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Discut ir o papel dos transportes é, antes de tudo, tratar da transformação do território. É certo que o transporte precisa de se modernizar para que consiga atender as demandas, tanto das indústrias como do comércio, de mane ira efic iente, promovendo, assim, a integração entre os espaços, tornando-os mais dinâmicos na gera ção de riquezas.

A Geografia nos ajuda a compreender os transportes como de fundamental importância para a formação das redes, a partir da organ ização do espaço por meio da expansão do trabalho. Sendo assim, Hoyle e Know les (2001, p.13) dizem que: “ a geografia dos transportes preocupa-se com a explicação da perspectiva soc ioeconômica, industria l e estrutura de povoamento, no qual a rede de transporte se desenvo lve e o sistema de transporte opera”.

A sociedade moderna, pautada no cap ita lismo, tem suas at ividades econômicas voltadas para a obtenção de lucros, por meio da acumulação de capita is. E, a inda, para Duran (1980, p.135), “ a cada fase do desenvolvimento do modo de produção capitalista lhe corresponde (dentro de certos lim ites) um determinado modelo territoria l, e formas de produção do espaço, que condicionam, junto com as cidades a estrutura urbana destas”.

Algumas regiões exploram a agricultura e a pecuária, outras as at ividades industria is e comerc ia is, e outras, a inda, exp loram as at ividades ligadas à prestação de serviços. Essas at ividades são direc ionadas a sat isfaze r as necessidades dos habitantes de cada região, tornando os territórios

interdependentes, originando fluxos de transporte que se forem operados em condições inadequadas poderão causar prejuízos em qualquer economia.

Levando-se em consideração as diversas funções de inter-re lac ionamento entre as at ividades econômicas e soc ia is, de ve-se considerar a implantaç ão de um sistema de transportes, baseado em um plano em que as aplicações de invest imentos, rac ionaliz em os recursos existentes. Se um planejamento de transporte não for bem sucedido, poderá provocar custos econômicos e sociais bastante ele vados.

É impensáve l e laborar um plano de transportes desconsiderando os outros setores da economia, como as demais infra-estruturas, energia, indústria, agricu ltura e também o espaço territoria l para o desenvolvimento. Eles formam um todo, não sendo possível d issocia r as implic ações dos sistemas de movimentação de pessoas e bens do restante das atividades econômicas e socia is.

A escolha da modalidade de transporte mais adequada para cada lugar va i depender de vários fatores como: se gurança, a gilidade, confiabilidade, flexib ilidade, custos, comerc ia liza ção e t ipos de mercadorias a serem transportadas. Nesse caso, é preciso pensar em objetos ou em produtos, como um livro, e, até mesmo, um fogão ou uma gelade ira. Porque o que de fato se quer é que a mercadoria chegue ao seu destino em perfeitas condições para ser utilizada.

Dessa forma, é necessá rio ava liar que cada modalidade de t ransporte apresenta suas cara cteríst icas , que torna esse ou aque le t ipo de transporte, seja rodoviário, ferroviá rio ou aeroviá rio, ma is adequado para cada situaç ão analisada. É evidente que os planos de transportes para serem bem sucedidos devem vir sempre acompanhados de estudos que apresentem detalhes da organização econômica e, ainda, as potencialidades do território ao qual o planejamento será ap licado.

É necessário enfocar a questão da formação das redes, uma vez que o transporte por si só é um agente catalisador da formação dessas, promove a interligação dos espaços territoria is, estre ita re lações e aproxima os homens.

Castells (1999, p.437) também nos lembra que “ a infra-estrutura tecno lógica que constrói a rede define o novo espaço como as ferrovias defin iam as ‘regiões econômicas’ e os merc ados nacionais” . N esse sent ido, observa-se que a formação das redes por meio dos transportes, tem uma fisionomia diferente nos países desenvolvidos e naqueles que são subdesenvolvidos. Essas dife renças se e videnciam, sobretudo, em função do volume de investimentos destinados à implantação de infra -estrutura, tecnolo gia e mercado re gional. As redes de transportes têm um papel fundamental na hora de estabele cer re lações entre espaços re gionais , nac ionais , globais, como é o caso do transporte marítimo e aéreo. Sua função, em escala mundial, tem uma grande importância econômica, já que atra vés de suas redes deslocam merc adorias para as á reas de consumo e matérias-primas para a indústria .

É nítido o grau de organização interna dos países desenvolvidos quanto à circulação de fluxos das mais variadas naturezas, como serviços, bens, pessoas, capita l e informação. Isso significa que o inte rcâmbio nesses países é muito intenso, até mesmo pela fac ilidade com que os fluxos podem ir de um luga r a outro, perm it indo assim, uma especia liza ção funciona l do território, bem como uma hierarqu ia dos espaços funcionais.

A industria liz ação pode ser um fato determinante na diferenc iação re gional por duas razões: primeiro porque a atividade industria l exige uma logíst ic a de transporte e de produção, distribuição de energia sem comparação, o que estimula a demanda por novas redes, que são capazes de conecta r os pontos de extração e transformação com os pontos de distribu ição e consumo, e em segundo lugar, a industria liz ação nas áreas desenvolvidas tendem a fixar a população nas imediações de sua localizaç ão, e isso constituindo um importante ponto de atração de trabalho para pessoas residentes anteriormente em outras áreas ocupadas pelas at ividades a grá rias.

[...] Las redes de transporte de los sist emas re gionales situados em países desarrollados se c aract eri zan por la diversidad de infraestructuras que se combinan tanto em lãs conexiones interubanas como intraurbanas. La distancias entre los distintos núcleos regionales se “a cortam” temporalmente gracias a la existênc ia de estas redes y el espac io parece reducirse graci as a l aumento de la velocidad. La acces ibil idad

a los principales para la loca li zación de los nodos más accesibl es. (PONS; BEY, 1991, p.67).

Em suma, as atuais configurações dos espaços territoria is desenvolvidos e subdesenvolvidos são frutos de um processo dinâmico e histórico no tempo e muitas de suas complexidades não podem ser ana lisadas independentemente. A organ izaç ão espacia l das áre as desenvolvidas obedece hoje a um processo

de expansão inic iado com a Revo lução Industria l1.

As atividades econômicas interferem na dinâmica da d istribuição da população nos diferentes lugares. No Bras il, a abertura de estradas, em um prime iro momento, não foi sufic iente para atender à demanda de transporte e consumo imposta no século XVIII. V lach (1995, p.34) nos lembra que “ a situação que o Brasil viveu até o final do século XIX fo i chamada de ‘arquipéla go econômico’ devido a existência de diversas re giões ou ilhas econômicas”.

As ferro vias chega ram ao Brasil em meados do século XIX, e a princíp io atenderam a interesses isolados, nesse caso, dos produtores de café. Nata l (1991, p.76) reafirma que “ o desenvolvimento ferroviá rio nacional este ve marcado fundamentalmente pelas economias exportadoras cap ita listas, em particu la r pe la c afee ira pau lista e esta sob o signo da oligarqu ia”.

É necessário recorre r à história dos transportes para compreender a e vo lução desse sistema, o víncu lo criado entre a ed ific ação de uma estação fe rroviária e a soc iedade loca l e as at ividades econômicas desenvolvidas nesse cenário. Isso nos leva a compreender a necessidade de que a sociedade tem de sempre buscar pela modernização porque é impensável dissociar os transportes dos outros setores da economia, uma vez que estão interligados entre s i.

Ao analisar o transporte como meio organizador do espaço, é necessário ava lia r os aspectos históricos. Por isso o estudo aqui realizado está sendo

1 “Po r vo lta de 17 50 , impo rtantes mu danç as co meç av am a aco nte cer n a eco no mia da

Eu ro pa. Máqu in as p assa va m a s er intro du zida s n a fabri caç ão de diver so s pro du to s, su bstitu indo o braço e a mão hu mano s. Fábricas no lu gar de o ficinas au me nta vam eno rmem ente o vo lu me d a pro du ç ão . (PILE TTI; P ILE TTI, 2 0 0 1 , p.4 9 ).

desenvolvido em torno desses, que são importantes para compreender o papel da ferrovia na d inamização da economia bras ile ira .

1.2 - O surgimento das ferrovias como dinamizadoras do