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Analysing the war influence on image interpretation

Chapter 5: ANALYSIS AND DISCUSSION OF INTERVIEWS

5.4 Analysing the war influence on image interpretation

Com o intuito de conhecer como se dá a relação de JR com as autoridades escolares, introduzimos este tópico em nossas entrevistas.

Buscamos em Araújo, U. (1999, in AQUINO, p. 41) a discussão sobre a autoridade a partir do prestígio e da competência baseada nas relações de respeito mútuo, em que um se mostra superior ao outro através de sua experiência e habilidade, conquistando a confiança do outro para poder ensiná-lo. Está implícito nesta relação o respeito e a admiração, bem como o medo de decepcionar aquele que conduz o processo de ensino-aprendizagem.

Nos relatos de JR nem sempre tal situação é apresentada, pois são relações marcadas de conflitos e tensões, como relata no seguinte trecho: “Tinha umas professoras que conversavam comigo, só que tinha outras, que eu não vou muito com a cara. Por exemplo, eu vou muito como eles me tratam. Se eles me tratam bem não tem por que eu tratar mal eles. Agora tem professor que eu acho que não vai com a minha cara. Eles sempre falam que vão; eu acho que não, pelo modo como eles agem comigo e acabo discutindo com um ou outro, o que acaba sempre dando merda para mim, desculpa o palavreado.”

JR entende que o professor que brinca e conversa, facilita o aprendizado, e encontramos em Araújo, V. (2000, p. 150) esta congruência:

[...] fica evidenciada a necessidade de pensarmos uma escola em que os estados emocionais dos profissionais que ali trabalham sejam positivos, baseados na alegria, na felicidade e na satisfação interna, para que possam

desempenhar de maneira eficiente seu papel de educadores, tendo como objetivo levar seus alunos e suas alunas a construírem a capacidade moral autônoma de resolver os conflitos do cotidiano.

Nosso entrevistado enfatiza dizendo: “Tem uns professores que soltam uma graça do lado pra descontrair a sala, esse dá vontade até de fazer, porque quando você tá ficando naquele tédio ele manda uma besteira e você já segue rindo e aí começa de novo”.

Ainda sobre a importância da afetividade nas relações de ensino-aprendizagem, Araújo, U. (1999, in AQUINO, P. 34) aborda o assunto quando enfatizando que “se não houver um mínimo de afetividade na relação não haverá o respeito”. Onde houver ausência de respeito, o vínculo passará pelo caminho da obediência, que requer instrumentos de coação por parte do mais velho, o que não significa a aceitação do mais novo.

Leite (1981, in PATTO, p. 237) também enfoca aspectos que consideramos fundamentais nas relações interpessoais, sobretudo no âmbito escolar: “O professor vence ou é derrotado na profissão não apenas pelo seu saber maior ou menor, mas principalmente, pela sua capacidade de lidar com os alunos e ser aceito por eles.”

Assim parece-nos que é a questão da afetividade que tem ocorrido na trajetória de JR: “Eu acho que para o professor dar uma boa aula, todos na sala têm que gostar dele e ele tem que gostar de todos da sala, pra aula ser boa. Sendo assim o professor tem mais controle da sala, conversa mais.”

Ao ouvir o relato de JR: “Sou uma pessoa que não gosta de levar desaforo. Minha professora de Inglês no M. não vai com a minha cara, nem eu com a dela. Já nem entro mais na aula. Tomo advertência por bobeira, acabo me prejudicando mais, acabo sendo expulso.

Fico sozinho lá embaixo, não sou santo, não nego”, buscamos em Souza (1999, in AQUINO,

p. 117) uma referência: “As relações estabelecidas em sala de aula, entre professores e alunos, também precisam fazer sentido e, especialmente, necessitam ser bem compreendidas pelos alunos.”

Nosso entrevistado diz ter um relacionamento complicado com a coordenadora pedagógica da escola e por isso vai para outro colégio no ano que vem: “Tem uma encrenca enorme desde o começo do ano. Então, eu tô só terminando esse ano só pra não perder de vez. Vou pro estadual da L. pra me livrar mesmo dela.”

Parece haver um desejo de JR em não ser governado e como fuga a este jogo opta por ir para outro colégio. Contudo, não há garantias de que ele seja aprovado. O fato de entrar em sala de aula algumas vezes não significa seu passaporte para o próximo ano letivo. Ele alega estar nesta irregularidade de freqüência para não perder definitivamente o ano, talvez se esquecendo de questionar-se quais são os prejuízos e quais são as conquistas que tem com este movimento incontínuo.

Mesmo estando já na oitava série, prefere deixar o colégio: “Tô na oitava, mas vou pra lá mesmo só pra me livrar dela porque num vira”. Com sua linguagem juvenil, JR está dizendo que vai para outro colégio porque ficar ali significa continuar uma situação de desentendimento com a coordenadora pedagógica e que nada vai acontecer para melhorar tal situação.

Ao ser perguntado se não haveria possibilidade de conciliar e deixar a coordenadora de lado, pensar somente nas atividades de sala de aula e nas matérias em curso, ele responde: “O problema é que ela também não me quer aí. No final do ano passado, meu pai veio aqui, fez a rematrícula. Fui aprovado, que meu pai veio ver. A Dona. B. virou e falou que não tinha mais condições de eu estudar. Até aí eu não tinha passagem nenhuma pela direção, não tinha advertência, convocação, nada. Tinha sido um santo”. E cai em contradição: “... só que eu também não fui um santo nas matérias, vamos dizer, não fazia tudo.”

Sabendo que não correspondeu nas avaliações de acordo com o esperado para sua aprovação, demonstra certa ironia com seu desempenho em relação aos conteúdos apresentados no currículo: “Eu fui aprovado (risos), eu ainda fui aprovado”. Esta fala de JR

demonstra o quanto as práticas escolares parecem perdidas no emaranhado do cotidiano, pois mesmo não cumprindo suas obrigações de aluno, ele foi aprovado e com sua peculiar perspicácia ironiza a situação.

Ao optar por sair desta escola e matricular-se em outra, parece-nos que acaba uma brincadeira de “gato e rato”, pois não terá mais que fugir da coordenadora. Talvez até encontre “outros gatos” em sua nova escola e reinicie a encenação em sua própria história como “rato” ou consiga livrar-se desse papel e assuma o de aluno, conseguindo assim concluir seus estudos.