5. Resultat
5.4 Analyse av Spørreundersøkelse
A – Conclusões
Analisando as respostas e depoimentos dos pais pudemos concluir que:
a) Quanto aos questionários
1) As reações de desespero e tristeza foram características do período de admissão do filho na UTI, tanto em UTI pediátrica como neonatal. Estas reações podem ser atribuídas à elevação do nível de ansiedade decorrente do caráter súbito da doença, da ignorância quanto à etiologia, dos sentimentos de culpa, do desconhecimento do ambiente de UTI e de vivências de situações traumáticas pregressas.
2) O desconhecimento quanto ao ambiente de UTI é preocupante, propiciando fantasias pessimistas, que constituem um fator importante de estresse para os pais, que pode ser aliviado na entrevista ao início da internação.
3) Ao final da primeira semana de internação, a maioria dos pais relatava como sentimentos predominantes a preocupação, o medo, a tristeza e o susto, sentindo-se incapazes de cuidar de si próprios, justificando a necessidade de apoio para enfrentar a situação de crise.
4) A participação dos pais nos cuidados e procedimentos com o filho contribuiu para a tranqüilização dos mesmos, permitindo-lhes sentir que estavam beneficiando o filho, exercendo seu papel parental na UTI e possibilitando um vínculo mais satisfatório com o filho doente.
5) Conforme já foi relatado em outros estudos, os pais, em geral, sentiram- se assustados com a aparência, o comportamento e as emoções do filho
doente, preocupando-se também com a manutenção do seu papel parental. Pudemos constatar em nosso estudo, que estes fatores constituem experiências extremamente estressantes para os pais, principalmente em relação às falsas interpretações, fantasias e sentimentos de culpa que suscitam.
b) Quanto à aplicação do IDATE
1) O grau de ansiedade à internação do filho foi comprovado pela aplicação do IDATE, que mostrou escores de estado de ansiedade significativamente elevados. Não houve diferença significativa entre os pais em UTI pediátrica e neonatal.
2) Quanto ao traço de ansiedade, os pais em ambas as UTIs não mostraram diferenças significativas entre si, sendo inferiores aos valores- padrão do teste, confirmando a boa confiabilidade da escala de traço, mesmo quando aplicada em situações de tensão.
3) A ausência de correlação entre os valores de traço e estado de ansiedade nos dois grupos estudados, indica que mesmo os pais normalmente calmos antes da internação, podem apresentar níveis elevados de ansiedade à ocasião da admissão do filho em UTI.
c) Quanto ao grupo de pais
1) A prática do grupo de pais em UTI garantiu-lhes a delimitação e organização de um período de tempo para o atendimento conjunto aos mesmos, em local pré-determinado, possibilitando-lhes o contato direto com profissionais de diversas áreas, com disposição a escutá-los, valorizá-los, compreender seus sentimentos e esclarecer suas dúvidas. 2) Esta técnica possibilitou o convívio com outros pais em fases diferentes
da mesma situação, permitindo o aprendizado com a experiência de outras pessoas, mobilizando recursos para lidar com o período crítico da doença e internação e o apoio no processo de luto do filho saudável para conseguirem um vínculo satisfatório com o filho doente.
3) O grupo de pais permitiu a discussão ampla de questões extremamente angustiantes, como a questão da morte, das dificuldades com a equipe, da falta de apoio de familiares, sentimentos de culpa e medo, e o elevado nível de exigência que, principalmente as mães, fazem com elas mesmas, trazendo esclarecimentos e alívio.
4) A reunião com a equipe após os grupos mostrou-se de extrema importância para a uniformização de condutas e forma de dar informações aos pais, compreensão das suas reações e discussões relativas ao relacionamento entre os pais e a equipe.
5) O grupo de pais mostrou-se uma estratégia complementar às entrevistas individuais semi-dirigidas, já que os mesmos problemas e queixas foram discutidos de formas diferentes nos dois tipos de intervenção. Recomendamos a realização de ambas as técnicas, para uma avaliação prévia dos pais em relação às suas condições emocionais e possibilidade de participação nos grupos, e outra avaliação uma semana após a internação, para acompanhamento do caso.
B – Proposta de apoio psicológico
Frente aos resultados de nossa pesquisa, consideramos que o estado emocional demonstrado pelos pais justifica a necessidade de apoio psicológico. Recomendamos a realização das entrevistas semi-dirigidas ao início e alguns dias após a internação, para melhor conhecimento, acompanhamento do estado emocional dos pais e fornecimento de apoio individualizado. É importante a participação em grupos de pais, recebendo os benefícios deste tipo de intervenção.
a) Realização de entrevistas semi-dirigidas
Conforme a revisão da literatura, pudemos constatar que os autores têm, na sua maioria, preocupação em construir instrumentos e escalas para a avaliação de aspectos parciais do estresse experimentados pelos pais na situação de internação do filho em UTI. Sem dúvida, estes estudos são importantes a nível de pesquisa e conhecimento desses pais nessa situação determinada. Porém, até o momento, nenhum instrumento específico foi construído para a avaliação desses pais à ocasião da admissão do filho, que possibilitasse um estudo de acompanhamento do estado emocional desses pais, sendo ao mesmo tempo uma forma de fornecer apoio psicológico concomitante, que foi o que procuramos desenvolver em nosso estudo.
Portanto, devido às importantes e intensas reações dos pais relatadas em nosso trabalho, e às dificuldades e sentimentos relatados nos depoimentos obtidos por meio dos questionários utilizados, sugerimos que os mesmos sejam aplicados da maneira como o foram durante nossa pesquisa, servindo como roteiro de anamnese para esses pais, tanto em UTI pediátrica como neonatal, pois obtivemos elevado grau de aderência às
entrevistas propostas e os questionários mostraram-se guias úteis para investigação e apoio emocional concomitante a esses pais, podendo constituir ainda numa documentação preciosa para acompanhamento desses casos, prática que, até o momento, não tem sido utilizada na área de humanização em UTI.
Sugerimos o acréscimo de algumas questões que consideramos relevantes, após obtermos os resultados finais da pesquisa. Os questionários propostos são apresentados nos Quadros de VIII e IX.