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2. Litteraturgjennomgang

6.2 Analyse av funn relatert til forskningsspørsmål 2

Para a distinção das petrofácies nos eolianitos (Quadro 6), tomaram-se como critérios os seguintes aspectos: 1. mineralogia dos componentes deposicionais, que, neste caso, é principalmente quartzosa (Q); 2. número de modas granulométricas (modal: 1 ou bimodal: 2); e 3. microfeições dominantes de trama e/ou textura de cimento, subdivididas em seis tipos: franja (fr); revestimento de poro (r); concentração segundo micronódulos subverticais (sv); concentração em torno de grupos de bioclastos (b); gravitacional e/ou geopetal (g); e microespato em menisco (m). As siglas correspondentes a este terceiro critério (fr, r, sv, b, g e m) foram acrescentadas entre parêntesis ao final do código de petrofácies. Uma descrição mais pormenorizada de cada tipo de cimento é apresentada a seguir.

O cimento fr é dominantemente microespático, com textura em franja isópaca (fr- i), semi-isópaca (fr-si) ou anisópaca (fr-ai), geralmente envolvendo bioclastos de algas vermelhas, e, quase sempre, acompanhado de linha ou sutura mediana entre franjas de grãos adjacentes.

O tipo r resulta da precipitação de cimento microespático com trama de revestimento de poro, a qual se forma entre os espaços de grãos que estão em contato, geralmente pontual, entre si. É, portanto, indiretamente associado a um tipo de empacotamento sugestivo de alguma compactação.

Os cimentos sv e b são ambos micronodulares, isto é, localizados em porções preferenciais da rocha. Em sv, o carbonato microespático concentra-se em setores da rocha com tendência de distribuição vertical, o que permite interpretar fluxo de fluidos, seja descendente gravitacional, seja ascendente por capilaridade, ambos mais característicos de zona vadosa ou da interface vadoso-freático. Já o cimento b concentra-se em aglomerações de bioclastos carbonáticos, e preferencialmente em grãos mais finos. O cimento é microespático envolvente e a relação aparente dominante entre grãos e cimento é portanto de flutuação. A interpretação para a origem deste cimento é que ele foi reprecipitado a partir dos solutos gerados pela dissolução localizada da borda dos próprios bioclastos. Sua ocorrência preferencial em grãos finos pode estar relacionada tanto à maior superfície específica e, portanto, à maior reatividade dos bioclastos, quanto ao maior tempo de permanência das soluções reativas, por efeito da tensão superficial mais elevada nos poros menores, em condições vadosas.

O código g faz referência ao cimento microespático ou espático em textura gravitacional geopetal (isto é, indicadora da base da rocha), principalmente em torno de grãos de quartzo. Sugere cimentação a partir de água pendular, portanto em ambiente eodiagenético vadoso.

Finalmente, o cimento m caracteriza-se pela textura microespática com arranjo em menisco. Ocorre principalmente unindo as bordas de grãos de quartzo, mas também de

bioclastos de algas vermelhas. A exemplo do cimento g sugere ambiente de cimentação vadoso.

Com base no ambiente geoquímico interpretado de formação do cimento, se essencialmente vadoso (v) ou com indícios de condições freáticas (f), as petrofácies foram finalmente agrupadas em quatro associações (Quadro 9).

Quadro 9. Sumário de descrição e interpretação das petrofácies de eolianitos. Os termos

destacados em negrito referem-se aos aspectos utilizados como critérios para os respectivos códigos de petrofácies.

Petrofácies Descrição Associação de petrofácies

Q1(r); Q1(fr-si) (Figura 7.25)

Arcabouço de granulometria unimodal na fração areia média ou fina, com seleção por moda boa a moderada, grãos subarredondados a subangulares e esfericidade alta a mediana, composto principalmente por quartzo monocristalino e por bioclastos de algas vermelhas, presença de cimentos em franja semi-isópaca e de revestimento e porosidade de até 22%

Quartzo arenito unimodal com presença

de cimentos freáticos: Q1f

Q2(fr-i); Q2(r); Q2 (fr-si) (Figura 7.26)

Arcabouço de granulometria bimodal na fração areia média a grossa, com segregação granular eventual, seleção moderada, grãos subarredondados a subangulares e esfericidade mediana a alta, composto principalmente por quartzo monocristalino e por bioclastos de algas vermelhas; presença de cimentos em franja isópaca a semi-isópaca e de revestimento e porosidade de até 20%.

Quartzo arenito bimodal com presença de cimentos freáticos:

Q2f

Q1(fr-ai); Q1(sv); Q1(b) (Figura 7.27)

Arcabouço de granulometria unimodal na fração areia média ou fina, com seleção boa a moderada, grãos subangulares a subarredondados e esfericidade alta a mediana, composto principalmente por quartzo monocristalino e por bioclastos de algas vermelhas; franco domínio de cimentos em franja anisópoca, concentrado junto a bioclastos ou em micronódulos subverticais; porosidade de até 30%

Quartzo arenito unimodal com cimentos essencialmente vadosos:

Q1v

Q2(fr-ai); Q2(g); Q2(m) (Figura 7.28)

Arcabouço de granulometria bimodal na fração areia grossa a fina, com segregação granular eventual, seleção moderada, grãos subarredondados a subangulares e esfericidade alta a mediana, composto principalmente por quartzo monocristalino e por bioclastos de algas vermelhas; franco domínio de cimentos em franja anisópoca, geopetal ou em menisco; porosidade de até 30%

Quartzo arenito bimodal com cimentos essencialmente vadosos:

Q2v

Figura 7.25. Fotomicrografías a nicóis cruzados das petrofácies da associação Q1f, com as

subdivisões segundo o cimento presente: a. Q1(r), de revestimento de poro, formado após alguma compactação (EPI37) e b. Q1(fr-si), em franja semi-isópaca, com indícios locais de duas gerações, bordejando clastos de quartzo, feldspato e alga vermelha (EPI34a).

Figura 7.26. Fotomicrografias a nicóis cruzados das petrofácies da associação Q2f com as

subdivisões segundo o tipo de cimento presente: a. Q2(r), de revestimento de poro, na amostra EPI35; b. Q2(fr-i), em franja isópaca bordejando bioclasto de alga vermelha com dupla camada de cimento, na amostra ECE34b; e c. Q2f (fr-si), em dupla geração de franja, sendo a primeira isópaca, na amostra ECE51Ec.

Figura 7.27. Fotomicrografias a nicóis cruzados das petrofácies da associação Q1v, com as

subdivisões segundo o cimento dominante: a. Q1(fr-ai), em sutura mediana entre duas franjas anisópacas, na amostra ECE53; b. Q1(sv), com micronódulos subverticais, na amostra ECE46Eb; e

c. Q1(b), concentrado junto a aglomeração de bioclastos principalmente de algas vermelhas, na

Figura 7.28. Fotomicrografias a nicóis cruzados das petrofácies da associação Q2v, ilustrando a

classificação segundo o tipo dominante de cimento carbonático: a. Q2(fr-ai), sutura mediana entre franjas anisópacas adjacentes, na lâmina EPI40; b. Q2(g), gravitacional pendular, indicando a base da lâmina ECE62; c. Q2(m), em menisco, na amostra EPI12.

- Depósitos associados aos eolianitos

Na distinção de petrofácies dos depósitos associados aos eolianitos (Quadro 10 e Figura 7.27), também se teve em conta a composição mineralógica (Q), o número de modas granulométricas (uni, 1, ou bimodal, 2) e, adicionalmente, a presença de bioclastos (b) ou de vestígios de vida in situ, ou pouco retrabalhados, de gastrópodes (g). Quanto ao cimento, estabeleceram-se as seguintes subdivisões (parêntesis na frente do código): me, para microespato preenchendo bioclastos; of, para material criptocristalino atribuído a matéria orgânica com óxi-hidróxidos de ferro; e cm, para cimento micrítico.

Quadro 10. Sumário de descrição das petrofácies dos depósitos associados aos eolianitos. Os

termos destacados em negrito referem-se aos aspectos utilizados como critérios para os respectivos códigos de fácies.

Petrofácies Descrição interpretação Associação /

de petrofácies

Q1g(of); Q1g(cm)

Arcabouço de granulometria unimodal na fração areia fina ou média, com seleção boa, e grãos subarredondados a subangulares de esfericidade alta, compostos principalmente por quartzo monocristalino e por carapaças de gastrópodes; cimento micrítico e/ou orgânico-ferruginoso de trama

grumosa ou micropeloidal, com porosidade de até 10%

Quartzo arenito unimodal com gastrópodes, de paleossolo: Q1g

Q2g(me)

Arcabouço de granulometria bimodal na fração areia fina a grossa, com seleção pobre a moderada, e grãos subangulares de esfericidade média,

compostos por quartzo mono e policristalino e por carapaças de gastrópodes; cimento microespático e porosidade de até 20%

Rudito de gastrópodes preenchido por quartzo arenito bimodal: Q2g Q2b(cm)

Arcabouço de granulometria bimodal na fração areia fina a grossa, com seleção pobre a moderada, e grãos subangulares de esfericidade média, compostos por quartzo mono e policristalino e por bioclastos; cimento

micrítico e porosidade de até 20%

Quartzo arenito bioclástico bimodal: Q2b

Q2(cm)

Arcabouço de granulometria bimodal na fração areia grossa a fina, com segregação granular, seleção pobre e grãos subarredondados a subangulares

de esfericidade alta a média, compostos principalmente por quartzo policristalino; cimento micrítico e porosidade de até 10%

Quartzo arenito bimodal: Q2

Na petrofácies Q1g, fácies Amg, a presença de trama grumosa ou micropeloidal nos cimentos micrítico e organo-ferruginoso (Figuras 7.29 a e b) aponta para agregação pedogenética, possivelmente sob influência de agentes biológicos, o que reforça a associação desta fácies deposicional com paleossolos, feita no Artigo 1.

Na fácies Apb (beach-rock), o registro de cimentos em franja anisópaca com formato de pêndulo e menisco (Figura 7.17) indica condições vadosas de cimentação, coerente com a atribuição desta fácies, no Artigo 1, à zona de espraiamento.

Figura 7.29. Petrofácies dos depósitos associados aos eolianitos: a. Q1g (of), quartzo arenito

unimodal com gastrópodes e cimento ferruginoso, na amostra EPI45b; b. Q1g (cm), quartzo arenito unimodal com bioclastos e cimento micrítico grumoso, na amostra EPI45c; c. Q2g (me), quartzo arenito bimodal com cimento microespático e conchas de gastrópode, na amostra ECE49con; d. Q2b (cm), quartzo arenito bimodal com bioclastos e cimento micritico, na amostra ECE51y; e e. Q2 (cm), quartzo arenito bimodal com cimento micrítico na amostra ECE51PB. Fotomicrografia b a nicóis paralelos; demais, a nicóis cruzados.