Kapittel 2 - Teori
2.3 SWOT-analyse
2.3.2 Analyse av konkurransesituasjonen
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apresentar trabalhos de artistas que, utilizando o livro com suporte de arte, rompe[m] com o estabelecido, ao mesmo tempo renova[m] e amplia[m] as possibilidades de comunicação artística27.
Da poesia visual esteve presente e podem-se ver os livros Exercício Findo (1968) de Décio Pignatari, Reduchamp (1976) de Au- gusto de Campos, e Júlio Plaza, II M AGO DELL’ OMEGA/ Labirinti (1971) de Regina Silveira e Haroldo de Campos e Caixa Preta (1975) de Júlio Plaza e Haroldo de Campos. Dessa vertente concreta, destaca- se também a participação dos artistas Edgard Braga (Tatuagem, 1976) e Ronaldo Periassu (Meteoros Sonoros da Indústria Têxtil, 1974).
A forte presença de livros realizados a partir da parceira en- tre artistas visuais e poetas em Livre como Arte demonstra a impor- tância dessa relação, sobretudo em São Paulo e no Rio de Janeiro, como explica Bernadette Panek:
A afirmação do livro como objeto de arte, no caso brasileiro, apresenta-se sob forte influência da poesia visual. Aparece também na forma de colaboração entre artistas e poetas concretos e neoconcretos, entre as décadas de cinquenta e sessenta. Haroldo de Campos, Décio Pignatari e Augusto de Campos tiveram grande participação nesses anos, não só em relação à poesia, mas também nas artes plásticas. O livro de artista é trabalhado, a partir desse momento, entre as fronteiras da literatura e das artes visuais.
27 O MOMENTO. “Livre como Arte” amanhã na UFPb. Jornal O Momento, João Pessoa, 26 de novembro a 02 de dezembro de 1978. Fonte: Acervo NAC/UFPB.
das pela narrativa que corporificam), além de dialogar com os tra- dicionais álbuns de gravuras, evidencia o apego às conformações e usos tradicionais do meio, como o caráter narrativo/informativo e a leitura sequencial.
Do mesmo modo, Quem é o palhaço aqui?, constituído por uma folha em sanfona formando 16 páginas (incluindo a capa), todo em preto e branco, é predominantemente textual, contendo uma única imagem, uma caveira, entre o nome do artista e o título na capa do livro. Formal e estruturalmente o livro dialoga com a litera- tura de cordel, conservando desta o esquema de estrofes e a métrica. Escrito em prosa, narra em tom crítico fatos e situações do contex- to social paraibano e político brasileiro no momento de abertura do país. Com relação aos aspectos formais, assim como no livro O Pavão sem mistério, percebe-se que mais do que explorar plasticamente/ matericamente, o artista preserva o caráter informativo/narrativo dos livros tradicionais.
Assim como acontecia em outras mostras, em Livre como Arte não fez qualquer restrição, pois todo o material enviado foi exibido, quer fossem concebidos exclusivamente por artistas24, por
escritores25, ou aqueles produzidos a partir da colaboração entre es-
critores e artistas26. Essa abrangência se justifica na medida em que,
por meio dessa exposição, o NAC/UFPB procurou demonstrar as inú- meras possibilidades conceituais e formais que o livro oferecia aos artistas, como se pode deduzir pelo objetivo da exposição:
[...] informar e possibilitar uma leitura crítica do que se está fazendo neste campo [...] ao
24 Caso, por exemplo, de Some artist do, some not (Antonio Dias, ) e Brazil Today (Regina Silveira).
25 Por exemplo, Meu futuro, saudades de Copacabana (Sergio Santeiro) e Poema Linha (Evandro Salles).
26 Como, por exemplo, Reduchamp (Augusto de Campos e Julio Plaza) e do O mar e a pele (Ronaldo Brito e Tunga).
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Segundo informações da imprensa, o público era formado, predominantemente, por artistas locais e estudantes universitários34. Dois jornais do mesmo período oferecem versões opostas sobre o com- portamento do público. No jornal O Norte, de 26 de novembro de 1978, encontra-se a seguinte afirmação: “stands [sic] de vidro serão coloca- dos no local, devidamente impermeabilizando, a fim de que as peças (li- vros, xilos, etc) não sejam tocadas, vez que representam obras de real valor e que, com o descuidado manuseio, poderão ser danificadas35”.
Já no semanário O Momento, com a programação da semana de 26 de novembro a 02 de dezembro de 1978, pode-se ler que “a exposição oferece ao público a oportunidade de participar ativamente da mostra, manipulando ou lendo os trabalhos apresentados36”. Do mesmo modo, na matéria Na Paraíba, uma leitura crítica do livro como arte, no Jor- nal da Bahia, de 18 de outubro de 1978, lê-se: “[...] o público terá acesso direto, na mostra, ao manuseio dos trabalhos expostos. [...]37”.
Até o presente momento não foram localizados registros38 que confirmassem os estandes de vidro protegendo os trabalhos. Ao con- trário, o público sempre aparece manipulando os livros. Indagado a esse respeito, Silvino Espínola, coordenador da mostra, afirmou que a informação sobre as vitrines não procedia. Os únicos livros não mani- puláveis foram fixados em painéis e, por serem constituídos por folhas soltas, podiam ser observados em sua totalidade39.
34 A UNIAO. Exposição de livros inclui os paraibanos. Jornal A União. João Pessoa, 03 dez. 1978. Fonte: Acervo NAC/UFPB.
35 O NORTE. Livro como Arte lança nova proposta visual na Paraíba. Jornal O Norte, João Pessoa, 26 nov. 1978. Fonte: Acervo NAC/UFPB.
36 O MOMENTO. “Livre como Arte” amanhã na UFPb. Jornal O Momento, João Pessoa, 26 de novembro a 02 de dezembro de 1978. Fonte: Acervo NAC/UFPB. 37 JORNAL DA BAHIA. Na Paraíba, uma leitura crítica do livro como arte. Jornal
da Bahia, Salvador, 18 out. 1978. Fonte: Acervo NAC/UFPB.
38 Foram analisadas cerca de 40 fotografias da exposição Livre como arte no acervo do NAC/UFPB.
39 Entrevista concedida por Silvino Espínola a Fabricia Cabral de Lira Jordão no dia 28 maio de 2010, em João Pessoa, Paraíba. Não gravada.
E assim, desenvolve um processo de maneira muito peculiar a fim de explorar a palavra como elemento visual28
Para Silveira, a relação entre artistas e poetas, somada ao “[...] quase nulo conhecimento e aplicação das técnicas de encader- nação criativa voltadas às artes plásticas”29, poderia ser uma das
possíveis explicações para o “fortíssimo vínculo com a palavra”30 e
a distância “da imagem pura ou do trabalho com o volume gráfico”31
que caracteriza grande parte dos livros de artistas brasileiros nesse período.
Essa característica da produção brasileira talvez explique porque, apesar da diversidade e abrangência de Livre como Arte, a participação de livros que tinham como características principais a exploração da tridimensionalidade e plasticidade ou que foram construídos como peça escultórica única foi muito reduzida32.
A montagem da exposição foi realizada pelos membros da equipe NAC/UFPB33 e consistiu no arranjo dos livros em cima de me-
sas, sobre as quais também foram colocadas plaquetas com a palavra “toque”, possibilitando e incentivando a manipulação pelo público. No caso dos álbuns (de gravuras, desenhos e serigrafias), as folhas foram fixadas na sequência estabelecida pelo artista em painéis de madeira, de modo que oferecessem a máxima visibilidade.
28 PANEK, Bernadette. Livro de Artista: o desalojar da reprodução. 2003. 133f. Dissertação (Mestrado em Artes Visuais) – Escola de Artes e Comunicação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003, p. 40.
29 SILVEIRA, 2001, p. 56. 30 Ibidem.
31 Ibidem.
32 Em fotografias podemos observar a presença de dois livros, um é Caixa Preta o outro ainda não foi identificado quanto a título ou autoria.
33 Entrevista concedida por Silvino Espínola a Fabricia Cabral de Lira Jordão no dia 28 maio de 2010, em João Pessoa, Paraíba. Não gravada. Ainda segundo o coordenador da mostra, Silvino Espínola, os artistas Antonio Dias e Raul Córdula foram responsáveis pela montagem da exposição e tiveram a colaboração de Francisco Pereira e Paulo Sérgio Duarte.
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siderada tanto um esforço de legitimação do livro como obra de arte autônoma, como uma ação pioneira já que, geralmente, no âmbito ins- titucional brasileiro não existiam ações de aquisição e exibição volta- das exclusivamente para esse tipo de produção. Com o passar do tempo, os artistas passaram a fazer doações espontâneas ao Núcleo que, em alguns casos, retribuía com o envio de suas publicações, como pode- se constatar na correspondência expedida pelo Núcleo agradecendo os livros remetidos pelo artista Waltercio Caldas:
Caro Valtércio [sic], o Núcleo de Arte Contemporânea agradece a gentileza das publicações gentilmente por você cedidas a êste [sic] Órgão, ao mesmo tempo que lhe envia as seguintes publicações por nós editadas: ALMANAC, FAC-SÍMILE (BARRIO), POLÍTICA: ELE NÃO ACHA MAIS GRAÇA NO PÚBLICO DAS PRÓPRIAS GRAÇAS (ANTONIO DIAS). Esclarecemos que suas publicações doadas farão parte de nossa mostra permanente de Livros de Artistas “Livre como Arte” a disposição para consulta por artistas, estudantes e visitantes, sendo de real valor comunitário pela atualização constante da produção artística Contemporânea44.
Depois da exposição, o acervo ficou a disposição para consul- ta. Apesar de não terem sido realizadas outras exposições voltadas es- pecificamente para o livro de artistas, eles geralmente estiveram pre- sentes em mostras que também contemplavam a arte correio, como na exposição Cidadão Klein (1979) de Paulo Klein, Arte Postal: Coleção Unhandeijara Lisboa (1980), Projeto 4 (1980), dos artistas Paulo Brus- cky, Falves Silva, Leonhard Frank Duch e Vera Chaves Barcellos. Em 1981, por ocasião da exposição 3NÓS3, Hudinilson Junior exibiu alguns de seus livros de artistas.
44 OFICIO DO NÚCLEO DE ARTE CONTEMPORANEA DA UNIVERSIDADE