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Analyses of Interaction models

In document Getting lost in the woods (sider 27-32)

Numa perspectiva geral, a concepção dos pesquisadores é de que a divulgação científica significa levar a ciência à população. No entendimento de S1, a divulgação científica serve como um instrumento de aproximação da ciência com a sociedade, possibilitando o despertar do interesse pela ciência.

“É uma maneira de poder aproximar para o público leigo, para a comunidade, os conhecimentos e os conceitos da ciência. [...] A divulgação científica pode despertar maior interesse da população em aprender um pouco mais sobre ciência” (S1).

Para S2, essa divulgação deve mostrar não só os benefícios da ciência como também as suas implicações, para que os cidadãos, além de terem a oportunidade de despertar sua vocação, tenham condições de influir criticamente no processo científico.

“A divulgação científica é um elemento, um papel, uma função, na qual todos aqueles que tiveram a possibilidade de ter uma formação, digamos, mais científica, deve de alguma forma à sociedade nas suas mais diferentes ramificações, tentando não só mostrar algumas benesses, mas principalmente mostrar de forma crítica aquilo que a ciência fez, está fazendo e pode vir a fazer [...] Acho que instrumentalizar cidadãos para que possam ou seguir carreira de natureza científica ou instrumentalizá-los no sentido de dar elementos para que possam contribuir ativamente e principalmente criticamente na sociedade no que tange a conceitos e a elementos de natureza científica” (S2).

Na mesma compreensão, S3, que defende todas as formas de divulgação, acredita que os aspectos políticos, econômicos e sociais imbricados ao processo científico devem ser levados à sociedade, para que haja uma participação pública no empreendimento científico.

“Uma divulgação científica passa por todas as possíveis formas que nós criamos, que podem fazer chegar à sociedade conhecimento científico elaborado pela comunidade. Seja lá qual for a forma, para mim, valem todas, todas as formas são válidas. Desde brincadeiras que eu posso fazer em uma praça, até programas de nível, vamos dizer assim, mais elevados, para diferentes públicos [...] como o desenvolvimento científico e tecnológico passam a fazer parte do cotidiano da sociedade, da humanidade, o conhecimento das pessoas acerca desses aspectos é fundamental para que essas pessoas possam ter um papel social de entender tudo aquilo que lhes envolve, os aspectos políticos, sociais e econômicos, que estão por trás de decisões que são tomadas em níveis, digamos assim, de segmentos “superiores”, entre aspas tá? De poderes. Superiores de poder. Então, acho que, nesse sentido, o conhecimento da sociedade, das pessoas em aspectos científicos, é fundamental pra que elas tenham clareza de tomar decisões. Exemplo: na hora de definir quais são as políticas energéticas que um país possa vir a ter. As pessoas têm que ter clareza sobre o que é energia nuclear, o que é energia eólica, o que é energia solar. Acho que é essa uma das funções da divulgação científica” (S3).

S4 vê a importância da divulgação na formação da cultura científica e identifica duas formas de divulgação, uma para os pares e outra para o público leigo.

“Acho que vejo dois modos de fazer divulgação científica; uma é entre os pares, ou seja, dentro da academia; fazer divulgação dos resultados das suas pesquisas. Isso é uma divulgação científica; você divulga para pares nacionais e internacionais os resultados de sua pesquisa através de artigos, apresentações em congressos, artigos em revistas arbitradas ou não. Outro tipo é direcionado ao público leigo. O público leigo pode ser dado por diferentes meios. Por meio de palestras, é o mínimo que o pesquisador pode fazer, ou através de artigos em jornais, revistas, reportagens, ou é feito de forma mais profissional em museus de ciência e planetários de Astronomia [...] outra função que eu acho que é importante também é formar uma cultura científica entre os estudantes e entre todo o público leigo, uma cultura científica, ou seja, uma visão critica da natureza, uma visão, talvez, com um pouco de metodologia científica na cabeça das pessoas, de empirismo, ou de pelo menos um empirismo científico, para contestar vários fatos que são passados hoje em dia superficialmente pelos meios eletrônicos, pelas redes sociais etc.” (S4).

Além da formação cultural, para S5, a divulgação científica representa uma ferramenta de prestação de contas à sociedade.

“É levar resultados da pesquisa científica à população [...] Primeiro, justificar os gastos que a sociedade tem com a pesquisa. E depois, no caso da Astronomia, também uma forma de cultura, e muitas vezes, entretenimento, não é?” (S5).

Na percepção de S6, a divulgação científica contribui com a evolução da ciência, ao atrair novas pessoas para a área.

“A divulgação científica, para mim, desempenha um papel muito importante, extremamente importante, digamos assim, para a prosperidade da ciência, para que a ciência consiga engajar novas pessoas. Eu, por exemplo, sou fruto disso. Posso dizer que, Cosmos, por exemplo, quando eu assisti, me encantou de uma forma tal, que eu vim parar na relatividade e na Cosmologia. Então, a divulgação científica não só de Cosmos, mas outras também me interessavam, desafios que, à época, as pessoas me colocavam, ou apareciam na televisão, ou eram comentadas nos jornais. Então, quando se colocava uma linguagem mais acessível para as pessoas que estavam lendo, para mim, era encantador, e eu acabei indo nessa linha da divulgação científica” (S6).

Observa-se que há um consenso entre os pesquisadores sobre o que é a divulgação científica e a sua função na sociedade contemporânea, que, de certa forma, vão ao encontro das discussões teóricas trazidas neste trabalho. Os extratos das entrevistas, ora implícita ora explicitamente, revelam que divulgação científica é uma atividade que exerce papel fundamental no desenvolvimento social, cultural e de cidadania, externando significados como: despertar o interesse da população em aprender ciência; despertar vocação; formar uma cultura científica; prestar contas, justificando os gastos da sociedade com a pesquisa; e mostrar os aspectos sociais, políticos e econômicos que envolvem a pesquisa, despertando o senso crítico das pessoas para que elas tenham condições de influenciar em decisões sobre a ciência e a tecnologia.

In document Getting lost in the woods (sider 27-32)