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Analysing the Industry

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5 STRATEGIC ANALYSIS

5.2 Analysing the Industry

perfeito.

Com essas refutações, a tese da busca constante da verdade é desconstruída, pois o acadêmico encontra-se agora envolto a um pensamento contrário a sua própria doutrina.

A aceitação desse argumento por parte do defensor da causa dos acadêmicos não se dá de modo tão simples e fácil, afinal de contas os acadêmicos são considerados até mesmo por Santo Agostinho homens sérios e prudentes no tocante à sua doutrina, de modo que o argumento acima exposto parece não ter encontrado força suficiente para persuadir os “réus” envolvidos nessa questão epistemológica.

5.3 SOBRE A SUSPENSÃO DE JUÍZO OU EPOCHÉ

A resposta de Santo Agostinho à doutrina cética da suspensão de juízo se inicia pela análise do critério de verdade de Zenão de Cicio, conforme detalhado nos capítulos anteriores. Apesar de ser uma tese eminentemente estoica e, portanto, dogmática, havia sido aceita em parte por Arcesilau, o grande responsável pela introdução do ceticismo e consequentemente da suspensão de juízo na Academia platônica.

Outrossim, segundo os acadêmicos, a questão da epoché é colocada devido à incapacidade do sábio em apreender todo e qualquer tipo de conhecimento. Uma vez comprovada tal incapacidade, o sábio não tem outra saída a não ser evitar cair no campo da opinião e suspender o seu julgamento. Isso posto, o presente argumento pode ser sintetizado da seguinte maneira:

(1) O homem não pode conhecer nada; (2) Quem nada conhece nada aprova; Logo,

(3) Deve-se suspender o juízo.

A questão da dÒxa grega volta a assumir nesse argumento papel relevante, pois, com o intuito de evitá-la, o acadêmico optará por entrar em epoché. A resposta de Agostinho a esse pensamento é apresentada no argumento, contraposto à visão cética, de que o sábio não pode

conhecer nada.

Para Agostinho, esse argumento não pode jamais ser sustentado devido ao sábio, como será demonstrado no argumento posterior, ter acesso ao conhecimento e, dessa forma, à

sabedoria: “Creio, portanto, que há no sábio certa sabedoria”113 (AGUSTIN, 1947, p. 202,

tradução nossa). É sobre esse argumento que o bispo hiponense procurará se ater, concentrando todos os seus esforços para defendê-lo. O Contra Academicos é o campo de batalha entre o defensor da doutrina do assentimento da verdade e o defensor da suspensão de

juízo, sendo nessa obra que esse embate epistemológico se desenrola.

Dessa forma, em poucas palavras, apresentamos a estrutura que corretamente pode representar esse argumento:

(1) O homem sábio conhece a verdade;

(2) Quem conhece a verdade não opina, mas declara a certeza daquilo que conhece; e, portanto:

(3) O homem sábio não erra, mas diz a verdade.

Destarte, se o sábio pode conhecer, ele então não opina quando assente sobre alguma coisa, mas apenas externaliza por meio da linguagem aquilo sobre o que já tem plena certeza e convicção, não havendo motivo para que venha a suspender o seu assentimento, pois o sábio não estará errando ao dar seu assentimento. Esta é a grande temeridade do acadêmico: que o sábio venha a cair em algum tipo de erro.

Esse argumento ganha força quando confrontado com a ideia de que os próprios acadêmicos se recusam a suspender seu julgamento em ocasiões em que as coisas sejam percebidas pelo indivíduo, de tal forma que não há necessidade para tal suspensão: “Nem os outros [acadêmicos] dizem que não se deve concordar com ninguém, exceto, nas coisas que podem ser percebidas”114 (AGUSTIN, 1947, p. 202, tradução nossa).

Depois de tudo que já foi explanado sobre a conduta cética, pode parecer um tanto estranho Agostinho sugerir que o acadêmico possa dar seu assentimento àquelas coisas que por ele podem ser percebidas. Porém, o fato é que o cético acaba, de uma maneira ou de outra, dando o seu assentimento aos fatos e acontecimentos que ocorrem no seu dia a dia, pois sem esses assentimentos ele seria levado à mais completa inação, conforme mencionamos em outra ocasião.

Entretanto, é importante destacar que o assentimento por parte do cético muito se difere do assentimento do dogmático, uma vez que este assente sem um questionamento prévio, enquanto aquele investiga e questiona antes de assentir; e seu assentimento se dá em nível das aparências e não em relação às essências das mesmas. Contudo, de toda forma, não

113 Ergo arbitror ego sapienti certam esse sapientiam.

deixa, por isso, de ser um assentimento a alguma coisa. Desse modo, o argumento de Agostinho acaba, de uma maneira ou de outra, fortalecendo-se.

Outro argumento apresentado por Santo Agostinho contra os acadêmicos provém da tese de que, para estes, o homem sábio deve suspender o seu juízo não apenas em relação às coisas falsas, mas também no que se refere àquelas consideradas por ele duvidosas, pois caso contrário incorreria em erro.

O primeiro problema dessa tese – embora não apresentado por Santo Agostinho – está no fato de que os próprios céticos já haviam se posicionado contra o argumento de Zenão, afirmando que não é possível distinguir entre uma afirmação falsa e uma verdadeira, já que as representações catalépticas não são possíveis. Como agora defender a epoché tomando como base asserções falsas e duvidosas?

A segunda refutação de Santo Agostinho é dirigida à ideia levantada pelos acadêmicos de que o cético está liberado para dar seu assentimento às coisas perceptíveis, suspendendo o seu assentimento apenas para aquelas coisas consideradas por ele como falsas e duvidosas. O argumento dos acadêmicos que o filósofo pretende refutar pode ser formulado em duas sentenças básicas:

(1) O acadêmico pode dar assentimento a coisas perfeitamente percebíveis;

(2) Em caso de coisas falsas ou duvidosas, deve-se suprimir o assentimento para não se envolver temerariamente em erro.

O fator complicador desse argumento está seguinte afirmação do acadêmico: caso

haja assentimento de coisas que para ele não são tão certas o sábio incorre em erro. Nesse

sentido, acaba comprometendo toda sua conduta, tendo em vista que deixa subentendido nesse pensamento a possibilidade do assentimento a outros tipos de coisas, por exemplo,

aquelas perceptíveis apresentadas no argumento anterior. No parecer de Santo Agostinho, não

há nada que não seja duvidoso e, se tudo é de fato duvidoso, o modelo de sábio engendrado pelo acadêmico descamba necessariamente no infortúnio do erro. A esse respeito, cita Santo Agostinho no Contra Academicos:

Ou falaremos daquele erro que, segundo eles, se evita completamente quando o assentimento não faz pender o espírito para nenhum lado. Erra, com efeito, dizem eles, quem aprova não só uma coisa falsa, mas também uma coisa dúbia, ainda que seja verdadeira. Ora não há nada que não seja duvidoso. Mas o sábio, como dizíamos, encontra a sabedoria (AGUSTIN, 1947, p. 202)115.

115 An de illo errore aliquid quaerimus, quem dicunt penitus evitari, si in nullam rem animum declinet assensio?

Errat enim, inquiunt, quisquis non solum rem falsam, sed etiam dubiam, quanvis vera sit, approbat:nihil autem quod dubium non sit invenio. At invenit sapiens ipsam, ut dicebamus, sapientiam. Tradução de Agustinho

Doutra forma, o argumento agostiniano contra a suspensão de juízo fica assim representado:

(1) Se o acadêmico assente alguma coisa, assente coisas duvidosas, pois tudo é duvidoso;

(2) Se tudo é duvidoso, o cético acadêmico erra ao assentir coisas duvidosas.

Destarte, esse é o argumento que Santo Agostinho apresenta como refutação à doutrina da suspensão de juízo ou do não assentimento da verdade dos acadêmicos. O tópico seguinte tratará da questão do piqanon (pithanon), ou provável, que foi introduzido na Academia platônica por Carnéades e que advém da necessidade de um posicionamento por parte do cético para aquelas questões que se apresentam de forma tão clara que não há como negá-las. Analisemos as principais objeções de Santo Agostinho a essa doutrina e como ele pretende resolver tais problemas.

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