11. Sammenfattende konklusjoner
11.1 Alternativ 1 – Narvik + Tysfjord + Ballangen
Segundo Marx e Engels, conforme já salientei, o homem é o ser social, quer dizer, a essência da natureza humana é a sociabilidade, isto é, o conjunto das relações sociais, relações sociais que estão em eterno devir e que nunca estão estabelecidas eternamente. Isto significa que não existe nem pode existir o indivíduo isolado da sociedade, quer dizer, a vida humana é e sempre será vida social, isto é, dotada de dois polos: individualidade e gênero humano. Isto significa também que o homem não é egoísta nem altruísta por natureza, se tornando tal e qual conforme as relações sociais em que ele vive. Max Stirner tem uma concepção totalmente diferente de Marx e Engels. Stirner concebe o homem como tendo uma essência egoísta e anti-social. Segundo Stirner, a sociedade deve se dissolver na associação dos egoístas.
Max Stirner tem como proposta para a vida humana a formação de uma “associação de egoístas”. Ou seja: cada um dos indivíduos seria um egoísta convicto e eles se reuniriam nesta
associação, sendo que cada qual procuraria, através desta associação, apenas seus interesses particulares. Esta proposta de Stirner, segundo Marx e Engels, é conservadora, pois nela se preservaria as categorias da sociedade burguesa, tais como: a propriedade privada, o dinheiro, a divisão social do trabalho, o Estado, etc. Nos parágrafos abaixo, pretendo tratar desta proposta de Stirner, através da crítica de Marx e Engels a mesma.
Segundo Marx e Engels, na “associação dos egoístas”, tal como imaginada por Stirner,
sobrevive a propriedade privada, em particular a propriedade pequeno-burguesa e fundiária. Marx e Engels afirmam de modo hilariante que fica assim estabelecida a primeira
“instituição” da “associação dos egoístas”, que, conforme Stirner disse anteriormente, não
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Sancho [Stiner] apresenta-nos aqui a primeira “instituição” da sua futura
Associação. Os revoltados, que aspiravam a “libertar-se da constituição”, “organizaram eles próprios” “escolhendo” uma “constituição” da propriedade
fundiária. Vemos que Sancho tinha razão ao não esperar brilhantes resultados de
novas “instituições”. (1976a, v.II, p. 229).
Tentando justificar a propriedade alheia para o indivíduo, Stirner afirma que cada proprietário vê na propriedade alheia um Meu. Marx e Engels ridicularizam a ideia:
Eu vejo na Tua propriedade um Meu, não um Teu; fazendo todos os Eus a mesma coisa, esta propriedade adquire perante eles um valor universal, pelo que chegamos à interpretação moderna, filosófica e alemã da propriedade privada particular e exclusiva que conhecemos (1976a, v. II, p. 254).
Na “associação dos egoístas” de Stirner, segundo Marx e Engels, sobrevive a mesma
organização do trabalho que existe na sociedade capitalista, quer dizer, sobrevive a divisão social do trabalho que aliena e deforma a formação humana dos diferentes indivíduos.
Na “associação dos egoístas”, a organização do trabalho repousa na separação entre
dois tipos de trabalho, quais sejam: o trabalho humano e o trabalho único. O primeiro é definido como podendo ser executado por qualquer indivíduo humano. O segundo é definido como aqueles tipos de trabalho que só podem ser executados por indivíduos especiais – aqui Stirner pensa e disserta sobre o trabalho dos artistas.
O grande problema da proposta de Stiner, quanto à organização do trabalho, está no fato dele não perceber a unilateralização e a deformação que a divisão social do trabalho implica na formação humana dos indivíduos. Segundo Marx e Engels: “A concentração exclusiva do talento artístico em algumas individualidades, e correlativamente, a sua asfixia
na grande massa das pessoas é uma conseqüência da divisão do trabalho” (1976a, v. II, p.
235). Os autores salientam que numa possível sociedade comunista futura, tal como eles vislumbram, não haverá este tipo de divisão alienante do trabalho social, que divide não
apenas o trabalho, mas também o homem. “Numa sociedade comunista, já não existirão
pintores mas sim pessoas que, entre outras coisas, farão pintura” (1976a, v. II, p. 235). De acordo com os autores, na sociedade capitalista existem talentos que acabam por nunca se explicitar, pois são asfixiados pelas relações sociais de produção baseadas na divisão do trabalho.
Na “associação dos egoístas”, tal como planejada por Stirner, o dinheiro continuará
existindo, o que revela que a proposta dele não tem como modificar o capitalismo. Segundo as
palavras de Marx e Engels: “na ‘Associação’, conserva-se o dinheiro, esse bem de carácter
propriamente social, despojado de todo o carácter individual. A pergunta de Sancho relativa a um melhor instrumento de troca, mostra-nos a que ponto o autor é prisioneiro do modo de
71 Prosseguindo no texto de A Ideologia Alemã, Marx e Engels afirmam:
Vimos como Sancho conserva na sua “Associação” a estrutura da propriedade
fundiária, a divisão do trabalho e o dinheiro, sob a forma que um pequeno burguês utiliza para se representar estes elementos. É evidente que, com tais premissas, Sancho não pode libertar-se do Estado. (1976a, v. II, p. 243).
Ou seja: Stirner, apesar de ser um autor que é pai do anarquismo, não consegue se desvencilhar do Estado. Resta ao Autor, apenas uma consolação, qual seja: o Estado é
concebido como sagrado e a “Associação dos Egoístas” como não sagrada. Marx e Engels satirizam a solução de Stirner: “Toda essa diferença se reduz portanto ao seguinte: a ‘Associação’ é o Estado moderno tal qual é, e o ‘Estado’ é a visão fantástica que Stirner tem do Estado prussiano, que toma como Estado puro e simples” (1976a, v.II, p. 248).
Em seguida, Marx e Engels falam que Stirner volta ao problema da revolta, mas
“Desta vez, no entanto, não se revolta contra si mesmo, mas contra a Associação” (1976a, v.
II, p. 248).
Adiante, Marx e Engels dissertam sobre a “religião e filosofia da associação”. Citam dois trechos de Stiner. Primeiro: “O mundo pertence-Me” (STIRNER apud MARX e ENGELS, 1976a, v. II, p. 249). Em seguida: “Eu sou proprietário de tudo de que necessito”
(STINER apud MARX e ENGELS, 1976a, v. II, p 249). Marx e Engels tecem então o seguinte comentário irônico:
Trata-se de um eufemismo para dizer que as suas necessidades se reduzem àquilo que possui e que aquilo de que tem necessidade na qualidade de proprietário é determinado pela sua situação. É deste modo que os economistas pretendem que o operário é proprietário de tudo de que precisa na sua qualidade de operário, como se pode ver na exposição de Ricardo sobre o salário mínimo. (1976a, v. II, p. 249-250).
Na “Associação”, segundo Stirner, os indivíduos se utilizam uns aos outros. De acordo
com a crítica de Marx e Engels:
Esta aparente tolice que consiste em reduzir as múltiplas relações que os homens têm entre si a essa relação única de utilização possível, esta abstracção de aparência metafísica, tem como ponto de partida o facto de na sociedade burguesa moderna todas as relações serem praticamente subordinadas e reduzidas à simples relação monetária abstracta, à relação de troca. (1976a, v. II, p. 258-259).
Stirner aqui se manifesta como um pensador conservador, reacionário, pois, na sua época, nos anos 1840, as relações burguesas de produção já tinham se transformado em relações retrógradas, conforme já salientei antes.
Após as considerações anteriores acerca da “associação dos egoístas”, Marx e Engels tecem comentários sobre uma contradição na obra de Stirner. Este, que antes considerara a
revolta como o único caminho para se chegar a “associação dos egoístas”, considera então que esta associação “já existe em ‘centenas de milhares’ de exemplares e constitui um lado da
sociedade burguesa existente, e é-nos acessível sem o socorro da menor revolta ou de
72 Marx e Engels escrevem que “A associação reduz-se portanto aqui às uniões bourgeois e sociedades por acções, por um lado, e por outro aos clubes burgueses,
piqueniques, etc.” (1976a, v. II, p. 268). Dessa maneira, segundo Marx e Engels, se revela
completamente o caráter conservador do pensamento de Stiner,
1.6.3.6 O “Único” de Stiner comparado à individualidade autêntica do homem singular de Marx e Engels
Max Stirner, - assim como os ideólogos da burguesia em geral -, concebe a possibilidade da existência do indivíduo humano isolado da sociedade. Stirner não compreende que o indivíduo autônomo da sociedade burguesa é apenas relativamente autônomo, ou seja, não mantêm relações sociais diretas com os outros homens, visto que as relações entre os homens na sociedade burguesa são relações indiretas, quer dizer, mediadas pelo dinheiro.
Em contraste com Stirner, segundo Marx, o indivíduo humano é o ser social. De acordo com Marx:
O indivíduo é o ser social. A manifestação da sua vida – mesmo quando não surge directamente na forma de uma manifestação comunitária, realizada conjuntamente com outros homens – constitui, pois, uma expressão e uma confirmação da vida social. A vida individual e a vida genérica do homem não são diferentes, por muito que – e isto é necessário – o modo de existência da vida individual seja um modo mais específico ou mais geral da vida genérica, ou por mais que a vida genérica constitua uma vida individual mais específica ou mais geral. (1989, p. 195-196).
Sendo o indivíduo o ser social, ele não pode, portanto, existir isolado da sociedade. Marx e Engels afirmam que os indivíduos se fazem uns aos outros na vida social. Os indivíduos são produtos e produtores da vida social. Isto significa que o desenvolvimento de um indivíduo singular depende do desenvolvimento da sociedade como um todo e do desenvolvimento dos outros indivíduos singulares desta sociedade.
Marx e Engels concebem que um homem só pode ser livre se os outros homens da sociedade forem livres. Isto significa que inclusive os membros das classes dominantes nas sociedades de classes em geral não são livres, pois tem que se relacionar com a maioria explorada da população, o que embota o desenvolvimento individual e genérico do conjunto dos homens.