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O ensino formal de Odontologia no Brasil, que teve seu início no final do século XIX, evoluiu significativamente ao longo do tempo, mas, no entanto, manteve sua prática centrada na formação técnica. (Paula; Bezerra, 2003) A profissão de Odontologia foi regulamentada em 1856, exercida a título de concessão e, baseava-se em conhecimento não sistematizado, com uma prática eminentemente artesanal. Os primeiros cursos, criados no Rio de Janeiro e na Bahia, apresentavam duração de dois a três anos. O currículo da época era constituído por matérias básicas: Anatomia da Cabeça, Histologia Dentária, Fisiologia Dentária, Patologia Dentária, Física e Química Mineral Elementar, e matérias profissionais: Terapêutica Dentária, Medicina Operatória e Cirurgia Dentária. Somente em 1951 foi estabelecido que o seu exercício era exclusivo dos habilitados por título obtido em escola de Odontologia. Nos últimos 50 anos a influência norte-americana se fez marcante e o curso foi objeto de transformações mediante a agregação de novos conhecimentos e tecnologia. Este modelo encontra-se em vigência, apesar da Lei de Diretrizes e Bases ter sido aprovada em 1996 e a definição das Diretrizes Curriculares Nacionais datarem de 2001. (Anexo 1)

Hoje, é que se inicia um movimento de reestruturação curricular na tentativa de atender as medidas propostas.

Notadamente, nos últimos 10 anos, ocorreu uma grande expansão dos cursos de Odontologia no Brasil com conseqüente aumento do número de profissionais que ingressam no mercado de trabalho.

A Odontologia, assim como a educação superior como um todo, assistiu a uma desenfreada abertura de novos cursos pela iniciativa privada, como mostra o Censo da Educação Superior do INEP, especialmente no período compreendido entre 1996 e 2002.

Hoje, mais de 70% das matrículas no ensino superior estão na rede privada. A expansão não foi acompanhada de uma preocupação com a qualidade. Apesar do frenético ritmo de abertura de cursos, pouco controle foi exercido, no sentido de penalizar instituições por apresentarem baixa qualidade. Isso está mudando e no final de 2004, o Ministro Tarso Genro determinou o fechamento de seis instituições que não atendiam a critérios satisfatórios de qualidade. Depois de fechar por 180 dias o protocolo de entrada para pedidos de autorização de novos cursos, novas regras foram estabelecidas e foram editadas também portarias que subordinam a autorização de abertura de novos cursos ao interesse público e necessidades regionais. (HADDAD, 2005)

Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira/ Ministério da Educação e Cultura (INEP/MEC 2003), o Brasil tem 170 cursos de Odontologia, nos quais são oferecidas 13.112 vagas. A distribuição regional dos cursos em relação à população brasileira por região nos mostra que a região Sudeste apresenta o maior contingente: 92 cursos, com 7.488 vagas para uma população de 72.412.411, seguido da região Sul com 30 cursos, com 2.205 vagas para uma população de 25.107.616; região Nordeste com 25 cursos, com 1.787 vagas para uma população de 47.741.711; região Norte com 12 cursos, com 792 vagas para uma população de 12.900.704 e, por último, a região Centro-Oeste com 11 cursos, com 840 vagas para uma população de 11.636.728.

A organização curricular dos cursos passa por transformações importantes no momento atual, que resultam, de certa forma, de exigência oficial, originada pelas novas Diretrizes Curriculares para a área de saúde, incluída a Odontologia (Anexo 1).

Várias conquistas foram sendo incorporadas ao arsenal científico da odontologia e, conseqüentemente, da endodontia.

Firmaram-se cada vez mais em bases sólidas e acessíveis a todos os membros efetivos da comunidade odontológica, os princípios biológicos fundamentais da técnica de tratamento e obturação dos canais radiculares. Os instrumentos foram revistos e modificados de maneira menos complexa; o instrumental e material utilizados no tratamento e obturação dos canais

radiculares foram padronizados; a esterilização do instrumental e material é usada em embalagens simples e eficientes para uso imediato; a tecnologia apresentou soluções novas para alguns velhos problemas ainda existentes; as pesquisas se avolumaram com o aprimoramento racional dos inúmeros recursos obtidos pela evolução da ciência; o ensino da endodontia procurou enquadrar-se dentro da dinâmica da atualidade; a instrumentação continuada foi incorporada através das Faculdades, Associações da Classe e Grupos de Estudo.

Apesar deste grande desenvolvimento ocorrido, principalmente, na última década, é de se reconhecer que ainda resta procurar soluções para muitos problemas, em todos os ramos da atividade humana. Por outro lado, é verdadeiro também que novas conquistas surgem, a cada momento, e deverão ser incorporadas no equacionamento dos problemas endodônticos ainda existentes. Estamos atravessando um período de grandes inovações e reformulações e mesmo de transição para um mundo que será dominado pelo avanço tecnológico e científico. Assim, pois, um papel histórico muito importante está reservado para atual geração e as futuras.

O ensino da Endodontia deixou de ser matéria inclusa em outras disciplinas e ganhou foro de disciplina autônoma com conteúdo pedagógico próprio e bem definido. Semelhantemente, o ensino continuado da Endodontia cresceu, quer nos ambientes universitários quer nos associativos, deixando transparecer, pelo grande número de cursos, o alto interesse que desperta no seio da comunidade odontológica. Assinala-se, de forma idêntica, o aprimoramento das entidades associativas que cuidam, exclusivamente, dos problemas endodônticos no âmbito profissional e do ensino.

Conclui-se que os conhecimentos endodônticos cada vez mais deixam de pertencer a uns poucos privilegiados, estendendo-se a um maior número de dentistas que estão capacitados a realizar tratamentos endodônticos de acordo com padrões elevados.

Nota-se, claramente, que o caminho futuro da Endodontia é o de buscar condições propiciadoras da simplificação de seus procedimentos, da redução dos tempos operacionais, da diminuição dos custos sem perda de qualidade e,

conseqüentemente, permitir que a prática endodôntica possa ser realizada como tarefa costumeira, atendendo um número maior de pacientes.

Muitos progressos atuais deram origem a um ensino melhor no campo da Endodontia. Há algumas gerações, muitas escolas de Odontologia da América do Norte não tinham departamentos de ensino, nos cursos de graduação, voltados exclusivamente ao tratamento endodôntico. Os departamentos para graduados eram poucos. Os programas de ensino da Endodontia, em todos os níveis, careciam de pessoal e, com poucas exceções, estavam mal equipados para cumprir esta missão. Não é de admirar que os dentistas recebessem, efetivamente, informação menos útil do que aquelas que os mestres pioneiros neste campo gostariam de dar.

Houve um enorme salto do ensino da Endodontia nos últimos anos, tanto na graduação quanto na pós-graduação. O desenvolvimento da Endodontia como área de especialização teve grande importância neste crescimento. Diante da exigência de executar, documentar e criar um serviço excelente neste campo – docentes e clínicos especialistas responderam com passos largos no ensino e na prática da Endodontia. Por algum tempo, o maior impulso parecia estar na direção do ensino pós-graduado. Presentemente, a informação e o entusiasmo gerados nos programas de pós-graduação passaram em grande escala para os programas de graduação. Atualmente, a ênfase está equilibrada.

No futuro haverá uma progressão definida no ensino da Endodontia no curso da graduação. O tempo dedicado a aulas teóricas e práticas será aumentado, substancialmente. Os futuros estudantes de Odontologia reconhecerão a prática endodôntica como parte importante da clínica geral. O número de pacientes beneficiados pelo tratamento endodôntico será grande, e o aumento da atividade e eficácia dos clínicos gerais de nenhum modo diminuirá o crescimento da Endodontia como especialidade. Na realidade, a especialidade será apreciada como força orientadora da melhoria do ensino, da pesquisa e da prática na Endodontia. Nesta existência simbiótica, os clínicos gerais esclarecidos estimularão a liderança dos especialistas assegurando, assim, um grande número de profissionais hábeis para cuidar do número incontável de dentes necessitando de tratamento endodôntico.

Neste ínterim, grande número de clínicos buscará cursos de educação continuada em Endodontia, a fim de atualizar seus conhecimentos e habilidades. Isto será proporcionado em todos os níveis de experiência, e ocorrerá uma elevação e nivelamento graduais da percepção e habilidade endodônticas.

A Endodontia permaneceu durante muito tempo sem a colaboração científica necessária para evoluir. Os efeitos biológicos dos tratamentos permitiram um progresso significativo, racional e científico da Endodontia, que até por volta de 1950 não era reconhecida e praticada como é hoje. Tanto no âmbito acadêmico como no profissional, a endodontia fazia parte de conteúdo programático e da prática clínica da Odontologia.

Quando o primeiro instrumento endodôntico foi fabricado, a partir de uma mola de relógio, em 1838, não se imaginava que os materiais e as técnicas poderiam evoluir tanto.

Poder realizar eficientemente um trabalho dependeu muito da evolução dos materiais na área da engenharia. Os instrumentais eram de aço até a década de 50, quando foi introduzido o inox.

Os instrumentais de aço eram muito rígidos. As máquinas que faziam esses instrumentos eram muito precárias, por isso os instrumentos eram muito irregulares e grosseiros. Na década de 60 passam a ter um padrão estabelecido na sua forma e dimensões, o que mudou, significativamente, os procedimentos endodônticos.

A evolução dos instrumentais, aliada ao avanço dos medicamentos antibióticos e antimicrobianos e dos agentes de irrigação, foi responsável por uma mudança significativa na história da endodontia.

Hoje a Endodontia brasileira passa por um processo de atualização em que é pioneira. Os trabalhos do Brasil vêm norteando o desenvolvimento da endodontia mundial (Orsi Filho, 2004).

Com tantos avanços e inovações tecnológicas, a peça fundamental dentro de um consultório continua sendo o Cirurgião Dentista.

A Endodontia está passando por uma transformação do ponto de vista da execução do tratamento, mas mantêm os conceitos filosóficos, os conceitos

O exercício das especialidades odontológicas é normatizado pela Resolução CFO-126, do Conselho Federal de Odontologia, no qual é referida a especialidade de Endodontia, na Seção III, Capítulo II. (Anexo 2)

Atualmente, os materiais e instrumentos utilizados nos procedimentos endodônticos não param de ser desenvolvidos e testados. O laser, um dos últimos avanços em termos tecnológicos, mesmo com seu caráter de ação antimicrobiana não consegue desenvolver o trabalho de uma lima dentro do canal. O laser prepara a cavidade, remove matéria orgânica, remove magma e retira a dentina sã. Com o laser, é possível realizar processos de descontaminação de redução de microbiota, que chegam a níveis próximos de 100% da redução da microbiota. O mais importante é utilizá-lo como agente descontaminante, um agente que controla e reduz a microbiota do canal de forma muito importante. Aquilo que a técnica tradicional não faz, certamente, o laser fará.

Apesar das técnicas e tratamentos serem bastante desenvolvidas, a medicação sistêmica não deixou de atuar como coadjuvante no tratamento endodôntico. Em determinadas situações, a dor, a inflamação e as infecções exigem a prescrição de medicamentos de uso geral. Os analgésicos e antiinflamatórios são indicados em casos de inflamações pulpares agudas, pericementites agudas e abcessos periapicais agudos, permitindo o controle e a prevenção da dor. Os antibióticos controlam e combatem a infecção em abcessos dentoalveolares agudos, por exemplo. Para o controle das inflamações, há medicamentos que possuem propriedades analgésicas. Em casos de pacientes extremamente inquietos e agitados, há diversos tipos de tranqüilizantes que podem ser utilizados. Cabe ao profissional conhecer as drogas e seus efeitos, evitando, assim danos à saúde do paciente.

Com toda essa particularidade em termos da natureza do tratamento endodôntico o Ensino da Endodontia também se caracteriza por diversas dificuldades:

• O custo do material e instrumental elevado: Nem todo aluno possui condições de adquirir e manter o material e instrumental exigido pela disciplina, sendo que é de fundamental importância para o aprendizado que o aluno utilize o instrumental adequado.

• O despreparo do aluno em relação ao atendimento do paciente como um todo, desde o diagnóstico, até a realização dos procedimentos básicos que antecedem a tratamento endodôntico propriamente dito, como anestesia, profilaxia e isolamento absoluto.

• A falta de uma maior dedicação por parte dos alunos no que diz respeito a se prepararem para um melhor aproveitamento do aprendizado. Os alunos se sairiam melhor se estudassem mais, pois a disciplina exige um embasamento teórico bastante rico em conteúdo cognitivo.

• A dificuldade de aquisição de dentes naturais extraídos de humanos, por questões legais de bioética.

• Entre outras.