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Analyse av roman: Roy Jacobsens De usynlige (2013)

Del II: Hoveddel

2.4. Textpraxis-metodikken: Utforming

2.4.2. Analyse av roman: Roy Jacobsens De usynlige (2013)

Mestr anda Fr ancismar y Alves da Silva Univer si dade Feder al de Minas Ger ais1

E-mai l: fr anci smar ys@gmail .com

Resumo

Até meados da pr imeir a metade do século XX, as nar r ativas histór icas sobr e o desenvolvimento científico dividir am-se confor me as distintas ênfases dadas aos seus objetos. De acordo com essa divisão, poder -se-ia denomi nar as nar r ativas de “internas” (I) ou de “ext ernas” (E). Nesse tr abal ho, pr ocur o demonstr ar como essa divisão (I/ E) r elaci ona-se di r etament e com as análises filosóficas e sociológi cas desenvolvidas no mesmo per íodo. Por mei o da el ucidação do posi cionamento teór ico dos pr incipai s membr os do Cír culo de Viena, do posicionamento de Karl Popper, de Karl Mannheim e de Robert Merton, proponho entender como se deu, pr imor dialmente, a divisão ent r e Inter nal ismo e Exter nalismo. Por essa via, a pr esente análise pr etende expor o debate entre a Filosofia e a Sociologi a, pr oduzido na pr imei r a metade do Século XX, tendo por base a divisão entr e o contexto da descober ta e o contexto da j ustificativa.

Palavr as-chave: inter nalismo, exter nalismo, justi ficativa, descoberta.

Abst r act

Until the fir st half oh the 20th centur y, the histori cal nar r atives about the sci enti fic

development wer e divided accor dingl y to the distinguished r elevance that was gi ven to i ts subjects. Accor di ng to this division, it w as possible to denominate the nar r atives as “inter ns” (I) or “ext er ns” (E). In the pr esent w or k, I intent to show haw this divi si on (I/ E) is dir ectly related with the philosophical and sociological analysis developed i n the same per iod. Thr ough the explanation of the theoretical positi on of the Vi enna Cir cle’s main member s, of Kar l Popper ’s position, Kar l Mannhei m’s and Rober t Mer ton’s, I intend to understand haw occur r ed, primaril y, the divisi on betw een Inter nalism and Exter nal ism (I/ E). By the w ay, the present analysis i ntends to present the debate bet w een Philosophy and Sociology, occur red in the fi r st half of the 20t h centur y, based on the division between the

context of discover y and context of justificati on.

Keyw or ds: i nter nalism, exter nalism, justification, discovery.

1

O presente tr abalho foi realizado com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq – Brasil.

53 A vir ada do século XIX par a o sécul o XX tr ouxe novidades par a algumas ci ências. Sur gir am novas teor ias, novas for mas de pensar e novas técnicas de mensur ar o mundo. No campo da Física, por exemplo, Alber t Einstein pr opôs a Teor ia da Relati vidade, na Suíça de 1905. As teor izações de Ei nstein pr opor ci onar am uma gr ande al ter ação nas concepções físicas até ent ão ancor adas, sobr etudo, em pr eceitos new toni anos. Conjuntamente, novas for mas de entender o desenvolvimento científico também emer gi r am nesse contexto, em gr ande medida, atr eladas aos avanços da ciência pr opri amente dita. Além da Histór i a, sabemos que a Fil osofia e a Sociologia também for am responsáveis pelas novas formas de compr eender e de nar r ar as t ransfor mações científicas do século XX.

Pablo Rubén Mar iconda afir ma que as concepções fil osóficas ( e também sociais, pol íticas e cultur ais) seguem as mesmas tendênci as das concepções ci entíficas:

A teor ia da r elatividade, for mulada por Alber t Einst ei n, desempenhou papel r el evante na consti tui ção do pensament o do Cír culo de Viena. A noção de “const r ução lógi ca do mundo”, elabor ada por Car nap e que consider a o univer so como um conjunto de pontos-instantes, uti liza a concepção einst ei ni ana de espaço-t empo. (MARICONDA, 1980, p. X) 1.

Se a conjectur a ci entífica apontava par a as descobertas de Einst ein, “a teor i a da r elativi dade foi – ou par ece ser – para os neopositivistas um aliado impor tante, por que viam nela, depois de décadas e décadas de impasses no campo da Física, um salto decisivo” (CARRILHO, 1994, p. 31-32) 2. Assim, em tempos de

tr ansformações nas for mas de medir e calcular , nas formas de entender as difer entes concepções de mundo – ou, gr osso modo, nas ciências -, nada mai s natur al do que as questões filosóficas, sociológicas e histór icas tangentes as questões ci entíficas acompanhar em as t r ansfor mações das mesmas.

É sabi do, questionamentos trazidos pelos novos ar es do século XX, por tr ansformações econômicas (como a consol idação e, posteri or mente, as r ecor r ent es cr ises do capitalismo), por tr ansfor mações políticas (como as novas or gani zações pós Pr imeir a Guer r a Mundial ou a r evol ução r ussa de 1917), por

1 MARICONDA, Pablo Rubén. Vida e Obr a. In: Moritz Schlick, Rudolf Car nap. Coletânea de t ext os. São Paulo: Abril Cultural, 1980 (Os pensadores). Pág.X.

2 CARRILHO, Manuel Maria. A filosofia das ciências: de Bacon a Feyerabend. Lisboa: Presença, 1994. Pág.31-32.

54 tr ansformações sociai s (como o feminismo) e científicas (como a teor ia da r elativi dade), ou seja, por toda uma gama de incer tezas e de mudanças motivar am a for mação de um gr upo composto por filósofos e cienti stas, que passar am a se r eunir , na década de 1920, em um café vienense. Movidos pelo comum inter esse em fil osofia e pelo descontentamento “com as cor r entes de inspi r ação neokantiana e fenomenol ógica, então dominantes no cenár i o filosófico alemão” (MARICONDA, Op. cit. p. VI), esse gr upo vienense mar car i a os r umos dos estudos sobr e a pr odução de conheci mento. As tendências empíri cas da ciência, sobr etudo da então nova Física einstei niana, er am r elacionadas, na medida do possível, com as concepções filosóficas da época a fi m de elimi nar as possíveis concepções falsas, não ver ificáveis empir icamente. Com o apoio do filósofo alemão Mor itz Schlick (1882-1936), o gr upo ganha espaço e r econhecimento, após a r ealização de um Semi nár io na Univer sidade de Vi ena em 1924. Neste seminár io, or gani zado pelo então acadêmico Schlick, os cr itér ios de obtenção da ver dade ci entífica seguindo os métodos empír icos for am debatidos sob os auspícios daqueles que seriam consider ados os fundador es do gr upo: o filósofo Otto Neur ath (1882-1945), o matemáti co Hans Hahn (1879-1934) e, ainda, o físico Philipp Fr ank (1884-1966). Ainda que não seja possível detectar com exatidão o i nício das atividades do gr upo, a histor iogr afi a aponta par a a impor t ânci a do r efer ido seminár io como um momento de fundação do Cír culo de Viena. 1

Chamado inicialment e (1924) de "Er nst Mach" (físico, mat emático, histor iador e fi lósofo da ciência, pr ofessor da Univer sidade de Vi ena at é 1901, que foi também gr ande defensor da ver i ficabilidade empír ica como cr itér io fundamental de qualquer pr oposição das ciências natur ai s), o gr upo passou a ser conhecido posteri or mente como “Cír culo de Viena” (Wiener Kr eis). Apesar dessa mudança, a homenagem inaugur al do gr upo a Er nest Mach ainda per manece como uma possibil idade qualifi cativa par a os estudos do gr upo vienense.

Ent r e el es (os tr abalhos que i nfl uenciar am o Cír cul o de Viena) Mach mer ece uma r efer ência par t icul ar , não só pelo acolhimento e defesa que,

1 Entr e os autores que citam Otto Neur at h, Hans Hahn, Philipp Frank como fundadores do grupo neopositivista de Viena, encontr a-se, por exemplo, Antonio Rogério da Silva, segundo o curso de Hist ória da Filosofia II. Curso aberto ao público e ofer tado pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) de março a julho de 2005, disponível em <http:/ / br.geocities.com/ discur sus/ moderna/ cirviena.html>. Acesso: jan. 2009. Outros autor es, como Alberto Pasquinelli, consideram o manifesto escrito por Hans Hahn, Otto Neurath e Rudolf Car nap como marco inicial dos trabalhos do grupo vienense. PASQUINELLI, Alber to. Carnap e o Positivismo Lógico. Lisboa: Edições 70, 1983.

55 em ger al, fez da tr adição empi r ista, mas também pel o modo como avançou no sentido do esclar ecimento do que é significado de uma pr oposição ao ligá-lo às exigências met odológi cas da sua ver ificação ( CARRI LHO, Op. cit. 1994, p. 26).

A r igor osa ver ificabilidade empíri ca nas ciênci as natur ai s, tese fundament al defendida por Mach, pode ser consider ada uma impor tante r efer ência par a o pensamento do grupo vienense de 1920, pois, “a tese basilar do Empir ismo Lógico está no pr incípi o de ver ificabilidade, onde ver ificar é tomar um enunciado significativo e r eluzi-lo a enunciados pr otocolares (Prot okoll sät ze), (...) a fim de ver ificar se esses ocor r em, ou não, na r eal idade.” (CONDÉ, 1995).1

Segundo Mor itz Schlick,

Quando fazemos um enunciado sobr e qualquer coisa, fazemo-lo atr avés do pr onunciamento de uma sent ença e a sentença subst itui (est á no l ugar de) a pr oposição. Essa pr oposição é ver dadeir a ou falsa; mas, antes que possamos saber ou decidir se ela é ver dadeira ou falsa, devemos saber o que essa pr oposição diz. Pr imeir amente, devemos conhecer o significado da pr oposição. Após conhecer mos seu sentido, podemos ser capazes de deter minar se ela é ver dadeira ou falsa. Obviamente, essas duas coisas estão insepar avelmente conectadas. Não posso descobr ir a ver dade sem conhecer o signi ficado,

e se conheço o significado da pr oposição, conhecer ei, ao menos, o i nício de algum per cur so que me levar á à descober t a da ver dade ou fal si dade da pr oposição, ainda que eu seja incapaz descobr i-la no pr esente. É mi nha opi ni ão que o futur o da filosofia depende dessa di st inção entr e a descober t a do senti do e a descober t a da ver dade ( SCHLICK, 1932, p. 115) 2.

Nesse tr echo, Mor itz Schlick dei xa clar o um dos princi pais fundamentos do gr upo vienense: a r elação dir eta entr e significado e ver dade. Segundo Schlick, significado e ver dade estão unidos pelo pr ocesso de ver ificação. Assi m, par a se al cançar a ver dade ci entífica ser ia necessár ia, pri meir amente, uma r eflexão filosófica – lógica – sobr e o significado de deter minada pr oposição. E, então, se a pr oposição for pr ovida de signi ficado, par tir -se-ia par a a segunda etapa. Ou sej a, poster ior mente, ver ificar-se-ia a ver acidade da pr oposição pela sua existência ou não no mundo empír ico. Em r esumo, propunham-se duas etapas consecutivas e el iminatóri as par a a clar ificação da ver dade científica: alcançar o significado atr avés da análise filosófica e alcançar a veraci dade mediant e instr umentos empír icos semelhantes àqueles utilizados nas ciências ditas hards. “A Ciência

1 CONDÉ, Mauro Lúcio Leitão. “O Círculo de Viena e o Empir ismo Lógico”. In: Cadernos de Filosofia e

Ciências Humanas. Belo Horizonte: vol. 5, pp. 98-106, 1995, pág.3-4. Disponível em:

<http:/ / ww w .fafich.ufmg.br / ~ mauro/ art_maur o2.ht m>. Acesso: jan. 2009.

2 SCHLICK, Moritz. “O Futuro da Filosofia”. In: Abst ract a: Linguagem, Ment e & Ação. Vol. 1:1, p.108-122, 2004. Tr adução de Leonardo de Mello Ribeiro.

56 desenvolve-se dos mesmos modos que se desenvolve o conhecimento na vi da cotidiana. O método de ver ificação é essencial mente o mesmo (...).” (SCHLICK, Op. ci t. p. 116).

Assi m, percebe-se que, or ientados pela possibilidade de alcançar pr incípios de cientificidade para as explicações do mundo, tese r ecor r ente no começo do século XX (em gr ande par te, fruto das t r ansfor mações ci entíficas, políti cas e sociais, já explicitadas), e também, baseados em pr incípios de verificabil idade muito semelhantes aqueles defendidos por Mach nas ciênci as natur ai s, o Cír culo de Viena pr etendi a estabelecer cr itér ios científi cos par a a deter minação da ver dade ci entífica. Par a alcançar o conhecimento r eal, a ver dade científica empir icament e compr ovada, esses cientist as-filósofos pr omoveram uma campanha antimetafísica. A ver ifi cabili dade (ou o pr ocesso de ver ificabilidade, segundo as palavr as de Schl ick ) separ ar ia a ci ência da metafísica, i sto é, daqueles enunci ados que não possuíam cor r espondência na real idade empírica. Isso por que “ao submeter a metafísi ca a est e pr incípio, constatar-se-ia que el a sustenta um discur so vazio, (...) car ente de sentido (Unsinn, meangless). O conhecimento acer ca da r ealidade efetiva, portanto, caber ia somente às ciências.” (CONDÉ, Op. cit. 1995).

Agor a sur ge clar ament e a difer ença entr e nossos pont os de vista (o dos neopositi vi st as) e os dos anti-metafísicos pr ecedentes: nós não consider amos a metafísi ca como uma “simples quimer a” ou um “conto d e fadas”. As pr oposições dos cont os de fadas não entr am em confli to com a l ógi ca, excet o pela exper i ência, (elas) têm pleno sentido ainda que sejam

fal sas. A metafísica não é, tão pouco, uma superstição, é

perfeitamente possível cr er tanto em proposições ver dadeir as como em pr oposições falsas, por ém, não é possível cr er em seqüências de palavr as carentes de sentido. As pr oposições metafísicas não são aceitáveis e nem são consider adas “hipóteses de trabalho”, já que par a uma hipótese é essencial a r elação de derivação com proposições empír icas ( ver dadeir as e falsas) e isso é justamente o que falta às pseudo-pr oposições (CARNAP, 1965, p. 78. Gr ifos e t radução meus). 1

1 “Ahora apar ece claramente la diferencia entre nuestr os puntos de vista y los de los antimetafísicos pr ecedentes: nosotros no consider amos a la metafísica como una “mera quimera” o “un cuento de hadas”. Las proposiciones de los cuentos de hadas no entr an en conflicto con la lógica sino sólo con l a experiencia; tienen pleno sentido aunque sean falsas. La metafísica no es tampoco una “superstición”; es perfect amente posible creer tanto en pr oposi ciones verdader as como en pr oposiciones falsas, pero no es posible cr eer en secuencias de palabras carentes de sentido. Las proposiciones metafísicas no resultan aceptables ni aun consider adas como “hipótesis de tr abajo”, ya que par a una hipót esis es esencial la r elaci ón de derivabilidad con proposiciones empíricas (verdaderas o falsas) y esto es justament e lo que falta a las pseudopr oposi ciones.” CARNAP, Rudolf. “La superación de la metafísica mediante el análisis lógico del lenguaje”. In: Ayer, Alfred Jules. El Positivismo lógico. Mexico: Fondo de Cultur a Economi ca, 1965.

57 Par a alcançar a ver dade científica pela ver ificação (pr ocessada pela análise de significado e veracidade), e par a diferenciá-la das questões metafísicas, o Cír culo de Viena também apostava na clari ficação l ógi ca dos enunciados sob a égide dos tr abalhos de Wi ttgenstein,1 Fr ege e Russell . A unifi cação das ci ências

mediante a pur ificação lingüística de seus enunciados livr ar ia os enunciados dos “er r os met afísi cos”. Esse ser i a o “cor dão sanitário” 2 pr oposto pelo conhecimento

ci entífico vienense, separ ando o conhecimento metafísico, falso (aqui, talvez fosse melhor dizer , despr ovido de sentido) e ínfer o, do conhecimento ver ificavel ment e ci entífico, passível de se tor nar uma explicação científica do mundo. Entr etanto, para subjugar aqueles casos em que enunciados met afísicos são logicament e admissíveis, ou seja, casos em que uma teor i a baseada em pr incípios metafísicos é logicamente aceitável, todo enunciado científico dever ia, também, responder a ver ificabilidade empírica, como vimos anter ior mente. Essas ser iam as bases segundo as quais emer gi r am as concepções do Cír culo de Vi ena: depur ação lógica para o alcance do si gnificado e, poster ior mente, alcance da ver dade empi r icament e compr ovada. Não por acaso, esse gr upo vienense t ambém foi chamado de Empir ismo Lógico, Empir ismo Metodológico ou, ainda, Neopositivismo. Par a entender essa necessidade de “assepsi a científica” é necessário l embr ar mos o contexto dos anos de 1900-1930, mencionados anter ior ment e. Em outras palavr as, esse cientificismo util izado para entender a pr odução de conhecimento deveu-se, em par te, às tantas novas descober tas científicas e tantas for mas difer entes de nar r á-las (algumas, fidedignas; outr as, fantasi osas). Esse er a o cenár io com o qual a histór ia das ciências se depar ava no início do século XX: inúmer as novidades ci entíficas e a necessidade de ordenação. Par a esses posi tivistas, tanto mel hor que essa ordenação fosse baseada nos métodos científicos. Em ger al, o obj etivo dos

1 Os membr os do Círculo de Viena ocuparam-se, sobr etudo, dos escritos de Wittgenstein em seu

Tractatus. Dessa obra teriam r etir ado algumas bases para o princípio da verificabilidade. Segundo Wittgenstein, para estar apto a dizer que “x” é verdadeiro (ou falso), é necessário deter minar sob que condições “x” é verdadeiro. Assim, esclarece-se o sentido da proposição. WITTGENSTEIN, Ludwig.

Tratado lógico-filosófico; Invest igações filosóficas. 3.ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2002. 2 Faço uso de uma metáfor a sanitarista para configurar a forte oposição do Círculo de Viena as formas de conhecimento não científicas (tidas como inferiores ou “contaminadas” ). Por outr as vias, tal metáfor a j á vem sendo utilizada pela historiogr afia par a descrever a pr oposta dos vienenses, ou seja, a divisão entr e o “conhecimento sujo”(falso) e o “conhecimento limpo” (verdadeir o). Em síntese, coloco-me em consonância com essa historiogr afia já estabelecida e justifico essa metáfora pelo que acredito ser a intenção dos neopositivistas: criar “um asséptico instrumento contra a contaminação das teorias pelas

58 neoposi tivistas er a, antes de tudo, a busca por cr it ér ios segur os par a a verdade, para a ver dade ci entífica:

Todas as gr andes t entati vas tendent es a fundament ar uma teor i a do conheci mento der i vam da busca da cer teza do saber humano. Est e últ imo inter r ogati vo, por sua vez, pr ocede do desejo de um conheci mento que apr esente for os de cer teza absoluta. (SCHLICK, 1980, p. 65) 1.

Esta er a a pr oposta do Círcul o de Viena, investigar a pr odução de conhecimento medi ante alguns par âmet r os das ciências har ds ou ciências natur ais, como a comprovação empíri ca e, ainda, medi ante al guns parâmet r os da lógica filosófica e da filosofia da linguagem, como no pr ocesso de si gni ficação das pr oposições. Evidentemente, o neopositivi smo não abrangia todas as vertentes filosóficas e cientificistas dos estudos sobr e o conhecimento da pri meir a metade do século XX. Ao contr ár io, como já foi dito, a cor r ente fenomenológica dominava o cenár io filosófico alemão.

As pr oposi ções do Cír culo de Viena se expandir am, mas o gr upo st r ict o

sensu começou a se desintegr ar ainda na década de 1940. Com a mor t e de seus fundador es (Hann em 1934 e de Schlick em 1936), somados à ascensão nazi sta e a conseqüente per seguição estabelecida, além da Segunda Guer r a Mundial, o movimento perdeu a for ça que outr or a mover a os estudos na ár ea. Foi nesse mesmo contexto que as i déi as neopositivi stas for am absor vidas por outras