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Analysearbeid i en symbolsk interaksjonistisk tolkning

3.8 Analyse og koding

3.8.1 Analysearbeid i en symbolsk interaksjonistisk tolkning

No prefácio do livro La Genèse de L´Hypothèse. Étude Expérimentale, Claparéde explica que esse trabalho teve uma longa história. As experiências que foram o ponto de partida tinham sido iniciadas em 1916-1917, com a colaboração de M. Yves De Lay, então assistente do Laboratoire de Psychologie de Genève. Mas De Lay foi para a guerra e Claparède somente retomou o trabalho em 1925, redigindo várias páginas desse livro, mas este acreditava que os resultados encontrados não eram suficientes: “se me decido hoje a desenterrá-los [os resultados], é pelo pedido de Madame Antipoff, que me persuadiu (mas não convenceu!)que haveria interesse de publicar essas pesquisas”116 (CLAPARÈDE, 1934, p.2)

116

Original: “je me décide aujourd´hui à les en exhumer, c´est à la demande de Mme Antipoff, qui

Na primeira parte da obra é anunciado o seu objetivo, que foi o de clarear o modo como a inteligência opera quando realiza sua função, qual seja, a solução de um problema: “a inteligência é, com efeito, a capacidade de resolver pelo pensamento os problemas novos117” (CLAPARÈDE, 1934, p.3). Para Claparède, a noção de situação nova é imprescindível na definição da inteligência, pois, se não houvesse uma situação ou problemas novos para resolver, não se trataria de inteligência, mas de memória, hábito, automatismo. Sendo assim, a inteligência somente é acionada quando nem o instinto nem o hábito podem resolver uma situação. Nesse processo que constitui o ato de inteligência, distinguem-se três operações distintas: a questão; a procura, ou descoberta da hipótese, e a verificação, ou controle da hipótese.

O ato de inteligência é então uma procura, e essa procura apenas pode se efetuar por um tateamento. O ato de inteligência implica então um tateamento; considerado sob o ângulo funcional, é o equivalente dos procedimentos de ensaio e erro que já constatamos nos animais mais inferiores quando os colocamos em circunstâncias novas a respeito das quais eles não estão adaptados118 (CLAPARÈDE, 1934, p.5-6)

O conceito de interesse surge pela primeira vez, nesse trabalho, quando Claparède explica que, em 1902, suas experiências o fizeram constatar nas associações predeterminadas “a consciência do sentimento de relação antes da presença do indutor”. E que, após a presença do indutor, sentimos em qual direção se dará a resposta:

Como fator de escolha dentre as associações possíveis, escolha assegurando a adaptação do encadeamento das idéias, eu tinha apelado para “o interesse provocado por uma dessas relações” e “o interesse do objetivo a alcançar119” (CLAPARÈDE, 1934, p.23-24)

Ele continua dizendo que, em 1903, em uma obra sobre a associação de idéias, combateu o associacionismo e tentou explicar o pensamento adaptado pelo jogo

117

Original: “L´intelligence est em effet la capacite de résoudre par la pensée des problèmes nouveaux”

118

Original: “L´acte d´intelligence est donc une recherche, et cette recherche ne peut s´effectuer que par un tâtonnement. L´acte d´intelligence donc un tâtonnement; considéré sous l´angle fonctionnel, il est l´équivalent du procédé des ‘essais et des erreurs’ que l´on constate déjà chez les animaux les plus inférieurs lorsqu´on les place dans des circonstances nouvelles à l´égard desquelles ils ne sont pas adaptés”

119

Original: “Comme facteur du choix parmi les associations possibles, choix assurant l´adaptation de l´enchaînement des idées, j´avais invoqué ‘l´intérêt provoqué par un des rapports’ et ‘l´intérêt du but à atteindre’”

da consciência das relações. Então ele conta que, em 1904, Liepmann, um psiquiatra de Berlim, partindo da constatação de que o princípio da associação não poderia dar conta do pensamento coerente, explica o pensamento pela intervenção de uma “representação dominante” (Obervorstellung), a qual contém todo o encadeamento das idéias que o pensamento apenas explicitará. Segundo Claparède, Liepmann conclui, muito apropriadamente, que “o que eleva uma representação a essa dignidade de agente condutor, é o interesse120”. (CLAPARÈDE, 1934, p.24)

Claparède traz de volta um conceito já explicitado em 1906, ou seja, o de adaptação ao interesse presente, perguntando como é possível que a constelação das representações da realidade se mantenha sempre em harmonia com o interesse presente, na medida do desenrolar das percepções exteriores. Mais uma vez, Claparède recorre a Liepmann para responder a essa questão:

“temos aqui um processo de pensamento que não é precedido de uma Zielvorstellung (de uma consigne); é a representação de uma situação de conjunto penetrada de um interesse prático ou teórico, que determina o encadeamento das representações121”

(CLAPARÈDE, 1934, p.32).

Dizendo de outra maneira, “nosso saber, nossas experiências adquiridas, nossos complexos afetivos, a vaga consciência do meio ambiente, formam como uma trama modificada a cada instante pelo nosso interesse no momento”122 (CLAPARÈDE, 1934, p.36). Podemos notar aqui a importância da experiência passada na gênese da hipótese. Isso ocorre quando nossas necessidades, ou, nos dizeres de Claparède, nosso interesse presente, descobrem os elementos úteis aos seus fins nessa experiência, ocorre como que “um tipo de ressonância interna”, em que a necessidade faria vibrar os elementos que se harmonizassem com ela própria. Claparède exemplifica isso da seguinte forma:

120

Original: “ce qui élève une représentation à cette dignité d´agent conducteur, c´est l´intérêt” 121

Original: “nous avons ici un processus de pensée qui n´est pas précédé d´une Zielvorstellung (d´une consigne); c´est la represéntation d´une situation d´ensemble pénétrée d´un intérêt pratique ou théorique, qui détermine l´enchaînement des représentations”

122

Original: “notre savoir, nos expériences acquises, nos complexes affectives, la vague conscience du milieu ambiant forment comme une trame modifiée à chaque instant par notre intérêt du moment.”

Como notamos com frequência, em face da mesma árvore, nossos pensamentos serão completamente diferentes conforme a considera um botânico, um cortador de lenha, um pintor, ou um simples passeador... Tudo o que sabemos da árvore, só as idéias que se harmonizam com nosso interesse do momento serão dinamogênicos, para dirigir nossa conduta ou nosso pensamento, - isto é, serão utilizados123 (CLAPARÈDE, 1934, p.132).

Como vemos, também nessa obra o interesse continua tendo um papel privilegiado na organização dos processos psíquicos responsáveis pela manutenção do equilíbrio do organismo. É ele o agente condutor das representações (cognição), da nossa conduta, dos nossos pensamentos, que atua modificando a dinâmica das nossas experiências, da nossa afetividade e da nossa consciência do meio ambiente.

Considerando a data de início desse trabalho (1916-17) e que outros trabalhos intermediários a esse contém a mesma idéia, mantida até a data da publicação do livro (1934), podemos perceber uma tendência linear do pensamento de Claparède. Contudo, nessa obra, pela primeira vez o autor nos apresenta um trabalho experimental, realizado por ele para demonstrar as questões acima, com as quais ele já vinha trabalhando ao longo dos anos. Mas o objetivo central seria de se entender como se processa a formação da hipótese. O estudo foi realizado com um número de trinta pessoas, entre estudantes, assistentes e professores. A elas foram expostos problemas pré-definidos, semelhantes àqueles vividos no dia-a-dia, mas que não apresentassem soluções imediatas. Para estudar o modo como os sujeitos resolviam esses problemas, foi utilizado o método da reflexão falada, o qual Claparède explica que se diferencia do método da introspecção.

123 Original: “Comme on l´a noté bien souvent, en face du même arbre, nos pensées seront complètement

différentes suivant que nous le considérerons en botaniste, en bûcheron, en peintre, ou en simple promeneur... De tout ce que nous savons de l´arbre, seules les idées qui s´harmoniseront avec notre intérêt du moment seront dynamogénisées, pour diriger notre conduite ou notre pensée, - c´est-à-dire seront utilisées.”