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4. RESULTS

4.1 Analysis of ASTM G48 Test on Duplex

D ia 0 8 .1 2 .0 4 ( ca r t a )

“ Você que encont r ou a m inha casa, se ela ainda for casa, por favor , não peço nada dem ais. Fique com ela. Cuide bem dela, só não deixe m or r er Mar gar ida. Ela deve est ar bem fr aca sem água nem com ida, ent ão, o m ais ur gent e é dar - lhe água. Ela fica do lado de for a da casa, per t o do m ur o lat er al, dê um a volt a pelo lado esquer do que você a encont r ar á” .

D ia 2 2 .1 2 .0 4 ( ca r t a )

“ Sei que hoj e não é igual a ont em . Sem pr e difer ent e. Acor dei igual, com i igual, fiz os m esm os exer cícios, m as par ece que m e deu, sem pr e difer ent e, de r epent e, um a vont ade de fazer out r as coisas, nout r o lugar , acho que o que eu esper ava chegou, a hor a é out r a. Medo eu t enho, m as eu sei que vou t e encont r ar . Faz t em po eu sei. Sem pr e difer ent e, m as se eu pr ocur ar com cuidado eu t e acho.. m e esper e onde você est iver ... eu t e acho.”

0 1 .0 1 .0 5 ( e m Flor ia n ópolis) Cena I – O encont r o.

Bar co e Font enelli acabar am de se conhecer no cam inho que leva à fr ent e da casa abandonada. Font enelli, o m ais falador dos dois, cont a sua hist ór ia de per egr inação / vida.

F: ...aí foi quando o cir co chegou em Sam sar a do Sal. Eu, na época t inha 8 anos, nunca t inha v ist o t ant a gent e doida j unt a. Tinha um as m ulher es alt as, m agr as, uns hom ens for t es, out r os gor dos, anões. E os anim ais, e os palhaços e o globo da m or t e... Eu ia t odo dia. Vir ei apr endiz- assist ent e. Todo m undo gost ava de m im , e eu nem pr ecisava m ent ir , nem nada, er a só aj udar que m e dav am um agr ado. Aí, no dia

que o dono do cir co decidiu que ali j á não dava m ais, desar m ou a lona e par t iu. Eu não quis nem saber , peguei o pouquinho que eu t inha e fui com eles. Nossa, eu conheci m uit o lugar , m uit a gent e. Lugar que não t inha nom e. Gent e que não t inha nom e... aí, um dia, a gent e par ou em Mat a Ver de, esse t inha nom e. O t er r eno que a gent e ar m ou a lona er a pequeno dem ais, aí eu t ive que dor m ir na casa de um a m ulher da cidade, dona Socor r o. Na t er ceir a m anhã que eu acor dei lá, ainda cont ando as hist ór ias dos palhaços, na m esa do café da m anhã, Rit inha, a filha, ent r ou gr it ando que o cir co t inha ido em bor a. Eu cor r i pr o t er r eno e só vi os bur acos das est acas. Per gunt ei pr a um e pr a out r o e disser am que eles t inham par t ido ant es do sol nascer . Me deixar am ... não der am cont a que eu er a o único dor m indo for a do t er r eno. Na cor r er ia louca do dono do cir co, com cer t eza só der am cont a na out r a cidade, m as aí j á não dava m ais pr a volt ar . Eu fiquei m ais dois dias a pedido de dona Socor r o e de Rit inha, daí m e debandei at r ás da lona. Por duas vezes eu quase pego eles, m as as loucur as do dono do cir co par eciam t er aum ent ado, por que eles só ficavam duas noit es em cada lugar , agor a. Mas um a hor a eu alcanço.

B: E sua m ãe? F: Que é que t em ?

B: Não disse nada por que você fugiu?

F: Se disse eu não sei, por que desde que eu saí de casa não volt ei m ais.

B: Ela deve t er sent ido a sua falt a.

F: Sent iu nada. Eu t enho 8 ir m ãos. Eu er a o do m eio. Ela passava m ais t em po na r ua do que com a gent e. Que eu ...

A2 – D e scr içã o do r e la t o do “pe r e gr in o por t u gu ê s”

“ Cam inhava por um deser t o de pr édios. Um concr et o que se adensava. Car r egava m eu feixe que, ao m esm o t em po, er a a m inha casa, m eu único am igo e m inha defesa. Com eço a ouvir sons, vozes, sent ir

pr esenças. ‘Vir gem sant íssim a r ogai por nós, sei que não cr eio em t i, m as aj udai’. Fui at acado, sou t r ansfor m ado. Com et o um er r o. Cam inho sem m eu feixe.”

A – A h ist ór ia de Ba n t o, o m e u pe r son a ge m :

“ Bant o foi um m enino esquisit o. Desde m uit o novo, nunca quis br incar das m esm as coisas que os out ros m eninos. Nunca aceit ou os br inquedos que lhe der am , nem acr edit ava no m undo fant ást ico que os adult os lhe pint avam . Quando ele decidia br incar , er a par a obser var o com por t am ent o dos out r os. A m aneir a com o andavam , os defeit os que t inham , as m anhas que haviam adquirido pelo t r at am ent o r ecebido dos pais. Nem por isso Bant o er a um a cr iança chat a. Pelo cont r ár io, aquela adult ês, ou obsessão pela r ealidade, sem pr e for a m ot ivo de chacot a por par t e dos coleguinhas. Todos se diver t iam com Bant o, e ele se diver t ia com isso.

Na adolescência, quando com eçou a t er suas pr im eir as exper iências sexuais, Bant o não se ent r egava sim plesm ent e ao pr azer ; ele gost ava de obser var sua par ceir a se cont or cendo enquant o gozava, e as out r as t ant as r eações que o seu cor po e o dela t er iam num a noit e de am or . Am or , por assim dizer , por que o conceit o de am or par a Bant o er a m uit o pr óxim o do de r eligião ou dos ent or pecent es. Em níveis difer ent es, ele conseguia per ceber com o os hum anos buscavam aqueles m om ent os de inconsciência ou ent r ega a algo super ior par a não encar ar de fr ent e a r ealidade. I sso fascinava Bant o.

Quando finalm ent e ficou adult o, conseguiu sua sobr evivência financeir a da for m a m ais sist em át ica e lógica possível. Não por que sent iu a vocação do cham ado, m as por que sua ocupação de 6 hor as diár ias er a a m aneir a m ais obj et iva de gar ant ir um or denado e dar t em po par a pensar e int er agir com a r ealidade.

Ent r et ant o, no dia em que ele com plet ou 30 anos, um fat o per t ur bou o com por t am ent o de Bant o: sua m ãe m or r eu.”

A3 – Oficin a com Adole sce n t e s do SEST / SEN AT – RN

Minist r am os, no m ês de j ulho de 2005, um a oficina de 7 dias com adolescent es do pr ogr am a j ovem apr endiz do SEST/ SENAT. Aplicam os nosso pr ocesso de m ont agem nessa oficina, associando com alguns j ogos sist em át icos do pr ofessor Mar cos Bulhões Mar t ins. Os r esult ados for am m uit o bons. Nos com pr om et em os a const r uir , não um a m ont agem t eat r al pela falt a de t em po, m as um at o ar t íst ico colet ivo, onde t odos j ogavam . Conseguim os disciplina, ent endim ent o do que se est ava fazendo, r om pim ent o da bar r eir a do r idículo, confiança e gener osidade por par t e de pr at icam ent e t odos os int egr ant es. Eles viam que, quando um quer ia e se dedicava, aut om at icam ent e os out r os com eçavam t am bém a acr edit ar .