3. STUDIER
3.2 S TUDIE 2: I NTERVJU MED RESTAURANT
3.2.3 Analyse av intervju med restaurant
Inicialmente, a relação entre trote e modelo autoritário professoral é mencionado em alguns casos, como no relato de E1:
Era uma questão, por exemplo, naquela época era uma lei, nós estávamos num período de ditador né, era uma questão de respeito. Era uma cultura das pessoas que vinham pra cá, pessoas que vinham da roça, a cultura de chamar de senhor e senhora, né. Com licença. Isso acontecia, eu vejo a causa desse acontecimento, devido às pessoas ter essa cultura, devido ao fato da origem, porque a clientela que você tinha, [...]era exclusiva praticamente ligada à área. Inclusive o próprio lema ligado naquela ocasião era “aprender para fazer, e fazer para aprender”. Significa que 50% teoria e 50 % prática, isso era obrigatório. Naquela ocasião você tinha aula das sete horas da manhã até as onze e meia, almoçava e você iria para as unidades educativas de produção, ou era semanal ou era quinzenal em uma unidade. Essa semana você tá na
suíno, semana que vem você tá na bovino, na outra semana você tá na avicultura, você rodava, todos os dias acontecia isso aí. E lá tinha um professor também. E uma coisa assim, você realmente aprendia. Aprendia fazendo. (E1)
O professor atribui o relacionamento obediente dos alunos ao modelo autoritário dos professores, inspirado na fase da ditadura militar brasileira que se refletia também no modelo de ensino agrícola, o qual, conforme relato do professor, era baseado no modelo de ensino dividido entre teoria e prática. Conforme esclarece E10 em relato abordado na Análise da Categoria 4, este modelo de ensino aprendizagem pautado na aula prática era na verdade uma exploração do trabalho do aluno jovem. E1 reconhece que a maioria dos alunos era de origem rural e se sujeitavam à autoridade escolar.
No relato abaixo, E1 fala que não aceita a democracia e defende a época da ditadura militar, falando de seus benefícios para as autoridades escolares:
Então, foi uma aceitação natural, inclusive eu terminei em 79 e 80 já comecei como professor, nós éramos na minha turma de 79 alunos. De 79 alunos eu fui convidado para vir trabalhar, eu tava no terceiro e tinha colega no segundo. Então realmente no outro ano eu já era professor dentro da sala de aula. Era uma aceitação normal, mas eu acho que devido ao próprio sistema que nos ajudava. Como você era de regime militar, meio ditadura militar, então era assim, você entrava e já tinha respeito. Então o aluno já tava preparado, porque ele sabia que não podia infringir as normas. Então eu vejo que hoje as coisas estão acontecendo na realidade porque o Brasil tá dando muito liberdade. Esse negócio que hoje você, por exemplo, você vai tomar uma decisão, e vai levar uma decisão para uma comunidade, se você for pontuar isso aí, não tem boa representação. Eu vejo hoje, as coisas estão se perdendo, mas naquela época não [...] a gente tinha um respeito, sem ofensas sem insulto, mas era um modelo e você tinha que cumprir. [...] A democracia é muito complicada. (E 1)
Interessante observar que a aceitação de E1 como professor, um ano após se formar como técnico, foi facilitada pelo sistema político militar vigente e também pelo autoritarismo que predominava nas relações entre professores e alunos na época. E1 atribui à democracia muitos desmandos na escola e na comunidade. De fato, observa-se a distorção da autoridade do professor no meio educacional na fase contemporânea. Entretanto, a forma como a questão é vista por E1 parece estar centrada em um binômio autoritarismo positivo e democracia negativa. Parece ser negada a possibilidade de uma perspectiva em que haja equilíbrio entre esses dois polos. O entrevistado avalia que a indisciplina era praticamente ausente em consonância com um modelo autoritário de
ensinar, herdado da Ditadura Militar. A importância das regras e limites estabelecidos pelo educador em um clima que propicia a autonomia deve ser lembrada.
Para La Taille (1994, p. 9)
crianças51 precisam sim aderir a regras (que implicam valores e formas
de conduta) e estas somente podem vir de seus educadores, pais ou professores. Os ‘limites’ implicados por estas regras não devem ser apenas interpretados no seu sentido negativo: o que não pode ser feito ou ultrapassado. Devem também ser entendidos no seu sentido positivo: o limite situa, dá consciência da posição ocupada dentro de algum espaço social- a família, a escola, e a sociedade como um todo (grifos do autor).
Pode-se pensar em modelos autoritários e permissivos de educar, que são considerados inadequados sob muitos pontos de vista: da relação professor aluno, dos métodos utilizados, da avaliação, etc. Porém, podem e devem existir modelos educacionais que equilibrem melhor liberdade e responsabilidade discente, autoridade professoral e garantia da transmissão cultural de conhecimentos e a promoção de emancipação (ADORNO, 1995).
Este 3º modelo não é concebido no pensamento de E1. A formação técnica agrícola do professor carece de uma crítica sobre a exploração do trabalho de adolescentes e fortalece a visão do ensino técnico separado da formação humanística, cultural e política (MANFREDI, 2002).
Autoritarismo e anomia são conceitos altamente binários que podem estar relacionados à mentalidade do ticket, uma vez que nesta somente podem existir dois modelos de relação professor e aluno: professor autoritário- aluno obediente, ou professor permissivo- aluno tirano. Ocorre que ambas não favorecem relações educativas que promovam emancipação (ADORNO, et al., 1965; ADORNO, 1995).
Adorno (1995) argumentou que o conceito de autoridade é essencialmente psicossocial e adquire o significado no âmbito do contexto social em que foi apresentado. Há ainda o elemento da autoridade técnica que remete ao fato de um indivíduo ter o domínio acerca de um determinado assunto. Entretanto, o que torna o homem de fato emancipado relaciona-se ao processo psicológico da identificação do indivíduo com uma figura de pai ou de autoridade, de forma a interiorizá-la e apropriar-se dela, para, posteriormente, perceber que há uma diferença entre esta figura e o eu ideal. A partir do
processo doloroso de emancipação frente a figura de autoridade que não corresponde ao Eu ideal é possível uma espécie de gênese da autoridade, que está associada à emancipação.
E4 era professor do Ensino Secundário e aponta no trecho seguinte, a realização como professor. A aula é descrita por E4 como muito disciplinada, mas também respeitosa e afetiva, em que existia amizade:
A disciplina em sala de aula era muito rígida, mas era um relacionamento de amizade. Dentro da sala de aula o relacionamento era mais autoritário, que tinha que ter silêncio, a não ser em algumas atividades que permitiam discussão. Havia atividades promovendo o lado cultural, um jornal escrito, depois passou a ser falado, e aí os professores levavam os alunos para o Centro Cívico para apresentarem...” (sorri ao falar sobre o assunto)... (E 4)
E4 endossa o aspecto autoritário da educação na fase em que era professor da área de Licenciatura em Letras, meio militar ainda, mas com espaço para atividades dialógicas e de afeto entre professores e alunos. Talvez a não concordância de E4 com o trote e as misérias morais da vida no internato fosse um reflexo da entrada no espírito democrático educacional do país. Ou, no mínimo, um desejo maior pela libertação do disciplinamento corporal que o período militar impingiu à educação profissional. A formação do professor na área de Ciências Humanas na fase pós-ditadura (Ver Entrevista Nº 4 em Anexos) provavelmente tenha amainado um pouco a concepção de “educação para a dureza” por parte deste professor que não se posicionou a favor do trote, conforme vimos acima.
A maioria dos entrevistados, com exceção de E4, é formada de professores do Ensino Profissional:
Impressionante, porque você pode ver que a nossa relação minha e do Jorge52 (afilhado de E5) é diferente dos outros professores,
porque nós tivemos uma convivência de família. Nós tínhamos, os alunos que aqui ficavam eles tinham uma convivência muito boa com os professores porque a gente passava até assim, um contato muito constante, certo, era muito bom! Alguns, né, toda relação tem seus prós e seus contras, né, mas o nosso relacionamento era bom. Se a gente tivesse um professor, o professor fosse bom de relacionar, ele se relacionava com qualquer um. (E5)
E5 foi um dos alunos de origem rural que o Colégio recebeu e que muito trabalhou manualmente no campo (ver Entrevista Nº 5), em auxilio à manutenção da escola. Foi morador do internato, onde estabeleceu relações aos moldes de uma segunda família. O colega a quem se refere acima fazia parte da turma em que E5 iria dar trote, o que foi impedido pela instituição. O laço de impedimento do trote os uniu como “padrinho e afilhado”. E4 tornou-se professor do amigo no ano seguinte em que se formou como técnico agrícola. O respeito dos ex-colegas ao novo professor foi em parte, garantido pelo sistema militar vigente.
Nessa época o técnico e o médio era tudo junto, né? Depois de 90 e não sei quanto que começou o médio né? Era muito bom. É porque os professores doavam muito, e pra gente, era o “meu professor”. Não sei se é porque a gente tinha muito respeito por eles, aquela coisa toda, mas era assim, às vezes tinha um atrito aqui e ali, mas era normal. Mas a gente ria muito. Cada pessoa tem a sua particularidade, é de um jeito, né? O outro é de outro, sabe? Era assim, aquela coisa de respeito entre professor e aluno. Não sei se é porque como a gente tinha assim, aula na sala de aula e aula prática, né? E assim, aquela vivência que a gente tinha, de um período só na sala de aula, e num outro período a gente tava com as mesmas pessoas, fora as de outras áreas, como Geografia, Português que não tava lá no campo, né? Mas a gente tinha um relacionamento muito bom com eles, porque a gente ficava o dia todo nessa função, sabe? (E6).
E 6 não se lembra se o curso médio já fazia parte do curso de Técnico Agrícola do Colégio. Segundo Garcia (2011), os componentes curriculares dessa instituição desde 1969 constituíam-se de 5 Disciplinas do Ensino Secundário (hoje denominado de Ensino Médio), 5 Disciplinas de Cultura Técnica, e Práticas Educativas, composta por Educação Física, Educação Moral e Cívica e Educação Artística.
E6 informa que o relacionamento entre professores e alunos era muito respeitoso e justifica que isto se devia ao fato de os colegas conviverem o dia inteiro, principalmente nas disciplinas do curso técnico. A disciplina de Educação Moral e Cívica ressaltava o patriotismo, o culto à ordem e à disciplina, o ensino religioso e a formação do caráter. Nos diários de classe, a ementa de Educação Moral e Cívica contém uma conferência proferida por um Coronel do Exército. A disciplina de Educação Artística previa o canto dos Hinos do Brasil, Hino da Independência, do Colégio Agrícola e da Marinha do Brasil. O momento cívico com o hasteamento das Bandeiras foi instituído neste período. As habilidades pretendidas e atividades previstas nestas disciplinas estavam relacionadas ao período da ditadura militar no Brasil (GARCIA, 2011).
Nesse contexto, é interessante o emprego do termo “campo de concentração” por E7:
No meu caso, eu morava perto do Jordano53, ex-professor de
lá, e que me falou pra eu ir estudar lá por que já saía com uma profissão, e ainda no final do curso já saía empregado, pois nem tinha concurso também. Aí minha mãe forçou eu ir pra lá, pra Escola Agrotécnica, lá era meio que “campo de concentração”, de manhã ou de tarde, e tinha os plantões, fim de semana você tinha que ficar lá, e nas férias que eram de 3 meses, 1 mês a gente era obrigado a ficar na escola trabalhando também, uma espécie de estágio obrigatório. Foi nesse mês de férias que eu descobri que não queria ficar lá, na Jardinocultura. Eu fazia massa de cimento, exploração de mão-de-obra barata de menor de idade, não tinha o ECA ainda (risos). (E7)
O entrevistado 7 refere-se à escola internato como “campo de concentração” por talvez sentir-se preso e explorado como trabalhador adolescente. De acordo com um estudo sobre a história do Colégio Agrícola de Uberlândia, a carga horária de estudos dos alunos era intensa, contava com 49 horas/aula por semana (GARCIA, 2011). Note-se nos relatos das entrevistas anteriores e em algumas em seguida presença de alguns constituintes militares no ensino e no currículo.
A falta de atividades de lazer, como dito anteriormente, tornava a vida dos internos mais desconfortável, propícia para os trotes, brigas e outros vícios, o que lembra de fato um campo de concentração. Apesar disso, as atividades musicais eram tidas como prazerosas, segundo E7:
Uma coisa boa era a Fanfarra, bem no estilo militar. Tinha lá um professor que ensaiava. Era bonita a apresentação, geralmente era perto de 7 de Setembro, era um incentivo da época, do militarismo. Tínhamos um uniforme de gala, com uma camiseta em decote em V, com punho azul marinho. Engraçado, que antes o uniforme era azul marinho, e depois que passou pra verde (do emblema dos Institutos Federais).” (E 7)
O entrevistado 7 aponta a presença da Fanfarra na escola como a recordação de uma atividade positiva na escola, provavelmente por ser uma das poucas atividades culturais e de diversão a que os alunos alojados tinham acesso naquele período. Ele relembra que isto era um ato representante da fase militar do país, inclusive a vestimenta dos alunos, uniforme de gala de cor azul marinho usado nos desfiles do dia 7 de setembro.
De certo modo, para o E7, um aspecto bom do militarismo na escola era trazer a musicalidade, a movimentação dos corpos tocando instrumentos e a estimulação dos sentidos. Para E7, a escola ganhava mais vida com a Fanfarra.
Entre outros aspectos da ditadura, surge na fala de E7 figuras de autoridade, ou autoritárias, como uma diretora do Colégio Agrícola:
Era totalmente autoritária. Era “171” (risos). Já voltei duas vezes na Semana da Família Rural pra dar aula de Macramê, pra mulheres da zona rural. Quando eu fui aluno eu fazia coisas com essa arte (macramê). Aí ela pegava minhas coisas e falava que ia dar pra alguém de Brasília amigo dela, e depois me pagava, e nunca me pagou! (E7)
E7 comenta sobre uma ex-diretora com características de autoritarismo e conduta desonesta, pois não pagou serviços de artesanato feitos pelo aluno. Novamente, surge a exploração da mão-de-obra do aluno. A Diretora era severa e dizia não admitir trote. E7 tinha uma visão crítica em relação a aspectos humanos ausentes na instituição, identifica que não havia boa relação entre ele e os professores:
“Amizade? Não percebia isso comigo não.”(E 7)
Infere-se que ausência de empatia entre o entrevistado e seus professores tivesse relações com a não afinidade de E7 com o curso, interrompido no final do 1º ano. O entrevistado não correspondia ao ideal de aluno imposto por aquela instituição escolar: técnico agrícola, machista, líder trotista.
Com o final do período político da Ditadura Militar e a abertura política no país, observaram-se mudanças na educação profissional, com uma revisão acerca da relação entre teoria e prática nos componentes curriculares. Esse passou a priorizar uma educação profissional mais integrada com o Ensino Médio (BRASIL, 2007). Muitas leis, como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), dificultaram a utilização da mão-de-obra dos alunos, o que tornou a prática limitada à aprendizagem e não mais para a manutenção dos serviços manuais da instituição. A ampliação da infraestrutura da escola e a provável contratação de servidores (anteriormente, todo o serviço de manutenção da escola era realizado pelos alunos, vide Entrevista Nº.10) diminuiu a utilização dos trabalhos dos alunos adolescentes como mão de obra essencial.
E8 que é um profissional da área técnica, defensor do trote na escola agrícola e observador da aplicação de trotes também ao funcionário recém chegado à empresa,
percebeu diferenças na formação de seus alunos e nas relações educativas após o período de 1990.
O entrosamento maior dos professores na época era com os professores da área técnica, a convivência com o professor do técnico era maior [...] conversava mais com eles. Os alunos de 76 pra cá, até 90 a 95, até hoje, os meninos de 80 eu converso e sento com eles, já os de 90 pra cá já é diferente. Houve uma mudança muito grande. Eu acho que principalmente na área profissional.
Depois da década de 1980, o Colégio Agrícola de Uberlândia passou a proibir os trotes e, em 1997, muitas transformações na Educação Profissional estavam em curso, como a Reforma da Educação Profissional, com o Decreto N
º
2208/97 (BRASIL, 2007). Com este decreto, a Educação Profissional de nível médio passou a priorizar uma formação integral e humanística e poderia ocorrer com concomitância interna (técnico e médio na mesma instituição), ou com concomitância externa, em que o aluno podia cursar o ensino médio fora da instituição do curso profissional. Com esta proposta, a procura pela área de formação técnica agrícola tal como se apresentava até a primeira metade da década de 1990 teve uma queda nesta instituição. Outra clientela passou a frequentar os cursos, constituída de alunos não internos ao alojamento. Além disso, com a circulação de ônibus no perímetro escola cidade (conforme informou E5), a clientela da instituição passou a ter ainda maior diversidade, o que contribuiu para modificar em parte o ambiente propício aos trotes. Isto viria a ter desdobramentos também naquilo que se denominou anteriormente de “sobrevivência dos mais fortes” no sistema escolar, uma vez que ocasionou mudanças nas relações de identificação entre professores e alunos do curso técnico de Agropecuária, conforme relato de E8.5. “SÓ VENCEM OS FORTES” – A SOBREVIVÊNCIA AO TROTE NA EDUCAÇÃO AGRÍCOLA
“Se todo animal inspira ternura, o que houve, então, com os homens?” (Guimarães Rosa)
A ideia central deste estudo, de que nas escolas agrícolas “só vencem os fortes”, ficou confirmada por meio dos resultados encontrados na análise de conteúdo das entrevistas com os professores e servidores (dentre os quais haviam ex-alunos do Colégio). Ao longo deste capítulo, esclarecemos a afirmativa de por que somente os alunos fortes vencem dentro da instituição trotista. As entrevistas remetem ao período de 1969 a 1985. A análise de conteúdo teve o respaldo da interpretação qualitativa das entrevistas, e auxiliou no estudo dos elementos psicossociais presentes nas falas dos participantes (BARDIN, 2011)..
A análise qualitativa das informações encontradas nesta pesquisa confirma a hipótese de que o caldo de cultura do Colégio Agrícola de Uberlândia contém aspectos psicossociais que propiciam o trote. Aspectos estes balizados por alguns conceitos teóricos relevantes: a identificação com o agressor, o preconceito e a mentalidade do ticket.
O presente estudo investigou a relação da cultura institucional com aspectos observados na obra “A Personalidade Autoritária” de Adorno et. al. (1965). Nessa foram investigados traços de autoritarismo relativos ao grau de preconceito e etnocentrismo, mensurados pela Escala F, em norte-americanos diante de judeus e negros. Além disso, foram medidos níveis de preconceito, etnocentrismo e ideologias autoritárias e liberais em diversos indivíduos e os resultados consubstanciaram a síndrome da personalidade autoritária. Os dados quantitativos não interessam aos objetivos desta pesquisa, somente as elaborações teóricas, que entendem a personalidade como uma entidade social.
Aqui, o conceito de personalidade está relacionado ao papel que a cultura tem sobre o indivíduo, uma vez que, para Adorno et. al. (1965), a visão de personalidade relaciona-se a uma mediação entre a subjetividade e as ideologias políticas do indivíduo.
Adorno e Horkheimer (1973) discutem a crise da autoridade familiar após o nazismo. Estes autores consideram que a ascensão do nazismo e a submissão da personalidade à ideologia autoritária ocorreram devido ao enfraquecimento da família, no período da República de Weimar, pois com o declínio da figura de autoridade do pai, a
formação da personalidade dos indivíduos foi abalada. Os mecanismos de Ego e Superego foram afetados, o que favoreceu o surgimento de líderes que promoveram mais a imitação do que a identificação, de maneira a comprometer o desenvolvimento da autonomia do indivíduo.
Neste sentido, o conceito de personalidade remete às condições sociais que auxiliaram a formação psicossocial do homem. Com a decadência da família promovida pelo nazismo, a identificação com líderes mais autoritários dos governos totalitários ganharam espaço, uma vez que a ideia de pai tornou-se cada vez mais abstrata para os alemães. Ou seja,
Na sociedade industrial avançada, cada indivíduo está só e a frase já famosa da multidão solitária assim o testemunha. Da sua relação com