Ênfase nas partes Ênfase na inter-relação entre as partes – propriedades de um todo subjacente
Estrutura, matéria e quantidade. Padrão, ordem e qualidade.
Relações causais: linearidade e ligações locais Nova noção de causalidade: não-linearidade e ligações não-locais Fenômenos independentes do observador –
objetividade
Fenômenos relativos ao observador e por ele [realizados] – subjetividade
Certeza Aproximação
A proposta é trabalhar a malha em seu contexto sistêmico associado ao contexto mecanicista, de forma complementar. É possível que a lacuna sistêmica possa ser preenchida por uma teoria, seus métodos e técnicas de descrição do espaço, a Sintaxe Espacial (SE)23.
Limitações a superar
Existem limitações a serem superadas, tais como as políticas, legais, culturais e outras. O presente estudo se detém a superar, em parte, algumas limitações metodológicas quanto à operacionalização do controle do NS. Isto deveria ser feito de forma sistemática, pois, até o presente momento, a coleta de dados para medição do NS é localizada, onerosa e não consegue detectar toda a malha e suas relações globais. Espera-se, então, contribuir para esta superação na melhoria da visão dos gestores e do diálogo destes com os profissionais que fazem o desenho urbano.
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A classe da via pode variar de A,B,C,D, E ou F, em função do NS, sendo A o nível mais alto, de melhor fluidez no tráfego. Por outra, ela pode ter trechos ‘E’ ou ‘F’ em meio à maioria ser ‘A’.
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Testar a SE para preencher esta lacuna é objetivo do presente trabalho. Apresentar esta lacuna em detalhes com suas limitações e possibilidades é objeto de investigação do doutoramento à luz do problema-foco, os congestionamentos, tendo como estudo de caso a malha viária de Fortaleza.
Em termos metodológicos, o controle do NS passa por duas etapas consecutivas: a
medição dos volumes de tráfego e a calibração de todos os parâmetros na malha
como um todo. Inicialmente, faz-se a medição dos volumes veiculares por sensores instalados nas interseções24 semaforizadas25 e complementam-se as contagens com pesquisadores de campo em interseções não-semaforizadas. No passo seguinte, realiza-se a calibração da malha, cujo processo computacional é menos oneroso, mas que exige certo tempo para ser calculado, conforme o tamanho da malha. A eficácia da calibração dependerá da eficiência das contagens e de sua área de cobertura.
Em Fortaleza, o sistema de Controle de Tráfego por Área, o CTA-FOR (LOUREIRO et
al., 2002) realiza estas contagens e as utiliza para otimizar a fluidez pela minimização
de paradas e atrasos veiculares em parte das interseções da malha. Ao todo, a malha é composta por aproximadamente 20.000 interseções. Destas, o sistema cobre quase por completo as interseções semaforizadas, totalizando 400 pontos de contagem. É evidente que nem todas as interseções devem possuir semáforos e que, além disso, instalar dispositivos apenas de contagem e/ou pesquisadores de campo em toda a malha teria um custo proibitivo.
Como forma de superar estas limitações de custo e contribuir na análise desta dinâmica, o que se propõe é a utilização de uma nova metodologia para este fim, a da Sintaxe Espacial, a qual participa como complemento neste processo. Contudo, deve ser observada a pertinência de seu uso, pois sua aplicação tem abordagem sistêmica e busca identificar tendências de movimentos26, aqui no caso, o veicular. Isto porque as aplicações teóricas, metodológicas e técnicas que compõem a SE são outras e têm sido desenvolvidas para diversos fins.
Cabe lembrar que já existem estudos sobre o mesmo problema apresentado27, objetivando-se aqui sua revisão e contribuição para o setor de planejamento urbano e de tráfego urbano.
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Encontro de ruas, vias, determinando “esquinas”. No verbete de transportes, uma interseção ou cruzamento viário, conhecida como ‘esquina’ com, no mínimo, quatro aproximações ou direções.
25
Que dispõem de semáforos ou regionalmente conhecidos como sinalizadores de tráfego, ou sinais de trânsito. O jargão muda em função da região onde se inserem.
26
A SE não identifica dados específicos sobre o NS, mas qualifica o nível de acessibilidade relativa das vias, revelando a acessibilidade interpartes da malha o que pode contribuir com a metodologia precisa adotada pela modelagem de transportes.
27
MEDEIROS (2004), CAVALCANTE (2005), BARROS et al. (2005), BARROS (2006) , além de publicações mais
Objetivos
Por ser um estudo de ‘interface’ entre o planejamento de tráfego (transportes) e a morfologia urbana (urbanismo), várias contribuições podem ser extraídas para ambas as áreas. Destacam-se as que são subprodutos viáveis a serem alcançados em termos exploratórios.
Como objetivo geral, busca-se:
(1) Contribuir para a composição de uma metodologia sistêmica de análise de congestionamentos em malhas viárias de cidades.
Como objetivos específicos:
(1) Identificar a segregação socioespacial decorrente da dispersão da acessibilidade local e global dos movimentos veiculares na malha viária de Fortaleza;
(2) Detectar, com base nas experiências anteriores, a existência de correlações significativas entre as variáveis: fluxo veicular28, qualificação e quantificação de PGV´s e as variáveis da Sintaxe Espacial em determinada área crítica ao movimento veicular29 em Fortaleza.
(3) Investigar com base nas correlações encontradas se existe alguma relação linear ou não linear entre as variáveis: fluxo veicular, qualificação e quantificação de PGV´s e as variáveis da Sintaxe Espacial30.
(4) Investigar qual a parcela de contribuição, qualitativa e quantitativa dos PGV´s nos impactos espaciais aos congestionamentos em sua área de influência.
Estrutura da Tese
No capítulo 1, realiza-se uma revisão crítica do Estado da Arte sobre a cidade, o problema e um resumo das metodologias a serem abordadas. Apresentam-se conceitos de análises Uso do Solo – Transportes, as demandas sociais e funcionais que envolvem os congestionamentos, com a caracterização de escalas e categorias de análise da mobilidade e a acessibilidade ‘em’ e ‘para’ centralidades da cidade.
No capítulo 2 - a Sintaxe Espacial apresenta-se a SE, e detalham-se as variáveis e os atributos que a compõem, discorrendo-se sobre a teoria, métodos e técnicas de
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Inicialmente, pretende-se utilizar o fluxo de veículos real, medido em campo nas 400 interseções semaforizadas do CTA-For. Caso seja necessário, será testado o fluxo de toda a malha, após calibração do fluxo real.
29
Espera-se caracterizar que esta área crítica, que estaria delimitada entre o Oceano Atlântico (norte), Av. Eduardo Girão (sul), Av. Expressa (leste) e Via Férrea (oeste), seria também a de maior existência de fluxos simulados pela sintaxe espacial, onde se concentra a maioria dos movimentos veiculares de congestionamento do tráfego.
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mensuração, representação e análise de contribuição para a solução do problema- foco apresentado no capítulo anterior.
No capítulo 3 - Modelagem de Tráfego revisa-se a teoria da atratividade do setor de transportes, seus métodos e técnicas de mensuração, modelagem e representação de movimentos veiculares (tráfego), as práticas de cálculo da: função viária, classificação viária, qualidade de tráfego (NS), localização de PGV´s e o uso dos SIG´s-T (transportes) aplicados ao problema-foco.
No capítulo 4 – Metodologia Proposta apresenta-se uma nova leitura das metodologias anteriores com sugestão de uma nova modelagem sistêmica, envolvendo a modelagem de tráfego e a sintaxe espacial, com suas etapas e sub- etapas constituintes e detalhes descritivos de procedimentos de mensuração, análise e resultados esperados.
No capítulo 5 – Estudo de Caso são aplicadas as etapas da metodologia proposta à cidade com base em duas ‘visões’ de sua evolução urbana31: a ocupação do solo e a
sintaxe da malha, as quais conduziram Fortaleza ao que ela é hoje em termos de mobilidade e acessibilidade, identificando-os espacialmente de forma quantitativa
(correlações e regressões) e qualitativa (análise sistêmica).
No último, o capítulo 6, são detalhadas conclusões e recomendações de ordem teórica e prática, para a arquitetura e urbanismo e sua interface com o planejamento de tráfego. São identificados os prováveis melhoramentos da metodologia para estudos futuros e propostas novas investigações.
Principais questionamentos a serem investigados
Em termos de indagações a serem respondidas ao final do estudo, tem-se:
(1) Em termos configuracionais, qual o enquadramento da cidade de Fortaleza no universo de cidades brasileiras?
(2) A influência da malha, seu efeito primário, é decisiva na definição de hierarquias viárias e na localização de PGV´s?
(3) De que forma os PGV´s e seus efeitos terciário e quaternário
interferem/contribuem qualitativa e quantitativamente na ocorrência de congestionamentos?
(4) Os planejamentos urbanos e viários aplicados em Fortaleza em vivências anteriores condizem com a dispersão socioespacial da cidade atualmente em termos de boa fluidez e acessibilidade?
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Ordenamentos, Planos Diretores (Uso e Ocupação, Transportes). Principais eixos de expansão (LUOS de 1979 e década de 80) e a evolução de sua forma urbana no contexto socioeconômico atual. Aproveita-se aqui o estudo de Adriana Dantas Nogueira, com o Índice de Forma urbana. In NOGUEIRA, A. D. (2005), p.246.