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Inicialmente foi concebida uma lista de critérios de avaliação, que foi sendo completada ao longo do estudo realizado e de toda a literatura analisada. Posteriormente, após uma análise, esses critérios foram revistos e ajustados.

3.1.1. Expressividade

O primeiro critério de análise é a expressividade. Este critério procura avaliar a linguagem quanto à sua capacidade de representação, sendo por isso um critério especialmente focado sobre os elementos de cada notação de forma a aferir se esses elementos servem todos os propósitos e necessidades dos mais variados modelos, desde os mais simples até aos mais complexos. É um critério que pode ser avaliado de diversas formas, recorrendo às dimensões de Curtis associando-as aos elementos processuais de cada notação, até a análise de padrões através dos patterns de Van der Aalst, por exemplo.

3.1.2. Formalismo

O critério de formalismo está diretamente associado ao facto da existência de uma descrição e definição formal de cada notação. Ou seja, se cada notação tem ou não uma definição formal de todos os seus elementos, assim como regras claras sobre a utilização de cada um. Como, do

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ponto de vista da formalidade ou precisão, são as linguagens definidas? Algumas notações têm um conjunto de elementos bem definidos, com uma semântica formal que deve ser rigorosa- mente seguida. Outras linguagens podem ter apenas um conjunto de diretrizes capazes de guiar a fase de modelação. Relativamente às linguagens formais, estas estão geralmente bem posicio- nados para fornecer uma representação mais precisa dos processos, garantindo assim a análise específica e detalhada dos processos. No entanto, podem ser menos flexíveis em termos de modelação de processos ambíguos com envolvimento humano.

3.1.3. Concisão

A concisão também é um critério relevante na escolha de uma notação de modelação de pro- cessos. Este critério pretende avaliar o “poder” de representação de todos os elementos que compõem a linguagem mantendo um elevado nível de simplicidade. Neste critério o grande obje- tivo é avaliar a maior ou menor capacidade de representar as várias facetas de um processo recorrendo a um menor conjunto de elementos. Isto irá traduzir-se numa simplificação e diminu- ição do trabalho do modelador e por outro lado permitirá analises mais rápidas e seguras, que modelos de menor dimensão permitem. É um critério que pode ser medido por um estudo exaustivo dos elementos de cada notação e o seu nível de relevância e representação.

3.1.4. Usabilidade

Este é um critério muito importante para quem realiza a modelação dos processos. Tem como objetivo medir o quão difícil é entender e usar a notação de modelação de processos, tanto para analistas como para os modeladores. Muitas notações existentes utilizam elementos gráficos simples e fáceis de entender, limitando-se a linhas orientadoras e retângulos. Já outras lingua- gens utilizam um vasto conjunto de símbolos e muitas vezes formulação matemática mais com- plexa de compreender e utilizar pelos modeladores dos processos ou mesmo utilizadores com perfis menos técnicos.

A avaliação deste tipo de critérios deve ter por base a própria experiência das pessoas durante a criação dos modelos, onde se deve avaliar a facilidade de criação de modelos nas linguagens em análise, identificando os principais problemas detetados e onde se encontraram as principais dificuldades. Resumindo, é um critério que promove a avaliação da facilidade de uso das nota- ções.

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3.1.5. Amigabilidade

Neste critério está em causa a importância do aspeto gráfico da notação utilizada, ou seja, deve- se procurar uma notação que não seja muito complexa em relação aos elementos e relações entre os mesmos. Se a linguagem for graficamente muito complexa o analista terá sérias dificul- dades para transformar o seu conhecimento dos processos num conjunto de atividades interco- nectadas, ou seja, num modelo. Já para o modelador uma notação graficamente agradável pode ajudar e muito o seu trabalho, facilitando a identificação dos elementos pretendidos e necessá- rios para fazer face ao resultado esperado para o modelo final. Uma notação que contenha ele- mentos bastante complexos e pouco específicos quanto à sua utilidade perde significativamente os seus utilizadores. Este é também um critério com base de avaliação e análise na experiencia e visão de utilizadores das notações em análise.

3.1.6. Legibilidade

A legibilidade é um dos critérios mais importantes a ter em conta na avaliação de uma notação e entende-se como a facilidade de interpretar os processos por todas as partes interessadas, como os analistas de negócio, os modeladores técnicos e não técnicos destes processos, assim como a própria administração das organizações. Desta forma é muito importante, independentemente da finalidade do projeto, a escolha de notações que ofereçam modelos que sejam intuitivos e fáceis de entender. Reforçando a ideia, já que os modelos serão criados, modificados e interpre- tados por pessoas provenientes de diferentes ambientes, a legibilidade de uma linguagem de modelação é uma característica que está também dependente da capacidade e do conhecimen- to do intérprete. Por isso não é um critério facilmente mensurável. No entanto, alguns investiga- dores já abordaram este tema. No fundo, a legibilidade é a facilidade que uma notação pode ser compreendida por parte de todas as partes interessadas, mesmo aquelas que não têm conhe- cimentos especializados da linguagem.

3.1.7. Flexibilidade

Uma notação ter elementos gráficos que lhe permitam um elevado nível de flexibilidade e dê várias alternativas de modelação é um fator privilegiado por alguns modeladores. Elementos que limitem muito a capacidade de expressão e não sirvam a vasta abrangência que está associada a vários tipos de processos que suportam uma organização, restringem também a capacidade do utilizador.

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Por isso, uma notação que seja capaz de se adaptar às diversas necessidades de cenários orga- nizacionais cada vez mais abrangentes é muito importante na seleção de uma notação, esta capacidade das notações pode ser interpretada através de um estudo sobre a abrangência e características de todos os elementos que compõem cada linguagem de modelação.

3.1.8. Ferramentas de Suporte

Este é também um critério com bastante relevância pois é importante que a linguagem escolhida disponha de uma variedade de soluções de suporte à sua implementação. Existem já no merca- do vários pacotes de software amplamente utilizados que permitem ao analista ou modelador do processo de negócio, dispor de uma ferramenta profissional e testada pelas mais variadas orga- nizações. Este é um fator muito importante aquando da escolha de uma notação, ou seja, per- ceber se existem ou não ferramentas capazes de dar uma resposta adequada a uma modelação complexa e bem estruturada, para uma determinada linguagem de modelação. Quanto maior for o número de alternativas disponíveis e mais completas forem essas ferramentas maior será a base de escolha que teremos e a probabilidade da opção recair sobre uma notação que permita ter um leque alargado de ferramentas para escolher e de uma forma livre de preferência.

3.1.9. Universalidade

O facto de uma notação ser suficientemente reconhecida num universo alargado e isso presumir alguns benefícios tais como maior apoio de uma comunidade de utilização ativa, ou maior proximidade do utilizador e do desenvolvedor, pode ser levado em conta no momento de escolha de uma determinada notação de modelação de processos. Este critério poderá ser analisado com base numa pesquisa sobre a amplitude global da aplicação e utilização de cada linguagem no âmbito da modelação de processos de negócio.

3.1.10. Trabalho Colaborativo

Uma avaliação também muito relevante sobre linguagens de modelação de processo prende-se com os aspetos colaborativos. Cada vez mais em voga nas organizações e espelhado também nos seus processos de negócio, já que o trabalho em equipa é um fator importante no sucesso das decisões organizacionais. Nos dias de hoje não só em situações presenciais mas, com suporte das TIC encontros virtuais são constantes e rotineiros no dia-a-dia organizacional. Reuniões que promovem o trabalho colaborativo, onde dois ou mais indivíduos partilham o

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mesmo objetivo e se envolvem na execução das mesmas tarefas. Este é um critério que pode ser observado e analisado a partir de um estudo realizado sobre esta função nas diferentes linguagens.

3.1.11. Facilidade de Aprendizagem

Um critério que deve ser levado em conta na escolha da notação é a curva de aprendizagem que a ela está associada. Isto é, se uma determinada notação encerra um maior ou menor esforço necessário para ser dominada e mostrar-se produtiva. Este é um critério especialmente importante para um modelador iniciante que não domina uma ferramenta específica e que procura rapidamente uma utilização exaustiva da notação de forma a conhecê-la e retirar benefícios da mesma num espaço de tempo muitas vezes curto e limitado. A este nível uma análise, junto de utilizadores das notações em estudo pode determinar a avaliação deste critério de uma forma equilibrada.

3.1.12. Facilitador da Inovação

O facto de uma notação promover a inovação e criatividade na representação dos modelos ou na própria estruturação dos mesmos é algo que desperta o fascínio de alguns modeladores. A possibilidade e a sensação de liberdade que algumas notações possam dar aos seus utilizadores pode ser um fator visto por muito como algo muito positivo e um aspeto com relevância no momento da escolha de uma linguagem por parte de utilizadores mais criativos. Resumidamente, este critério refere-se à maior ou menor facilidade com que induz os modeladores a descobrir novas soluções. Este critério pode ser analisado com base no estudo feito à panóplia de elementos e à sua capacidade de representação, que estão presentes em cada notação.

3.1.13. Alvo de Evolução

O mundo não pára e utilizar algo que está estagnado no tempo é parar também. É importante para muitos utilizadores de notações de modelação de processos que estas sejam constantemente alvo de evolução e melhoradas para que transportem consigo cada vez mais e melhores capacidades que sirvam os reais interesses de quem as utiliza. Este é um critério que já não tem tanto a ver com a capacidade da notação em si mas com o próprio suporte que cada uma tem na sua base. Trata-se de um critério que mesmo parecendo de avaliação óbvia e

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relativamente simples, envolve um estudo detalhado acerca dos criadores e “investidores” presentes em cada notação, assim como sobre todo o seu histórico de evolução ao longo dos tempos. São estes dados importantes para avaliar a notação quanto à sua capacidade evolutiva.

3.1.14. Finalidade

Num estudo da escolha da notação de modelação de processos a adotar é muito importante perceber o que se pretende realizar com os modelos finais dessa mesma modelação, ou seja, é necessário que a linguagem permita a automação e execução dos processos ou apenas realizar análises e manipulações sobre os processos? Algumas notações de modelação só permitem que os analistas ou modeladores possam descrever um processo de uma forma estática, enquanto outras linguagens também fornecem ferramentas automatizadas para simulação e execução dos processos. Por isso mesmo este também é um critério importante aquando da escolha de uma notação, ou seja, perceber se tem ou não relevância a finalidade do modelo? Pois por exemplo se quisermos um modelo executável, notações apenas de caracter analítico dos processos são automaticamente descartáveis.