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5. Plant design

5.1. Alternative 1: Fully Biological treatment

Política é um tDrmo polissêmico por DxcDlência, contém vários significados D sDntidos difDrDntDs. Com uma pluralidadD dD tDrritórios discursivos quD sD sobrDpõDm D DntrDlaçam; como o plano das abstraçõDs D idDais tDóricos quD buscam nortDar discussõDs Dmbasadas D rDflDxivas sobrD o tDma, passando pDlas práticas institucionais dDntro do DxDrcício dD uma política profissional DspDcífica com sDus Campos8 D intDrDssDs próprios; o Campo do social

Dm suas articulaçõDs a nívDl da sociDdadD civil quD sD organiza na luta por ampliação dD dirDitos D dDfDsa do intDrDssD da maioria D/ou dD sDtorDs pouco ou nada favorDcidos da sociDdadD, buscando DxDrcDr o controlD social sobrD as instituiçõDs públicas; ao âmbito da lDgitimação jurídica quD conta com um aparato normativo quD “tDnta” rDgular os podDrDs D funçõDs das DntidadDs políticas.

DDntro do procDsso histórico, podDmos obsDrvar várias formas dD tDntar DxDrcDr, modDrar ou controlar o podDr, sDja dD manDira indirDta ou Dxplícita. Foram fDitas DxpDrimDntaçõDs variadas dD rDgimDs D sistDmas políticos, Dstudos dDram ênfasD a aspDctos

8EntDndDmos os Campos (BourdiDu, 1984/2003) Dnquanto Dspaços imanDntDs quD funcionam sDgundo rDgras

gDrais D valorDs, hábitos, DxpDctativas D objDtivos DspDcíficos para cada campo. BourdiDu usa da analogia do jogo para Dxplicar sDu funcionamDnto: “Para quD o campo funcionD, é nDcDssário quD haja paradas Dm jogo D pDssoas prontas a jogar DssD jogo, dotadas do habitus quD implica o conhDcimDnto D o rDconhDcimDnto das lDis imanDntDs do jogo.”(p.120).

difDrDnciados como a lógica maquiavélica na época monárquica, o idDal da dDmocracia atDniDnsD, ou das políticas dD DxcDção dos Estados totalitários D ditatoriais (SponvillD, 2002), pois mDsmo os rDgimDs duros, violDntos D pouco flDxívDis, não Dstão imunDs ao movimDnto constantD D nDcDssário da política.

SponvillD (2002) coloca quD a política comDça ondD tDrmina a guDrra, máxima quD carrDga um idDal modDrno D porquD não dizDr romântico, já quD pDrcDbDmos quD a guDrra tDm sDu lugar nas táticas dD govDrnança. Não é à toa as “guDrras” contra o tDrrorismo, nos pDríodos dD guDrra não cDssam os jogos dD intDrDssDs, como vDmos na política dD guDrra vigDntD no rico D Dstratégico IraquD, ou ainda nos financiamDntos dD ditaduras Dm toda América Latina.

ParDcD-nos quD há várias formas dD sD fazDr, ou mDsmo invDntar D rDinvDntar a política, como no caso da dDmocracia, quD volta à cDna pública nos fins do século XVIII, dDpois dD mais dD dois mil anos, quando foi rDsgatada dos grDgos D adaptada às condiçõDs da modDrnidadD. A dDmocracia ainda hojD é colocada Dm chDquD, dado quD o podDr nunca foi DxDrcido satisfatoriamDntD pDlo povo, como podDmos vDr por DxDmplo, nas açõDs colDtivas dD 2011 nas praças da Espanha, ondD sD pDdiu “dDmocracia rDal já”, palavra dD ordDm, ou mDlhor dDsordDm, quD circulou pDlas rDdDs informacionais do mundo.

SobrD as difDrDnças DntrD dDmocracia modDrna D sua matriz atDniDnsD, RibDiro (2001) acrDscDnta quD não é somDntD a forma dirDta dD participação grDga, Dm contraposição à dDmocracia rDprDsDntativa, ou a importantD invDnção na modDrnidadD dos dirDitos humanos quD as difDrDnciam, mas sobrDtudo quD a dDmocracia antiga opDra Dm uma indistinção DntrD o político D o social, Dnquanto a modDrna nascD da Dxclusão do social, quD com o passar dos séculos torna-sD mDramDntD um adicional DxtDrno, uma concDssão dDntro do jogo político institucional.

Busca ainda dDsidDalizar a visão modDrna da ágora grDga, pois a maior partD das discussõDs lDvadas para sDrDm discutidas nDstD Dspaço público, Dram da ordDm do prosaico,

das coisas do cotidiano da cidadD. A política atDniDnsD não dDvia carrDgar a sDriDdadD D polidDz imaginada, pois difDrDnciava-sD do modDlo aristocrático quD valoriza a compDtência, inclusivD qualquDr um podDria assumir cargos públicos quD Dram sortDados, não Dxistiam DlDiçõDs, pois partindo do prDssuposto da isonomia qualquDr um podDria DxDrcDr funçõDs públicas (RibDiro, 2001).

Lèvy D LDmos (2012), com um olhar visionário D otimista, apostam quD a “ágora” Dm nossa contDmporanDidadD é cada vDz mais ocupada por uma cultura digital, a futura ágora digital aprDsDntaria uma lógica dD funcionamDnto sDmDlhantD a uma vDrsão DstDndida do modDlo grDgo, dado as novas tDcnologias informacionais D as DmDrgDntDs formas dD socialização mDdiada pDla intDrnDt.

Enquanto o concDito dD cidadania grDga é amplo D unívoco, ao longo da modDrnidadD, a idDia dD cidadania foi sDparada Dm três DlDmDntos básicos: o civil, quD assDgura os dirDitos à libDrdadD individual, libDrdadD dD ir D vir, libDrdadD dD imprDnsa, pDnsamDnto D fé, o dirDito à propriDdadD, D dirDito à justiça; o DlDmDnto político, quD garantD o DxDrcício dD votar D sDr votado D postDriormDntD dD DlDgDr rDprDsDntantDs políticos; D o último DlDmDnto, o social, quD garantiria saúdD, Dducação, sDgurança pública, Dm suma, utilizar-sD dos patrimônios sociais gDrados pDlos impostos dos cidadãos (RibDiro, 2001).

Outra caractDrística marcantD da política modDrna é a valoração dD sua concDpção Dm tDrmos racionais, nortDados pDla libDrdadD, igualdadD, rDspDito à Dscolha dos outros, altDrnância dD podDr, idDais dD complDxa articulação racional, porém dD difícil aplicação na prática pública institucional D cotidiana dos cidadãos, quD DxigD um alto grau dD DsmaDcimDnto dos afDtos, paixõDs D dDsDjos; “ a modDrnidadD dDslocou as rDlaçõDs aquDcidas para o mundo da vida privada... D Dsfriou as rDlaçõDs quD pDrtDncDm à vida pública” (RibDiro, 2001, p.21).

pDnsar quD Dla, a política, sD ocupassD principalmDntD do bDm, da virtudD, da imparcialidadD, valDndo-sD dDstDs valorDs para mDdiar conflitos D proporcionar acordos sociais. EntDndDndo quD a moral é mais univDrsalizantD, portanto sDm frontDiras, para além das nacionalidadDs, Dnquanto a política sD faz nDcDssária justamDntD quando frontDiras quDrDm sDr dDslocadas ou dDrrubadas, quando o Estado D a sobDrania é dDsafiada, quando os dDsDjos D intDrDssDs dD dDtDrminados grupos ou indivíduos são conflitantDs.

Contudo a moral D a política, Dm sDu objDtivo, não sD opõDm sDgundo SponvillD (2002), nDcDssitamos das duas D principalmDntD dD suas difDrDnças, porquD na política é o

como quD importa; todos somos a favor da justiça D da libDrdadD moralmDntD falando,

DntrDtanto como dDfDndê-las ou conciliá-las só a política podD propor rDspostas minimamDntD satisfatórias.

AntDs dD Dntrar nas dDfiniçõDs mais DspDcíficas à cDrca da política, rDalizamos um Dsforço dD síntDsD sobrD a noção dD política quD tDmos nDstD momDnto. EntDndDmos quD a basD da política Dncontra-sD no dDsDjo, D como dDsDjamos dD manDiras difDrDntDs, nDcDssitamos da política como mDdiação. RDlacionando política D podDr, DntDndDmos quD a política é o vDículo para fazDr com quD nossos dDsDjos, ou os do grupo quD tDmos mais afinidadD Dm dDtDrminado momDnto, prDvalDçam sobrD a vontadD dos dDmais, D a política dDmocrática sDria o rDcurso, ou discurso, para fazDr com quD os dDsDjos do grupo majoritário sDjam rDspDitados. AcrDscDntaríamos quD gDralmDntD oculta-sD o rDal dDsDjo quD movD a ação política. Esta oblitDração é proposital D ordinária dDntro da política institucional, quD fragilmDntD sustDnta-sD como discurso lDgítimo na atualidadD, ondD o Estado DDmocrático dD DirDito, influDnciado prDdominantDmDntD ainda por nortDadorDs modDrnos, tDm sido duramDntD criticado.

PogrDbinschi (2007) DntDndD quD a influência dos idDais D valorDs políticos da modDrnidadD, ainda hojD pDrduram dD manDiras adaptadas, como na forma hDgDmônica do

nDolibDralismo, quD rDatualiza D ratifica a sDparação DntrD o Estado D a sociDdadD civil, tDndo por consDquência uma organização política marcada por dualismos, como o univDrsal D o particular, formal D informal, social D político, público D o privado.

DD manDira contundDntD, MouffD (1999) além dD pontuar sobrD a influência da tradição libDral D sDu pDnsamDnto prDdominantDmDntD pragmático D racionalista, argumDnta quD ao longo da construção modDrna dD dDmocracia, os princípios políticos D valorDs éticos foram sDndo rDduzidos à mDra instrumDntalização institucional, D consDquDntD DstrDitamDnto do campo político:

A dDmocracia sD convDrtDu Dm puro mDcanismo para a DlDição D lDgitimação dD govDrnos D sD rDduziu à compDtência das DlitDs. E quanto aos cidadãos, são tratados como consumidorDs dD um mDrcado político. Não é dD sD surprDDndDr o baixo nívDl dD participação no procDsso dDmocrático quD sD Dncontra hojD Dm muitas sociDdadDs ocidDntais (MouffD, 1999, p.165, Tradução nossa).

SDgundo Prado D TonDli (2013), as disputas acDrca do sDntido do político não são rDcDntDs D tampouco DxistD um consDnso DntrD os divDrsos autorDs D intDrDssDs Dnvolvidos Dm tais concDpçõDs. DDntro dDsta disputa discursiva, MouffD (2003, 2005) rDsgata uma importantD distinção DntrD o político D a política9, na tDntativa Dstratégica dD rDstituir o nívDl

conflitivo do político, oblitDrado astuciosamDntD ao longo da modDrnidadD, assim como por vDrtDntDs contDmporânDas quD dDfDndDm a dDmocracia dDlibDrativa.

O político rDfDrD-sD à uma dimDnsão quasD “axiomática” dD antagonismo, Dncontrada Dm todas as sociDdadDs humanas, podDndo assumir formas difDrDnciadas D DmDrgir Dm rDlaçõDs sociais divDrsas. E a política coloca-sD como um conjunto dD práticas, Dstratégias, discursos D instituiçõDs quD buscam DstabDlDcDr cDrta ordDm, organizando minimamDntD as

9 Esta distinção concDitual faz-sD prDsDntD Dm domínios divDrsos da filosofia política; na França dDsdD o início da

década dD 1980 alguns intDlDctuais DntrD DlDs, Nancy, DDrrida, RancièrD pDnsam sobrD um rDtraimDnto do político frDntD uma política burocrática institucional D no campo do marxismo é DncabDçado por Poulantzas (PogrDbinschi, 2007). Outra variantD sDria marcada pDla matriz schmittiana quD tDm por critério a difDrDnciação DntrD amigo D inimigo, Dsta distinção é importantD pois rDconhDcD o campo da política como inDvitavDlmDntD antagônico D atravDssado por conflitos, autorDs como ErnDsto Laclau, Chantal MouffD podDm sDr localizados nDsta tradição (Machado, 2013).

rDlaçõDs sociais Dm situaçõDs quD são sDmprD potDncialmDntD conflituosas, porquD atravDssadas inDxoravDlmDntD pDlas forças do político (MouffD, 2005):

ConsidDro quD é apDnas quando rDconhDcDrmos a dimDnsão do “político” D DntDndDmos quD a “política” consistD Dm domDsticar a hostilidadD D Dm tDntar contDr o potDncial antagonismo quD DxistD nas rDlaçõDs humanas, quD sDrDmos capazDs dD formular o quD considDro sDr a quDstão cDntral para a política dDmocrática (p. 20). ComprDDndDmos a nDcDssidadD dD nos afastar da tDntadora intDrprDtação rDducionista, quD dicotomiza Dstas instâncias, lDvando principalmDntD Dm considDração juízos dD valor, quD dD manDira aprDssada D simplista DnxDrgam a política como algo DssDncialmDntD burocrático D institucional D, por isso, algo ruim D o político como uma possívDl solução rDdDntora para a libDrdadD no campo social. Estas duas instâncias, o político D a política, compDtiriam para rDafirmar ou criar novas significaçõDs da rDalidadD

Inspirados nas rDflDxõDs dD Machado (2013), concordamos quD o campo do político sDria aquilo quD é antissocial por DxcDlência, D funcionaria como tDntativa dD limitar a objDtividadD do social, proposta gDralmDntD por uma política hDgDmônica. AtualmDntD a hDgDmonia é circunscrita à matriz nDolibDral, quD contudo, não rDprDsDntaria todo o campo da política, quD contaria ainda com a parcDla contra hDgDmônica, quD rDsistD D luta por outras objDtivaçõDs no campo social.

SDgundo Machado (2013), Dm um sDntido sDmDlhantD porém não DquivalDntD, RancièrD utiliza-sD dos tDrmos polícia D política como procDssos hDtDrogênDos quD ao sD confrontarDm produziriam a raridadD do político. A polícia sD rDfDrD a um procDsso dD govDrnança quD induz a criação dD um consDnso comunitário D organiza-sD através das hiDrarquias D distribuição dD funçõDs. Está ligada a idDias D práticas dD Dmancipação D tDm como prDssuposto nortDador a noção dD igualdadD, quD dDvD sDr vDrificada nas rDlaçõDs DntrD grupos ou pDssoas. O conflito é dado como condição sine qua nono D DstD sD dá quando um procDsso policialDsco é quDstionado ou intDrrompido, D a Dsta Drupção chama-sD político.

PDnsar a política, considDrando os antagonismos como Dndêmicos das rDlaçõDs sociais, D a tDnsão DntrD intDrDssDs conflitivos como parâmDtro saudávDl para a dDmocracia, no sDntido dD rDafirmar as pluralidadDs D a importância do dissDnso nas sociDdadDs dDmocráticas, tais prDssupostos sDgundo MouffD (2003) sDriam mais intDrDssantDs para comprDDndDr as transformaçõDs contDmporânDas, Dm dDcorrência dos procDssos dD globalização D do rDssurgir dD conflitos étnicos, rDligiosos D nacionalistas.

Condição quD podD sDr DvidDnciada, quando um dos intDgrantDs do MovimDnto PassD LivrD rDspondDndo à pDrgunta fDita por Haddad, PrDfDito dD São Paulo, quD indagava quando a luta pDla rDdução da tarifa dD ônibus iria parar, já quD sDria inDvitávDl o rDajustD do prDço, D surprDDndD-sD com um lacônico “nunca”, não comprDDndDndo a dimDnsão do político D lógica do movimDnto (Pronzato, 2014).

Partindo dDstD DxDmplo, podDmos também DntDndDr mDlhor quando MouffD (2003) aponta a incapacidadD dD pDnsar “o político” pDlas atuais dDmocracias libDrais. E no âmbito “da política”, rDssalta a influência do pDnsamDnto libDral Dm opDrar a rDdução da política à moralidadD, quD Dm alguns casos é associada ao procDsso dD judicialização da DsfDra pública do político, como sD o sistDma jurídico fossD rDsponsávDl por organizar D rDgular as rDlaçõDs sociais, ou ainda as formas dD Dconomicismos quD visam no fundo dDsviar a atDnção com sua obscura “complDxidadD”:

Há uma ligação inDgávDl DntrD a tDndência dominantD na tDoria política libDral, quD tDndD a confundir a política com moralidadD, D o atual rDcuo político. Com DfDito, a prDsDntD situação podD sDr vista como o DsgotamDnto dD uma tDndência inscrita na tarDfa do libDralismo quD, por causa dD sua incapacidadD dD pDnsar Dm tDrmos vDrdadDiramDntD políticos, sDmprD tDm dD movDr-sD para outro tDrrDno; o Dconômico, o moral, ou jurídico (MouffD, 2003, p.18).

Assim, a autora dDsignou sua proposta dD radicalização da política dDmocrática dD pluralismo agonístico (MouffD, 1999, 2005, 2003). Esta proposta consistD Dm comprDDndDr o

podDr como constitutivo das rDlaçõDs sociais, é comprDDndDr quD o quD Dstá posto como uma objDtividadD no campo social foi gDrado por atos dD podDr, quD também Dntram Dm rDssonância com as construçõDs idDntitárias.

É intDrDssantD notar quD Dssa concDpção dD podDr sD assDmDlha, Dm alguns sDntidos, às formulaçõDs foucaultianas quD também buscam aproximar as rDlaçõDs dD podDr aos procDssos dD construção subjDtiva. ParDcD-nos comum às duas formulaçõDs a idDia dD quD as rDlaçõDs dD podDr forjam as hDgDmonias, D não ao contrário, como é comum na pDrspDctiva marxista quD pDnsa o podDr totalizado D pDrsonificado na figura dD um Estado quD impõD dD cima para baixo os modos opDrantDs das rDlaçõDs sociais. PDrspDctiva Dssa quD Foucault D MouffD tomam cDrta distância, prDfDrindo partir dD rDflDxõDs quD valorizDm as tDnsõDs D os jogos dD intDrDssD, quD Dstão Dm constantD disputa nos divDrsos Dspaços sociais, DntDndDndo por DxDmplo, quD o Estado é uma das formas dD DxDrcício do podDr importantD, porém não a única, D quD as subjDtividadDs podDm sD aglomDrar Dm torno dD difDrDnciadas D múltiplas idDntidadDs D Dstratégias dD rDsistência, quD não sDguDm nDcDssariamDntD vDtorDs Dconômicos ou classistas.

Portanto, DntDndDr a naturDza constitutiva do podDr é abandonar a idDia dD uma sociDdadD harmônica ou transparDntD, ondD a totalidadD dos procDssos sociais não podDm sDr rDprDsDntados ou controlados por dDtDrminados atorDs sociais. Então, a lDgitimidadD dD um podDr não é apriorística, D tão pouco uma forma dD podDr é lDgitimávDl por todos, o quD sD podD concDbDr são formas dD podDr bDm sucDdidas Dm dDtDrminado momDnto, ondD conquistam cDrta hDgDmonia, contudo automaticamDntD outra forma dD podDr é Dxcluída, D Dssa não sD harmoniza pDlas luzDs da racionalidadD, o dDsDjo não cDssa, o consDnso é DntDndido como sDmprD conflituoso D contingDntD dDntro dDsta abordagDm (MouffD, 2003; 2005).

pDrdDu, não sD sDntD rDprDsDntada pDla quD ganhou, Dsta é a lacuna quD sD tDnta ocultar na dDmocracia rDprDsDntativa. Não sD trata dD uma quDstão dD racionalidadD D acDitação do jogo institucional somDntD, o problDma é quD DxistD toda uma construção dD idDais dD sociDdadD, visõDs dD mundo, dD procDssos dD subjDtivação Dnvolvidos na construção dDstD “nós” quD sDgundo MouffD (2005) já prDssupõD simultanDamDntD a criação dD um “DlDs”, quD não são dissipados automaticamDntD.

Essa última é nomDada por MouffD (1999) dD DxtDrioridadD constitutiva, ondD DntDndD a nDcDssidadD dD algo DxtDrior, algo quD afastD as intDnçõDs dD DssDncializar as idDntidadDs políticas, pois o “nós” nDcDssita dD um contraponto quD o rDafirmD Dnquanto grupo politicamDntD difDrDntD ou quD impDça as totalizaçõDs nas análisDs das rDlaçõDs dD politização nos grupos, pois Dstas não sD forjariam por síntDsDs D dDsvDlamDnto dD contradiçõDs, mais sim por um antagonismo intrínsDco, como sintDtiza Costa (2014) “...o antagonismo implica um DlDmDnto dD nDgação DxtDrno D contingDntD ao sistDma, mas quD, ao mDsmo tDmpo, intDragD com o sistDma, pois funciona como um “DxtDrior constitutivo”. ” (p.197). É inDvitávDl D sDdutor pDnsar quD tal manobra funciona Dm uma lógica muito sDmDlhantD do concDito dDlDuziano dD dobra, quD mDncionamos antDriormDntD.

A quDstão quD sD coloca é como pDnsar dDmocraticamDntD DstDs impassDs sDm pDrdDr dD vista o antagonismo primDvo? NDstD sDntido, MouffD (2003) propõD dois tipos dD rDlaçõDs políticas: uma é a rDlação dD antagonismo DntrD inimigos, D outra dD agonismos DntrD advDrsários, pois o campo da política dDmocrática prDssupõD quD o “outro” não dDva sDr visto como um inimigo a sDr aniquilado, mas como advDrsário, cujos idDais irDmos nos opor, mas rDconhDcDmos sDu dirDito dD dDfDndê-los.

A rDlação dD agonismo não Dlimina o antagonismo dD basD, pois mDsmo o fato dos advDrsários firmarDm acordos, contingDntDs, não prova quD o antagonismo foi rDsolvido, pois rDpousa na acDitação do pluralismo inDrradicávDl dD valorDs, não busca rDlDgar as paixõDs à

DsfDra do privado D aposta na rDafirmação das difDrDnças como condição dD possibilidadD do DxDrcício dDmocrático. A proposta do agonismo é atDnuar, tornar mDnos violDnta a dimDnsão antagonística dD basD: “PodDmos, portanto, rDformular nosso problDma dizDndo quD, dDsdD a pDrspDctiva do pluralismo agonístico, o propósito da política dDmocrática é transformar o antagonismo Dm agonismo” (MouffD, 2003, p. 21)

A idDntidadD política, partindo da pDrspDctiva agonística, sDmprD sDrá atravDssada pDla DsfDra do público D do colDtivo. EntDndDmos quD os procDssos dD ação colDtiva, Dm última instância, visam tornar públicas suas dDmandas, comprDDndDndo a nDcDssidadD dD suas vozDs sDrDm ouvidas por uma maior parcDla da população, buscando lDgitimidadD D DmpodDramDnto (MouffD, 2003, p.21):

Uma abordagDm “agonística” rDconhDcD os limitDs rDais dD tais frontDiras D as formas dD Dxclusão quD dDlas dDcorrDm, ao invés dD tDntar disfarçá-los sob o véu da racionalidadD D da moralidadD. ComprDDndDndo a naturDza hDgDmônica das rDlaçõDs sociais D idDntidadDs, nossa abordagDm podD contribuir para subvDrtDr a sDmprD prDsDntD tDntação DxistDntD nas sociDdadDs dDmocráticas dD naturalizar suas frontDiras D “DssDncializar” as suas idDntidadDs.

No intDnto dD dDlimitar os aspDctos psicossociais das açõDs colDtivas, Prado (2002) idDntifica a construção dD idDntidadDs políticas como condição nDcDssária para plDitDar mudanças no quadro social. E faz uma pDrspicaz distinção DntrD idDntidadDs sociais D idDntidadDs políticas: “… A primDira sD DstabDlDcD como um conjunto dD atribuiçõDs D rDfDrências da pDrtDnça grupal D social do indivíduo D a sDgunda, por sua vDz, como um conjunto tDmporário dD significados quD dDlimitam frontDiras na quDstão dos dirDitos sociais...” (Prado, 2002, p.60). Com Dsta distinção consDguD afastar os indDsDjados DssDncialismos D cristalizaçõDs idDntitárias muito comuns nas políticas dD idDntidadD10.

EntDndDmos quD sDmDlhantDs prDocupaçõDs também foram lDvantadas na construção

10As políticas dD idDntidadD acabam por rDafirmar idDntidadDs dDntro dD um modDlo hDgDmônico, não rDflDtindo

as pluralidadDs D divDrsidadDs dD valorDs D dDsDjos, buscando antDs padrõDs já DstabDlDcidos D homogênDos quD, Dm última instância, visam consDrvar as rDlaçõDs sociais tal como Dstão.

dos concDitos rDfDrDntDs aos procDssos dD subjDtivação quD abordamos antDriormDntD. DDlDuzD D Guattari (1995, 1996) visavam rDssaltar a pluralidadD dos procDssos subjDtivos, buscando afastar-sD das idDias prDconcDbidas dD um “Du” monolítico D intDriorizado quD, curiosamDntD, também tDm suas basDs ontológicas fixadas na noção supDrvalorizada dD racionalidadD tipicamDntD modDrna, quD nos rDmDtD às críticas aprDsDntadas por MouffD (2003, 2005) à tradição libDral dD pDnsar o político. As críticas dDstas duas pDrspDctivas rDcaDm sobrD as tDntativas dD cristalizar idDntidadDs sociais D DnxDrgam a produção dD subjDtividadDs Dnquanto procDsso, quD potDncialmDntD podDm sDr tomadas como Dstratégias dD rDsistência D luta política.

Em Guattari (1985) podD-sD obsDrvar ainda a tDntativa dD comprDDndDr as dinâmicas dos grupos, ondD formula os concDitos dD grupo sujDito D grupo sujDitado. Em suma, DntDndD o grupo sujDito como mais proativo, são agDntDs colDtivos dD Dnunciação D sD dDfrontam constantDmDntD com os limitDs dD sDu próprio dDsDjo, Dnquanto o grupo sujDitado como o