• No results found

Analyses

In document TomyFamily Dedication (sider 77-83)

6.2 Algorithms and Other Features

6.2.1 Analyses

quantidade de criadouros colonizados pelas fêmeas de A. aegypti, em

diferentes densidades de criadouros

Ao se comparar os resultados dos experimentos de semi-campo, na presença e ausência da MosquiTRAP, observa-se que o número de criadouros

colonizados pelas fêmeas de A. aegypti foi significativamente menor na

presença da armadilha MosquiTRAP, o que demonstra a eficiência da armadilhas em reduzir a dispersão dos ovos, em todos os tratamentos analisados. Esta redução é demonstrada também através da regressão linear. Mesmo quando a MosquiTRAP compete com 16 criadouros, a armadilha foi eficaz em reduzir o número de criadouros colonizados, apesar da maior média de colonização de criadouros observada nesta densidade (Fig. 60).

y = 1.12x + 0.5333 R2 = 0.8954 y = 0.58x + 0.1 R2 = 0.9444 -1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 2 4 8 16 Densidade de criadouros M é d ia d e c ri a d o u ro s c o lo n iz a d o s Semi-campo s/ MQT Semi-campo c/ MQT Linear (Semi- campo s/ MQT) Linear (Semi- campo c/ MQT)

Figura 60: Comparação entre a média de criadouros colonizados pelas fêmeas de Aedes aegypti, obtido nos experimentos em condições de semi-campo, com e sem a armadilha MosquiTRAP. Letras diferentes indicam diferença significativa pelo teste de Mann-Whitney (p<0,05).

Do total de 60 fêmeas testadas, 14 (23,3%) foram capturadas pela armadilha MosquiTRAP antes de depositarem ovos em qualquer dos criadouros. Observou-se porém, que o número de fêmeas capturadas antes de colonizarem criadouros diminui em função do aumento da densidade de criadouros (Fig. 61 – regressão linear). No tratamento ‘2 criadouros’ a maior parte das fêmeas (46,7%) foi capturada antes de colonizar criadouros. Nos

a b a b a b b a

demais tratamentos a maior porcentagem de fêmeas (40; 26,6 e 20%) foi capturada após colonizar apenas um dos criadouros disponíveis (Fig. 61).

criadouros colonizados y = -0.1333x + 0.5995 R2 = 1 0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 2 4 8 16 Densidade de criadouros F rq u ê n c ia d e f ê m e a s ( % ) p o r n º d e c ri a d o u ro s c o lo n iz a d o s 0 criadouros 1 criadouro 2 criadouros Linear (0 criadouros)

Figura 61: Frequência de fêmeas Aedes aegypti categorizadas de acordo com

a quantidade de criadouros colonizados antes da captura pela MosquiTRAP, em cada tratamento.

5.3.6- Padrões de distribuição dos ovos pelas fêmeas de A. aegypti ao longo dos criadouros disponíveis – A primeira postura

Devido ao fato de a armadilha MosquiTRAP capturar a maioria das fêmeas antes da deposição total ou parcial do ovos, e influenciar seu padrão natural de distribuição, não foram realizadas as análises da frequência de criadouros em função da quantidade ovos depositados. No entanto, 20 fêmeas (33,3%) foram capturadas após depositarem seus ovos em apenas um criadouro, sendo 5 (25%) no tratamento ‘2 criadouros’; 7 (35%) no tratamento ‘4 criadouros’; 5 (25%) no tratamento ‘8 criadouros’; e 3 (15%) no tratamento ’16 criadouros’. Contabilizou-se o número de ovos depositados por estas fêmeas para verificar o número de ovos que são depositados no primeiro criadouro visitado. O número de ovos depositados no primeiro criadouro variou de 1 a 90 e não foi observado um padrão entre estas fêmeas (Fig. 62).

0 20 40 60 80 100 0 4 8 12 16 Densidade de criadouros N º d e o v o s /f ê m e a d e p o s it a d o s n o 1 º c ri a d o u ro

Figura 62: Dispersão do número de ovos depositados pelas fêmeas de Aedes

aegypti no primeiro criadouro visitado, em condições de semi-campo na presença da MosquiTRAP.

5.3.7 Número de ovos no criadouro “predileto”

Para a análise de ovos no criadouro “predileto” não foram considerados os dados referentes ao experimento 3 (semi-campo na presença da

MosquiTRAP), já que a deposição dos ovos pelas fêmeas de A. aegypti sofreu

influência da armadilha MosquiTRAP e, portanto, não seguiu o padrão natural.

5.3.8 Número de ovos depositados na água e na palheta

Para estes resultados também não foram considerados os dados referentes ao experimento 3, já que a presença da armadilha MosquiTRAP

6- DISCUSSÃO

O presente trabalho avaliou o comportamento de oviposição de fêmeas

grávidas, individualizadas, de A. aegypti expostas a diferentes densidades de

criadouros e em três condições: condições de laboratório, condições de semi- campo na ausência e na presença da armadilha MosquiTRAP. Os resultados encontrados podem diferir daqueles obtidos em campo devido a grande variedade das condições de campo, tais como ocupação humana, diferença fisiológica das fêmeas, diferenças populacionais e diferença dos tipos de criadouros presentes.

Os resultados dos experimentos em condições de laboratório (caixa de acrílico) e de semi-campo (gaiolas, na ausência da armadilha MosquiTRAP) foram muito semelhantes, o que mostra que a diferença de tamanho da área experimental não influenciou significativamente o comportamento de oviposição

das fêmeas de A. aegypti, na maioria dos aspectos avaliados.

Observou-se que nenhum dos criadouros e das posições dentro das gaiolas de semi-campo foram tendenciosas, o que mostrou a homogeneidade de condições. Este fator é fundamental para a validação dos resultados obtidos nos experimentos, pois posições e/ou criadouros desiguais influenciariam o comportamento natural das fêmeas. Este resultado está de acordo com os testes de calibração realizados por ROQUE & EIRAS (2008) e reforçam a capacidade de utilização destas gaiolas para testes comportamentais do

mosquito A. aegypti.

No entanto, nas caixas de acrílico em condições de laboratório, foi detectada diferença entre os criadouros/posições 2.2 e 8.6 que receberam significativamente menos ovos que os demais criadouros competidores. Porém esta diferença foi pontual e parece não ter alterado os resultados gerais, já que estes foram semelhantes aqueles encontrados nas gaiolas que apresentaram homogeneidade.

A grande variação observada no número de ovos depositados por cada fêmea provavelmente é devida a diferenças individuais e ao número de fêmeas testadas. Apesar disso, as médias de ovos coletados em todos os tratamentos, nos experimentos 1 (condições de laboratório) e 2 (Semi-campo na ausência da MosquiTRAP) estão de acordo com a literatura, que cita a deposição de

cerca de 60 a 120 ovos/fêmea, a cada ciclo gonotrófico (CHRISTOPHER, 1960; GILLETT, 1962). Em experimento similar ao do presente trabalho, onde foi testada uma única fêmea por repetição, foram obtidas médias de 75 e 76 ovos/fêmea em duas condições de umidade diferentes (80% e 51%, respectivamente), o que também corresponde às médias mensuradas no

presente trabalho (MADEIRA et.al., 2002).

A ausência de diferença entre o número de ovos depositados em função do número de criadouros disponíveis, também condiz com a literatura, que demonstrou que a maior parte dos ovos ou a sua totalidade é depositada entre o 3º e o 6º dia após a realização do repasto sanguíneo (CHRISTOPHERS, 1960; GOMES, 2006; REITER, 2007). Como as fêmeas utilizadas no presente trabalho permaneceram nas áreas de teste do terceiro ao sétimo dia após a realização do repasto sanguíneo, era de se esperar que fossem depositados todos os ovos, independente da quantidade de criadouros disponíveis.

É importante ressaltar que mesmo quando foi oferecido apenas um criadouro, a quantidade média de ovos depositados não diferiu da dos demais tratamentos. HARRINTON & EDMAN (2001) postularam que a oviposição pode ocorrer em apenas um criadouro, caso não haja outros disponíveis ou caso seja encontrado um criadouro grande e apropriado. Este comportamento seria

mais seguro e econômico, do ponto de vista energético, para as fêmeas de A.

aegypti. A literatura descreve também a total deposição de ovos em apenas um criadouro em fêmeas previamente forçadas a reter seus ovos (CHADEE, 1997;

CHADEE, 2010). Portanto, conclui-se que apesar de as fêmeas de A. aegypti

apresentem o comportamento de “skip-oviposition”, ele não é obrigatório e a deposição dos ovos pode ocorrer em apenas um criadouro caso não haja outros disponíveis.

Todos estes fatores explicam o fato de as médias de ovos depositados

pelas fêmeas de A. aegypti não terem se alterado nas diferentes densidades de

criadouros nem nos diferentes tamanhos e condições das áreas de teste.

No presente estudo foi observado que a porcentagem de ovos depositados diretamente na água aumenta com a densidade de criadouros. Em todas as densidades foi encontrada uma proporção muito superior às descritas na literatura, de ovos depositados na água, com média percentual mínima de 19,4 ± 25,2% e máxima de 71 ± 27%. De acordo com alguns autores o

mosquito A. aegypti raramente oviposita diretamente na água, pois exibe preferência em depositá-los na parede do recipiente logo acima da linha da água. A deposição de ovos da água só seria realizada em recipientes extremamente lisos que não oferecem aderência suficiente (CHRISTOPHER, 1960; FAY & PERRY, 1965). A porcentagem de ovos na água encontrada no presente estudo, não deve ser considerada baixa nem desprezível como

sugerido por alguns autores (CHADEE & COBERT, 1987; CHADEE et

al.,1995). A porcentagem total destes ovos (34%) se aproxima daquela descrita

por MADEIRA et al., (2002) em experimentos realizados na Brasil. Os autores

observaram que 42,9% e 57,3% dos ovos foram depositados na água, por duas populações diferentes, a 80% de umidade relativa do ar. Quando a umidade relativa das áreas teste foi reduzida para 51%, as mesmas populações depositaram maior porcentagem de ovos na água (61,4% e 63,2%) demonstrando que esta porcentagem não é baixa nem desprezível como descrito na literatura, pelo menos nas populações brasileiras testadas

(MADEIRA et al., 2002). Portanto a umidade relativa foi inversamente

proporcional à quantidade de ovos depositados na água. Segundo estes autores, esta variação poderia ser importante para manter a população de insetos em períodos de seca, quando os criadouros não seriam reabastecidos de água e os ovos depositados na parede do recipiente não eclodiriam.

Outros autores também perceberam diferenças de proporção de ovos

depositados na água, quando alguma condição é alterada. CHADEE et al.,

(1995) observaram um aumento de 9,3% para 12,6%, da estação úmida para estação seca, respectivamente. Porém a ausência de uma estação seca adequada impediu estes autores de realizarem uma análise mais aprofundada. No entanto estes resultados não condizem com o que foi observado no presente estudo, pois houve uma correlação positiva do aumento da proporção de ovos na água, em função do aumento de criadouros.

No Brasil, é preconizado pelo Ministério da Saúde a utilização, pelos municípios, das armadilhas ovitrampa para obtenção dos índices de infestação (Índice de Positividade de Ovitrampa = número de armadilhas positivas x

100/número de armadilha vistoriada e Índice de Densidade de Ovo = número

de ovos/número de armadilhas positivas) através da contagem do número de ovos nas palhetas das ovitrampas instaladas (MINISTÉRIO DA SAÚDE,

2010a). Nestes levantamentos são desprezados os líquidos (água ou infusão de feno) presentes nas ovitrampas sem qualquer tipo de análise. Esta prática é condizente com os resultados encontrados por diversos pesquisadores que obtiveram proporções de ovos encontrados na água muito baixa (CHRISTOPHER, 1960; FAY & PERRY, 1965; CHADEE & COBERT, 1987;

CHADEE et al.,1995). Porém, no trabalho de MADEIRA et al., (2002) e no

presente trabalho, ambos realizados no Brasil, foram encontradas altas taxas de ovos na água das ovitrampas. Esta elevada quantidade de ovos encontrada na água pode estar contribuindo para geração de Índices de Densidade de Ovos defasados, em consequência da desconsideração dos ovos presentes na água das armadilhas. Além disso, 16,7 e 37% dos criadouros positivos, respectivamente em condições de laboratório e semi-campo sem a MosquiTRAP, continham apenas ovos na água. Nos levantamentos municipais estas armadilhas seriam registradas como negativas para a presença de ovos de A. aegypti, o que poderia gerar resultados falso negativos no Índice de Positividade de Ovitrampas. Portanto seria recomendável a realização de novos estudos com o objetivo de mensurar a real proporção de ovos depositados na água das ovitrampas em campo, para evitar uma subestimação dos índices gerados com dados destas armadilhas, que poderiam comprometer o trabalho de combate ao vetor e contribuir para a disseminação do vírus do dengue.

O comportamento das fêmeas de A. aegypti realizarem a postura em

“skip ovoposition” ou “oviposição em saltos” e sua importância para a sobrevivência dos insetos e para a disseminação do dengue já foi relatado para esta espécie em diversos trabalhos (CHRISTOPHERS, 1960; FAY & PERRY,

1965; CHADEE et al., 1991; COBERT & CHADEE, 1993; APOSTOL et al.,

1994; REITER et al., 1995; HONÓRIO et al., 2003; REITER, 2007; CHADEE,

2010). Porém constatou-se que este comportamento, embora amplamente utilizado e observado em 92,6% das fêmeas testadas, pode não ocorrer mesmo quando há mais de um criadouro, como observado oito vezes (7,4%) no presente trabalho, dados semelhantes aos encontrados por CHADDE (2010).

O número de criadouros utilizados pelas fêmeas de A. aegypti obtidos

MosquiTRAP corroboram com a literatura pois confirmaram a tendência das fêmeas utilizarem mais de um criadouro para deposição dos ovos, quando disponível. CHADEE, 2010 observou que 94% das fêmeas testadas utilizaram mais de um criadouro em condições de laboratório semelhantes à do presente estudo, onde uma fêmea individual foi submetida a uma densidade de oito criadouros. Segundo o autor, a maior percentagem das fêmeas utilizou de 2 a 4 criadouros e o número máximo de criadouros utilizados foi sete. No entanto o experimento teve duração de apenas 48 horas. Este foi o único estudo, dentre os consultados, que utilizou apenas uma fêmea por teste. Os demais trabalhos estimaram indiretamente o número de criadouros que uma fêmea pode colonizar à partir de dados obtidos em campo. Alguns autores utilizaram a

ovitrampa como criadouro e sugeriram que as fêmeas de A. aegypti utilizam de

12 a 120 criadouros, pois depositam de 1 a 12 ovos em cada um deles e produzem em média 120 ovos (REITER, 1995). Outros trabalhos também indicam que as fêmeas podem utilizar um elevado número de criadouros já que a maioria das ovitrampas instaladas em campo abrigava no máximo 30 ovos e que provavelmente estes ovos foram depositados por diferentes fêmeas

(CHADEE & COBERT, 1987; CHADEE et al.,1990b; CHADEE & COBERT,

1991; CHADEE 1992; CHADEE 2009). APOSTOL et al. (1994), observou

resultado semelhante quando avaliou o número de ovos depositados por cada fêmea em criadouros naturais, à partir da técnica do RAPD-PCR, e obteve uma média de 11 ovos/fêmea por criadouro, o que, segundo REITER (1995), possibilitaria a colonização de pelo menos 10 criadouros. Porém estes dados parecem estar superestimados.

No presente estudo, as maiores médias do número de criadouros colonizados foram 4,9 ± 1,6 e 5,7 ± 2,3 nas densidades de 8 e 16 criadouros, respectivamente, e em condições de laboratório. Em condições de semi-campo estas médias foram ainda menores: 3,4 ± 1,6 e 5,5 ± 2,7 para as mesmas densidades citadas acima. Mesmo na densidade máxima (16 criadouros), nenhuma das 27 fêmeas testadas em condições de laboratório e semi-campo na ausência da MosquiTRAP utilizou os 16 criadouros. O número máximo de criadouros utilizados foi 11, e por apenas uma das fêmeas. Em ambas as condições experimentais, à medida que mais criadouros eram oferecidos, a quantidade de criadouros colonizados aumentou. Porém, este aumento tendeu

a se estabilizar quando eram oferecidos 8 e 16 criadouros. À partir destes resultados é possível sugerir que este número não deve aumentar muito em populações de campo, ao contrário do que está previsto na literatura citada. A divergência entre os dados da literatura e os encontrados neste estudo pode ser resultado da metodologia utilizada, já que nos trabalhos de campo não foi observado a atividade das fêmeas individualmente. Além disso, em situações de campo pode haver muito mais do que 16 criadouros disponíveis. Por isso nos próximos trabalhos sugere-se verificar como as fêmeas responderiam a uma densidade de 32 ou mais criadouros. Desta forma, poderíamos avaliar com maior precisão se o número de criadouros previsto na literatura está realmente superestimado

Apesar de indicarem uma menor capacidade de colonização de criadouros, os padrões de oviposição observados no presente estudo estão de acordo com os obtidos em campo em um importante aspecto: a maior porcentagem de criadouros continha de um a 11 ovos, principalmente em altas densidades de criadouros (CHADEE & COBERT, 1987; CHADEE 1992;

APOSTOL et al. 1994; REITER, 1995; CHADEE 2009). Porém pela primeira

vez foi observado o padrão das fêmeas de escolherem apenas um dos criadouros (o “criadouro predileto”) para deposição de mais de 50% dos seus ovos. Este comportamento poderia explicar as divergências entre o número de criadouros que podem ser utilizados pelas fêmeas, relatados na literatura e aqueles mensurados neste estudo. Caso o padrão do “criadouro predileto” seja também realizado em condições de campo, a estimativa do número de criadouros colonizados pelas fêmeas estaria realmente prejudicada pois só levou em conta o fato da maioria das fêmeas depositarem de um a 11 ovos nos criadouros, o que elevou as estimativas do número de criadouros colonizados. Porém, se a deposição da maior parte dos ovos no “criadouro predileto” fosse considerada, estas estimativas se reduziriam a médias semelhantes aquelas que foram encontradas no presente trabalho.

Apesar da forte tendência observada no presente estudo, das fêmeas de

A. aegypti depositarem a maior parte de seus ovos no “criadouro predileto” mesmo quando todos os criadouros disponíveis são idênticos, não há nenhuma referência sobre este comportamento na literatura consultada, o que pode indicar que trata-se de um dado novo. À partir dos resultados não foi possível

concluir de que forma ocorre a escolha do “criadouro predileto”, mas os dados do experimento realizado em condições de semi-campo na presença da armadilha MosquiTRAP, sugerem que não necessariamente é o primeiro criadouro visitado.

Se este comportamento também for realizado por fêmeas do campo, o criadouro “predileto” provavelmente seria muito bem escolhido e atenderia às condições destacadas por diversos autores, que funcionam como atraentes para oviposição, tais como grande volume de água, grande superfície de reflexão do espelho d’água, coloração escura, presença e concentração ideal

de imaturos co-específicos e ausência de predadores (CHADEE et al.,1990;

ALLAN & KLINE, 1995; ZAHIRI et al. 1997 ZAHIRI & MANFRED, 1998;

COLTON et al., 2003). Provavelmente devido a estas razões, as armadilhas

ovitrampas não recebem grande quantidade de ovos de cada fêmea que as utiliza, já que possuem tamanho, volume e superfície de reflexão reduzidos, e, dependendo da densidade vetorial da região, podem abrigar um número elevado de ovos de diversas fêmeas, o que poderia também atuar como um

repelente de oviposição (CHADEE, 1990; ZAHIRI et al. 1997 ZAHIRI &

MANFRED, 1998). Além disso, em campo pode haver criadouros competidores com condições muito mais favoráveis que receberiam a maior parte dos ovos de cada fêmea. Provavelmente, este é o motivo do baixo número de ovos encontrados por ovitrampa em outros experimentos (CHADEE & COBERT,

1987; CHADEE et al.,1990b; CHADEE, 1992; APOSTOL et al., 1994; REITER

et al., 1995; CHADEE, 2009). Estas características, juntamente com a escassez de trabalhos que analisem apenas uma fêmea individualmente, podem justificar o fato de que a deposição em um “criadouro predileto” não tenha sido relatada na literatura.

Portanto, os resultados obtidos no presente estudo, e outros já

discutidos, sugerem que as fêmeas de A. aegypti distribuem seus ovos em

número limitado de criadouros, variando de 2 a 10, e colocam uma pequena parte de seus ovos (geralmente de um a 11 ovos) em vários criadouros, escolhendo apenas um deles para colocar a maioria (50% ou mais) de seus ovos.

CHADEE (2010), recomendou que os órgãos de controle do vetor A.

e introduzir criadouros controlados para que as fêmeas coloquem todos os seus ovos. A partir dos dados do presente experimento, sugere-se que esta estratégia pode ser válida, desde que estes criadouros controlados sejam extremamente atraentes para as fêmeas, para serem “eleitos como predileto”, pois assim ele receberia a maior parte dos ovos de muitos outros criadouros. No entanto, se a estimativa de que as fêmeas depositem aproximadamente 50% dos seus ovos no criadouro predileto estiver próxima da realidade, e um criadouro controlado “ideal” for instalado no ambiente, o restante dos ovos ainda pode ser distribuído em outros criadouros do ambiente. Portanto, a armadilha MosquiTRAP poderia ser uma ferramenta útil para reduzir esta distribuição, já que é considerada uma armadilha atrativa para as fêmeas e com a capacidade de capturá-las

Quando a armadilha MosquiTRAP foi adicionada às gaiolas de semi- campo (Experimento 3) as médias de ovos depositados e de criadouros

colonizados pelas fêmeas de A. aegypti foram significativamente menores em

todos as densidades de criadouros. Esta redução ocorreu devido à capacidade

da armadilha MosquiTRAP de capturar fêmeas de A. aegypti em atividade de

oviposição e, portanto antes da deposição parcial ou total de seus ovos (GAMA

et al., 2007; FAVARO et al., 2006; ROQUE & EIRAS, 2008; EIRAS & RESENDE, 2009).

No presente trabalho 90% das fêmeas foram capturadas pela MosquiTRAP. Porém, observou-se uma redução da eficácia da MosquiTRAP, evidenciada pela redução da taxa de captura das fêmeas, pelo aumento do tempo gasto na captura e também pelo aumento do número de ovos e de criadouros colonizados, em função do aumento da densidade de criadouros disponíveis. Apesar disso, a armadilha se mostrou eficaz em reduzir o número

médio de ovos depositados e de criadouros colonizados pelas fêmeas de A.

aegypti mesmo quando competia com a densidade máxima de criadouros

testada (16).

Foi observado que a armadilha MosquiTRAP obteve as maiores taxas de captura de fêmeas nas categorias de tempo que compreendiam os períodos

In document TomyFamily Dedication (sider 77-83)