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ANALYSE AV FASE 4

Fase 4 - Mitt visuelle språkuttrykk realiseres

4.4.4. ANALYSE AV FASE 4

As histórias em quadrinhos existem, praticamente desde, o início da história da humanidade como linguagem gráfica. O ser humano primitivo retratava graficamente por meio de desenhos canhestros, nas paredes das cavernas em que moravam, as suas caçadas ou feitos que refletissem sobre o seu cotidiano.

Podem ser descritas como uma sequência, ou várias sequências, de cenas com sentido, transmitidas por via de elementos tais como painéis, balões de texto, recordatórios e onomatopeias para se contar uma história, surgindo assim uma nova linguagem muito próxima da literatura ao mesmo tempo em que faz ponte entre a Literatura e outras artes, como, por exemplo, o desenho, a pintura, a fotografia e o cinema. Como acentua Will Eisner (2001, p. 5), em Quadrinhos e a Arte Sequencial, “é uma forma artística e literária que lida com a disposição de figuras ou imagens e palavras para narrar uma história ou dramatizar uma ideia”, ou ainda, como explica Scott McCloud (199η, p. 9), em Desvendando os Quadrinhos, que os quadrinhos são “imagens pictóricas e outras justapostas em sequência deliberada destinada a transmitir informações e ou a produzir uma resposta no espectador”.

Elas representam um meio de comunicação de massa de grande alcance popular. Transmitem ao leitor (aluno) conceitos, modos de vida, visões de mundo e informações científicas. Trazem temáticas que têm condições de serem compreendidas por qualquer estudante, sem a necessidade de um conhecimento anterior específico ou familiaridade com o tema. As estratégias de propagação que elas usam exprimem grande potencial por uma série de razões, entre elas: o preço (as histórias em quadrinhos são uma mídia acessível do ponto de vista econômico); a popularidade do meio (cada revista é lida em média por três pessoas); a

sua linguagem, cujos signos são facilmente decodificáveis por diversas etnias; e o fato de os quadrinhos estarem já associados ao divertimento, o que diminui a aversão que o leitor costuma ter a estratégias de divulgação.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB e os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN, percebendo o seu alcance, sugerem a utilização das histórias em quadrinhos como recurso didático-pedagógico. Nas histórias em quadrinhos, as crianças não capazes ainda de ler diretamente, conseguem deduzir o significado da história, observando a imagem. Vejamos o que assinala o PCN para o Ensino Fundamental referente à seleção de material:

Todo material é fonte de informação, mas, nenhum deve ser utilizado com exclusividade. É importante haver diversidade de materiais para que os conteúdos possam ser tratados da maneira mais ampla possível. O livro didático é um material de forte influência na prática de ensino brasileira. É preciso que os professores estejam atentos à qualidade, à coerência e a eventuais restrições que apresentem em relação aos objetivos educacionais propostos. Além disso, é importante considerar que o livro didático não deve ser o único material a ser utilizado, pois a variedade de fontes de informação é que contribuirá para o aluno ter uma visão ampla do conhecimento. Materiais de uso social frequente são ótimos recursos de trabalho, pois os alunos aprendem sobre algo que tem função social real e se mantêm atualizados sobre o que acontece no mundo, estabelecendo o vínculo necessário entre o que é aprendido na escola e o conhecimento extra-escolar. A utilização de materiais diversificados como jornais, revistas, folhetos, propagandas, computadores, calculadoras, filmes, faz o aluno sentir-se inserido no mundo à sua volta (BRASIL- MEC, 2008, p.1).

Isso porque existem publicações com outros objetivos, além do entretenimento, como, por exemplo, os quadrinhos voltados para a educação e treinamento, publicidade e propaganda, que mostram a popularidade e aceitação desse recurso na sociedade.

Integram uma gama de publicações, como cartilhas, folhetos, livros e álbuns, que fazem uso da linguagem dos quadrinhos para a transmissão de conhecimentos específicos. É o que Vergueiro e Ramos (2009, p. 89 e 90) chamam de quadrinhos voltados para a educação popular:

[...] de forma puramente pragmática, essas publicações lançam mão dos recursos da linguagem gráfica sequencial como instrumento para atingir mais facilmente o seu público em termos do que poderíamos chamar de educação popular – em geral, desvinculada dos canais formais de ensino –, incutindo-lhe ensinamentos religiosos, orientações para a utilização de serviços públicos ou privados, entre outros, que visam capacitar o cidadão à vida em sociedade. (...) essa produção quadrinística voltada à educação popular é geralmente desconhecida da maioria da população e até mesmo de boa parte dos produtores profissionais de quadrinhos. Além disso,

muitos pesquisadores da área optam por ignorá-la totalmente, talvez a considerando como um objeto pouco digno de ser analisado em ambiente acadêmico.

Ainda de acordo com Vergueiro e Ramos (2009, p. κη), “a percepção de que as histórias em quadrinhos podem ser utilizadas de forma eficiente para a transmissão de conhecimentos específicos, ou seja, tendo uma função utilitária e não somente de entretenimento, já é comum ao meio profissional há muito tempo”.

Voltando-se apenas para as publicações com fins educacionais, o Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo conseguiu reunir 64 títulos desde 1990. Esse número pode parecer pequeno com relação ao universo de publicações de histórias em quadrinhos, contudo, “esse número pode ser considerado representativo do que é feito na área de produção de quadrinhos para educação popular”, (VERGUEIRτ, RAMτS, 2009, p. 91). Quanto ao conteúdo dessas publicações, Vergueiro e Ramos (2009, p. 93) explicam:

Com relação às características de conteúdo, praticamente a totalidade das publicações utiliza desenhos caricaturais; até mesmo aqueles que se destinam aos adultos o fazem com este tipo de desenho, talvez imaginando que isso permitirá que a proposição apresentada pela publicação chegue de maneira mais eficiente a seu leitor. Além disso, pode-se imaginar que o desenho caricatural e a utilização de elementos cômicos têm a grande vantagem de diminuir as eventuais resistências de alguns leitores, colocando-os em uma boa disposição para assimilar o que se pretende transmitir.

Das publicações selecionadas pelo Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos, 15 títulos (23%) estão voltados para a área da saúde, tendo em sua frente apenas os temas voltados para os recursos naturais (34%). Isso mostra o interesse em educar a população para a saúde, onde o tema da alimentação está inserido, e com o qual Ziraldo contribui significativamente.

Identificado com a Educação brasileira, o personagem Menino Maluquinho está presente em centenas de livros didáticos e participa ativamente de inúmeras campanhas institucionais do Governo, sendo eleito garoto-propaganda da campanha Fome Zero e da merenda escolar durante toda a gestão do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Considerando essa vasta publicação, destacamos alguns livros nos quais o autor trabalha com o tema da alimentação:

 A revistinha TURMA DO LAGUINHO: SUPERMERCADO CONSUMO CONSCIENTE (2009), da coleção "Educação em Quadrinhos". O professor Samuca e a turma do Laguinho ilustram lições à garotada sobre materiais recicláveis, prazo de validade dos alimentos, gorduras trans, alimentos orgânicos, alimentos lights e diets, conservantes, produtos congelados, tipos de leites, conservação e desperdício de alimentos.

 A revistinha TURMA DO LAGUINHO: VIVENDO COM SAÚDE – OS ALIMENTOS (2009), ainda da coleção "Educação em Quadrinhos". Desta vez, o professor Samuca e a turma do Laguinho ilustram lições à garotada sobre o consumo equilibrado de alimentos. Reprovando os alimentos fast-food, o professor Samuca, por via da pirâmide alimentar, ensina sobre o consumo dos grupos alimentares – proteínas, carboidratos, sais minerais, vitaminas, gorduras e água. Além disso, explica o que são alimentos industrializados e o Código de Defesa do Consumidor.

 O almanaque JULIETA NO MUNDO DA CULINÁRIA (2008), Julieta e a Turma do Menino Maluquinho invadem a cozinha para uma real aula de culinária. Além de histórias em quadrinhos superdivertidas, Julieta ensina a fazer seis receitas fáceis e práticas que dão água na boca.

Figura 7: Livros - Turma do Laguinho - Vivendo com Saúde e Supermercado consumo consciente - e Almanaque

 O LIVRO DE DIETAS DO MENINO MALUQUINHO (2004). Podemos ver, na verdade, dois livros: um que fala direto aos maluquinhos que estão acima do peso considerado saudável; e outro livro para aqueles que estão abaixo do peso. E o melhor: tanto um quanto o outro vêm recheados de receitas de autoria de Sílvio Lancelotti, com as orientações da nutricionista Márcia Terra M. Tibeau.

 O LIVRO DE RECEITAS DO MENINO MALUQUINHO, editado pela primeira vez em 1994, supera a ideia de que cozinha não é lugar para criança. Traz 47 receitas, para meninas e meninos maluquinhos, criadas pelo talento e experiência de Fé Emma Xavier. Uma equipe de maluquinhos, entre oito e 11 anos, colocou os aventais e testou as receitas incluídas nesse livro. Todas as delícias foram realizadas sem problema algum. Ziraldo e Mig deram o toque de classe: o cenário, o charme e a maravilhosa simpatia desse personagem que conquistou o País.

Figura 8: Livros - O livro de "dietas” do Menino Maluquinho e O livro de receitas do Menino Maluquinho

 A cartilha ESCOLHA FREGUÊS (2005), voltada para o público infanto- juvenil, foi criada pela Secretaria de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário – SAF/MDA, de um projeto maior do MDA, sendo um

dos instrumentos para implementar. Enfoca a produção de alimentos orgânicos e a agricultura familiar. Essa publicação faz parte o Programa de Agroecologia. Também aborda o consumo de alimentos sustentáveis e, ainda, explica para agricultores familiares do meio urbano como fornecer produtos de qualidade, com menor impacto ao meio ambiente.

 A cartilha VAMOS CUIDAR DA MERENDA ESCOLAR (2006), reeditada em 2009, para ficar de acordo com a Lei nº 11.947, conta como funciona o Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE e mostra como você pode participar e acompanhar este programa na sua cidade. “Afinal, só com um povo bem alimentado o Brasil poderá crescer forte e feliz”, como nos faz entender a Cartilha.

Figura 9: Cartilhas - Escolha Freguês, Vamos cuidar da merenda escolar e O olho do consumidor

 A cartilha OLHO DO CONSUMIDOR (2009) foi elaborada pelo Ministério da Agricultura, com texto e ilustrações de Ziraldo, sobre alimentos orgânicos. Ela é voltada para o consumidor, e tem por objetivo ensinar as pessoas como identificar alimentos orgânicos comprados no mercado ou diretamente do produtor. Ela foi, porém, retirada de circulação (e 600.000 cartilhas impressas teriam sido retiradas de circulação) para alteração do texto sobre transgênicos, em razão de um forte lobby da indústria alimentícia e do agronegócio.

 Os livros de atividades AI, QUE DOR DE BARRIGA! (1999) e TÔ COM FOME (2001), da série Artes do Maluquinho, trazem o personagem do Ziraldo em jogos, brincadeiras e passatempos com a temática da alimentação para as crianças aprenderem enquanto se divertem.

Figura 10: Livros Artes do Maluquinho - Tô com fome! e Ai, que dor de barriga!

Sobre essas publicações, em uma entrevista cedida a esta pesquisa, por meio de e-

mails (apêndice H; anexo B), Ziraldo, surpreso, esclarece:

Em primeiro lugar, nunca imaginei que alguém notaria que fiz vários livros infantis com esse tema de alimentação e receitas. Eu nunca notei. Mas foi muito interessante você fazer essas perguntas, que vou responder desta maneira. Tem os meus livros de autor e meus livros em parceria. As possibilidades são tantas, os pedidos de parceria são tão frequentes que eu não poderia me conter só escrevendo e ilustrando meus livros autorais. Por isso, meus amigos editores pedem que eu faça diversos trabalhos em parceria com outros autores e com a ajuda de uma equipe de artistas. (ZIRALDO)

De todas as obras que Ziraldo trabalha com o tema da alimentação, no entanto, três nos chamaram a atenção por possuírem elementos de histórias em quadrinhos e por serem

livros de receitas que podem ser realizadas pelas crianças, contribuindo, assim, para a proposta da tese. Foram os livros: O livro de receitas do Menino Maluquinho, Julieta no

mundo da culinária e O livro de dietas do Menino Maluquinho. Sobre os livros de receitas, Nascimento (2007, p. 34) nos explica que

Livros de receitas permitem que a cultura geral seja ampliada, pois, de repente, ao buscar uma dica de como preparar camarões, a dona-de-casa fica sabendo que crevettes à la Newbourg (um prato com molho à armoricaine, um fumet e um cálice de xerez) foi criado por Alfred Prunier, um chef renomado francês, e assim “viajar” aos locais onde os ingredientes são produzidos.

No O livro de

receitas do Menino Maluquinho,

não percebemos a utilização dos recursos básicos das histórias em quadrinhos, como balões, legendas, vinhetas e onomatopeias, desperdiçando uma rica oportunidade de desenvolver livros graficamente mais agradáveis ao público infantil. A grande concentração dessas publicações está no texto escrito, fazendo o uso da imagem apenas como apoio, numa tentativa de prender a atenção do leitor. Nesse sentido, alguns poderiam classificá-las como um livro ilustrado, em vez de uma história em quadrinhos.

O desenho do

Menino Maluquinho segue um Figura 11: receita retirada do O livro de receitas do Menino

estilo cartum7, sempre com pitadas de humor, quebrando com a seriedade do texto escrito. Sobre a ideia de se publicar essa obra Ziraldo nos esclarece:

“O Livro de Receitas do Menino Maluquinho” nasceu por pedido do editor Ivan Pinheiro Machado. A ideia era fazer o Menino Maluquinho ilustrar um livro com receitas que ele poderia fazer – tomando todas as precauções necessárias na cozinha, é claro. Note que o Menino Maluquinho não ensina as receitas, ele só aproveita. Quem ensina as receitas é a tal da Tia Emma, que é uma autora de livros de receitas de Porto Alegre apresentada pelo editor Ivan. Podemos dizer que a importância é total, porque as receitas são dela. A gente só mexeu um pouco no texto para ficar do nosso jeito e criou as ilustrações que dão um toque de humor maluquinho de que as crianças gostam. O livro era para os fãs do Menino Maluquinho, não havia intenção de ser adotado na escola. Até porque não dá pra fazer livro de propósito pra ser adotado na escola. Não fica bom. Por outro lado, se te ocorre uma ideia original e seu livro fica bom, pode ser que ele faça sucesso até nas escolas. (ZIRALDO)

Na introdução do livro, Ziraldo começa afirmando que o lugar de criança é na cozinha, apresentando-a como um espaço criativo e educacional. Nas palavras do autor,

A cozinha sempre foi um espaço criativo para os adultos – os “grandes”. Mas não é só privilégio deles: os pequenos também querem e podem aprender a cozinhar. (...) O primeiro centro de educação para vida ainda é a casa. Ensinar é permitir que seus filhos participem dos pequenos afazeres na cozinha, como, por exemplo, pôr a mesa ou mesmo preparar uma salada, é o primeiro passo. (ZIRALDO, 2005, p. 6 e 7).

Em seguida, o autor apresenta a “turma” da cozinha, ou seja, os utensílios necessários para a preparação das receitas – xícara de chá, colheres de medida, peneira etc – seguindo-se de dicas para que as crianças façam uso do espaço da cozinha com segurança – cuidados para não queimar as mãos e dedos, manipulação de objetos cortantes, como facas, e

utensílios elétricos. São 47 receitas criadas e testadas pela Tia Emma - escritora de livros de culinária – divididas nas seções: bebidas, doces e salgados.

A nutricionista e professora do Curso de Gastronomia da Universidade Federal do Ceará, Drª. Adriana Camurça Pontes Siqueira, ao analisar o livro, falou que as páginas iniciais são excelentes par mostrarem para as crianças o funcionamento, as regras de segurança, bem como os perigos encontrados dentro de uma cozinha, mas que, com relação aos preparos, temos receitas que não representam hábitos alimentares saudáveis, apesar de serem muito apreciadas pelos pequenos, pois contêm alimentos prejudiciais à sua saúde, a saber:

 Batida dourada – leite condensado  Bolo de Coca-Cola – Coca-cola

 Torta de aniversário da manheeee... - leite condensado  Nanete – leite condensado

 Pavê fácil – leite condensado e creme de leite  Brigadeiro – leite condensado

 XIS rapidinho – maionese

 Cachorro-quente – salsicha e maionese  Frango na batata – maionese

 File no palito – bacon

 Canapés de batatas fritas – maionese, catchup e batata frita  Salsichas rápidas – salsicha e catchup

 Salsicha com queijo – salsicha e bacon

 Pastéis – por ser fritura, usar usar a receita de forno do livro  Salsicha empacotada – salsicha

Ainda com relação as receitas, Drª. Adriana ainda ressalta:

A maioria das receitas desse livro trazem alimentos de alta densidade calórica, como o açúcar, o leite condensado, o creme de leite, as farinhas brancas (de trigo), o que podem provocar diversos problemas de saúde às crianças, como a obesidade, o diabetes, o

triglicerídeos alto, o colesterol alto, etc. Achei também as receitas de alto custo, o que não se aplicaria às crianças de escolas públicas, como também, alguns ingredientes não fazem parte dos hábitos alimentares do nordestino, como nozes, uva passas. Vale destacar que são poucas as receitas que incentivam o consumo de alimentos saudáveis, como frutas, verduras e peixes.

Mesmo querendo trabalhar com as crianças os conceitos de temperança e moderação, muitas são receitas que ferem os princípios da educação alimentar e nutricional, e, por esse motivo, mesmo se tratando de uma publicação visualmente interessante e que foge dos preceitos do “bem viver” e do mito da ignorância, decidimos não utilizá-la para o desenvolvimento desta pesquisa.

O livro de “dietas” do Menino Maluquinho segue a mesma linha do livro de

receitas, com um diferencial: a publicação está voltada para os pais das crianças. Por esse motivo, percebemos a utilização de termos especializados do campo da Nutrição que provavelmente não têm uso no vocabulário infantil, e, assim, de compreensão difícil das crianças. Ziraldo (2004, p. 2) explica:

Este livro traz informações, gráficos e fórmulas para você mesma avaliar se seu filho está realmente abaixo do peso. Além disso, o Menino Maluquinho vai lhe dar dicas e receitas deliciosas para fazer seu filho crescer forte e saudável, alimentando-se com muito prazer. Seu filho vai adorar decidir com você o que fazer para o almoço ou o jantar. (...) As receitas informam a quantidade de calorias e são gostosas e nutritivas.

O livro, na verdade, é uma espécie de dois-em-um; até a metade da publicação, temos “receitinhas para ajudar a mamãe a engordar seu filho magrinho”, e da metade para o final temos “receitinhas para ajudar a mamãe a emagrecer seu filho gordinho”. Para as mamães alcançarem esses objetivos, Ziraldo conta com as orientações da nutricionista Márcia Terra M. Tibeau – que ensina a calcular o índice de massa corpórea e a equilibrar as refeições com a ajuda da pirâmide alimentar – e de Silvio Lancellotti, que ajudou na montagem das receitas. Outra característica dessa publicação é que ela não traz nenhum balão, aproximando- se mais de um livro ilustrado, do que de uma história em quadrinhos. Ainda sobre a obra, Ziraldo nos fala que:

Esse foi pedido do meu amigo editor Breno Lerner. Por isso é que foi feito com as receitas do Sílvio Lancelotti, que era autor da mesma editora, a Editora Melhoramentos. E a nutricionista entrou com a pesquisa sobre dietas, que é coisa muito séria. Novamente, nós só mexemos um pouco na leveza do texto e criamos ilustrações engraçadinhas para os pais e meninos não acharem que livro de dieta tinha que ser chato. Esse livro nasceu de uma oportunidade que o editor viu, não houve uma motivação minha para fazer outro livro com receitas, nem de deixar de fazer. (ZIRALDO)

Ao analisar esse livro, a nutricionista Drª. Adriana Siqueira achou que as receitas seguem com o seu valor calórico, mostrando-se bem mais interessantes e nutritivas do que as livro anterior. Apesar da perceptível ajuda de profissionais nutricionistas, Drª. Adriana Siqueira nos chama atenção para adaptarmos as receitas com insumos locais, valorizando assim o regional. Ela nos dá dois exemplos disso:

As receitas de ‘como emagrecer o filho gordinho’ precisam ser adaptadas à realidade social das famílias e substituir alimentos de outras regiões por alimentos dos hábitos locais. Só a última receita “Frango com Coca-Cola” que deve ser substituída. A Coca-Cola apesar de nessa receita ser usada como ingrediente para temperar não pode ser incentivada em seu consumo. Pode substituir por suco de maracujá ou laranja nesse caso. (...) Como as receitas de ‘ como engordar o filho magrinho’ são direcionadas a crianças que precisam