8. Lønnsomhetsanalyse
8.1 Analyse av drift
A vida profissional das mulheres deste estudo antes do empreendedorismo, apesar de serem em áreas diferentes, apresentam pontos em comum no que se refere às questões de tempo, dinheiro e relações familiares. Todas haviam tido experiência de trabalho anteriormente, mas nem todas como contratadas. De todas as entrevistadas, 8 delas trabalharam como contratadas em um emprego fixo e as outras 2 mulheres trabalharam de forma autônoma, com um escritório próprio, como pessoa física.
A maioria das entrevistadas se manteve na mesma área de atuação do antigo emprego, como é o caso de EB1 que trabalhava em um escritório de contabilidade de uma indústria de confecção de bolsas e, hoje, 18 anos depois, tem o próprio escritório de contabilidade e tem como clientes alguns de seus antigos patrões.
Tiveram aquelas que mudaram completamente a área em que atuavam, total de 4 mulheres que fizeram essa opção, como é o caso de EB9 que trabalhava em seu consultório como dentista e, abandonou tudo para empreender e criar uma empresa de paisagismo.
Tempo
Das entrevistadas, 6 mulheres alegaram que trabalhavam menos na época que eram contratadas e, a empresa, além de trazer mais trabalho trouxe mais preocupações. Nas palavras de uma das entrevistadas:
“Quando a gente decide ser empreendedora, a gente trabalha muito mais, muito mais. A cabeça não para” (EB2).
Apenas 3 mulheres do estudo, EB1, EB7 e EB10, afirmaram que sua carga horária como funcionárias era maior. As 3 atuavam no setor financeiro, sendo EB1 e EB10 no departamento de controladoria de grandes empresas e, EB7 como bancária. Formada em economia, EB7 atuou por alguns anos como bancária e fez este seguinte relato.
“Hoje eu trabalho menos, eu trabalhava mais lá. Lá tinha até um discurso entre os funcionários “você só tem hora para entrar, a hora de sair...”. Um exemplo disso era que se você saísse às 6 horas da tarde, você já ouvia alguma piadinha assim: “ah, você está desmotivada, já está indo embora mais cedo?.”. Teve uma época que eu cheguei a sair 11 horas da noite para poder entregar o trabalho, por causa do fechamento e aquela coisa toda. E era muito normal, como deve ser ainda hoje” (EB7).
EB10 também trabalhou na área financeira no departamento de controladoria por alguns anos e também relata como era essa época.
“Eu cheguei a trabalhar em uma das empresas 3 dias sem levantar da cadeira, sem nem tomar banho. [...] Além de eu trabalhar demais, eu não tinha valor nenhum” (EB10).
Demonstrou que, além do cansaço físico, ela não recebia reconhecimento algum por todo esforço e dedicação com a empresa.
Apenas uma mulher deste estudo, EB9, afirmou que sua carga horária atual é similar a carga de trabalho antiga e, a única coisa que mudou foram as atividades. Um ponto importante é que, ela já trabalhava de forma autônoma, porém, com consultório próprio, dessa forma, é possível supor que a carga horária anterior já era grande, em razão da própria cobrança – percebida em todos os discursos das entrevistadas – que as mulheres empreendedoras tem com o próprio trabalho. Além da grande responsabilidade e preocupação de não ter uma renda fixa mensal.
EB4 afirma que mesmo trabalhando menos nessa época, hoje, consegue aproveitar com muito mais qualidade o seu tempo, pois como mora em São Bernardo do Campo e sempre trabalhou em São Paulo, quando funcionária, ela tinha que seguir horários padrões que a levavam a perder cerca de 4 horas no transito diariamente para se deslocar da sua casa até o trabalho. Hoje, trabalha mais, mas diz ter um “tempo de qualidade” em tudo que faz e, que consegue flexibilizar seus horários para evitar os horários de grande fluxo evitando, assim, os congestionamentos.
Outro ponto que as entrevistadas apontam é que, nessa época, elas tinham férias e que, mesmo não trabalhando, recebiam o salário durante esse período, o que não é caso da maioria que ainda não possui a empresa estruturada a ponto de poder sair por um determinado tempo e manterem a renda da família. A realidade de muitas, hoje, é que se não trabalham, não conseguem ter faturamento ao final do mês na empresa, logo, diminui também a renda familiar.
Remuneração
Quanto à questão financeira, a maioria apontou que sua remuneração era superior nessa época de funcionária. Dessas 6 mulheres que fizeram essa afirmativa, 2 deram uma justificativa. Para EB2, ela poderia até – isso antes de falir – ter conseguido aumentar a renda, mas manteve o que já estava habituada a receber, optando por investir na empresa. Para EB10, a justificativa é a mesma, prefere receber um valor menor para investir na empresa. Esses altos e baixos também são relatados por EB5 que também faliu a empresa e por um bom tempo ficou arcando com as dívidas adquiridas nessa época, ressaltando que a renda familiar anda lado a lado com a saúde da empresa, se empresa está bem, a renda familiar também está, se a empresa vai mal isso compromete diretamente a renda da família.
Ainda na questão financeira, 3 mulheres disseram que recebem valores similares se comparado os salários de antes e depois de serem empreendedoras. Apenas EB1 afirmou que, hoje, tem uma renda maior, em razão da empresa, porém, vale ressaltar que a sua empresa já está no mercado há 18 anos.
Ser mãe
No caso de EB5, em seu último trabalho antes de se tornar empreendedora, musicista em uma banda que fazia shows para festas de formatura, acabou mudando o seu ritmo de trabalho, pelo fato de ser a filha ainda bebê. Ela não podia levá-la para tantas viagens, já que boa parte das festas era fora de São Paulo, mas também não podia seguir viagem e deixar sua filha apenas sob os cuidados de sua mãe que, na época, apesar de trabalhar fora a ajudava muito. O que ela afirma ser um ponto importante para que a mulher consiga trabalhar, a ajuda da mãe. EB5 relata uma das atitudes de sua mãe para lhe ajudar.
“Ela chegou a casos extremos de sair com meu pai, quando eles ainda eram casados, ir a um evento que era em São Paulo para levar minha filha para amamentar no intervalo do baile. Saía do palco e ia para o camarim, amamentava e ela levava minha filha embora. Por incrível que pareça” (EB5).
Como é possível perceber, o fato de ser mãe trouxe grandes mudanças não só para a vida pessoal, como também para a vida profissional dessas mulheres. Algumas dessas mulheres, após terem tido filhos, ainda tentaram alternativas antes de sair de vez do trabalho, como foi o caso de EB3 que tentou retomar o trabalho após o nascimento de sua filha caçula, hoje, com 6 anos. Ela permaneceu como funcionária fixa 2 meses após ter voltado da licença maternidade, mas viu que não conseguiria conciliar tudo e começou a trabalhar como freelancer. Ela relata esse processo.
“O que pesou muito para que eu saísse do meu emprego fixo foi porque meu filho teve diarreia. Então ele ficou 4 dias indo para a escola, passando mal, sem força, levava umas 6 trocas de roupa para ele ficar na escola, voltavam todas sujas. Eu não podia parar. [...] Então eu vi que era muita responsabilidade e não valia a pena, pois a gente trabalha para dar uma vida melhor para os filhos e isso não
estava acontecendo. [...] Então arrumei um emprego que eu pudesse trabalhar 3 vezes por semana.” (EB3).
Ao se depararem com a dificuldade de se manterem em um emprego fixo, algumas tentaram o trabalho autônomo – as que ainda não eram autônomas – e é onde as histórias de todas as mulheres deste estudo se encontram, na escolha pelo empreendedorismo como forma de trabalho.