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O Atlas Geossociolinguístico do Pará - ALIPA é um trabalho pioneiro no Estado em termos das pesquisas em Geografia Linguística. Foram anteriormente realizados no Pará alguns estudos no campo dos fenômenos linguísticos que podem ser destacados, apesar de os mesmos não versarem sobre a variação na dimensão geográfica, são eles: Aspectos do falar

paraense: fonética, fonologia e semântica (VIEIRA, 1983), trabalho que versou sobre os elementos fonológicos, lexicais e semânticos presentes na língua portuguesa falada nos municípios paraenses de Alenquer, Itaituba, Óbidos, Oriximiná e Santarém; e Elevação das

pretônicas na fala culta de Belém (NINA, 1991), trabalho que procurou descrever a realização das vogais // e // em contextos CVC11 na capital paraense.

O Projeto ALIPA foi criado em 1996, tendo por finalidade de mapear as variações linguísticas no português falado no Estado do Pará, levando em consideração a diversidade linguística nas dimensões geográfica e social. Atualmente, o projeto pesquisa passou por um reordenamento de atividades, e agora, o Atlas Geossociolinguístico do Pará, que emprestava o nome ao projeto como um todo, constitui o segundo eixo de pesquisa do projeto Geossociolinguística e Socioterminologia (GeoLinTerm)12. A reordenação se deu em virtude de as pesquisa realizadas no âmbito do projeto terem tomado proporções que transpuseram os limites estaduais. Estão envolvidos no projeto pesquisadores de diversos Estados do norte do país: Pará, Amapá, Amazonas, Rondônia e Acre. Além das pesquisas em Dialetologia, Geolinguística e Sociolinguística, foram e estão sendo desenvolvidas, atreladas ao projeto, diversas pesquisas no âmbito da Socioterminologia, tendo sido publicados diversos glossários socioterminológicos em forma de dissertações de mestrado e teses de doutorado.

Segundo Razky e Lima (2011, p. 350),

O desenvolvimento dos estudos lexicais no âmbito do Projeto ALiPA pode ser dividido em três fases. A primeira fase se resumiu ao estudo do léxico da língua geral (de 1996 a 1999); a segunda continuou os estudos da fase anterior, mas ampliou os seus objetivos para a investigação dos léxicos especializados de várias atividades socioculturais da região, tais como a terminologia do caranguejo, da pesca, do Sairé, do alumínio, do cacau, da farinha de mandioca etc. (de 2000 a 2009), e a terceira fase tem dado continuidade às outras duas anteriores, mas amplia seus objetivos de investigação, no que diz respeito tanto à língua geral quanto à língua especializada, para além das fronteiras locais e regionais, abrangendo o território nacional (desde 2010).

11 Consoante, vogal, consoante.

12 Geossociolinguística e Socioterminologia, projeto coordenado por Abdelhak Razky, Marilucia Oliveira e

Alcides Lima integra quatro eixos de pesquisa: 1. O Atlas Linguístico do Brasil - Regional Norte (ALiB-Norte); 2. O Atlas Geossociolinguístico do Pará (ALIPA); 3. Os Atlas Linguísticos Regionais do Norte do Brasil (ALiN); 4. A Terminologia e a Socioterminologia (SocioTerm).

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A publicação mais expressiva vinculada ao projeto GeoLinTerm é o Atlas Linguístico

Sonoro do Pará - ALiSPA (RAZKY, 2004), trabalho pioneiro que inovou o quadro das pesquisas em Geografia Linguística no país, uma vez foi o primeiro atlas linguístico do Brasil a apresentar uma organização de dados em formato de texto e áudio, apresentado em formato de CD-ROM, como apresentamos no tópico 2.1.1.3, para a elaboração do ALiSPA foram mapeados dados fonéticos de 10 localidades representativas das seis mesorregiões paraenses. Foram entrevistados oito informantes em cada ponto de inquérito, estratificados por faixa etária, sexo, escolaridade e renda. Este trabalho constitui, portanto, o primeiro atlas multidimensional publicado no Brasil.

Mais especificamente no âmbito da variação lexical, além desta pesquisa que aqui se apresenta, foram realizados, atrelados ao projeto GeoLinTerm, alguns estudos em quatro das seis mesorregiões paraenses, são eles:

(a) Variação Lexical e Fonética na Ilha do Marajó (MARTINS, 2004);

Este trabalho de iniciação científica elaborou cartas experimentais do léxico de cinco municípios da Mesorregião Marajó (1. Melgaço, 2.Breves, 3. Anajás, 4. Chaves e 5. Salvaterra) que são pontos de inquérito do ALIPA.

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Fonte: Variação Lexical e Fonética na Ilha do Marajó (MARTINS, 2004); (b) Variação Lexical no Nordeste Paraense (COSTA, 2005)

Este trabalho de conclusão de curso mapeou o léxico de quatro municípios da Mesorregião Nordeste do Pará (1. Abaetetuba, 2.Maracanã, 3. Moju e 4. Viseu) que são pontos de inquérito do ALIPA.

Figura 21: Carta 21 – Pessoa Sovina***Mão de Vaca –ALIPA/MN

Fonte: Variação Lexical no Nordeste Paraense (COSTA, 2005);

(c) Variação Lexical no Sudeste do Pará (FEITOSA, 2006)

Este trabalho de conclusão de curso mapeou o léxico de quatro municípios da Mesorregião Sudeste do Pará (1. São Geraldo do Araguaia, 2. Xinguara, 3. Redenção e 4. Conceição do Araguaia) que são pontos de inquérito do ALIPA.

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Figura 22: CARTA 03 – PESSOA SOVINA***/MÃO DE VACA – ALIPA/MS

Fonte: Variação Lexical no Sudeste do Pará (FEITOSA, 2006);

(d) Variação Lexical em quatro Municípios da Mesorregião Metropolitana de Belém (GUEDES, 2007)

Este trabalho de conclusão de curso mapeou o léxico de quatro municípios da Mesorregião Metropolitana de Belém (1. Santo Antonio do Tauá, 2. Santa Izabel, 3. Castanhal e 4. Bujaru) que são pontos de inquérito do ALIPA.

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Figura 23: CARTA 21 – PESSOA SOVINA***/MÃO DE VACA – ALIPA/MMB

Fonte: Variação Lexical em quatro M. da M. Metropolitana de Belém (GUEDES, 2007)

Os trabalhos referidos nessa seção (2.1.3) foram orientados pelo professor Abdelhak Razky, e utilizaram a metodologia e partes do corpus já coletado para a elaboração do Atlas Geossociolinguístico do Pará - ALIPA.

Tratando da variação no léxico do português, também foram realizados (atrelados ao projeto GeoLinTerm) trabalhos que mapearam dados pertencentes ao corpus do ALiB, como:

Variação lexical em 21 capitais brasileiras (CIDADE, 2008) e Variação lexical nas capitais

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3 CONTEXTO E INSTRUMENTOS

Esta pesquisa segue o modelo teórico da Dialetologia e a metodologia cartográfica da Geolinguística. Os dados foram tratados levando em consideração as seguintes variáveis: diatópica, que se refere à disposição espacial (geográfica) dos pontos de inquérito selecionados; diagenérica, referente ao sexo dos informantes e diageracional, relativa à faixa etária dos informantes selecionados.

Descrevemos a seguir os aspectos mais relevantes no que tange à metodologia utilizada13, como o perfil dos informantes entrevistados, a estrutura e composição do QSL (Questionário Semântico-lexical) aplicado e os procedimentos realizados para a elaboração das cartas lexicais. Inicialmente, apresentamos um levantamento de dados histórico-sociais do Estado do Pará. No anexo B trazemos o levantamento do mesmo gênero referente a cada um dos doze municípios selecionados para compor o corpus da pesquisa.