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1.2 Teoretisk bakteppe og begrepsavklaring

1.2.3 Allegori

A escola tem sido beneficiada pelo fato de instrumentalmente preparar mão-de-obra para o mercado de trabalho, servindo assim ao capital, às empresas. Esta é uma circunstância a que muitos alunos atribuem importância à escola, ou seja, buscam o conhecimento para o preparo e, conseqüentemente vaga numa empresa. A relação escola-empresa pode ser mais sadia aos alunos e empresários, quando esta for constituída pelas “dimensões instrumental e teleológica” (VERDASCA, 2007, p. 01). Os alunos são seres humanos e como tal devem ser tratados, tanto pela escola, como pela empresa.

Esse tratamento deve ser disponibilizado por ocasião da formação do aluno e sua continuidade no exercício profissional. Esta situação tanto beneficia o profissional, quanto à empresa, que terá uma pessoa com um melhor rendimento na profissão.

Em tempos de indústria robotizada, informatizada, há uma tendência ao comportamento único do tecnicismo profissional, assim, o desenvolvimento de outras competências educacionais fica esquecido, como o auto-controle, a introspecção e a empatia.

O que prevalece é a busca desenfreada por conhecimentos tecnológicos apenas. A parceria escola-empresa é uma saída para a crise de identidade que a escola sofre hoje, mas precisa deixar o espírito da unilateralidade nesse estabelecimento de conexão.

Sousa, discorrendo a respeito da parceria escola-empresa no estado de São Paulo diz que:

dentre as parcerias que vêm sendo incentivadas pelo Poder Público, destacam-se as que ocorrem entre empresa e escola, como uma das formas de enfrentamento do caótico quadro educacional do país. Ou seja, as empresas privadas vêm sendo “convocadas” pelo Estado para serem co- responsáveis pelo financiamento do ensino público, sob pena de verem incapacitadas para competir na sociedade tecnológica moderna. Considerando-se a pressuposta incapacidade do poder público de gerir e

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financiar a educação, a parceria com o empresariado emerge como uma das soluções para a sua melhoria (SOUSA, 2000, p. 171).

Sousa apresenta a parceria entre a escola e a empresa como positiva e até mesmo imprescindível. Ela apresenta um ponto de vista, fruto de pesquisa, como um pressuposto bastante animador desta relação escola-empresa. A escola se reveste de uma nova dinâmica nesta parceria, ganha significado e sentido prático.

Sousa afirma que: em empresas que estabelecem parceria com escolas da região que oferecem cursos profissionalizantes também se observa um objetivo mais palpável, ou seja, poder contar com profissionais mais qualificados em seu quadro de funcionários, o que também a escola acredita estar propiciando: “melhores condições aos alunos para o ingresso no mercado de trabalho” (SOUSA, 2000, p. 181).

Conquanto seja inegável que a parceria escola-empresa seja uma das saídas à crise no setor educacional, sabe-se que esta não representa a totalidade da solução.

E Sousa afirma que:

(...) há um reconhecimento de que o poder público não vem cumprindo as responsabilidades que lhe cabem, e uma saída, não solução, que se apresenta é a escola buscar alternativas para conseguir resolver alguns de seus problemas e suprir suas necessidades de forma mais ágil, dentre as quais a parceria com empresas (SOUSA, 2000, p. 182).

Apesar da relação empresa-escola se constituir numa ajuda isolada às instituições escolares e alunos, esse modelo recebe críticas por não representar a “condução ou o financiamento das políticas educacionais” (SOUSA, 2000, p. 184).

Conforme Sousa, os investimentos feitos em escolas, por parte das empresas, situam-se no mesmo plano de contribuições destinadas às instituições de assistência social.

Percebe-se uma criticidade atenuante nessa relação empresa-escola, embora esta não seja de todo ruim, ao vê-la sendo destacada por alunos, principalmente de escolas profissionalizantes, como são o caso dos alunos do Colégio Comercial Oficial de Uberlândia, que relataram que sua maior satisfação em cursar técnico em contabilidade, era terem as portas das empresas abertas para eles.

Os referidos alunos criaram mentalmente a relação escola-empresa e a concebiam ao entenderem que cursar um curso técnico era sinônimo de trabalho.

É muito tumultuada esta questão da relação empresa-escola. Ela não encontra unanimidade entre os educadores ou pedagogos. Muitos concebem a educação como

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ornamento intelectual apenas, outros entendem que esta relação é produtiva, tanto às empresas, quanto às escolas.

Tomelim esclarece que a base filosófica dos programas de integração escola/empresa/governo caracteriza-se pelo desenvolvimento do indivíduo e remonta ao início do século (TOMELIN, 1997, p. 19).

Essa idéia está enraizada na mente do ser humano, embora especialistas educacionais queiram promover a transformação desse pensamento, evocando uma educação destituída de preocupação com o trabalho.

A escola necessita de melhor estreitamento com as empresas, com vistas a uma produtividade econômico-social de longo alcance, com incidência na diminuição do desemprego ou sub emprego da população brasileira e, conseqüentemente, melhor qualidade de vida às pessoas.

Um período em que se pregou que a escola forçosamente devia ser o suporte profissional às empresas foi o militar (1964-1985). Para Saviani (2004) houve nesta fase uma “Concepção Produtivista da Educação”, e esta estava vinculada a utilização da educação como fator produtivo, ou espaço da formação de mão-de-obra para a economia brasileira. O caráter obrigatório do ensino profissionalizante foi impresso pelo regime militar, principalmente através da Lei de Diretrizes e Bases da Educação 5692/71, que institucionalizou a profissionalização de todo o 2º grau.

O Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), que era o órgão do regime que tratava de várias questões governamentais, inclusive da educação, sempre vinculava a escola com força de trabalho.

Mas esse acontecimento histórico, qual seja, o Regime Militar não pode contaminar uma relação da escola com a empresa, que acredita-se é de fundamental importância à sociedade brasileira e aos alunos. Por outro lado, o governo tem a responsabilidade de encarar a educação não apenas como fator instrumental, mas também teleológico e é aí talvez que os pensadores da educação tenham falhado.

Uma vez destacadas as complexidades de uma instituição escolar, no próximo capítulo, portanto, será feita uma análise das condições espaço-temporais em que se deu a criação da instituição pesquisada.

57 CAPÍTULO 2

CONDIÇÕES HISTÓRICAS EM QUE SE DEU A CRIAÇÃO DO COLÉGIO COMERCIAL OFICIAL DE UBERLÂNDIA, NO PERÍODO DE 1966-1969

Condições é um termo que se encontra no plural, ele estabelece as linhas gerais de um contrato, de um acordo, de um jogo e do estabelecimento de uma organização. As condições de fixação de uma instituição escolar diferem muito daquelas, por exemplo, econômica e política, ainda que sejam estabelecidas no mesmo período.

De certo modo, uma instituição escolar pública é um contrato implícito entre a sociedade e o poder público, surgindo, pois, questões tais como: de que tipo foi escrito este contrato, a quem ele conseguiu atingir? No decorrer do capítulo II foi possível levantar estas respostas referentes à instituição escolar em análise.

Muitas são as condições históricas responsáveis pela criação do CCOU3 no período de 1966-1971 e para conhecê-las foi necessária a contextualização do objeto, levantando-se a história do Brasil, de Uberlândia e em especial o aspecto educativo. O Brasil vivia, em todos os aspectos, a marca registrada da ditadura militar.