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Scipione em 1998. O livro é composto por 520 páginas, das quais 130 (25%) destinam-se ao conteúdo de geografia física ou natureza, incluindo aí quatro capítulos cujos conteúdos refletem mais diretamente o título da Unidade 7 – Desenvolvimento X Meio Ambiente – na qual estão inseridos. Essa unidade traz a discussão acerca da questão ambiental, para só depois os conteúdos intitulados como Cartografia; Estrutura Geológica, Relevo e Solo; e

Hidrografia, Clima e Vegetação, todos identificados como anexos, incorporarem a obra.

A Apresentação do livro, destinada a professores e demais leitores, dá indicações de quais temas nortearão a organização dos conteúdos.

Os conflitos étnicos, os atentados terroristas, a miséria e a riqueza, a fome e o consumo, as catástrofes naturais, a crise ecológica, as crises políticas, o desemprego em

massa, as novas tecnologias, as migrações – tudo entra em nossa casa, cotidianamente. Via

televisão, jornal, computador. É tanta informação que muitas vezes sentimos uma sensação de impotência diante da impossibilidade de compreender tudo o que está acontecendo em nosso redor e no mundo.

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[...] Considerando todas essas questões e discussões, procuramos escrever um livro que dê conta de explicar o espaço geográfico mundial e brasileiro, onde seres humanos interagem entre si e com o meio. Ao longo da história humana, essas interações vão sendo mediadas por interesses contraditórios do ponto de vista econômico, político, social, etc., registrados, muitas vezes, pelos meios de comunicação.

Os temas presentes nos fragmentos acima, destacados da apresentação, evidenciam o título da Obra, principalmente no que se refere às questões da globalização econômica e do papel dos meios de comunicação nesse processo o que pode ser observado no sumário a seguir:

SUMÁRIO

UNIDADE 1 – Capitalismo – o sistema econômico que mais modelou o espaço geográfico UNIDADE 2 – Industrialização e geopolítica

UNIDADE 3 – Energia UNIDADE 4 – Agropecuária UNIDADE 5 – Urbanização UNIDADE 6 – População

UNIDADE 7 – Desenvolvimento x meio ambiente

Capítulo 1- − Impactos ambientais em ecossistemas naturais e em ecossistemas agrícolas Capítulo 2 – Impactos ambientais em sistemas urbanos

Capítulo 3 – Outras formas de poluição Capítulo 4 – Lutas em defesa do meio ambiente

ANEXOS

Anexo 1 – Cartografia

Anexo 2 – Estrutura geológica, relevo e solo

Anexo 3 – Hidrografia, clima e vegetação

A ideia de fazer uma geografia diferente daquela classificada por muitos autores como tradicional, presente em muitas obras, foi radicalizada nesse livro didático ao colocar os conteúdos referentes à Geografia física ou natureza, como anexos, depois inclusive da exposição da temática ambiental. Entretanto cabe destacar, que das obras até aqui analisadas, é a primeira a inserir a Cartografia, mesmo que na forma de anexo.

A Obra PANORAMA GEOGRÁFICO DO BRASIL: CONTRADIÇÕES,

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(colaborador), publicada pela Editora Moderna em 2004 (4ª edição reformulada e atualizada), é composta por 456 páginas quando destinada ao aluno, acrescida de 96 páginas quando constitui exemplar do professor. Das 456 páginas, 55 (12%) foram destinadas aos conteúdos de Geografia física, além das 146 que compõem as unidades II e III, em que esses conteúdos aparecem de forma pouca e diluída.

O livro começa com o Manual do Professor. Esse manual traz um sumário seguido da

Apresentação Geral composta por introdução, aspectos teóricos do livro, estrutura do livro,

estratégias didático-pedagógicas do processo ensino-aprendizagem, recursos didático- pedagógicos do livro, recursos didático-pedagógicos do manual do professor e avaliação dos alunos.

Logo no primeiro parágrafo do texto intitulado aspectos teóricos do livro, o autor esclarece quanto ao papel deste livro, que segundo o próprio autor diferencia-se de livros publicados no passado ao abordar de maneira diferenciada os fatos sociais e resgatando o estudo das bases físicas para uma maior compreensão da produção do espaço geográfico.

Se no passado livros didáticos abordavam os fatos sociais de maneira descritiva e enumerativa, o que colaborava para o ocultamento das contradições sociais, a obra que ora se apresenta em muito de distancia dessa postura. Além disso, procura resgatar o estudo das

bases físicas do território que – no processo de constituição da chamada “Nova Geografia”

ou “Geografia Crítica”, surgida como resposta aos quadros tradicionais de ensino da

disciplina, sobretudo a partir da década 1980 – ocupou um lugar de menor importância

diante da ênfase concedida aos aspectos históricos e sociais que interferem no processo de produção do espaço geográfico.

Dessa maneira, buscando uma síntese das duas posturas, a obra procurou conferir um tratamento mais equilibrado e profundo aos diversos campos do conhecimento e temas geográficos, fornecendo referências conceituais para tornar o educando mais apto na interpretação e explicação das variantes humanas e naturais presentes no espaço geográfico brasileiro.

E justifica:

Não acreditamos na viabilidade de se compreenderem as interações sociedade/natureza, objeto central de nossa disciplina, sem que haja anteriormente o entendimento de noções elementares das diversas áreas que a compõem. A obra foi desenvolvida a partir dessa orientação teórico-metodológica, levando em consideração, também, as especificidades do ensino médio que visam atender à formação ampla do estudante, propiciando-lhe a oportunidade de tomar conhecimento das diversas áreas com as quais trabalham os geógrafos. Tal preocupação, contudo, soma-se ao esforço de elaborar

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uma abordagem analítica dos diversos conteúdos e ao mesmo tempo não-fragmentada, almejando a interdisciplinaridade entre os sub-ramos do saber geográfico.

Embora o autor, na apresentação da obra, escreva sobre o objetivo e a necessidade de se resgatar os estudos das bases físicas, fazendo inclusive críticas ao tratamento que lhes fora dispensado quando o surgimento da Geografia Crítica, e assim promover uma síntese entre os aspectos humanos e físicos, não é o que a organização dos capítulos reflete. Será que a questão ambiental, que poderia constituir a síntese das “duas geografias” − humana e física −, poderia vir antes das bases físicas, como ilustra o sumário a seguir?

SUMÁRIO

UNIDADE I – A produção do espaço geográfico no Brasil nas economias colonial e primário- exportadora

UNIDADE II – Brasil: o espaço industrial (impactos ambientais), globalização e neoliberalismo

UNIDADE III – Recursos minerais, fontes de energia e espaço agropecuário UNIDADE IV – Urbanização, pobreza e desigualdades sociais

UNIDADE V – A dinâmica populacional brasileira