2. Teoretisk bakgrunn
2.5 Analysemodell
Espero que este estudo possa contribuir para o campo de pesquisas em LA, na formação de professores e no ensino e na aprendizagem de línguas, e que destaque a necessidade e a importância da implementação do coaching
117 nas escolas, com o objetivo de auxiliar os professores não só pedagógica, mas, principalmente, ouso dizer, emocionalmente. Isso porque o docente, estando bem com suas emoções, sente-se melhor e mais motivado para colocar em prática novas ideias. Por isso, esta pesquisa aponta para algumas questões na área da formação de professores que carecem de atenção. A seguir, discorro sobre esses pontos.
Em primeiro lugar, esta pesquisa mostra como o CI pode auxiliar e ser um suporte no aspecto pedagógico e emocional do professor orientado, considerando que as sessões de coaching são um espaço de reflexão sobre a prática e de compartilhamento de experiências. Nesse sentido, lembro as colocações de Rezende (2014), que fez um autoestudo de suas emoções como professora iniciante em escola pública. A autora, após vivenciar experiências como professora iniciante em um contexto diferente do que costumava trabalhar, percebeu que esse processo é um desafio enfrentado pelos professores, já que eles chegam a uma nova instituição sem conhecimento sobre o local e acabam tendo de resolver todas as suas pendências e dúvidas sozinhos. Portanto, ela sugere que professores iniciantes tivessem tutores que fossem professores mais experientes, da própria escola, para orientá-los e ajudá-los a enfrentar situações difíceis as quais já vivenciaram. Ela ainda coloca que, caso isso não fosse possível, uma alternativa seria uma parceria entre universidades e escolas regulares, na qual professores formadores fossem os tutores desses professores iniciantes e os envolvessem em grupos de formação continuada. Percebo, portanto, que auxílios como o coaching seriam adequados para a situação na qual essa autora se encontrava, já que ela acaba por citar alguns aspectos desse processo, porém sem nomear exatamente. Obviamente, isso se dá porque esse conceito é pouco conhecido no Brasil.
Dessa maneira, esta pesquisa pôde mostrar como as sessões de
coaching, como proposto por este estudo, são importantes e necessárias,
considerando que todos os professores, independentemente do contexto em que estão inseridos, passam por problemas e, muitas vezes, não têm com quem compartilhar. Isso ocorre porque são poucos os projetos de educação continuada como o PECPLI29, proposto pelo Departamento de Letras da
29
O PECPLI é um Projeto de Educação Continuada para professores de Língua Inglesa no qual professores já formados e em exercício recebem orientação linguística e pedagógica de professores e estudantes do Departamento de Letras da Universidade Federal de Viçosa.
Universidade Federal de Viçosa. Assim, muitos professores não têm um espaço que seja, não apenas para tirar dúvidas linguísticas, mas também para refletir sobre a prática e as emoções vivenciadas em sala de aula ou simplesmente f a ze r u m desabafo. É possível observar, então, que a proposta colocada por esta pesquisa, que é o auxílio, por meio do coaching, para uma professora de escola regular, é também uma proposta de formação continuada. Nesse sentido, Jossey-Bass (1990)30 enfatiza a eficácia dos trabalhos feitos por coaches, citando o livro “The Predictable Failure of
Educational Reform”, de Seymour Sarason, no qual o título já mostra as
frustrações vivenciadas por muitos líderes educacionais que tentam promover iniciativas de melhoramento nas escolas. Os resultados positivos do coaching sugerem que há agora, de fato, uma causa para o otimismo sobre o desenvolvimento profissional, como também sobre esforços para a efetuação de futuras reformas nas escolas.
Em segundo lugar, fica claro que os cursos de formação inicial deveriam dar mais atenção às disciplinas práticas e às discussões sobre as diversas realidades profissionais de professores, pois, dessa maneira, os graduandos poderiam conhecer e realmente estarem imersos em diferentes contextos educacionais.
Em terceiro lugar, mas não menos importante, corroboro com Rezende (2014) quando ela afirma que é essencial que nesses cursos de formação inicial sejam discutidos temas relacionados a emoções na prática do profissional docente, pois, dessa forma, os professores em pré-serviço já começariam a entender e a refletir sobre o papel das emoções em suas práticas.
Por fim, discorro brevemente sobre minha visão como coach, pois entendo que, ao compartilhar minhas experiências, posso contribuir para mostrar a efetividade do processo de coaching. Como coach, acredito que nossa ajuda possa tornar mais fácil a realidade do profissional docente que, muitas vezes, sofre com condições de trabalho desfavoráveis, o que acaba por refletir em sua prática. Alguns professores ainda chegam à escola despreparados em relação à teoria e à prática, como pode acontecer em qualquer outra profissão. Então, ao terem o choque de realidade, ficam sem
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119 saber a quem ou onde recorrer quando se deparam com problemas os quais não tiveram contato antes . Dessa forma, o professor é um profissional que se torna cada vez mais sozinho, o que acaba causando problemas emocionais, bem como a desmotivação para o planejamento e execução de uma boa aula, visto que, em grande parte das escolas, nem os mínimos recursos lhes são dados.
Durante minha experiência como professora, seja com o público universitário, seja em cursos privados de idiomas, seja em escolas particulares ou públicas, também me senti bastante sozinha e, muitas vezes, sentia vontade de chorar por não ter com quem desabafar. Nessas mesmas experiências, pude conviver com professoras que reclamavam desde o momento em que pisavam na escola até nos pequenos intervalos de descanso. E ao sair... Ah, o sair era o momento mais esperado por elas. Também pude ter contato com muitas amigas da época da graduação que simplesmente “murcharam” e perderam todo o brilho e a vontade de lecionar.
Então, o que resolvi fazer com tudo isso? Pensar em uma forma de intervir para auxiliar mesmo que uma pequena parcela desse todo. Foi por isso que me identifiquei com o trabalho de coach e vejo nele uma boa oportunidade de recuperação da educação. Nesse sentido, corroboro com Barnes (2005), quando ela considera o coaching o trabalho perfeito para fazer as pessoas se sentirem bem com elas mesmas e em relação à sua profissão (BARNES, personal communication. July 14, 2005 apud KNIGHT, 2007, p. 30), principalmente no caso da profissão de professor. Isso porque este é um profissional que passa por muitas dificuldades e, na maioria das vezes, não tem um bom salário e ainda é desvalorizado pela sociedade para a qual ele faz um bem enorme: o de formar cidadãos.
Portanto, é extremamente gratificante ouvir, após muito esforço e dedicação para propiciar mais bem-estar à professora participante, a seguinte colocação: Se eu falasse “Ah, eu vou pagar uma sessão de coaching para
mim”, aí, com certeza, eu pagaria uma sessão de coaching com Bárbara Padula (SC 9, 22/08/15). Assim, concordo com Aguilar (2013) quando ela
afirma que levará tempo para modificarmos nosso sistema educacional, mas nós, como estudiosos da área, não temos outra opção que não seja fazer parte desse processo de transformação.
5.4. Sugestões para futuras pesquisas sobre CI e emoções de professores