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6.0 Diskusjon

6.1.1 Alle livsområder er viktig

Nesse artigo Lima irá explorar os pontos de discordância frente ao texto de Salerno. Os equívocos apontados por Lima acontecem ao passo que Salerno assume que a perspectiva da PO e da AET tratam de objetos distintos, ou seja, para Salerno AET e PO são disciplinas que se complementam e conseqüentemente contribuem para o projeto do trabalho. Já para Lima, Projeto Organizacional e Ergonomia são disciplinas (a) que concorrem sobre o mesmo objeto disputando o mesmo espaço da realidade; (b) as quais discutem o objeto a partir de seu ponto de vista e; (c) são concorrentes ao explicar o trabalho, no campo teórico- conceitual, no que consiste sua organização e quando se trata de ações para aumento da eficácia produtiva. Os pontos de discórdia entre os dois textos são referentes às conseqüências e alocação dos resultados de uma AET em relação à organização do trabalho propostos por Salerno. Lima discute o texto de Salerno respeitando sua estruturação, ou seja, Salerno organiza seu discurso em torno da contraposição de uma abordagem objetivante (PO) e uma abordagem subjetivante (AET).

A posta em marcha do trabalho real pelos sujeitos no curso da ação reorganiza as regras pressupostas pela organização formal a fim de dar conta das metas de produtividade

e da própria regulação da carga de trabalho. A contribuição entre AET e PO segundo Lima será possível quando as disciplinas partirem a discussão dos pontos de discórdia.

Lima sustenta que o PVA, “(...) ponto de vista de como os objetivos fixados

podem ser efetivamente alcançados em uma dada situação” (Duraffourg 1991, apud Lima

2000, p.74), é o “(...) único com possibilidade de se universalizar”. O autor defende que os outros pontos de vistas que regem as regras do trabalho possuem uma visão parcial sobre o objeto, já o PVA consegue conjugar as lógicas da PO com os conflitos para alcançar os objetivos e metas determinados; ainda, aproxima e compromete tanto os sujeitos analisados quanto os próprios organizadores com os conhecimentos gerados.

Em réplica ao texto de Salerno, Lima reafirma que AET e PO são abordagens que concorrem sobre o mesmo objeto e não se complementam. Baseada no behaivorismo, a PO aborda e transforma a atividade humana buscando reduzi-la ao comportamento, já a AET analisa o trabalho buscando salientar os modelos de regulação presentes nas atividades de trabalho. Em resumo, Lima caracteriza o limite entre as duas abordagens segundo o parágrafo abaixo:

“Em suma, o objeto da AET seria a atividade dos sujeitos humanos e seus mecanismos de regulação, o ‘trabalho real’, enquanto o projeto organizacional se interessa pelo que em ergonomia se denomina ‘trabalho prescrito’, em nível bem mais amplo que esta disciplina tem considerado” (p.76).

Tratando-se do nível de abordagem, para Salerno a AET lida com as condições de trabalho e com seus efeitos sobre a saúde dos trabalhadores, não entrando no campo das estratégias e objetivos da produção; afirma também, que a unidade de análise da AET é tarefa/atividade individual. Em contraposição, Lima afirma (a) que os modelos de regulação criados no curso da atividade são os meios encontrados pelos trabalhadores a fim de dar conta dos objetivos e estratégias produtivas; (b) que todo trabalho é coletivo, não existindo

atividade isolada e, portanto; (c) não há sentido em se discutir carga de trabalho sem considerar os objetivos da produção e sua regulação coletiva.

Segundo Lima, o conceito de análise do trabalho prescrito por Salerno não abrange a estrutura organizacional. Porém, fazendo esta parte da das condições de contorno impostas, ao descrever o trabalho prescrito a AET abrange o nível estruturante, assim “(...) é

fundamental acentuar que a estrutura faz parte das condições de contorno impostas, portanto, já está integrada à AET sob o conceito de trabalho prescrito” (p. 83).

Outro ponto discutido por Lima para reafirmar a concorrência das duas abordagens se refere ao tratamento dado à variabilidade presente nas situações de trabalho. Salerno dá importância ao tratamento dessa variabilidade ao afirmar que as organizações devem mudar o foco; a lógica homogênia e estável deve dar lugar à uma lógica heterogênea e variável para o tratamento das novas formas de organização do trabalho (paradigma Taylorista/Fordista X paradigma dos modelos flexíveis de organização do trabalho). Porém, Salerno utiliza esse discurso para aprofundar seu conceito de complementaridade entre as duas disciplinas ao conceituar que “(...) o foco é a variabilidade/ajustes ao nível do

trabalhador, e não ao nível da produção. Apesar de estarem ligadas, as duas questões não são idênticas” (p. 48). Em contraposição, segundo Lima, a variabilidade considerada pela

Ergonomia é aquela decorrente dos modelos de organização e esta é gerenciada ao nível operacional por meio dos próprios trabalhadores.

O conceito de análise da demanda também é contraposto por Lima. Segundo este, a análise da demanda é a etapa cujo problema será reformulado e entendido, inclusive pelos próprios demandantes. Para Salerno, a analise da demanda constitui o entendimento pelo ergonomista do que o cliente espera.

Outro equívoco cometido por Salerno na visão de Lima é a posição desse autor sobre o método. Salerno coloca a autoconfontação dos operadores sobre os dados coletados

como uma “(...) inovação metodológica por excelência da ergonomia” (p.85). Porém, segundo Lima, essa técnica faz com que a Ergonomia não se aproprie do conhecimento gerado transformando os trabalhadores em objetos de estudo; esse é o método “(...) através do

qual se explicita o ponto de vista da atividade, que dá vida e sentido aos dados brutos”

(p.86).

Discutidos esses pontos, Lima coloca que os equívocos menores já foram salientados e retoma o ponto fundamental da discussão: a análise comparativa entre as duas abordagens sobre os conceitos objetivante e subjetivante. Para Lima, os equívocos se dão tanto de maneira descendente (PO – objetivante) quanto no sentido ascendente (AET – subjetivante). São caracterizadas duas abordagens, sendo uma técnica e, portanto, direcionada ao engenheiro técnico ao qual compete a atuação sobre máquinas, equipamento, entre outros, e outra direcionada aos engenheiros de produção e ergonomistas, que atuam quando há uma interseção entre os dispositivos técnicos e os trabalhadores. Porém, Lima ressalta uma mistura de papéis quando se trata de aumento de eficácia produtiva entre os engenheiros técnicos e os engenheiros de produção. Por outro lado, identificar onde se insere o ergonomista não apresenta dúvidas, pois este só atua quando há operadores dentro do processo produtivo. Dessa forma, a abordagem objetivante – técnica - coloca esse dilema para os engenheiros de produção. A construção técnica, segundo Lima, faz com que o projeto do trabalho se torne uma atividade complexa para ergonomistas e organizadores “(...) obrigando-os a intervir

desde o início do projeto e a negociar com outras lógicas legítimas dentro da empresa. Por estas e outras razões, o projeto das situações de trabalho deve ser tratado como um todo” (p.

87-88).

Outro ponto relevante da discussão é a releitura de Taylor a fim de reafirmar a indissociabilidade entre projeto organizacional e projeto do trabalho. Salerno deixa claro em seu texto a separação entre AET e o estudo tempos e métodos. Mas Lima identifica Taylor

como um “fundador” da ergonomia por ter se interessado em analisar o trabalho e recompô-lo mostrando que o projeto organizacional e do trabalho são abordagens indissociáveis. O que salienta é como essa síntese deve ser elaborada e operacionalizada:

“(...) as diferenças entre as duas disciplinas não se devem às suas lacunas ou impossibilidades teórico-metodológicas para tratar de uma realidade complexa, como e fossem dois pernetas que, ajudando-se mutuamente, conseguem andar sem muletas, mas sim decorrem de perspectivas diferentes sobre como operar esta síntese entre organização e atividade” (p. 94-95).

Ainda, Lima considera a colocação de Salerno sobre o quanto se deve prescrever como a mesma indagação assumida por Taylor dentro da OCT. Porém, o conflito é claro, o projeto organizacional se propõe a institucionalizar regras para o trabalho e, em contrapartida para ergonomia, o trabalho deveria instituir suas próprias regras.