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Analyse av leirmateriale og representativiteten til prøver

Como já foi explicitado acima a opção metodológica neste estudo foi pela abordagem qualitativa de pesquisa. Há extensa literatura defendendo que as pesquisas qualitativas permitem apreender o caráter complexo e multidimensional dos fenômenos em seu contexto natural. No caso das pesquisas em educação, permitem a apreensão dos diferentes significados atribuídos às experiências vivenciadas no âmbito escolar de maneira a favorecer a compreensão das relações entre os pares, seu contexto e suas ações.

A opção por desenvolver um estudo qualitativo, de acordo com André (1983), acarreta ao pesquisador algumas dificuldades e problemas, dentre eles destacamos o longo processo de coleta de dados, muitas vezes estafante. Isso ocorre devido à sobrecarga do pesquisador com os diferentes estágios do estudo; pela variedade de fenômenos observados; pelo volume de material coletado; pelo tempo necessário ao registro ou transcrições dos relatos dos participantes; pela dificuldade em codificar, interpretar os dados e apresentar seus resultados.

A análise de dados neste estudo baseou-se nos pressupostos da análise do conteúdo entendida por Bardin (1979, p. 42) como “um conjunto de técnicas de análise de comunicação visando a obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção destas mensagens”.

Minayo (2000) acredita que a grande importância da análise de conteúdo consiste em sua tentativa de impor um limite entre as intuições e as hipóteses que

encaminham para interpretações mais definitivas, sem se afastar das exigências atribuídas a um trabalho científico.

Para a mesma autora a análise do conteúdo objetiva ultrapassar o nível do senso comum e do subjetivismo por meio da interpretação dos dados para alcançar uma vigilância crítica em relação à comunicação de documentos, textos literários, biografias, entrevistas, observações, dentre outros.

Bardin (1979) evidencia duas funções da análise de conteúdo que podem ou não ser complementares: a) uma função heurística, que visa a enriquecer a pesquisa exploratória, aumentando a propensão para a descoberta; e b) uma função de ‘administração da prova’, ou seja, servir de prova para a verificação de hipóteses apresentadas sob a forma de questões ou de afirmações provisórias. Com base nestas funções a análise de conteúdo se aplica a uma diversidade de domínios, como verificamos no quadro abaixo retirado de Bardin (1979, p. 36):

Domínios possíveis da aplicação da análise de conteúdo

Código e suporte

Quantidades de pessoas implicadas na comunicação Uma pessoa

“monólogo”

Comunicação dual “diálogo”

Grupo restrito Comunicação de massa Linguístico Escrito Agendas, maus pensamentos, congeminações, diários íntimos. Cartas, respostas a questionários, a testes projectivos, trabalhos escolares.

Ordens de serviço num empresa, todas as comunicações escritas trocadas dentro de um grupo.

Jornais, livros, anúncios publicitários, cartazes, literatura, textos jurídicos, panfletos.

Oral Delírio do doente mental, sonhos. Entrevistas e conversas de qualquer espécie. Discussões, entrevistas, conversas de grupo de qualquer natureza. Exposições, discursos, rádio, televisão, cinema, publicidade, discos. ICÔNICO (sinais,

grafismos, imagens, fotografias, filmes, etc.)

Garatujas mais ou menos automáticas, grafitos, sonhos.

Respostas aos testes projectivos, comunicação entre duas pessoas através da imagem.

Toda a comunicação icônica num pequeno grupo (p. ex.: símbolos icônicos numa sociedade secreta, numa casta...)

Sinais de trânsito, cinema, publicidade, pintura, cartazes, televisão.

OUTROS CÓDIGOS SEMIÓTICOS (Lê, tudo o que não sendo lingüístico pode ser portador de significações, ex.: música, código olfactivo, objectos diversos, comportamentos, espaço, tempo, sinais patológicos, etc.)

Manisfetações histéricas da doença mental, posturas, gestos, tiques, dança, colecções de objectos.

Comunicação não verbal com destino a outrem (posturas, gestos, distância espacial, sinais olfactivos, manifestações emocionais, objectos quotidianos, vestuário, alojamento ...), comportamentos diversos, tais como rituais e regras de cortesia.

Meio físico e simbólico: sinalização urbana, monumentos, arte...; mitos, estereótipos, instituições, elementos de cultura.

No caso deste estudo a análise do conteúdo contemplou sua função heurística, descrita acima por Bardin (1979) e para o enriquecimento da pesquisa exploratória contamos de acordo com o quadro acima, descrito pela mesma autora, com

suporte linguístico escrito (respostas a questionários) e oral (entrevistas com duas coordenadoras). Para ela a análise de conteúdo é considerada empírica e assim, não pode ser desenvolvida com base em um método exato. No entanto, para que seja possível a sua operacionalização algumas regras básicas devem ser seguidas.

Para Minayo (2000, p.203) a análise de conteúdo parte de uma literatura intitulada de primeiro plano para atingir análises mais aprofundadas e assim ultrapassar os significados manifestos.

De acordo com Bardin (1979) e Minayo (2000) a análise do conteúdo é composta por várias técnicas, tais como: análise temática ou categorial; análise de avaliação ou representacional; análise da expressão; análise das relações e análise da enunciação.

A opção neste estudo é pela análise temática ou categorial que consiste em descobrir os núcleos de sentido que compõem uma comunicação cuja presença ou freqüência signifiquem alguma coisa para o objeto analítico visado. No caso da pesquisa qualitativa, a presença de determinados temas evoca os valores de referência e os modelos de comportamento presentes no discurso (Minayo, 2000, p. 209).

Para Bardin (1979, p. 105) “o tema é a unidade de significação que se liberta naturalmente de um texto analisado segundo critérios relativos à teoria que serve de guia à leitura”. Ou seja, o tema relaciona-se a uma afirmação a respeito de determinado assunto.

A análise temática é organizada em três etapas:

 Pré-análise: nesta etapa ocorre a escolha dos documentos a serem analisados; a retomada das hipóteses e objetivos iniciais do estudo; reformulação dos mesmos com base no material coletado e elaboração de indicadores que permitam orientar a interpretação final. A pré-análise pode ser decomposta em algumas tarefas, dentre elas estão:

a) leitura flutuante: consiste no contato exaustivo com o material permitindo-se impregnar pelo seu conteúdo. Neste momento o movimento entre as hipóteses iniciais e emergentes, teorias pertinentes ao tema tornam a leitura capaz de ultrapassar a sensação de caos inicial. b) constituição do corpus: organização do material de forma a contemplar todos os aspectos do roteiro (exaustividade); a representar o universo pretendido

(representatividade); os critérios de escolha de temas (homogeneidade) e o objetivo do trabalho (pertinência).

c) formulação de hipóteses e objetivos: a hipótese relaciona-se a uma suposição, tem origem intuitiva e permanece suspenso até ser submetida aos dados seguros. Já o objetivo consiste na finalidade geral a que nos propomos (ou que é fornecida por uma estância exterior), o quadro teórico e/ou pragmático, no qual os resultados obtidos serão organizados. Bardin (1979) destaca que não necessariamente são estabelecidas as hipóteses na pré-análise, pois algumas análises efetuam-se ‘às cegas’ e sem idéias pré- concebidas, sendo utilizadas a priori uma ou várias técnicas para fazerem o material ‘falar’. d) a referenciarão dos índices e a elaboração de indicadores: considerando que o material coletado contém índices que a análise vai permitir falar, o trabalho preparatório será a escolha destes, tendo em vista as hipóteses, caso estejam determinadas, e sua organização sistemática em indicadores. Trata do recorte do texto em unidades de sentido comparáveis de categorização para a análise temática e de modalidade de codificação para o registro dos dados.

e) preparação do material: consiste na preparação do material reunido (edição).

No presente estudo o material coletado por meio dos questionários foram organizados da seguinte forma (o quadro completo apresenta-se no anexo VI):

 Exploração do material: essa fase consiste na codificação e categorização dos dados, iniciando-se a fase de análise. Trata-se a transformação do texto em dados brutos com o intuito de alcançar o núcleo de compreensão do texto. Nesta fase o texto é recortado em unidades de significado que podem ser uma palavra, uma frase, um tema, um personagem ou um acontecimento.

 Tratamento dos resultados obtidos e interpretação: os resultados são tratados de maneira a serem significativos (‘falantes’) e válidos. Os dados são submetidos a operações estatísticas simples, que põe em relevo as informações fornecidas pela análise. Isso feito, o pesquisador propõe inferências e realiza interpretações previstas no quadro

Formas de superação das dificuldades encontradas pelos/as professores/as no trabalho junto ao primeiro ano Nome 3 - Você teve dificuldades no início? Quais?

Como conseguiu superá-las?

Unidades de significado/Tema

teórico (teorização) ou abre pistas em torno das dimensões teóricas sugeridas pela leitura do material.

No caso deste estudo optamos por quadros nos quais explicitamos as categorias, unidades de significados/tema e a teorização dos dados coletados por meio do preenchimento de questionário pelos participantes do estudo. Com as entrevistas realizamos a mesma forma de análise (anexo VII). O quadro abaixo explicita a forma que escolhemos para organizar os dados analisados:

No próximo capítulo focaremos as bases legais e documentos oficiais que fundamentam e regulamentam a política de ampliação do ensino fundamental para nove anos no Brasil e essa experiência em escolas no município de São Carlos.