A Federal Transit Administration (FTA) define BRT como um modo de transporte rápido, flexível e de alto desempenho, que pode ser combinado com uma variedade de elementos físicos, operacionais e do sistema que está permanentemente integrado com uma imagem de qualidade e identidade único (Hinebaugh, 2009). Segundo Wright e Hook (2008) o BRT é um sistema de transporte coletivo de alto desempenho e qualidade que utiliza veículos sobre pneus para proporcionar mobilidade urbana rápida, cômoda e de relação custo-benefício favorável, operada através da provisão de uma superfície viária em faixa exclusiva. Para Gray et al. (2006) define o Sistema BRT como uma combinação de instalações, sistemas e investimentos em veículos que convertem os serviços de ônibus
23 convencionais em um serviço de transporte com estrutura fixa, aumentando sua eficiência e eficácia para o usuário final. Para NTU (2010); Hinebaugh (2009); Wright e Hook (2008) e Levinson et al., (2003) os principais elementos que compõem o BRT, são: um espaço viário exclusivo; estações e terminais BRT; os veículos; o plano operacional, tarifário e de serviços; os sistemas de informação e controle (Intelligent Transportation
System- ITS); e, a identidade e marketing.
Elementos Básicos de um BRT
Como foi apresentado acima, os sistemas de transporte de massa tipo BRT podem ser agrupados em seis elementos básicos, descritos a seguir:
a) Espaço viário exclusivo: este elemento físico é um dos principais atributos para estes
sistemas. Refere-se ao espaço físico disponibilizado para a movimentação dos veículos do BRT, de forma a permitir sua rápida circulação ao longo de toda a rede de transporte do sistema. Para tanto, pode-se utilizar faixas exclusivas amparadas por uma geometria e estruturas especiais. Segundo Hinebaugh (2009) este elemento impacta significativamente a velocidade de viagem, confiabilidade e a identidade do sistema e, pode ser classificado em três tipos de vias para corredores BRT:
• Faixa segregada: são faixas exclusivas para o sistema, segregadas por meios
físicos ou sinalização horizontal (Figura 3.1(a)).
• Faixa mista: são faixas compartilhadas com outros tipos de transporte (Figura
3.1(b)).
• Faixa guiada: são faixas que tem estruturas físicas nas laterais com o fim de guiar
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Figura 3.1 Tipos de vias para corredores BRT. Fonte: adaptada de Wright (2008).
b) Estações e terminais BRT: são estruturas físicas que permitem a interação entre os
usuários e o sistema BRT e devem proporcionar a acessibilidade segura e fácil para todos os usuários, incluindo as pessoas com necessidades especiais. Além disso, estas estruturas possuem as funções de proteger os usuários das intempéries, permitir a integração com outros modos de transporte, propiciar a circulação segura dos pedestres nas travessias de vias urbanas e nos deslocamentos entre plataformas (estações e terminais), e interagir com o ambiente urbano das cidades. Também têm a função de induzir a uma adequada utilização do uso do solo, realizar estocagem de veículos BRT, permitir a cobrança antecipada da tarifa, propiciar um embarque/desembarque dos usuários em nível, controlar o acesso as estações, oferecer baias para veículos BRT nas plataformas compatíveis com a demanda, proporcionar separação entre fluxos distintos e conflitantes, e disponibilizar informações aos usuários, por meio da utilização de sistemas de informação (Hinebaugh, 2009; NTU, 2010).
c) Veículos: os veículos BRT devem possuir algumas características, tais como:
tamanho dos veículos compatíveis com a demanda e o nível de serviço desejado; o
Layout interno deve ser condizente com os diversos tipos de usuários; deve ser
aparelhado com equipamentos adicionais como janelas panorâmicas, iluminação interna e assentos estofados (NTU, 2010), de forma a tornar este transporte mais atrativo; e deve possuir sistema de propulsão com um combustível que minimize a poluição atmosférica local (EMBARQBrasil, 2013; NTU, 2010; Wright e Hook,
25 2008). A seguir na Tabela 3.1 se apresentam os diferentes tipos de opções de veículos disponíveis para estes sistemas, com seus comprimentos e suas capacidades.
Tabela 3.1 Opções de veículos para sistemas BRT.
TIPO DE VEÍCULO COMPRIMENTO
(Metros)
CAPACIDADE (Passageiros por veículo)
Biarticulado 24,00 240 – 270
Articulado 18,50 120 – 170
Padron 12,00 60 – 80
Micro ônibus 6,00 25 – 35
Fonte: Wright e Hook (2008).
d) Plano operacional, tarifário e de serviços: os Sistemas BRT devem ser parte de uma
rede multimodal e integrada de transporte coletivo urbano que contemple linhas troncais e alimentadoras (NTU, 2010), de forma a oferecer aos usuários um serviço frequente, rápido, direto, de fácil compreensão, seguro, confiável, com tempos de viagens curtos, e operacionalmente eficiente (Hinebaugh, 2009; Wright e Hook, 2008), podendo, para tanto, ser oferecidas linhas de BRT paradoras e expressas. Linhas paradoras são as que realizam a parada em todas as estações ao longo do percurso e linhas expressas são as linhas que realizam a parada em algumas estações ao longo do percurso (NTU, 2010).
A estrutura tarifária destes sistemas é, preferencialmente, aquela integrada aos sistemas complementares. O pagamento da operação deve estar baseado na arrecadação tarifária e, em alguns casos, complementados por recursos adicionais, quando se deseje oferecer o serviço em regiões que a capacidade de pagamento dos usuários é insuficiente (NTU, 2010). A cobrança da tarifa afeta diretamente o volume de usuários que ingressam no sistema. Também, esta cobrança tem um papel chave no serviço ao usuário, marketing, planejamento e operações (Hinebaugh, 2009). e) Sistema de informações e controle: é uma ampla variedade de sistemas inteligentes
de transportes (Intelligent Transportation System – ITS), que podem ser integrados nos BRT’s a fim de proporcionar o melhor desempenho em termos de tempo da viagem, confiabilidade, eficiência operacional e segurança (Hinebaugh, 2009; NTU, 2010). Além disso, os sistemas de informação e controle, devem contar com elementos para gestão de informações e controle, para assim, proporcionar informações em tempo real aos usuários, como também fornecer informações para
26 aqueles usuários com necessidades especiais. Desta forma, visando que a operação seja rápida, segura e confiável.
f) Identidade e Marketing: os sistemas BRT precisam ser construídos com uma
identidade própria, de forma que sejam percebidos pela população como uma opção de transporte adequada e de boa qualidade. Uma imagem favorável tem o potencial de atrair mais usuários ao sistema, contribuindo para o equilíbrio econômico- financeiro do mesmo. Esta imagem pode ser gerada por meio da utilização de estratégias de publicidade e propaganda que, aliadas ao uso de tecnologias modernas e eficientes, permitem que os usuários associem o BRT como um sistema de transporte confiável e de qualidade (NTU, 2010; Wright e Hook, 2008).
Apesar da rápida expansão e o sucesso de Sistemas BRT, como tem ocorrido nos últimos anos ao redor do mundo, os gestores continuam ignorando as características e objetivos fundamentais de Sistemas BRT, chamando incorretamente de BRT alguns corredores de ônibus que têm propiciado melhoras no sistemas de transporte, porém sem controle de qualidade. Em função disso, um comitê técnico internacional, formado por projetistas e planejadores líderes na área, desenvolveram o Padrão de Qualidade de BRT (The BRT
Standard) a fim de criar uma definição comum dos sistemas de operação exclusiva em
corredores de ônibus BRT e reconhecer os sistemas de BRT já implantados (ITDP, 2013). Nesse contexto, segundo Lindau et al. (2013), na análise feita da aplicabilidade do Padrão de Qualidade de BRT, considerando os sistemas de transporte coletivo por BHLS europeus (Bus with Hight Level of Service) e os sistemas BRT latino-americanos, identificou-se que os BHLS possuem muitos de seus atributos enquadrados em níveis máximos de pontuação. Além disso, percebeu-se que no BHLS a prioridade é dada aos atributos de conforto e confiabilidade à diferencia do BRT, no qual a prioridade está centrada no atendimento a grandes demandas com o menor custo possível (Lindau et al., 2013). Portanto, a métrica do Padrão BRT permite somente avaliar os elementos dos sistemas BRT latino-americanos. Não obstante o BRT e o BHLS sejam sistemas que se apresentam como uma solução aos problemas de mobilidade para centros urbanos que sofrem saturação nos espaços de circulação.
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