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Allmennlegetjenesten er grunnmuren og fastlegen knutepunktet i helsetjenesten

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Convém desde já referir que os relatórios e estudos relativos ao estado da indústria musical em Portugal são escassos, ou pelo menos, de difícil acesso, tendo portanto havido uma certa dificuldade em obter dados quantitativos relativos à indústria, conforme era inicialmente pretendido. A Associação Fonográfica Portuguesa (AFP), que anteriormente disponibilizava relatórios sobre a indústria musical em Portugal, segundo foi possível apurar, passou a designar-se Associação Fonográfica Independente (AFI). Apesar da nova designação, os seus contactos encontram-se descativados.

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Também a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) e Gestão dos Direitos dos Artistas (GDA) foram contactados com intuito de obter dados relevantes sobre a situação portuguesa, mas informaram que não elaboram relatórios sobre a indústria, uma vez que não representam a totalidade dos artistas com atividade em Portugal.

Sendo a música um importante elemento da atividade cultural, é importante antes de mais referir que houve em Portugal, nas últimas décadas, certas transformações que resultaram numa aproximação da cultura às pessoas: jovens mais qualificados, mais população a habitar em centros urbanos e desenvolvimento económico e das indústrias ligadas à cultura. Embora tenha uma origem externa, também a recetividade da população portuguesa à cultura globalizada proveniente de outros países ajudou a fortalecer a referida relação entre a cultura e a população (Abreu, 2004).

No que diz respeito a lojas de música independentes (distribuição em formato físico), Guerra (2011) constatou que em Portugal essas lojas se encontram maioritariamente localizadas nas cidades de Lisboa e do Porto, sendo que o número de lojas em funcionamento entre 1998 e 2009 pouco se alterou. 1998 é um ano relevante nesta matéria, pois foi o ano que abriram em Portugal as duas primeiras lojas da cadeia francesa FNAC – no início do ano no Centro Comercial Colombo em Lisboa e no final desse mesmo ano no NorteShopping no Porto (FNAC, 2015). Ainda no mesmo artigo, Guerra (2011) refere que das lojas atualmente em funcionamento, existe um maior número de lojas que foram abertas após 1998 e que existe uma tendência das lojas se deslocarem para os centros das cidades, onde se encontra o público mais urbano. A autora acredita que não existe uma verdadeira concorrência entre as lojas de músicas independentes e as grandes cadeias como a FNAC, uma vez que as lojas de músicas independentes se conseguem diferenciar através de uma oferta mais especializada e de um atendimento personalizado e conhecedor, o que vai um pouco ao desencontro do que acontece atualmente na FNAC, onde se verifica uma diminuição da variedade de oferta. As lojas independentes analisadas pela autora têm estruturas pequenas e pouco organizadas, onde cada colaborador não tem atribuídas tarefas demasiado específicas, cooperando em tudo o que seja necessário.

O público das lojas de discos independentes é sobretudo masculino com idades compreendidas entre os vinte e os cinquenta anos. É um público escolarizado, fiel e com grande conhecimento de música. Tal como os próprios donos das lojas de música, o que

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os move é o grande “amor à música”, o que também explica que muitos deles sejam colecionadores. Isto obriga a uma maior especialização das lojas, tendo estas que obrigatoriamente ir além dos álbuns em formatos standard – visto os colecionadores serem um segmento fundamental para estas lojas, é de extrema importância a oferta de edições especiais em CD, em vinil ou mesmo no recém regressado formato da cassete. Para este público, existe o culto do objeto físico em oposição à desmaterialização da música que tem vindo a acontecer desde o aparecimento da internet. O vinil assume cada vez mais uma grande importância no negócio destas lojas, havendo algumas onde a venda de vinil se equipara à dos CD.

Também em Portugal o streaming já é parte integrante dos hábitos de consumo de música. O Spotify entrou no mercado português em fevereiro de 2013 e teve desde logo um importante papel no desenvolvimento deste novo meio de distribuição de música. Apesar da relevância do Spotify no mercado português, este não está definitivamente a atuar sozinho no mercado - em 2015 existiam cerca de duas dezenas de serviços a apostar no mercado da distribuição de música digital em Portugal, entre eles o Google Play, MEO Music, Rdio, TIDAL ou YouTube (International Federation of the Phonographic Industry, 2015). Apesar das limitações do estudo, nomeadamente no que respeita à amostra, Vieira & Caetano (2012) constataram que em 2012, 65,3% dos inquiridos ouvia música, uma ou várias vezes por dia, via streaming.

No que diz respeito às vendas de música em formato físico, verificou-se uma descida de cerca de 63% entre as unidades vendidas em 2000 e 2010, apesar da subida das vendas de vinil, que passaram de 879 unidades vendidas em 2000 par 14.127 em 2010 (Cardoso, Mendonça, Paisana, & Lima, 2012).

No mercado digital a situação é a inversa, verificando-se um aumento da faturação entre 2006 e 2011, embora a subida não seja tão significativa como a descida verificada no mercado físico mesmo período temporal, conforme se pode verificar no tabela seguinte.

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Tabela 3 – Vendas e faturação de música em formato físico em Portugal

Ano Unidades vendidas¹ Faturação (€)¹

2000 15 161 880 105 629 025 2001 12 437 422 97 481 591 2002 12 689 026 99 950 254 2003 12 220 362 81 497 155 2004 11 527 390 60 992 971 2005 9 068 062 56 162 358 2006 8 162 894 48 471 272 2007 8 001 750 41 905 791 2008 6 479 238 36 318 653 2009 6 273 926 30 804 103 2010 5 658 329 25 400 865

¹ Vinil, Compact Cassette, CD, MiniDisc, DVD-A, SACD e outros. Fonte: Cardoso et al. (2012)

Tabela 4 – Faturação do mercado físico e digital em Portugal

Ano Faturação mercado físico (€) Faturação mercado digital (€) 2006 48 471 272 2 182 330 2007 41 905 791 2 631 521 2008 36 318 653 3 077 128 2009 30 498 291 2 309 849 2010 25 400 865 2 048 182 2011 16 657 938 3 402 669

Fonte: Cardoso et al. (2012)

No que diz respeito ao mercado da música ao vivo, é notório um enorme aumento ao longo das últimas décadas nos três índices em análise na seguinte tabela (sessões de concertos de música, espectadores de concertos de música e receitas de concertos de música). Contudo, e ainda segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) a grande explosão no que diz respeito às receitas com concertos de música aconteceu em 2005, tendo-se verificado desde então uma tendência de subida relativamente contínua.

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Tabela 5 – Dados relativos à música ao vivo em Portugal de 1979 a 2014

Ano Sessões de concertos de música Espectadores de concertos de música Receitas de concertos de música (€) 2014 9 677 5 199 000 43 988 600 2013 10 554 4 282 000 41 282 400 2012 9 918 4 523 000 50 199 100 2011 8 576 4 091 000 37 469 200 2010 8 669 4 613 000 53 280 200 2009 8 220 4 397 000 32 372 000 2008 8 989 4 954 000 42 093 300 2007 7 921 4 234 000 32 851 100 2006 6 643 3 817 000 35 253 700 2005 5 465 3 648 000 24 762 600 2004 5 143 2 035 000 6 161 500 2003 2 463 1 141 000 6 706 500 2002 2 333 1 077 000 4 492 700 2001 2 432 993 000 2 872 200 2000 1 755 804 000 4 052 600 1999 703 465 000 2 422 300 1998 427 160 000 1 777 400 1997 433 232 000 3 905 100 1996 393 253 000 4 011 000 1995 386 249 000 4 093 900 1994 251 264 000 5 534 900 1993 259 372 000 7 846 400 1992 249 242 000 4 449 400 1991 249 128 000 1 106 500 1990 156 67 000 276 600 1989 208 97 000 318 600 1988 231 83 000 200 600 1987 2 205 73 000 124 900 1986 76 11 000 24 800 1985 81 13 000 21 700 1984 201 71 000 72 700 1983 223 70 000 46 800 1982 234 83 000 36 500 1981 82 20 000 9 600 1980 27 3 000 1 800 1979 31 6 000 1 500

Fontes: Instituto Nacional de Estatística (2015a, 2015b, 2015c)

4.5. Síntese e conclusão

Com a contextualização do estudo pretendeu-se essencialmente perceber o estado atual da indústria musical, primeiro a nível mundial, e depois tentando afunilar as questões para o nível nacional. No entanto optou-se por antes fazer um enquadramento histórico da indústria fonográfica. Aí foi possível verificar-se que esta é uma indústria centenária,

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e que passou por inúmeros desafios ao longo dos anos que foram sempre alterando a sua estrutura e os modelos de negócio em vigor. Foi uma indústria que apesar das dificuldades, conseguiu até aos dias de hoje sobreviver nos tempos desde o período pós- revolução industrial até à presente revolução da informação, o que de certa forma mostra o interesse que a música sempre despertou nas pessoas e que continua a despertar.

Neste capítulo concluiu-se ainda que existe uma grande indefinição da indústria no geral, e em particular no que diz respeito aos modelos baseados em distribuição via

streaming. Aqui a situação chega a ser algo singular, uma vez que, por exemplo, no que

diz respeito ao destino das receitas provenientes das audições não é totalmente clara, nem para quem está ligado à indústria de forma profissional. Contudo, através de algumas tendências que se têm detetado nos últimos tempos, as oportunidades e soluções para a indústria também parecem ser animadoras, havendo ainda muito por explorar, como uma maior exploração do mercado de comunicações móveis ou a melhor monetarização da visualização de vídeos ligados à música.

O mercado português também parece acompanhar a tendência mundial, tendo-se verificado nos últimos anos uma diminuição da faturação através da venda de música em formato físico e um aumento da faturação através da venda de música em formato digital.

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