2.5 Nyere forskning
2.5.2 Analyse av forretningsmuligheter
Trata-se de um estudo social, de natureza qualitativa, tendo como cenário o Curso de Formação de Oficiais da Polícia Militar do Maranhão, pertencente à Universidade Estadual do Maranhão, que forma bacharel em Segurança Pública. Para concretização desta formação foi firmado um convênio entre universidade e PMMA, a partir de um projeto pedagógico que estabelece as diretrizes e estrutura curricular do curso. O qual tem como princípios uma formação humanística, cuja legislação se volta para a garantia dos direitos humanos, assegurados pela Constituição. Para isso, a questão do currículo está assentada nas práticas policiais, administração e direito.
A pesquisa envolveu oficiais militares que atuaram e atuam na execução do curso, professores da UEMA que ministram aulas e oficiais egressos que lidam com a gestão da segurança pública local. A escolha deste público está assentada nas singularidades vivenciadas em um curso que se diferencia dos demais da universidade. A consecução da pesquisa permitiu a visualização do design da formação acadêmica dos oficiais, entre ideal e o real da atuação policial.
O Maranhão tem uma área é de 331.983,293Km2, com 217 municípios divididos em 06 mesorregiões e 21 microrregiões. Ao longo de seus 175 anos o efetivo policial é reduzido para atender a demanda. Contando com cerca de 6500 policiais da ativa. Isso compromete a qualidade do trabalho policial e prestação de serviço à sociedade.
Diante do problema de pesquisa proposto sobre o êxito da formação de oficiais da PMMA na UEMA, ressalta-se as ambiguidades inerentes ao estudo, a medida que envolve instituições que têm missões distintas e singulares e raramente se unem para o enfrentamento das crises sociais emergentes de causas multivariadas. A pesquisa empírica envolveu cadetes, oficiais e professores da universidade que atuam no CFO-PMMA.
Esta investigação usou o método indutivo, orientado pela pesquisa teórico- bibliográfica, documental, observação in loco na APMGD e no Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA/UEMA). Fez-se um diagnóstico do curso sob a ótica de alunos e professores, com vista a identificar as especificidades do bacharel em segurança pública na prestação de serviço à sociedade.
A pesquisa foi junto ao corpo docente e gestores da Direção de Ensino do CFO- PMMA, envolvendo UEMA e APMGD. Na UEMA, o Curso é atendido pelos departamentos de Letras e de Educação e Filosofia que integram o Centro de Ciências da Educação e Naturais (CECEN) e no CCSA, pelos departamentos de Ciências Sociais (DCS), de
administração (DEA) e de direito e economia (DEDEC). Selecionou-se apenas os professores efetivos destes departamentos que ministram aulas regularmente no Curso e lidam com maior quantidade de disciplinas.
Entre os cadetes, observou-se que há um elenco de 126 alunos cursando em 2012, os quais estão distribuídos em 04 turmas. Optou-se por entrevistar apenas os alunos das últimas turmas porque demonstram maior maturidade em relação à vivência com a rotina do Curso. Depois dos estágios, sabem de antemão o que os aguarda na labuta policial.
A escolha dos informantes-chaves foi criteriosa, baseada na seleção de atores sociais envolvidos na proposição, solidificação e manutenção do curso. Entre os professores, optou-se por aqueles que são efetivos, os instrutores são oficiais com qualificação específica e corpo discente. Logo a seguir a coleta de dados, fez-se uma análise da literatura, documentos e as diferentes falas. Põem-se em evidência as diferentes percepções sobre a constituição e formação dos bacharéis em Segurança Pública da UEMA.
Entretanto, enfrentou-se situações inusitadas, como lidar com militares que atuam como instrutores ou gestores na direção de ensino, oficiais oriundos do R2 (Reserva do Exército), os mais antigos, formados em academias militares e têm pouca intimidade com o CFO-PMMA. Há oficiais egressos do curso que resistem em trabalhar na formação de novos oficiais, preferem o trabalho de rua ou de gerenciar outras instâncias militares.
Por esta razão, entre os oficiais egressos do CFO-PMMA, optou-se pela escolha dos mais antigos, integrantes das primeiras turmas e os novos oficiais, do período de 2010- 2011, desde que atuassem no Curso, seja como instrutores ou como gestores. A escolha dos extremos se deu devido às percepções do mundo militar ser diferente. Os primeiros cadetes eram policiais e se qualificavam em vista da promoção profissional. Os novos oficiais, são na sua maioria jovens sem ligação com a vida militar, ingressaram no curso com interesse na formação profissional e a garantia de um emprego público estável.
Dentre os critérios para definir os informantes-chaves. Dentre eles: ter desempenhado papel de gestor do CFO-PMMA-UEMA; ser instrutor ou professor do curso; egresso do curso que atua como instrutor ou gestor na Academia ou em batalhões da PMMA; oficiais egressos do curso que estão desempenhando papel de gestor em batalhões ou companhias e, cadetes que estão no 3º e 4º ano do curso e já absorveram a ideologia militar.
A partir desta definição de informantes, optou-se pelo elenco de 60 profissionais com os quais se levantou as informações necessárias para a execução da pesquisa. A saturação das respostas permitiu estabelecer a linha de corte da amostra. Além da pesquisa de campo,
recorreu-se aos documentos firmados entre universidade e polícia militar, atas de colegiado de Curso e demais documentos favoreceram o entendimento das informações coletadas.
Como instrumento de coleta de dados, utilizou-se a entrevista semiestruturada aplicada junto aos informantes supracitados, sendo que com os cadetes aplicou-se entrevista grupal, na própria universidade. Entre os oficiais que estão no comando de batalhões em outras cidades do interior, o roteiro de entrevista foi enviado por e-mail e poucos responderam. Muitos alegaram dificuldade de acesso à internet, outros simplesmente não deram atenção.
Fez-se um estudo de natureza dialética. Buscou-se identificar as contradições inerentes aos discursos e práticas institucionais. De um lado, existem as propostas de forte cunho ideológico que inspirados em modelos externos à realidade local são postos como novos paradigmas da segurança pública, de outro, as idiossincrasias locais, arraigadas e engessadas ao longo do tempo não permite mudanças nas práticas tradicionais de policiamento, somando-se ainda a falta de infraestrutura para a promoção da segurança pública preventiva e proativa.
Somou-se à dialética o uso da etnometodologia, que Montenegro (1996) diz que
permite a “descrição compreensiva de um terreno particular”. assim sendo, buscou-se formar
uma base conceitual, a partir da ótica dos informantes-chaves, levando em conta os valores, a cultura, a linguagem própria dos membros que integram a Polícia Militar que constitui uma instituição total.
Para Guesser (2003) o método se apoia em raciocínio prático do cotidiano, a partir do conjunto de evidências reconstrói uma explicação precária da realidade observada. Precária com a conotação de relativa humildade científica. Em razão de que, as explicações dão conta das significações interacionais de um grupo determinado grupo, no caso, dos oficiais militares da PMMA.
Fez-se então uma análise de discurso, pois as concepções dos atores sociais, entre policiais militares, professores e gestores da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão foram, em vários momentos, ambíguas. As informações destes profissionais variaram conforme o status quo e a posição estratégica que ocupam na esfera do poder institucional.
Estas falas dos atores permitiram uma análise do discurso, tomando-se como
referência o cenário. Para Fairclough (2003, p.92), “a prática discursiva é constitutiva tanto da
maneira convencional como criativa: contribui para reproduzir a sociedade como é, mas também contribui para transformá-la”.
Com isto, reitera-se que a análise de discurso de oficiais antigos e novos, cadetes e professores é um desafio. Todos falam da mesma coisa, mas o uso da linguagem assume conotações totalmente distintas, exige certa familiaridade com a cultura organizacional, as descontinuidades das ações políticas internas, sensibilidades emergentes que abalam as convicções do investigador.
Estes dados foram apresentados, na análise de resultados sob o olhar da dialético- hermenêutica, visto que, apresentam-se as falas em suas consonâncias e discordâncias. Os informantes não foram identificados, em alguns momentos se faz referência ao status do individuo, pois a própria fala já deixa implícito o papel que ele desempenha na instituição.
Enfim, após os dados coletados e interpretados, constatou-se que há uma fragmentação no Curso de Formação de Oficiais da PMMA, isto leva a se afirmar que apesar do CFO ser um curso pioneiro, está seriamente fragmentado em relação às recomendações internacionais e nacionais – PNUD, UNESCO, SENASP.