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4. Manglende ferdigheter eller manglende muligheter? Analyser og tolkning

4.3 Inntektsutviklingen innad i gruppen med lav utdanning

4.3.1 Analyseresultater: Differensiering innad i gruppen med lav utdanning

Atualmente, a revista Despertai! é distribuída mensalmente. Sua distribuição é gratuita e feita pelas Testemunhas de Jeová durante o serviço de campo. Ela tem uma tiragem média de 38.451.00040 exemplares, traduzidos para 84 idiomas. Sua edição mensal traz artigos ilustrados e com fotografias, sobre diversos assuntos. Esses artigos não são assinados por seus autores.

Os artigos da revista versam sobre os seguintes assuntos: animais e plantas, assuntos diversos, biografias, ciência, economia e emprego, O conceito da Bíblia, Os jovens perguntam, relações humanas, religião, saúde e medicina, terras e povos, Testemunhas de Jeová.

Augusto dos Santos Machado Filho é o diretor responsável pela revista no Brasil. Ela é composta por 32 páginas. Além de artigos, há nela propagandas de outras publicações da Associação e informações a respeito de atividades do grupo.

Desde 1995, a revista tem os seguintes objetivos:

ESTA REVISTA É PUBLICADA visando ao esclarecimento de toda a família. Mostra-nos como enfrentar os problemas atuais. Veicula as notícias, fala sobre pessoas de muitas terras, examina a religião e a ciência. Mas faz mais do que isso. Ela sonda abaixo da superfície e aponta o verdadeiro significado por trás dos eventos correntes; todavia, permanece sempre politicamente neutra e não exalta raça alguma como superior a outra. Importantíssimo é que esta revista gera confiança na promessa do Criador de estabelecer um novo mundo pacífico e seguro, prestes a substituir o atual mundo perverso e anárquico.41

Conforme nota, a revista tem como público-alvo a família, e seu objetivo continua sendo o de tratar sobre os diversos problemas enfrentados em diversas áreas e propõe-se a explicar o que há por trás dos eventos mundiais, tentando despertar as pessoas para que elas observem os eventos ou fenômenos naturais como terremotos, maremotos, e alagamentos ocorridos em diversos lugares do mundo, bem como as epidemias e novas descobertas na área da ciência, estabelecendo uma relação direta com as profecias bíblicas e os sinais do fim dos tempos.

40Não foi encontrada a tiragem média em português.

41SOCIEDADE TORRE DE VIGIA DE BÍBLIAS E TRATADOS. Despertai!, Cesário Lange, SP, p. 4, jan.

Espera-se que, lendo a revista, os leitores passem a crer na Bíblia como um livro inspirado por um ser supremo, denominado Jeová, que em breve destruirá o atual governo

humano, e procurem achegar-se à organização de Jeová na Terra para não serem destruídos. A Despertai! publicada no Brasil é a tradução de versão em inglês. Em princípios de 1993, ela era impressa em 67 línguas, com 13.240.000 exemplares por edição.

Figura 40 ‒ Capa da revista Despertai! de março de 1993 Fonte: Despertai!, mar. 1993.

O trabalho de tradução é realizado pelas Testemunhas de Jeová que vivem em Betel42, gráficas espalhadas por diversos países. A Betel do Brasil localiza-se na Rodovia SP-141, Km 43, Cesário Lange – São Paulo. As Testemunhas que trabalham em Betel são voluntários e se dedicam integralmente à produção de Bíblias, livros, brochuras e todo material criado pela Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados.

42Significa Casa de Deus, é o nome dado às gráficas onde são produzidos Bíblias, livros, revistas e brochuras da

Todos os direitos de autor (ou direitos autorais), tanto dos livros como das revistas, pertencem à Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados de Pensilvânia, nos Estados Unidos da América.

Em cada edição mensal, uma das temáticas tratadas na revista é escolhida para ser a matéria de capa, de modo que ao longo dos doze meses do ano todos os temas tenham sido capa de revista. Há cinco seções que aparecem em todas as revistas: O conceito da Bíblia, Observando o mundo, Teve um projeto?, Os jovens perguntam e Para considerar em família.

O conceito da Bíblia tem o objetivo de levar o leitor a ter a compreensão sobre diversos assuntos, mas sob o ponto de vista bíblico. Essa seção é composta por duas páginas e traz uma pergunta ou uma afirmação sobre um determinado tema, que é desenvolvido no artigo. Ao longo do artigo são indicados textos bíblicos para que o leitor possa fazer o seu estudo pessoal e verificar se as informações dos artigos estão em conformidade com o texto bíblico. No final, há um questionário que deve ser respondido pelo leitor a respeito da temática abordada no texto lido, mas esse questionário não é enviado para a revista.

Observando o mundo é uma seção que ocupa uma página da revista e é formada por pequenos trechos de manchetes ou matérias sobre diversos assuntos, retiradas de jornais e revistas internacionais como: The Sun, The Wall Street Journal, New Scientist, etc. O objetivo da seção é deixar o leitor atualizado sobre os fatos que ocorrem em diversos lugares do mundo.

Na seção Teve um projeto? é apresentado ao leitor algum órgão humano, ou alguma característica específica de um animal ou um vegetal, e explica-se a complexidade presente não só no funcionamento desse organismo, como na formação dele. Tal explicação tem o objetivo de mostrar que existe um ser superior que criou tal órgão, ou seja, houve um projeto feito por alguém quando o ser humano e os animais foram criados. Essa seção ocupa uma página da revista.

Os jovens perguntam é uma seção que traz dúvidas ou questionamentos sobre possíveis dificuldades encontradas pelos jovens. Ela traz uma pergunta que é respondida tendo a Bíblia como referência e há testemunhos de jovens que encontram dificuldades para lidar ou entender os assuntos tratados no artigo. Essa seção contém três páginas e também traz um questionário para ser respondido com perguntas sobre o assunto contido no texto.

Já a seção Para considerar em família é composta por um conjunto de atividades que podem ser consideradas lúdicas. Essa seção aparece sempre no final da revista e tem o objetivo de levar a família a se reunir para realização das atividades como sugere o próprio nome. A primeira atividade mostra uma imagem que descreve um fato narrado na Bíblia, e em

seguida perguntas sobre a imagem são sugeridas. Algumas dicas são dadas para que o leitor procure as respostas para essas perguntas por meio da leitura dos textos bíblicos.

Na segunda atividade uma personagem bíblica é escolhida e o leitor deve responder perguntas específicas a respeito dessa personagem. A terceira atividade tem o título: Para conversar, e propõe uma reflexão ou perguntas a respeito de palavras ou atitudes de personagem bíblicas, e o leitor é convidado a pensar e expor o seu ponto de vista sobre o assunto.

A terceira atividade tem como público-alvo as crianças. Intitulada Para as crianças, a atividade desafia a criança a procurar em quais páginas da revista aparecem as imagens selecionadas na atividade.

Na quarta atividade fazem-se perguntas e indicam-se as páginas onde o leitor pode encontrar as respostas e solicita-se que ele complete os versículos dos capítulos dos textos bíblicos indicados para a leitura.

A revista apresenta na contracapa um índice de assuntos. Cada publicação mensal traz, em sua matéria de capa, um artigo sobre os diversos assuntos abordados pela revista. Além disso, alguns artigos são assinados e outros não.

Com exceção do artigo de capa que aparece sempre nas nove primeiras páginas da revista, e se assemelha a um editorial, e a seção Para considerar em família, que aparece sempre no final da revista, os demais artigos não possuem um lugar fixo nas edições.

Por fim, há um formulário para que o leitor preencha, caso ele queira entrar em contato com as Testemunhas de Jeová e fazer solicitação de estudos bíblicos gratuitos, em domicílio. Também pode-se pedir um exemplar, sem compromisso, das publicações da Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados mostradas nas edições das revistas.

Analisando os artigos publicados sobre os diversos assuntos abordados nas edições da revista do ano de 2010, é possível confirmar que eles são organizados com o objetivo de propagar as crenças das Testemunhas de Jeová e os atos realizados por elas em diferentes países.

Na edição de março, por exemplo, há um texto sobre plantas com o seguinte título: “‘Lanchonetes’ para insetos”. Seu objetivo é mostrar que as flores oferecem aos insetos um banquete de refeições calóricas. Por meio da metáfora “Lanchonetes” é revelado que, assim como as lanchonetes chamam a atenção dos seus clientes por meio das cores de suas fachadas e oferecem comidas calóricas, as flores também usam cores vivas para chamar a atenção dos insetos, seus “consumidores”.

O artigo destaca a importância da flor conhecida como margarida para a alimentação dos insetos. É explicado que ela oferece um lugar ideal para a alimentação deles porque suas pétalas refletem o calor do sol, e o seu miolo possui um néctar nutritivo.

Na conclusão, o articulista sugere que o leitor passe a observar os ecossistemas ocultos como o das margaridas quando ele for para ambientes rurais e garante: “Se fizer isso, provavelmente, vai valorizar mais ainda o Criador que projetou todos eles”.43

Percebe-se, no texto, a intenção de chamar a atenção, não apenas para observação dos ecossistemas, mas, sim, a respeito da existência de um “Criador”, um ser superior, criador dos ecossistemas: “[...] que projetou todos eles”.44

Na edição de julho, encontra-se outro exemplo, uma matéria sobre “O homem da floresta”, da Indonésia. Ela faz parte da temática animais e plantas. Nela, conta-se a respeito de uma viagem realizada ao Parque Nacional de Tanjung Puting.

De acordo com o texto, o parque abriga uma variada fauna e tem os orangotangos como sua principal atração.

A narrativa inicia com a descrição, em primeira pessoa, do momento em que um grupo de viajantes vê o orangotango pela primeira vez, mas não dá muitos detalhes sobre o animal, nem de como o grupo fez para encontrá-lo:

Agarrado a um galho que parecia frágil demais para aguentar o seu peso, um enorme animal nos encarou. Prendendo a respiração, nós também o encaramos. Ele parecia nem ligar, mas nós ficamos, frente a frente com um orangotango, o maior habitante das árvores do planeta.45

Após a descrição, o leitor é convidado pelo narrador a se integrar ao grupo de viajantes, do qual o narrador fez parte, e saber mais sobre os orangotangos, habitantes do Parque Nacional de Tanjung Puting.

Ao ler a continuação do artigo, tem-se a sensação de estar diante de uma aventura em busca do “homem da floresta”:

Nossa visita começou no pequeno porto de Kumai, onde pegamos um barco de madeira motorizado chamado klotok. A mata ficava cada vez mais fechada à medida que subíamos o rio. Densas moitas de nipa, um tipo de palmeira, cresciam às margens do rio, e crocodilos assassinos ficavam de

43SOCIEDADE TORRE DE VIGIA DE BÍBLIAS E TRATADOS. Despertai!, Cesário Lange, SP, mar. p. 26,

1993.

44Ibid., p. 26.

emboscada nas águas escuras e paradas. Sons estranhos ecoavam por toda a mata, aumentando nossa expectativa.46

Note-se que o espaço é caracterizado como um lugar cheio de mistério. Trata-se de uma “mata”, ela “ficava cada vez mais fechada conforme era explorada”, nela havia “densas moitas” e crocodilos, mas não qualquer tipo de crocodilo, eram “crocodilos assassinos” e eles “ficavam de emboscada nas águas”, mas “águas escuras e paradas”, além disso, “sons estranhos ecoavam por toda a mata”.

Novamente, o encontro entre o grupo e o orangotango é narrado, porém tem-se acesso de modo mais detalhado sobre como foi feito o primeiro contato com o animal:

Assim que saímos do barco, tomamos um “banho” de repelente e nos aventuramos mata adentro. Em poucos minutos, nos deparamos com o primeiro orangotango – grande macho mencionado no início. Sua farta pelugem avermelhada brilhava como cobre polido sob o sol da tarde. Debaixo do pelo, seus músculos salientes eram muito impressionantes!47 O animal é caracterizado como majestoso, ele tinha “farta pelugem”, “pelugem avermelhada”, mas “como cobre polido”, que “brilhava”, e “seus músculos eram salientes”.

A descrição tem a intenção de provocar no leitor a mesma sensação de encanto que os viajantes tiveram ao ver o animal pessoalmente.

Ao longo da narrativa, mais informações a respeito dos orangotangos são transmitidas, como: altura, peso, formato da face, sons emitidos por eles, e diferenças entre machos e fêmeas.

O objetivo da segunda parte é falar sobre o local onde habitam os animais, sua locomoção e alimentação. De acordo com o narrador, o formato dos pés e das mãos desses animais ajuda na locomoção pelos galhos das árvores. Eles também passam a maior parte da vida no alto delas, são peritos em se camuflarem, e se alimentam de frutas.

A terceira parte trata do convívio em família, sua longevidade, procriação e é destacado que eles são animais afetivos. As fêmeas vivem até os 45 anos e a maturidade sexual se dá entre 15 e 16 anos, elas têm em média três filhotes durante a vida. Segundo o narrador, a solidão é mais uma característica que diferencia os orangotangos dos demais macacos.

Na quarta e última parte do artigo, revela-se a existência de um centro de pesquisa e conservação dos orangotangos, localizado no parque nacional, chamado Campo Leakey,

46SOCIEDADE TORRE DE VIGIA DE BÍBLIAS E TRATADOS. Despertai!, Cesário Lange, SP, p. 15, jul.

2010.

nome dado em homenagem ao antropólogo Louis Leakey. O centro alerta que esses animais estão sendo extintos e destaca a necessidade de evitar a extração de madeiras no local, a caça ilegal de orangotangos e o tráfico de animais de estimação, já que um filhote de orangotango pode ser vendido por centenas e até milhares de dólares.

Antes de concluir, o leitor é informado de que governos e ONGs estão atuando para salvar os orangotangos. É também nessa parte que as crenças das Testemunhas de Jeová são inseridas:

A Bíblia revela que Deus em breve vai “arruinar os que arruínam a terra” e transformará o nosso planeta num paraíso (Revelação[Apocalipse] 11:18; Isaías 11:4-9; Mateus 6:10). Nesse tempo, se cumprirão as seguintes palavras do salmista: “Irrompam todas as árvores da floresta em grito de júbilo” (Salmo 96:12). Então, os animais – como o orangotango, “o homem da floresta” da Indonésia não terão mais sua sobrevivência ameaçada pelos humanos.48

O fragmento mostra que os destruidores da Terra serão destruídos por Deus, e que a Terra será transformada em um paraíso. Essas afirmações fazem parte dos credos das Testemunhas de Jeová, e aparecem no artigo reforçando a ideia de que a justiça será feita, pois quem destrói a natureza e maltrata os animais será punido por Deus.

Além de divulgar as crenças das Testemunhas de Jeová, os textos bíblicos citados e indicados para leitura têm a intenção de confortar o leitor em relação ao mal causado pelo homem à natureza e aos animais.

A Despertai! de maio publicou um artigo sobre “Como lidar com a gagueira”, como parte da temática assuntos diversos. Na introdução do texto há o depoimento de Rafael, de 32 anos, que encontra dificuldades por ser gago.

O artigo é organizado em três partes. Na primeira parte, o leitor é convidado a pensar sobre como seria a sua vida se ele “empacasse” quando tivesse que se comunicar, e é informado de que cerca de 60 milhões de pessoas no mundo são gagos. A seguir são apresentadas as seguintes perguntas: “Qual é a causa da gagueira ou disfemia? Existe cura? O que a pessoa que tem esse problema pode fazer para melhorar sua fluência? Como os outros podem ajudar?”.

O foco da primeira parte do artigo é informar as causas da gagueira. Para isso, os seguintes argumentos são apresentados: a gagueira já existe desde a Idade Média, métodos agressivos foram usados para tentar curar as pessoas, mas sem resultados. De acordo com o

48SOCIEDADE TORRE DE VIGIA DE BÍBLIAS E TRATADOS. Despertai!, Cesário Lange, SP, p. 18, jul.

artigo, pesquisas modernas sugerem que a gagueira resulta do modo como a pessoa reage ao estresse ou há um fator genético. Há nessa parte indicações de livros como Understanding the Suttering (Compreendendo a gagueira) do Dr. Nathan Lavid, e também No Miracle Cures (Não existe curas milagrosas).

O segundo tópico visa oferecer ajuda aos que sofrem da gagueira. São indicados programas fonoaudiológicos para melhorar a fluência por meio de técnicas como: relaxar o maxilar, os lábios e a língua, etc.

No último tópico, o foco é mostrar que é muito difícil superar essa dificuldade por completo, mas quem tem o problema deve se esforçar. A matéria termina com o depoimento de Victor, intitulado “Aos poucos passei a gaguejar menos”:

Victor, que gaguejou por vários anos durante um período de grande tensão familiar, conseguiu superar sem tratamento seu problema de fala. Por ser Testemunha de Jeová, ele se matriculou na Escola do Ministério Teocrático, que é realizada semanalmente em todas as congregações das Testemunhas de Jeová. Embora essa escola não tenha por objetivo dar tratamento fonoaudiológico, ela ajuda os alunos a melhorar suas habilidades de oratória e a ganhar confiança.49

O depoimento de Victor revela como ele conseguiu superar seu problema de fala sem tratamento. A melhora deve-se ao fato de ele ter passado a frequentar a “Escola do Ministério Teocrático, que é realizada semanalmente em todas as congregações das Testemunhas de Jeová”.50

Conforme o artigo, a “escola não tem por objetivo dar tratamento fonoaudiológico, ela ajuda os alunos a melhorar suas habilidades de oratória e a ganhar confiança”.51

Apesar de afirmar que a escola não tem como objetivo dar tratamento fonoaudiológico, ela é apresentada como uma possível ajuda para solução do problema da gagueira:

O manual usado chama-se Beneficie-se da Escola do Ministério Teocrático. No quadro “Como lidar com a gagueira”, o livro diz: “É importante não desistir [...]. Quando tiver de dar um discurso, prepare-se bem. Concentre-se na matéria [...]. Se começar a gaguejar esforce-se para manter a calma e controlar a voz. Relaxe a musculatura do maxilar. Use frases curtas e diminua ao máximo o uso de interjeições, como ‘é [...]’ e ‘hum’.”.52

49SOCIEDADE TORRE DE VIGIA DE BÍBLIAS E TRATADOS. Despertai!, Cesário Lange, SP, p. 14, maio

2010.

50Ibid., p. 14. 51Ibid., p. 14. 52Ibid., p. 14.

Analisando o fragmento, é possível notar que o tema da gagueira foi colocado na revista intencionalmente para divulgar a “Escola do Ministério Teocrático”, pois há no manual usado durante as aulas um tópico específico destinado aos gagos, chamado “Como lidar com a gagueira”, dando dicas para solucionar o problema.

A edição do mês de novembro publicou a seguinte matéria, “Fui criado como ateu”. Ela faz parte da temática biografias. Trata-se de uma entrevista feita com o professor Frantiek Vyskocil da Universidade Charles, em Praga. Nela, ele conta que está convencido sobre a existência de Deus.

Primeiramente, é apresentado o conceito que o entrevistado tem a respeito de religião e descobre-se que ele foi criado como ateu. Também é citado que, em 1963, ele se formou em química e biologia. Em seguida, há um resumo da carreira do professor, destacando seus estudos de pós-doutorado, e publicações de resultados de pesquisas, selecionados como obras de referências. Tais realizações o levaram a ser um membro da Sociedade Erudita da República Tcheca. Em 1989, ele torna-se professor da Universidade de Charles e tem como colegas de profissão ganhadores do Prêmio Nobel. Trata-se, portanto, de um erudito.

Ao longo da entrevista, o professor afirma que para ele “Deus era uma invenção humana” e “ficava indignado com as atrocidades cometidas em nome da religião”. No entanto, durante a realização de pesquisas sobre sinapses, seu conceito sobre a teoria da evolução começou a mudar, pois ele descobriu que alguns resultados de pesquisas não faziam sentido.

Mas, de acordo com o entrevistado, uma palestra de um famoso cientista e professor russo o ajudou a começar a pensar sobre a existência de um Deus:

Então, no início da década de 70, fui a uma palestra de um famoso cientista russo. Ele disse que os organismos vivos não podem ser resultado de mutações aleatórias e seleção natural. Daí, alguém da plateia perguntou qual então seria a explicação. O professor tirou do paletó uma pequena Bíblia russa e, erguendo-a, disse: “Leiam a Bíblia, em especial o relato da criação de Genesis.”53

Conforme o excerto, o professor apresenta a Bíblia, especificamente o livro Genesis, como fonte de explicação. A afirmação do cientista causou desconfiança do professor que se dirigiu ao palestrante no saguão para perguntar se a afirmação não passava de uma brincadeira.

53SOCIEDADE TORRE DE VIGIA DE BÍBLIAS E TRATADOS. Despertai!, Cesário Lange, SP, p. 9, nov.

Segundo a entrevista, o palestrante usou argumentos científicos para mostrar que a Bíblia estava certa, despertando nele o interesse de pesquisar mais sobre o assunto: