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Kap. 4 Sosiologisk teori som fundament for problemstillingen

Kap 6 Opplegg for datainnsamling - analysemodell

6.6 Analysemodellens perspektiv og forklaringsform

Uma dúvida que pode surgir naqueles que iniciam alguma leitura em temas pertinentes ao presente estudo é por que a ênfase é dada ao Congo e não a outras regiões da África; por que reinado de Congo, reis de Congo, congado, congada ou simplesmente congo, e não reis de Angola, de Moçambique, do Zaire, angolada, moçambicada ou derivações do tipo? A resposta para isto remonta ao século XV.

O Congo já era um reino conhecido no continente africano, forte e estruturado, quando o navegador português Diogo Cão chegou à foz do rio Zaire na década de 148025 e estabeleceu contato com o chefe da localidade de Soyo, uma província da região (SOUZA, 2002, p. 45). Seus habitantes formavam um grupo etnolinguístico chamado banto, e os domínios do reino estendiam-se por grande extensão da África Centro-Ocidental, compondo-se de diversas províncias. Embora pesquisadores que se dedicaram ao assunto divirjam no tocante a extensão territorial, é possível ter uma noção de sua amplitude: 250.000 km2, segundo Mann; 130.000 km2, segundo Thornton26. Para que o leitor tenha uma ideia do seu tamanho, tomando como referência o Brasil, São Paulo possui 248.176 km2 de extensão, e o Ceará, 145.71127.

Oliveira (2008, p. 48) afirma que, “em 1484, o Congo era já um vastíssimo império, não se conhecendo verdadeiramente seus limites, embora se saiba que no litoral se estendia desde o Loango ao Cabo Negro”. Aspectos tipológicos e descritivos do Reino do Congo podem ser encontrados em História do Reino do

Congo, manuscrito anônimo encontrado pelo padre António Brásio (Apud OLIVEIRA,

2008, p. 49) na Biblioteca Nacional de Lisboa, publicado por ele no ano de 1968 e cuja origem o autor estima date do primeiro quartel do século XVII:

“[…] o reino do Congo em si fértil e abundante de todas as coisas daquellas partes, necessárias para a sustentação da vida humana, posto que os moradores delle se contentão com pouco, vivendo conforme a ley natural, de duas sementeiras e creacções; do mar até á província da Mbata he algum tanto áspero, e tem algumas serras, posto que não trabalhosas, nem ásperas demasiadamente, nem de modo que impidão o caminhar; de Mbata até Ocanga (onde residem ordinariamente muitos portugueses e tem o seu sacerdote) tudo são campinas. He regado de rios caudelosissimos, abundantes, e alguns que se podem navegar por muitas légoas; tem grandes matas a que chamam infindas, as quaes os antigos deixarão de indústria para lhe servirem de fortalezas, nas quais há boa cópia de povoações no íntimo delas, as principaes são as do Sonho, Bamba e a de Ibar […].

25

Como informa Mukuna (s./d., p. 19), “Inúmeras são as datas propostas pelos estudiosos quanto à chegada de Diogo Cão e sua expedição na embocadura do Rio Zaire. Entre outros, Stanley coloca este acontecimento num período entre 1484-85, enquanto a maioria dos escritores confirma que eles chegaram em 1482; David Birmingham (1965) propõe 1483.”

26

MANN (1996), African kingdoms of past; THORNTON (1983), The Kingdom of Kongo, (Apud SOUZA, 2002, p. 335).

27

Segundo o IBGE, disponível em: <http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/pesquisas/index.html>. Acesso em: 11 jan. 2013.

Embora o relato certamente se refira à época posterior à chegada de Diogo Cão, uma vez que já havia portugueses morando no lugar e a presença de sacerdotes (católicos, suponho), serve para dar uma noção da extensão daquele reino.

Mukuna (s./d. p.19-20) arrola informações fornecidas por vários estudiosos que ajudam a ampliar o conhecimento referente às dimensões do reino africano encontrado pelos portugueses. Jacolliot28 afirma que o nome Congo é atribuído a toda parte da costa oeste da África, abrangendo uma área que vai da linha do Equador até o décimo nono grau de latitude sul, do Gabão até Cabo Frio (Cf. Figura 2); Elisée Reclus29 ratifica estas fronteiras, confirmando que o reino estendia- se do Gabão até o rio Cuanza; e Georges Balandier30 diz tratar-se o reino de “um conjunto político largamente espalhado sobre as duas margens do rio [Zaire ou Congo], que assim se acha evocado: estendido ao norte até o atual Gabão [...] e ao sul até as margens do Cuanza; alargado até o planalto Ba-teke e o rio Cuango, a partir do oceano […]”. Apesar de obstáculos de natureza histórica que impedem uma delimitação mais precisa da distribuição geográfica do reino do Congo encontrado pelos portugueses que lá aportaram no século XV, as informações reunidas por Mukuna permitem uma ideia aproximada da grandiosidade do reino. Os mapas seguintes podem ajudar na visualização da distribuição espacial do reino conforme descrito pelos autores.

28

JACOLLIOT, Louis. La côte d’ébène: le dernier des négriers. Paris: Librairie Illustrée, 1876, p.

111.

29 RECLUS. Nouvelle Géographie Universelle.1888, p. 111. 30

BALANDIER, Georges. La vie quotidienne au royaume de Kongo du XVIe au XVIIIe siécle.

Fig. 1 – Mapa do Reino do Congo31

:.a área sombreada indica uma extensão aproximada do antigo reino.

Fig. 2 – Mapa da atual divisão política da África. Fonte (IBGE, 2004)32

.

31

Disponível em: <http://civilizacoesafricanas.blogspot.com.br/2010/01/reino-do-congo.html>. Acesso em: 12 jan. 2013.

Não deixa de ser surpreendente imaginar como o reino se expandiu apesar das dificuldades administrativas e das limitações tecnológicas da época.

Como informa Reclus (apud MUKUNA, s./d., p. 20), quando os portugueses chegaram à África, no final do século XV, perceberam que

todo o território da parte baixa do rio, sobre as duas margens, e uma grande parte do planalto meridional reconheciam o poder de um soberano que residia na cidade designada pelo nome de Mbanza33 Kongo […] e que todos os chefes dos arredores pagavam a ele regularmente os impostos.

É a partir deste contato que o Reino do Congo entra na literatura europeia, a partir de escritos baseados em missionários, comerciantes, administradores e viajantes que “observaram a sociedade congolesa dos séculos […] [XVI ao XIX] e leram a realidade africana com os olhos e os conceitos europeus”. (SOUZA, 2002, p. 335). Batsîkama (2010) afirma que a história das origens do Reino foi abordada com base na tradição oral, inicialmente, por autores como Cavazzi, Cadornega, Lorenzo da Lucca nos séculos XVII-XVIII e, posteriormente, por autores como Rafael Vide, Cuvelier, Van Wing nos séculos XIX-XX. O autor adverte, porém, que há grande confusão nas ancestrais tradições orais. É com base nesta literatura que apresento algumas informações que podem contribuir para a compreensão da formação e da estrutura político-administrativa que deu sustentação ao reino.