6.2 OpenCV - objektbasert matching
6.2.3 Alternative funksjoner
A biossegurança constitui uma área de grande relevância, tanto para a creche, instituições e empresas públicas quanto para as de caráter privado que, de alguma forma, durante suas operacionalizações, produzem ou descarregam no meio ambiente, substâncias capazes de, por si só ou em interação com outras condições ambientais, oferecer riscos para o próprio ambiente e também para o homem que, direta ou indiretamente, as manuseia.
No cotidiano da creche, presenciamos várias ações e atitudes inadequadas, enquanto conseqüência do trabalho desenvolvido com as crianças, possibilitando a ocorrência de riscos, tanto individuais, quanto coletivos e ambientais. Segundo Dejours (1986) os riscos são determinados pela forma como o trabalho é concebido e, principalmente, como é organizado e planejado pelo homem.
Observamos, ainda, no interior da creche, que o fato das crianças estarem diariamente compartilhando um espaço coletivo facilita a transmissão de infecções, principalmente, respiratórias e intestinais. Acrescentam-se a este risco de adoecer
outros fatores como a vulnerabilidade da faixa etária de 0 a 6 anos, espaço físico inadequado, profissionais pouco qualificados e as condições de vida das crianças atendidas na creche estudada, provenientes de seguimentos sociais menos favorecidos. Para tanto, a Biossegurança foi uma das ações prioritárias que elegemos no momento da intervenção. Entendemos que a educação conscientizadora assume relevância em qualquer programa de biossegurança, por meio de estratégicas participativas e motivadoras, capazes de criar nos profissionais não só a responsabilidade social, mas principalmente, a consciência de que podem atuar de forma a preservar o meio ambiente, a melhorar a qualidade de vida e a proteger a própria vida.
Para Nogueira (1996), a inclusão da biossegurança na visão gerencial da qualidade não está restrita aos trabalhadores da área da saúde. Pode-se afirmar que faz parte de uma tendência mundial, diante de novos padrões de comportamento em relação à preservação do meio ambiente, da própria vida e das relações internas à comunidade.
Há uma preocupação específica, de nossa parte, com os trabalhadores de creche, que desempenham suas atividades, muitas vezes, sem equipamento de proteção, sem o hábito de lavar as mão e, até mesmo sem questionar acerca de sua segurança pessoal, ficando expostos aos riscos ocupacionais e expondo as crianças e suas famílias. O uso de assepsia e as barreiras apropriadas para diminuir o risco de contaminação e infecções são essenciais no cuidado de crianças pequenas, pela sua vulnerabilidade aos microrganismos.
Teixeira & Valle (1996) conceituam a biossegurança como o conjunto de ações voltadas para a prevenção, minimização ou eliminação de riscos inerentes às
atividades de pesquisa, produção, ensino, desenvolvimento tecnológico e prestação de serviços, riscos que podem comprometer a saúde do homem, dos animais, do meio ambiente ou a qualidade dos trabalhos desenvolvidos. Os autores elaboraram um conceito bem amplo que não se limitou à saúde do trabalhador mas estendeu-se ao meio ambiente.
Para Hoefel & Schneider (1997p.356), biossegurança “é o conjunto de
normas e procedimentos considerados seguros e adequados à manutenção da saúde em atividades de risco em aquisição de doenças profissionais”. Este conceito
evidencia um aspecto específico da proteção profissional e reflete muito bem a preocupação com os acidentes de trabalho a que se expõem os trabalhadores e usuários, principalmente, aos riscos biológicos.
Esses riscos biológicos representam a possibilidade de contato com material biológico, como o sangue ou outro fluido orgânico, que pode veicular agentes biológicos patogênicos, causadores de danos à saúde do homem. Os agentes biológicos capazes de produzir estes danos são todos os microrganismos: vírus, bactérias, fungos, protozoários, parasitas e bacilos.
Exposição ocupacional foi definida como sendo o contato com o sangue ou outro material biológico, potencialmente infeccioso, no ambiente de trabalho. Este contato ocorre através de injúrias percutâneas (perfurações com objetos cortantes) ou mucocutâneas (respingos ou espirros em membranas, mucosas da boca, nariz e olho) e, ainda, contato direto com pele lesionada (Brevidelli, 1997; Monteiro et al. 1999).
Durante a campanha da verminose realizada na creche estudada no ano de 2002, constatou-se que 46% das crianças usuárias apresentaram ovos de Ascaris
Lumbricóides; 32% não apresentaram nenhum parasita; 12% apresentaram cistos de Giárdia Lamblia e 10% apresentaram outros parasitas.
Do pessoal que trabalhava na creche, nesse mesmo período, 50% apresentaram ovos de Ascaris Lumbricóides; 25% cistos de Giárdia Lamblia e 25% não apresentaram nenhum parasita.
Em contato constante com as fezes das crianças durante a troca de fraldas no momento da higienização e do banho, sem a utilização de equipamentos de segurança e de procedimentos adequados, os trabalhadores da creche estudada ficam expostos à contaminação pelos parasitas veiculados nas fezes das crianças usuárias.
As infecções cruzadas também são riscos ocupacionais que devem ser evitados . Muitas vezes a criança apresenta morbidades mais freqüentes na faixa etária do 0 aos 6 anos como as encontradas nas crianças da creche estudada, num levantamento realizado em 2002 quando se verificou na faixa etária de ≥ 6 meses ≤ a 2 anos uma maior incidência de gripe (54,7%) e amigdalite (21,4%). Nas crianças na faixa etária > 2 anos ≤ 4 anos, prevaleceram gripe e diarréia, com (41,6%) e (22,2%), respectivamente. Em crianças na faixa etária > 4 anos ≤ 6 anos, constatou-se que 40,9% apresentaram gripe e 22,8% amigdalite, nos permitindo ressaltar a importância do uso de técnicas assépticas e as barreiras apropriadas para diminuir riscos de contaminação e infecção no coletivo da creche. Isto coloca o cuidado e a educação para a saúde entre as dimensões essenciais na luta pela ampliação de viver o direito à saúde com a adoção, no interior da creche, de ações preventivas.
Alguns procedimentos preventivos devem ser incorporados à rotina da creche, tanto para prevenção de infecções cruzadas entre as crianças, como medidas de segurança no trabalho, em especial, lavagem das mãos antes e depois de prestar
cuidados a qualquer criança para se evitar a infecção cruzada; uso de material individual descartável, quando possível, e ter procedimentos adequados para limpeza e desinfecção dos objetos pessoais reutilizáveis; cuidado com os materiais perfuro- cortantes para prevenir ferimentos durante o seu uso; acondicionar corretamente o material usado (roupas, lixo, etc.) em saco próprio evitando o manuseio inadequado; seguir as normas de controle ambiental, como adequada rotina de limpeza diária e desinfecção dos ambientes; manter em dia a vacinação das crianças e do pessoal, uso adequado de máscaras, luvas e outros EPI (Equipamentos de Proteção Individual).
A consolidação das Leis do Trabalho (CLT) no Brasil, aprovada em 1943, regulamentou as relações individuais e coletivas de trabalho. No seu capítulo V, destaca-se a segurança e medicina do trabalho, as formas de proteção à saúde do trabalhador, como a instituição de medidas preventivas e de reparos aos possíveis danos causados a essa saúde (Campanhole & Campanhole, 1996).
Com o avanço da medicina e com o processo de industrialização que trouxe no seu bojo maiores reivindicações por salários e condições de trabalho, a saúde do trabalhador foi conquistando espaço.
É incontestável a importância da Revolução Industrial (século XVIII) e segundo Bensoussan et al. (1988), o impacto na mudança da natureza e das condições de trabalho levou à multiplicação dos problemas de saúde tanto físico quanto mentais no trabalhador, à elevação dos índices de acidentes e o conseqüente aumento da taxa de mortalidade de homens, mulheres e crianças, e ao aparecimento de novas doenças ocupacionais.
Lamentavelmente, essas condições ainda se mantêm, de maneira mais ou menos idêntica, em alguns setores produtivos e não são incomuns em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento.
Esta é uma questão complexa que envolve distintos padrões ideológicos, sociais e econômicos. De acordo com Bensoussan et al. (1988,p.3):
“Na prática observa-se que a melhoria das condições de trabalho e a adoção de medidas preventivas para o bem estar do trabalhador estão ligadas ao aumento da complexidade do processo produtivo e conseqüente aumento no nível de especialização do trabalhador, à carência de mão-de-obra e do aumento de conscientização e organização dos trabalhadores”.
Na década de 70, a Organização Mundial de Saúde – OMS (1973), através de um grupo de especialistas, discute-se a necessidade de atenção especial à promoção e manutenção da saúde dos trabalhadores. Destaca-se a importância de identificar e prevenir os riscos no local de trabalho (físicos, mecânicos, biológicos, químicos e psicossociais), eliminar os riscos do ambiente de trabalho, adequando as condições, de forma a garantir segurança e proteção ao trabalhador no desempenho de suas atividades, implementar programas de educação que orientem os trabalhadores acerca da proteção e promoção de sua saúde e de estabelecer programas empresariais que visem à promoção, à prevenção e à recuperação da saúde do trabalhador.
Contudo, mudanças substanciais somente ocorrerão quando efetivamente se der o resgate do homem no processo produtivo. Neste momento, o trabalho poderá vir a ser a fonte de vida e deixará de ser luta pela sobrevivência. A atuação dos
profissionais de saúde, neste contexto, deverá, então, ultrapassar os limites tecnocráticos ligados à recuperação de trabalhadores, para sua reincorporação à produção ou à prevenção de riscos de trabalho e poderá, aí, sim enfrentar as causas geradoras do problema. Trata-se, portanto, de atuar nos motivos das condições de risco. Para tanto, não basta constatar o risco e preveni-lo, o verdadeiro desafio está em eliminá-lo, tendo como parâmetro e valor o ser humano (Bensoussan et al. 1988).
Entre os fatores responsáveis pela adaptação entre “homem x trabalho” estão a utilização de técnicas de segurança e higiene no trabalho. Vaquero Puerta & Ceña Vallejo (1996) expressam que a segurança trata da prevenção de acidentes de trabalho nos diferentes níveis da prevenção, evitando causas e fatores de riscos; da proteção, evitando as conseqüências e danos humanos, ainda que o acidente chegue a ocorrer repetidas vezes e trata também da reparação dos danos. Em relação à higiene do trabalho, colocam que consideram-na como a técnica que tem por objetivo evitar as enfermidades profissionais, aplicadas no ambiente de trabalho, evitando assim, as enfermidades profissionais nos indivíduos expostos.
Entre os fatores de riscos relacionados ao trabalho, Silva (1996) menciona os riscos físicos como procedentes das condições do ambiente, tais como calor, frio, ventilação, iluminação, ruídos, ambientes causadores de traumatismos e feridas, os mobiliários e aparelhos geradores de radiações ionizantes ou não; os riscos químicos procedentes da utilização de substâncias químicas, produtos de limpeza, esterilização e desinfecção, manipulados sem levar em conta as medidas de proteção, podendo ocasionar irritações, sensibilizações alérgicas, danos sobre diversos órgãos, más- formações congênitas, mutações e câncer; os riscos biológicos, devido à exposição aos microrganismos, agentes de infecção, manuseio de materiais contaminados entre
outros. Mesmo com a utilização das medidas de prevenção como o uso de barreiras físicas, equipamentos de proteção individual (EPI), químicas (anti-sépticos), biológicas (vacinas), ainda assim, o trabalhador corre o risco de contrair enfermidades infecciosas ou não infecciosas. Existem, também, riscos para os usuários, pelo cruzamento de infecções, e para o ambiente, pela eliminação dos mais variados tipos de resíduos, muitas vezes, sem o devido tratamento.
É necessário que se estabeleçam normas de conduta por parte de todo o pessoal que trabalha na creche, para alcançar um nível satisfatório de segurança, diante dos riscos, usuais ou esporádicos que o trabalho, num espaço coletivo, gera para o próprio trabalhador, as crianças, as famílias e o meio ambiente.
Para garantir a redução dos riscos ocupacionais para o pessoal da creche e as crianças usuárias, algumas medidas devem ser implementadas, como as precauções padrão a todos os fluidos corpóreos; o sangue; secreções e excreções, exceto suor, independente de conter ou não sangue visível, pele não íntegra e, membranas mucosas. As medidas de precaução destinam-se a reduzir o risco de transmissão de microrganismos. Essas medidas incluem, principalmente, a utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), lavagem das mãos, adequada assepsia dos alimentos, materiais, objetos pessoais da criança e do ambiente.
Os EPI representam barreiras protetoras ao contato com sangue ou fluídos corpóreos (urina, fezes, escarro, entre outros). São considerados básicos para proteção dos profissionais, para limpeza e desinfecção das unidades, transporte de lixo e roupa usada e no cuidado com o usuário, que segundo Garner (1996) deve usar luvas, máscaras, óculos protetores e avental.
As luvas são indicadas sempre que houver contato com sangue, e outros fluidos corpóreos, membranas mucosas ou pele não íntegra; para manuseio de materiais ou superfícies sólidas com sangue ou fluidos corpóreos.
As luvas devem ser trocadas quando contaminadas e, tão logo seja possível, se elas forem rasgadas ou perfuradas. Segundo Bolyard & Bell (1997) o uso de luvas não oferece proteção absoluta contra o contato com o sangue quando contaminado. Mas, com outras medidas, como lavagem das mãos após a remoção de luvas, elas reduzem a freqüência de contato do sangue com as mãos.
As mãos e outras superfícies da pele devem ser lavadas imediatamente e completamente, se contaminadas com sangue ou outros fluidos corpóreos. As mãos devem ser lavadas antes de calçar as luvas, imediatamente após a sua remoção e, antes e após a realização de qualquer procedimento. A lavagem das mãos com sabão, além de produzir uma limpeza eficiente, remove a sua microbiota transitória (Bolyard & Bell, 1997).
Os aventais ou uniformes devem ser usados durante a realização de procedimentos que apresentam a possibilidade de contato com material biológico.
Máscaras e óculos de proteção devem ser utilizados na execução de procedimentos nos quais há a possibilidade de contaminação através da fala, ar, tosse e espirros de pessoas com doenças infecto-contagiosas, possibilidades de respingos de sangue e outros fluidos corpóreos das mucosas da boca, nariz e olho.
Apesar de estarem bem estabelecidas às medidas de precauções padrão, estudiosos revelam que grande parte dos trabalhadores desconhecem essas medidas de segurança e aqueles que a conhecem apresentam resistência em aderir a elas.
A educação é uma forma potencial para implementar estratégias de prevenção que contemplem o aumento de conhecimentos, a alteração de percepções e, sobretudo, a mudança de práticas.