Para responder a primeira questão de pesquisa, partiu-se de duas premissas (premissas 1.1 e 1.2). As premissas foram estabelecidas por meio do levantamento bibliográfico e fundamentaram o trabalho.
Premissa 1 – Para compreender como a TI é utilizada pelos operadores no processo logístico é preciso:
Premissa 1.1 – Identificar o uso da TI em cada uma das cinco áreas do trabalho logístico e, dentro de cada área, nas diversas atividades (BOWERSOX; CLOSS, 2001; LAUDON; LAUDON, 2004).
Os operadores logísticos estabelecem os elos entre os ciclos de distribuição, de apoio à manufatura e de suprimentos por meio do processo logístico. O processo logístico, por sua vez, envolve a execução e gerenciamento dos fluxos de materiais, produtos e informações. Portanto, para estudar o processo logístico é necessário mapear os fluxos de materiais, produtos e informação entre os agentes.
Os fluxos são executados e gerenciados por meio do desenvolvimento do trabalho logístico. O trabalho logístico envolve cinco áreas projeto de rede; transporte; controle de estoque; armazenagem, manuseio de materiais e embalagens; e informação. E, cada área envolve uma série de atividades.
Premissa 1.2 – Analisar o papel da TI no apoio às atividades desenvolvidas.
As atividades desenvolvidas, a forma como são combinadas e as tecnologias utilizadas são determinadas pelo posicionamento estratégico do operador. E o posicionamento estratégico pode ser compreendido por meio de duas perspectivas: (1) interna e (2) do mercado atendido (BERGLUND, 1997).
1. Na perspectiva interna, os operadores são vistos a partir de seu próprio processo de produção. Portanto, trata-se de analisar o papel da TI no desenvolvimento do processo logístico do operador.
O papel da TI é central para os operadores cuja meta é a flexibilidade (capacidade de se adequar às mudanças de condições e de explorar novas oportunidades) e naqueles cuja meta é atingir a eficácia (ampliar a competitividade) (BOWERSOX; DAUGHERTY, 1995). Eficácia está relacionada aos resultados das aplicações de TI nas operações, nas estratégias do negócio, e na estrutura organizacional (NOLAN; MCFARLAN, 2005; HENDERSON; VENKATRAMAN, 1993).
Para que a TI contribua para a competitividade do processo logístico é necessário haver alinhamento entre os fatores externos (estratégia) e os fatores internos (infra-estrutura) da organização (HENDERSON; VENKATRAMAN, 1993).
E o papel das aplicações de TI – presentes e futuras – no posicionamento estratégico da empresa pode ser compreendido por meio do Grid Estratégico (NOLAN; MCFARLAN, 2005).
2. Na perspectiva do mercado atendido os operadores são vistos a partir de seus clientes. Portanto, trata-se de analisar o papel da TI no atendimento das necessidades dos clientes. Os clientes apresentam diferentes:
Exigências logísticas determinadas pela complexidade logística. Quanto maior a complexidade logística, maior a necessidade de aplicações de TI (BOWERSOX; CLOSS, 2001).
Políticas de produção. Deve haver articulação e coerência entre o trabalho logístico e a política de produção dos clientes. Nos sistemas push (empurrar) a produção é definida por previsão, ou seja, está baseada nas expectativas de venda. Já nos sistema pull (puxar), a produção atende aos pedidos efetivamente realizados, operando em tempo real e exigindo, portanto, processos logísticos mais ágeis. Partilha de dados, colaboração entre os agentes e aplicativos que permitam aos produtores e varejistas o planejamento conjunto do suprimento e da produção estão nos fundamentos destes sistemas de produção (CHANDRASCHEKAR; SCHARY, 1999).
A figura 19 retrata em um fluxograma as premissas e os autores analisados para responder a primeira questão de pesquisa.
Figura 19 – Premissas e autores analisados (questão 1)
Fonte: elaborado pelo autor (2008).
Considerando estas premissas como ponto de partida, as proposições a seguir foram elaboradas a partir das questões de pesquisa e do levantamento bibliográfico. Elas pretendem relacionar as questões investigadas a outras pesquisas já realizadas, oferecendo subsídios para a análise dos estudos de caso.
Proposição 1 – Para que o operador logístico torne-se flexível e atinja a eficácia é necessário o desenvolvimento de aplicativos customizados que atendam suas particularidades e garantam alinhamento entre os fatores externos e internos (BOWERSOX; DAUGHERTY, 1995; HENDERSON; VENKATRAMAN, 1993)
Perspectiva Interna Questão 1
TI no processo logístico PREMISSA 1
Para compreender com a TI é utilizada pelos operadores logísticos é preciso
PREMISSA 1.1 Identificar o uso da TI nas
diversas atividades (Bowersox; Closs, 2001;
Laudon; Laudon, 2004)
PREMISSA 1.2
Analisar o papel da TI no apoio às atividades
As tecnologias utilizadas são determinadas pelo posicionamento
estratégico do operador (Berglund, 1997; 1999)
Processo logístico Fluxo de
informação e TI mercado atendido Perspectiva do
Metas (Bowersox; Daugherty, 1995) Alinhamento estratégico (Henderson; Venkatraman, 1993) Grid Estratégico (Nolan; McFarlan, 2005) Complexidade logística (Bowersox; Closs, 2001) Políticas de produção (Chandraschekar, Schary, 1999)
Proposição 2 – A complexidade logística e, portanto, as ferramentas de TI, são determinadas pelas características do setor.
Proposição 3 – Se a produção está baseada na expectativa de vendas (push), o papel desempenhado pela TI é menos importante do que quando está baseada nas vendas efetivamente realizadas (pull).
A segunda questão de pesquisa – como a TI contribui para o estabelecimento das redes de valor – foi fundamentada nas proposições 4.1 e 4.2.
Proposição 4 – a TI está na base da gestão integrada da logística. E a gestão integrada da logística está na base do estabelecimento das redes de valor.
Proposição 4.1: A TI está na base da gestão integrada da logística
Gestão integrada da logística pressupõe integração e coordenação dos fluxos e estoques de materiais, produtos e informação e o estabelecimento de parcerias entre diferentes agentes.
A integração é um processo complexo que deve ser implantando de forma gradativa. Nos seus estágios mais avançados ocorre o compartilhamento total da informação, permuta de tecnologias, estabelecimento de parcerias de longo prazo e foco na estratégia (STEVENS, 1989).
A coordenação garante o controle das atividades e a execução conjunta dos processos empresariais por uma ou mais empresas (TURBAN; RAINER; POTTER, 2003). Exige o estabelecimento de padrões comuns com relação às tecnologias, sistemas de codificação de materiais, e práticas de automação e gestão entre as empresas (CHANDRASHEKAR; SCHARY, 1999).
As parcerias baseiam-se no intercâmbio de informações, aglutinação de competências e exploração de oportunidades tecnológicas e de mercado promissoras. Podem ser motivadas por (BRITTO, 2002):
- Integração conjunta das atividades visando atingir estágio mais avançado na cadeia de produção e comercialização de bens;
- Configuração aditiva que articula duas ou mais empresas de determinada indústria visando aumento da escala, ampliação do mercado interno e enfraquecimento da concorrência;
- Configuração complementar que integra duas ou mais empresas visando ampliar competências complementares e, portanto, melhorar competitividade.
Proposição 4.2: A gestão integrada da logística está na base das redes de valor.
Para que uma rede possa constituir uma rede de valor, os fluxos e estoques de materiais, produtos, serviços e informação devem ser administrados como um processo contínuo entre as empresas, ou seja, os agentes operam de forma colaborativa e ocorre o compartilhamento total das informações. Parcerias fortes e uso intensivo de tecnologia fornecem a base para o estabelecimento das redes de valor (BOVET; MARTHA, 2001).
A figura 20 retrata em um fluxograma as proposições 4.1 e 4.2 e os autores analisados para responder a segunda questão de pesquisa.
Figura 20 – Proposições e autores analisados (questão 2)
Fonte: elaborado pelo autor (2008).
Questão 2
TI no estabelecimento de redes de valor
TI está na base da gestão integrada da logística
Gestão integrada da logística está na base das redes de valor
Integração (Stevens, 1989) Coordenação (Turban et al., 2003; Chandrashekar; Schary, 1999) Parcerias (Britto, 2002) Colaboração e compartilhamento total de informações (Bovet; Martha, 2001)