porém, ele mesmo reconhece as possíveis causas dessa forma de agir:
Quando eu pedi a transferência pro Cesec eu sabia que iria perder a comissão, então aí (risos) ... eu já sabia que ia ter que fazer uma outra coisa, tal, mas, na verdade ninguém ta preparado pra, assim, perder rendimento e ficar procurando outro serviço pra fazer, porque o bancário, não só do BB, todo o bancário, ele ou a pessoa que fica trabalhando dentro de uma empresa internamente, ele ali, ele tem uma visão muito limitada, aí é que ta o problema de muitas pessoas não derem (sic) certo, eh ... limitado, e ... por causa do serviço interno e ao mesmo tempo ele tem que obedecer às instruções, as instruções são rígidas, você não pode sair daquilo, certo! Então essas ordens delimitam toda função, você é um caixa, a tua alçada é aquela, você é um chefe dos caixas a tua alçada é aquela, tudo depende, tudo limitado por ordem de serviço.
Quando efetivamente ocorreu o desligamento, Paulo ainda se viu envolvido com o curso no Sebrae, e com pendências familiares, o que durou em torno de dez dias, até que:
Um dia eu levantei, acordei às sete horas, que era o horário pra gente levantar e aí eu pensei (risos) o que é que eu vou fazer, eu já fiz tudo (risos), as pendências, o que é que eu vou fazer hoje, por exemplo, (risos), aí eu pensei, pô, e se eu não conseguir fazer nada, né ? E se eu não conseguir acertar nada, como é que eu vou viver daí né! Aí eu pensei, fiquei um pouquinho preocupado, pode não dar certo, posso ... vou viver do quê? Eu não tenho mais salário do Banco, dia vinte não
vou receber nada, aí eu pensei: bom se não der nada certo, né, eu falei, eu tenho renda suficiente pra eu garantir pelo menos um ano e meio, que é o que falta pra me aposentar, então não vai ter problema pra mim, mesmo que não der nada certo, ainda, daqui um tempo eu vou voltar a receber, aí eu me acalmei e realmente foi só essa meia hora de preocupação mais forte, que chegou a incomodar, mas aí eu acho que eu acabei dando certo.
Ter investido numa empresa de cobrança e consultoria financeira, deveu-se basicamente a sua formação como economista e, principalmente, a necessidade de manter-se vinculado a atividades bancárias.
Eu comecei a trabalhar com aquilo lá, como eu já visitava, por exemplo, clientes do Banco, eu tinha um bom relacionamento fora, então eu visitei um cliente meu do Banco, amigo meu, e lá eu comecei a oferecer meus serviços, eu tinha algum dinheiro para aplicação para ele, tal, trocar algum cheque na verdade, não tinha empresa na época ainda, eu tava iniciando o serviço, e fui, comecei, então com o dinheiro, por exemplo, que foi aplicado em uma empresa eu fui também aplicando aos poucos e tal, pra ver se dava resultado, como é que funciona, e aos poucos eu fui entrando e como essas pessoas foram me ajudando, eu ... também trabalhando, sempre tinha serviço.
Paulo acabou abrindo sua empresa oficialmente somente em 1999, segundo ele, por falta de conhecimento na área, o que lhe acarretou alguns prejuízos financeiros, porém, desse período para cá, ficou menos vulnerável, pois pode trabalhar com duplicatas e está respaldado pela associação comercial local.
Para Rute, a saída traumática do BB fez com que ela procurasse urgentemente outra ocupação para esquecer esse período tão difícil em sua vida. Foi assim que começou ajudar sua irmã, que teve a idéia de confeccionar bandeiras, passando a desenhar e a fazer moldes. Essa atividade foi relacionada ao sonho não realizado do curso de Arquitetura, enfatizando que nos desenhos geométricos ela se encontrou. Diante dessa identificação e dedicação, a irmã convidou-a para ser sócia.
Daí eu trabalhava tanto, porque começou a vir pedido, pedido, trabalhava de manhã, de tarde, de noite, sábado, domingo, feriado e assim foi um ano de serviço que eu me joguei tanto nisso, que eu esqueci que o Banco existia.
Quando eu saí do Banco, importante isso aí, eu recebi cinqüenta e poucos mil reais, eu fui e paguei a conta (dívida) dos irmãos, paguei a conta de todo mundo, fiquei com seis mil e seiscentos. Pensei, eu não
vou depender desse dinheiro, me virava, eu não quero depender desse dinheiro, daí com três mil eu reformei o barracão que não tinha piso, era tudo terra e três mil e seiscentos reais eu passei o ano vivendo com ele.
Depois que sai do Banco, se você soubesse o medo que eu tive de não dar conta, então eu me dediquei assim, isso é importante, eu cheguei num ponto assim, eu vou falar nisso porque, pra você ver o crescimento que houve tá. Nós tínhamos essa casa bem velha, minha mãe doente, meus irmãos com uma fazenda no Mato Grosso quebrando, com muitas dívidas, era mais de duzentos mil em dívidas, então eu fui vendendo tudo o que eu tinha, dois apartamentos, um apartamento na praia, mais um outro de sócio que eu adquiri no Banco, eu vendi tudo, eu paguei todas as dívidas, não é que eu sou boazinha não, é a forma de pensar, eu vendi tudo o que eu ganhei pelo Banco, eu fiquei sem nada.
A sua fábrica se estruturou, ganhou o mercado, e possibilitou, segundo ela, ganhar muito dinheiro e recuperar tudo o que ela perdeu. Tem vários investimentos, inclusive quer atuar no ramo de construção e locação de imóveis, usando recursos próprios. E o que lhe parece melhor, com liberdade para fazer o que gosta, sem a pressão que vivenciou.
Tiago já participava, fora do horário de trabalho no Banco, de uma consultoria, com outros três colegas do BB, que atuava na área de gestão, qualidade, planejamento e recursos humanos. Na época em que saiu do Banco, começaram a surgir alguns contratos bons de consultoria, então, foi ajudá-los com os novos clientes.
Elias, que estava trabalhando como caminhoneiro na frota do seu pai, decidiu vender tudo o que tinha conquistado, até então no Banco, mais o valor da rescisão do PDV e comprar o seu primeiro caminhão. Com muito trabalho, ele afirma que após esses dez anos, conseguiu adquirir outro caminhão.
A preferência pela continuidade pode ser identificada no depoimento de Davi. Apesar de ter feito empréstimos com o dinheiro recebido no Banco, percebeu que queria atuar em algo mais concreto e menos vulnerável, a área de seguros. Como gerente de vendas no Banco, ele já tinha familiaridade com tais produtos. Devido à rede de relacionamento que o seu cargo proporcionou, foi convidado, inicialmente, para trabalhar junto a uma corretora de seguros na cidade. Com o passar do tempo, firmou-se nessa área, e conseguiu, em 2003, passar no concurso para obter a licença oficial de corretor de seguros. Com mais dois sócios, abriu a sua própria empresa.
Levi talvez tenha sido o mais cauteloso. Ele atribui isso ao fato de sempre ter planejado a sua vida, pois procurou durante todo o tempo em que teve boa remuneração no
BB, se estruturar financeiramente. Comprou uma propriedade rural e fez investimentos nela. Quando saiu do Banco, não se apressou a fazer algo, como abrir um negócio, uma vez que, segundo ele, tinha para onde ir.
Do jeito que eu recebi o dinheiro do PDV, a maior parte eu deixei aplicado e fiquei uns seis meses praticamente, assim, parados, aí depois apareceu uma outra propriedade perto da minha, aí eu comprei, mas mesmo assim não usei todo o dinheiro. Eu fiquei praticamente três anos no sítio, vinha pra cá, passava o final de semana lá, fui plantar, fui arar a terra, que eu não sabia, e depois me chamaram (a cooperativa de crédito) pra vim fazer uma entrevista, um teste e eu vim, tava eu e outras pessoas. Eles estavam precisando de um gerente, estavam passando por uma reestruturação e aí o pessoal aqui, o diretor na época me conhecia e pediu pra me chamar e eu vim fazer, eu e mais um outro pessoal, e deu certo, não sei se fui bem ou não, mas comecei, assim, mas não pra ficar, comecei pra ... vamos lá, vamos trabalhar, diretor novo e comecei, já fez oito anos em maio.
Enquanto comentava o período que passou na propriedade, trabalhando como agricultor, deixava transparecer que foi uma fase muito boa em sua vida. Então indaguei sobre a razão de ter voltado ao sistema financeiro e se a possibilidade de ter um salário mensal pesou em sua decisão.
Desafio, eu sou um cara que adoro desafio, no BB eu diria que estaria talvez já meio monótono, mas não cansado, porque eu me dedico assim, eu sei separar muito bem as coisas. Eu estava sobrevivendo muito bem com o que eu tinha na propriedade lá, se eu não quisesse fazer nada lá hoje e pegar e arrendar, ela me dá um bom salário mensal, sem fazer nada, ficar sem problema, mas o desafio é gostoso né, e eu vim pra um desafio e tô aqui.
Levi começou a trabalhar em 1998, na cooperativa de crédito rural, como um gerente de atendimento. Depois passou a gerente geral e regional, fez parte de uma chapa que concorreu à diretoria na última eleição e ganhou. Então assumiu uma diretoria e hoje é vice- presidente. Sua meta para o futuro é chegar a ser presidente da regional em que atua e quiçá a outras posições de alcance nacional.