2. KARTLEGGING AV FAKTISKE FORHOLD
2.3 Alnabru, oppbygging, forutsetninger og bruk
Em 1984, Shatford fez as primeiras reflexões teóricas para a catalogação descritiva de imagens e chamou à atenção para a ideia de que, embora os objetivos básicos a serem atendidos na descrição de documentos textuais ou imagéticos sejam semelhantes, os meios utilizados para alcançá-los podem ser diferentes. Para suprir a escassez de estudos na área de catalogação descritiva de imagens, definiu materiais pictóricos e discutiu sobre os objetivos da catalogação e da categorização desses artefatos. Para a autora, materiais pictóricos são: “desenhos, pinturas, slides, gravuras de arte, fotografias ou qualquer item predominantemente bidimensional, estático ou itens que transmitem informações em forma de imagens” (SHATFORD, 1984, p. 14, tradução nossa)33.
Ao refletir sobre a catalogação descritiva, Shatford observou que um artefato imagético é, simultaneamente, arte e registro, por ser um objeto estético e uma fonte
33 What is pictorial material? It is drawings, paintings, slides, art prints, photographs: any
predominantly two-dimensional, static item or items that convey information in the form of images. (SHATFORD, 1984, p. 14)
de informação e concluiu que a catalogação descritiva deve contemplar o acesso tanto ao objeto estético quanto às informações que ele contém.
Para alcançar tal objetivo, a catalogação descritiva deve abranger três categorias: descrição, gênero ou forma e objeto. Na primeira categoria, a preocupação recai sobre a descrição do artefato, o objeto da imagem em si; na segunda camada, ao que ela exemplifica (gênero ou forma), e na terceira, em DE ou SOBRE o que é, ou seja, responde ao sujeito da imagem, e o conjunto de categorias é que irá oferecer o tema/assunto/conteúdo da imagem. Para exemplificar, a autora sugere que se considerem duas imagens: uma fotografia do Edifício Guaranty34, em Buffalo, Nova York, projetado por Louis Sullivan e uma reprodução do retrato de Sir Joshua Reynolds35 da Sra. Siddons36 (Musa da Tragédia). O Edifício Guaranty é o assunto da fotografia, e a Sra. Siddons, o tema do retrato, mas o retrato de Reynolds também é o tema da reprodução, e não é, afinal, o próprio retrato, mas uma foto dele, e esses não são os mesmos trabalhos.
A reprodução do retrato de Sir Joshua Reynolds pode ser tratada como uma obra adaptada e descrever o relacionamento do retrato para a reprodução como a relação entre o trabalho e o trabalho relacionado (uma função de catalogação descritiva), e não, entre o trabalho e o assunto. Logicamente, o Edifício Guaranty deixaria de ser o assunto da fotografia e seria um trabalho ao qual o fotógrafo está relacionado. Para solucionar o problema, a autora introduz o conceito que leva em conta a natureza especial de obras pictóricas, a ideia de representação e esclarece que o cerne do problema está em pensar sobre o assunto da mesma forma que os
34 O Edifício Guaranty (1895) é reconhecido internacionalmente como uma das obras-
primas de Louis Sullivan, provavelmente, um dos arquitetos americanos mais importantes do Século XIX e, hoje, conhecido como o "pai do arranha-céu".
Fonte:
<http://pt.wikiarquitectura.com/index.php/Edif%C3%ADcio_Prudential_Guaranty>. Acesso em: 31 mar. 2014.
35 Joshua Reynolds (1723-1792), inglês, um dos principais retratistas do Século XVIII,
cujas técnica e habilidade influenciaram as gerações futuras de pintores retratistas. Fonte: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Joshua_Reynolds>. Acesso em: 31 mar. 2014.
36 Sarah Siddons, atriz shakespereana do Século XVIII, que marcou o teatro inglês.
Fonte: <http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/07/07/pintura-sra-siddons- como-musa-da-tragedia-1784-306144.asp>. Acesso em: 31 mar. 2014.
indexamos nas obras textuais, porém o artefato imagético é uma representação e retrata o sujeito de uma imagem, mas não no mesmo sentido do assunto de um texto. A fotografia não é o Edifício Guaranty, mas a representação dele; a reprodução da pintura não é a obra de Reynolds, mas uma representação da representação da Sra. Siddons. Dessa forma, a autora demonstra que o conceito de tema/assunto, desenvolvido para organizar acervos textuais, é insuficiente para organizar acervos imagéticos, e o conceito representação é valioso para identificar os assuntos de uma imagem e, consequentemente, subsidiar a escolha dos pontos de acesso mais claros para os assuntos de uma imagem. E complementa:
Pode-se conceber uma imagem como uma série de camadas, ou caixas dentro de caixas: no caso da reprodução do retrato da Reynolds, a primeira camada é o tema do retrato. Sra. Siddons, a segunda camada é o retrato de Reynolds a Sra. Siddons como a Musa da Tragédia, e a terceira camada é a própria reprodução (SHATFORD, 1984, p. 18, tradução nossa)37.
A autora observa que se essas camadas/categorias não forem entendidas, haverá confusão entre os elementos que descrevem cada uma e podem deixar de dar acesso a uma camada importante, como no caso da reprodução. Se não tiver o trabalho representado, reconhecido como uma camada separada da reprodução, o artista será o responsável por reproduzir a data da reprodução e tomar o lugar do trabalho na descrição.
A autora também questiona sobre se não seria melhor descrever o trabalho representado e a reprodução e, depois, indicar a relação entre ambos. Para fundamentar suas ideias, ela cita o ensaio filosófico de Nelson Goodman [1976?], que apresentou a premissa de que a obra literária pode ser fielmente reproduzida, portanto permanece o mesmo trabalho. É impossível que isso ocorra com uma obra pictórica, por isso, cada cópia, não importa o quão semelhantes possam ser, é um novo trabalho. Em seguida, Shatford (1984)faz alusão a Antony Croghan (1972), que
37 One can conceive of a picture as a series of layers, or boxes within boxes: in the case of
the reproduction of the Reynolds' portrait, the first layer is the subject of the portrait. Mrs. Sid-dons; the second layer is the portrait by Reynolds, Mrs. Siddons as the Tragic Muse; and the third layer is the reproduction itself (SHATFORD, 1984, p. 18).
apresenta uma visão contrária, ao afirmar que um trabalho é o total de objetos relacionados com uma criação particular, por exemplo, discos, fitas e transcrições da obra de Beethoven, a Nona Sinfonia. Para Shatford são pontos de vista que se complementam. Croghan faz referência a uma criação especial, apesar de cada obra pictórica ser um trabalho único, e não, uma manifestação de outro trabalho, que pode estar relacionado a outro trabalho, e um objetivo do catálogo pode muito bem revelar essa relação. Assim, discute sobre o conceito de representação e suas relações - traduções e edições - catalogadas relacionadas a uma obra.
Quadro 06 - Trabalhos pictóricos relacionados
Termo Definição Exemplo
Representação Fotos de reproduções da obra original
Mrs. Siddons, Guaranty Building Tradução
Cópias ou adaptações da obra original, feitas em um meio diferente.
Xilogravuras baseado nas pinturas de Charles Willson Peale38.
Edições
Cópias ou adaptações da obra original, feitas no meio
original
O retrato de George Washington pintado por Gilbert Stuart39,
cópia de Rubens40 da pintura de Caravaggio41
Fonte: Shatford (1986, p. 26, tradução nossa)
38 Charles Willson Peale (1741-1827) foi um pintor e naturalista norte-americano. Típico
do Iluminismo; tanto cientista quando artista, em seu campo de habilidades e interesse chegava a competir com Da Vinci.
Fonte: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Willson_Peale>. Acesso em: 31 mar. 2014.
39 Gilbert Charles Stuart (1755-1828) foi um pintor norte-americano. Considerado como
um dos mais destacados retratistas norte-americanos, cuja obra mais conhecida é George Washington (também conhecido como O Ateneu e o Retrato inacabado) que foi terminado em 1796. A partir de 1795, Stuart pintou George Washington numa série de retratos.
Fonte: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Gilbert_Stuart>. Acesso em: 31 mar. 2014.
40 Apesar da rebeldia, das irreverências, da polícia, da prisão, das cores escuras,
Caravaggio foi considerado por Rubens, Velásquez e Rembrandt como audacioso e inovador. Diziam que ele os ensinou a tornar a pintura religiosa ao mesmo tempo real e imediata.
Fonte:
<http://www.allaboutarts.com.br/default.aspx?PageCode=12&PageGrid=Bio&item=0801P 1>. Acesso em: 31 mar. 2014.
41 Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571–1610) foi um pintor italiano atuante em
Roma, Nápoles, Malta e Sicília, entre 1593 e 1610. Era considerado um artista barroco, estilo do qual foi o primeiro grande representante.
Shatford finaliza definindo uma obra pictórica como um trabalho único, original (manifestação), ao qual várias representações, traduções e edições estão relacionadas. Conforme quadro-resumo das relações entre trabalhos pictóricos apresentado pela autora, apresentado anteriormente.
Outros pesquisadores foram citados por Lancaster (2004), quando buscou responder às ambiguidades do processo de indexação de artefatos imagéticos, entre eles, Rasmussen (1997, p. 214), que rotula a indexação de imagem baseada em conceitos e conteúdo, considerando a primeira de nível alto, e a segunda, baixo, e cuja “descrição de imagens, com palavras, feitas por seres humanos” é a “baseada em conceitos, e a indexação de imagens por seus atributos intrínsecos é baseada em conteúdo”.
Como as imagens são polissêmicas, possibilitam uma extensa variedade de informações quando descritas, que podem ser qualificadas como exatas (conceitos, de nível alto), quando, por exemplo, utilizam-se nomes próprios; e imprecisas, quando formas, cores e texturas (conteúdo, nível baixo) passam a ser detalhadas. Esse é o principal diferencial em relação à indexação de documentos textuais, ou seja, os elementos constituintes da informação nas imagens fotográficas são revelados por seus aspectos representativos conceituais e de conteúdo. Ao fazer essa observação, Lancaster apresenta o quadro de Mehrotra (1997), que exibe os níveis fundamentais das características classificadas como níveis variáveis de abstração:
Figura 21 - Principais níveis de abstração na base de dados de um museu de arte
Observa-se que a recuperação de imagens baseada em conteúdo42, ou seja, por meio dos atributos da imagem, no nível médio de abstração, é caracterizada por meio de dois requisitos: as consultas que envolvam ou não processamento e a análise de imagem.
Diversas experiências foram desenvolvidas com essa abordagem (baseada em conteúdo) e concluiu-se que não era satisfatória para atender às necessidades dos usuários da base de dados, como refere Lancaster (2004, p. 220): “É importante reconhecer, contudo, que a maioria dos usuários de bases de dados de imagens provavelmente não fará buscas sobre aspectos mais abstratos, como cor, forma e textura, embora possam empregá-las para limitar ainda mais uma busca”.
Diferentes níveis de abstração geram complexos problemas de indexação, visto que a indexação de imagens, por meio de descrições verbais, é mais subjetiva e incoerente do que a indexação de textos. Lancaster continua apresentando propostas para solucionar tal dificuldade, como a de Schroeder que, em 1999, delineou três diferentes camadas de indexação para imagens do arquivo de mídias da General Motors: “objetos (aquilo que é representado – por exemplo, um caminhão Chevrolet ano 1935), estilo (por exemplo, uma fotografia imparcial versus uma fotografia atraente de um veículo) e implicações (por exemplo, ilustra a grande durabilidade do veículo)” (LANCASTER, 2004, p. 216, destaque nosso).
Sempre em busca da melhor solução para a complexidade da ação, expõe a sugestão de Brown (1996) para o que chamou de indexação democrática, que é a indexação orientada pelos usuários das imagens, opinião defendida por outros autores, como Liu e Li (2002), que propuseram um sistema cujos termos de indexação eram oriundos dos utilizados nas buscas dos usuários do sistema (LANCASTER, 2004, p. 217).