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An Endless Cantonment Life and Exit Options

CHAPTER 4: PRESENTATION AND ANALYSIS OF EMPIRICAL EVIDENCE

4.3 An Endless Cantonment Life and Exit Options

Dando seguimento às nossas reflexões, buscamos possíveis evidências acerca da melhora na qualidade do ensino nas instituições federais de ensino superior investigadas, em função das Ações de Formação nelas presentes.

Sendo assim, ao serem questionadas se haviam evidências de melhora na qualidade do ensino, todas as nossas entrevistadas apontaram em suas falas expressões que revelaram a presença de melhora na qualidade do ensino em função do trabalho desenvolvido pela UAE. Apontamos, primeiramente, a fala de três de nossas entrevistadas:

[...] muitos professores voltavam [...] a gente fazia esse acompanhamento e tinham bons resultados (E1);

[...] os alunos voltavam depois pra comentar conosco. Como é que uma disciplina, como é que ela estava depois da avaliação, as diferenças que eles percebiam e o próprio professor [...] muitos professores, voltavam: a minha avaliação de disciplina é, aconteceu isso, como é que eu poderia fazer pra mudar isso, eu não to satisfeito com esse resultado (E2);

[...] muitos comentavam com a gente que melhorou, mas a melhor resposta da gente era o estudante, estudante que trazia a informação, uai, esse sofria o

processo. Então, eles traziam a informação pra gente, sabe? Então, a gente via que alguns casos melhoravam muito, pela avaliação dos cursos. (E3);

[...] em termos de melhoria da qualidade do ensino, porque as Universidades tão abrindo pra acolher alunos, até então, não acostumados, os professores não estão acostumados a lidar com esses alunos (E4).

Além da ótica do professor, chamou-nos a atenção outro sujeito, também, inserido no processo ensino-aprendizagem, ou seja, o estudante que com o seu olhar sobre a prática docente se comporta, por sua vez, como um sinalizador da melhora na qualidade do ensino universitário, uma vez que ele se encontra diretamente envolvido no referido processo.

Os aspectos apontados nos levam a ratificar nossa premissa na possibilidade de (re) elaboração dos saberes pedagógicos pelos professores universitários por meio da Ação de Formação implementada pela UAE, de modo específico, pela avaliação das disciplinas, em que ambos, professores e estudantes se viram beneficiados em função da referida estratégia.

Ao reconhecermos nas falas de nossas entrevistadas, indícios da possibilidade de contribuição das ações formativas analisadas para a prática dos professores universitários, Herneck (2002) nos alerta que é preciso considerar que

a participação em cursos de formação pode refletir em mudanças significativas na prática educativa, possibilitando processos diferentes de ensino e aprendizagem. Por outro lado, eles também podem levar à alienação, quando há uma aceitação passiva e acrítica pelas participantes. Pode, ainda, ser rejeitada quando os professores não encontram nas propostas dos programas as devidas relações com a sua forma de atuar, quando não encontram respostas às suas perguntas sobre dificuldades com o ensino, quando suas necessidades imediatas não são atendidas. Portanto, os programas de formação continuada precisam considerar, na capacitação, os sujeitos e suas realidades de atuação como elementos indissociáveis (HERNECK, 2002, p. 68).

A partir da fala de nossas entrevistadas e considerando, também, a análise da autora, pudemos inferir que a prática de avaliação das disciplinas, proposta pela UAE, obteve um resultado positivo no que tange à melhora da qualidade de ensino na instituição investigada, já que permitiu aos professores a reflexão acerca de sua prática docente e aos estudantes o reconhecimento da UAE como um espaço em que poderiam se manifestar como participantes do processo ensino-aprendizado.

Referente, por sua vez, às inúmeras atividades administrativas que vêm sendo atribuídas aos docentes, a entrevistada 3 faz uma ponderação. Ela aponta que diante de

ensino não tem nada a ver com a aprendizagem do aluno que, ele ensinando, o resto, se o aluno aprendeu ou não, não é questão dele” (E3).

Esta maneira de conceber o processo ensino-aprendizagem, apontada pela entrevistada, evidencia uma perspectiva tradicional de ensino em que

a ênfase é dada às situações de sala de aula, onde os alunos são „instruídos‟ e „ensinados‟ pelo professor. Comumente, pois, subordinam-se a educação à

instrução, considerando a aprendizagem do aluno como um fim em si mesmo: os conteúdos e as informações têm de ser adquiridos, os modelos imitados (MIZUKAMI, 1986, p.13).

Diante desta perspectiva, podemos, então, nos questionar se tal fato não esteja a corroborar para que muitos professores invistam grande parte de seu tempo e dedicação em funções administrativas e de pesquisa em detrimento do investimento em sua prática pedagógica, levando-os a ignorar, de fato, a relação existente entre o seu ensino e a aprendizagem do estudante.

Quando, também, questionadas sobre as evidências de melhora na qualidade do ensino em função do trabalho desenvolvido pelo GIZ e NAPP ainda duas de nossas entrevistadas afirmaram:

[...] nos seminários, os resultados que os professores têm apresentado, em termos qualitativos, é muito bom, é de muito valor, de muita ressignificação (E4). [...] Os alunos passam a gostar mais [...] os professores relatam que a aula tem sido mais prazerosa, menos enfadonha, menos problema de indisciplina, com as metodologias diferenciadas (E5).

A partir dos termos utilizados pelas entrevistadas como, “ressignificação”, “prazer”, “menos problema de indisciplina”, “metodologias diferenciadas”, pudemos perceber

indícios da melhora na qualidade do ensino.

No que se refere à aprendizagem dos adultos, podemos visualizar nas falas acima algumas percepções, assim como, possíveis resultados advindos da experiência vivida pelos docentes, assistidos pelas formadoras resultando, assim, em uma “aprendizagem

experimental” que, por sua vez, trata-se da “aprendizagem de uma pessoa ao realizar experiências no ambiente” (GARCIA, 1999, p. 56).

Nesta perspectiva, podemos inferir que nossas entrevistadas após realizar as experiências propostas pelo GIZ reconheceram e passaram a atribuir a elas as mudanças

em suas práticas docentes indo, por sua vez, ao encontro das reflexões do autor supracitado acerca da aprendizagem dos adultos.

Por fim, ao analisarmos as falas das entrevistadas, foi possível visualizar, de antemão, a existência de estreita relação entre a qualidade do ensino e as ações formativas desenvolvidas, o que já sinaliza a contribuição das ações formativas analisadas para o processo de (re) elaboração dos saberes pedagógicos dos docentes universitários.