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Em uma pesquisa

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realizada pelo CENEG, em 2001, é possível observar o perfil

do aluno atendido pela instituição. Este trabalho havia sido realizado com o intuito de

subsidiar um plano estratégico para a atuação em Uberaba. A pesquisa baseou-se

fundamentalmente na análise das fichas de inscrição dos alunos nos diversos cursos

oferecidos. Foram preenchidas 2.200 fichas no período de outubro de 1999 a março de

2001. Há de se ressaltar que, pelas tabelas tornadas disponíveis pelo CENEG, não é

possível saber se os alunos foram inscritos em mais de um curso.

Com relação à escolaridade percebe-se que 47,1% dos alunos cursaram apenas

o ensino fundamental, 43,1 % o ensino médio, e apenas 9.1% tinham curso superior.

Além disso, 0,6 não possuíam qualquer formação e não havia nenhuma estudante

que possuísse curso de pós-graduação. A escolaridade é um fator fundamental com

relação a falta de acesso ao mercado de trabalho, isto explica porque a instituição tem

grande preocupação com a educação.

Gráfico 1: Distribuição dos estudantes segundo escolaridade

Fonte: SILVA, G.C. et al. Pesquisa: “.A Condição da Raça Negra em Uberaba: Um Diagnóstico”. Centro Nacional de Cidadania Negra (CENEG). Uberaba, 2001.

0,6%

47,1%

43,1%

9,1%

0,0%

sem escolaridade ensino fundamental

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Com relação ao trabalho, a grande maioria dos alunos da instituição são

estudantes, 39,3%, seguidos por desempregados, 30,5%; os que estão no mercado de

trabalho representam 20,6%. É quase inexistente pessoas que estejam na condição de

empregador, apenas 1,2%.

Gráfico 2: Distribuição dos estudantes segundo ocupação

Fonte: SILVA, G.C. e outros. Pesquisa: A condição da Raça Negra em Uberaba: um diagnóstico. Centro Nacional de Cidadania Negra (CENEG). Uberaba, 2001.

(*) Neste item foi agregado à categoria desempregado, os candidatos ao primeiro emprego, que na tabela inicial estavam separados. 20,6% 1,2% 7,0% 39,3% 30,5% 1,4%

Com relação à localização de suas casas, 54,5% tinham suas residências

localizadas em bairros mais centrais da cidade, na periferia encontravam-se 24,1% dos

alunos entrevistados, 17,8% dos alunos moravam em bairros mais afastados e apenas

3,6% moravam no centro da cidade.

Gráfico 3: Distribuição dos estudantes segundo localização da moradia

Fonte: SILVA, G.C. e outros. Pesquisa: A Condição da Raça Negra em Uberaba: um diagnóstico. Centro Nacional de Cidadania Negra (CENEG). Uberaba, 2001.

Com relação à moradia, a grande maioria dos alunos do CENEG possuía casa

própria, 69,14%, seguidos de pessoas que moravam em residências alugadas, 28,2,

enquanto, 2,68% não responderam o quesito.

3,6%

54,5%

17,8%

24,1%

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Gráfico 4: Distribuição dos estudantes segundo tipo de moradia

Fonte: SILVA, G.C. e outros. Pesquisa: A condição da Raça Negra em Uberaba: um diagnóstico. Centro Nacional de Cidadania Negra (CENEG), Uberaba, 2001.

Com relação à renda familiar, observa-se que 10,6% dos alunos pertenciam a

famílias que ganhavam até R$151,00. A grande maioria dos alunos eram oriundos de

famílias que ganhavam entre R$152,00 à R$453,00, totalizando 45,5% das fichas

pesquisadas. Na faixa mais alta de renda a representação é baixa como se pode

constatar pela leitura do gráfico.

69,1%

28,2%

2,7%

Gráfico 5: Distribuição dos estudantes segundo renda familiar

Fonte: SILVA, G.C. e outros. Pesquisa: A condição da Raça Negra em Uberaba: um diagnóstico. Centro Nacional de Cidadania Negra (CENEG), Uberaba, 2001.

(*) Neste item foram agregados também as pessoas que ganhavam menos que R$ 151,00 que no gráfico da pesquisa estavam separadas e representavam 0,7%.

Com relação à faixa etária, a grande maioria dos alunos encontravam-se entre

16 e 20 anos, 50,2%, seguidos dos que estavam na faixa dos 21 a 25 anos de idade,

28,9%, e, acima de 25 anos encontravam-se 13,7% dos entrevistados.

Gráfico 6: Distribuição dos estudantes segundo faixa etária

10,6% 45,5% 18,9% 10,2% 14,9% até R$ 151,00 (*) de R$152,00 a R$453,00 de R$454,00 a R$755,00

acima de R$755,00 não responderam

1,5% 5,8% 50,2% 28,9% 13,7% até 12 anos de idade 12 a 15 anos de idade 16 a 20 anos de idade 21 a 25 anos de idade acima de 25 anos de idade

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Com relação à cor/raça dos entrevistados, observe que a pesquisa trabalha com

quatro categorias (negro, afro-descendente, branco e não informado). Além disso, tudo

indica que as questões eram fechadas e foram os próprios alunos que responderam, ou

seja, está se considerando a auto-identidade. Os dados demostram que 30,4 % dos

alunos se denominavam brancos, 21,4% afro-descendente, enquanto 19,7% se auto-

identificavam como negros. Observe que o percentual dos alunos que não responderam

a questão é maior do que o dos que se identificavam como negros e afro-descentes

28,6%. Como se pode observar, a possibilidade de se fazer o curso não está

circunscrita apenas àqueles que se identificam como negros.

Gráfico 7: Distribuição dos estudantes segundo identidade étnico-racial

Fonte: SILVA, G.C. e outros. Pesquisa: A condição da Raça Negra em Uberaba: um diagnóstico. Centro Nacional de Cidadania Negra (CENEG), Uberaba, 2001.

19,7% 21,4%

30,4%

28,6%

Segundo uma das líderes do Centro Nacional de Cidadania Negra, a diferença

estabelecida entre negro e afro-descendente está relacionada à cor da pele das

pessoas. Negro significa a pessoa que tem a tonalidade de pele preta, enquanto afro-

descendente seria uma categoria formada pelas pessoas que possuem tonalidades de

pele mais clara; aqui estaria incluídos os mulatos e as diversas matizes de cor. Quanto

ao branco, seriam as pessoas que de fato possuem a pele branca. Com relação à

categoria não informado, ela foi utilizada para aquelas pessoas que não queriam falar

sobre sua identidade. Quando perguntada sobre os sentidos dos termos, Cristina assim

se posiciona:“ Negro. Veja bem, negro é pele preta, bem preta. “Definidinho” preto. O

Afro-descendente, considerou-se como afro-descendente, é o mulato, o moreno claro,

café-com-leite, o branco que tem avô, bisavó que foi negro, qualquer coisa menos a

pele preta, então essa categoria se não tem a pele bem escura, está tudo no afro-

descendente. E branco, era branquinho. Branquinho, branquinho.”

Quando perguntada sobre o sentido de não-informado:

“O não informado era aquela questão, precisava colocar porque a gente não sabia,

como trabalhar quando a pessoa começa assim, é realmente não querer falar sobre

isso, não quer falar, ou então começa a falar que era umas cores, assim, muito

diferente...às vezes você perguntava e a pessoa falava para você: “não quero falar

sobre isso, eu não sou obrigada a responder essa pergunta”, nós colocávamos lá, não

informado.”

Segundo Telles (2003, p.106), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e

Estatística) desde 1950 aplica quatro categorias: branco, pardo, preto e amarelo; em

1991 e 2000 incluiu a categoria indígena. Os termos branco e negro referem-se aos

extremos desse continuum de cores, enquanto pardo acomoda os vários termos do

discurso popular que definem aquelas pessoas resultantes da miscigenação.

Observe que na classificação utilizada pela pesquisa realizada do CENEG, o

termo afro-descente está incluindo as diversas tonalidades de cores, se contrapondo a

definição de negro que são as pessoas de pele preta. Se considerarmos que a

categoria não-informado pode incluir pessoas que têm dificuldade de definir sua

identidade étnico-racial, o contigente de negros e pardos atendidos pela instituição