Um importante marco na história da Igreja Memorial Batista é a excelência da música representada pelo som exuberante, do piano e do órgão que preenche todo o recinto quando adentramos este magnífico templo.
Como pudemos observar, já havia dentro dos valores estabelecidos pela Igreja Memorial Batista, uma preocupação e cuidado quanto ao papel da música de qualidade na história da mesma. Este zelo pode ser identificado quando no culto de organização da igreja, em 1960, a congregação entoou o hino nº 9 do Cantor Cristão (hinário utilizado pela Igreja Batista, publicado pela primeira vez em 1861) – Santo!Santo!Santo! A partir de então, tem havido especial atenção dos dirigentes para com o repertório musical da Memorial.
No ano de 1996 foi criado o Departamento de Música da igreja e tendo como atribuições, coordenar as atividades dos coros, conjuntos vocais e instrumentais e prestar assessoria ao pastor na preparação do serviço religioso dos cultos, porém, antes mesmo da criação deste, no sábado seguinte à organização da igreja em 1960, houve convocação para o primeiro ensaio do Coro. Este permaneceu sozinho, como “Coro da Igreja” até o ano de 1973, passando por diversos regentes e sempre apresentando peças de grandes compositores, tais como, Bach, Haendel, Palestrina, Haydn, Malotte, dentre outros. Em 1981, adotou-se o nome de
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“Coro Memorial”, atualmente composto por 90 vozes, sob a regência do Maestro Anderson Motta. Em 1970, surgiu um conjunto vocal denominado “Mensageiros da Paz”, com o objetivo de prática de ação social, cantando em presídios, hospitais e outras instituições, porém, participando também dos trabalhos da igreja. Posteriormente, em 1980, transformou-se em “Coro Mensageiros da Paz”, mantendo-se ativo nos cultos da Memorial até os dias de hoje, contando com a participação de 55 vozes, sob a orientação do regente Albano Sílvio de Freitas. Em seu repertório constam Oratórios, Missas e Glórias dos mais renomados compositores eruditos (Anexos I e II).
Pesquisando a história da Memorial e complementando as informações em entrevista com o Maestro Anderson, reafirmamos o que já havíamos percebido, ou seja, o rigor com que é selecionada a participação musical nos trabalhos religiosos. Atualmente a Igreja Memorial Batista, conta com a participação de mais oito grupos musicais entre coros e conjuntos. Em 1969, foi oficializado o Coro Infantil da Igreja que mais tarde passou a chamar-se “Perfeito Louvor”. Atualmente, este coro, uniu-se ao Coro Juvenil − criado a partir de 1980 −, e formaram o “Coro Crescer”, com a participação em torno de 65 crianças. Na realidade, este coro serve como preparação dos futuros coralistas e solistas da igreja.
Outro grupo que tem sido motivo de muita alegria para a igreja é o Coro dos Adolescentes; organizado em 1990 e hoje formado por 60 vozes, lançou o seu primeiro CD em 1999, com composições do Maestro Anderson Motta, responsável pelo coro. Segundo palavras do próprio maestro, “as músicas foram compostas de maneira muito bem equilibradas, ou seja, não tendo o rigor das composições eruditas, mas sem cometer os exageros rítmicos e melódicos de determinadas músicas contemporâneas”. O “Coro Jovem”, criado em 1975, permanece ativo nos trabalhos da igreja com a participação de 45 vozes, apresentando Cantatas de Natal não só na Memorial, como também em outros locais de Brasília e Goiânia. Dentre tantos grupos maravilhosos, um em especial chamou nossa atenção; formado em 1997 o coro “Vozes do Coração”, tem a participação de 20 pessoas com deficiência auditiva, regido por Cintia Campos que não é musicista; ela interpreta a linguagem dos surdos − Libras. Este trabalho é feito sempre com CDs ou com outro coro cantando. Eles "cantam" com as mãos e o corpo. Usam luvas brancas para a atenção se concentrar nas mãos. Fazem um leve movimento do corpo, sentindo o andamento e ritmo da música. Este coro canta em média uma vez a cada dois meses. Não tem um número fixo de pessoas e como se trata de um grupo especial o fator acolhimento é muito importante para se sentirem aceitos e não excluídos. Sempre que chega um novo surdo na igreja ou até mesmo um visitante, ele é convidado a participar. A regente usa termos como "vocês não
podem desafinar" quando eles não mostram sincronia exata nos movimentos. Se um membro que faz o gesto atrasado, ele "desafinou". Se alguém não usa a roupa certa, ou ficou em lugar diferente do que deveria estar (para fazer os movimentos) fez o coro ter problema de "harmonia".
O “Coro Masculino” organizado em 1969, atualmente composto por 40 vozes e o “Coro Feminino”, criado em 1980 e formado por 60 mulheres, são dois coros que não se apresentam nas escalas mensais como os demais, ou seja, os ensaios não são semanais, mas cantam em média, duas a três vezes por semestre.
Participam também dos cultos da Memorial, o “Conjunto Shalom”, grupo formado por 16 vozes masculinas e o “Grupo Kyrie” – grupo jovem formado por cinco vozes femininas.
Com tantos coros, conjuntos e grupos cantores, provavelmente seria uma tarefa árdua, selecionar qual deles ficaria responsável pelas programações especiais de final de ano da igreja, portanto a maneira mais coerente encontrada foi a realização de um “Grande Coro” reunindo todos os coros adultos para as programações das festividades natalinas.
De acordo com o Ministro de Música, todos os participantes dos coros da Memorial, com exceção do “Crescer” e o “Coro dos Adolescentes”, são membros da igreja, ou casos especiais, que tenham o aval do pastor e do ministro de música, se a pessoa for membro de outra igreja evangélica. Esta é uma exigência da igreja, votada em assembléia. As crianças e os adolescentes são isentos dessa exigência, porque praticamente todos são filhos ou netos dos membros da igreja.
Observando as palavras do Maestro Anderson, questionado se gostaria que na sua igreja houvesse uma orquestra, sua resposta − “Temos um conjunto instrumental, (pequena orquestra) que toca em alguns cultos especiais” −, vem corroborar a nossa tese da importância dada pela Igreja Memorial aos assuntos correlacionados a música. Alguns músicos dessa “pequena orquestra” vêm desenvolvendo a habilidade do seu instrumento no “Curso Livre de Música Sacra Mara Vasconcelos”, inaugurado em 1984. Na execução instrumental dos cultos dominicais da Igreja, pode-se avaliar o resultado desse brilhante trabalho pedagógico realizado por essa escola de música.