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5.1 Algorithm evaluation
Brinca, meu boi, brinca que o terreiro é seu (Trecho musical, bois de Sobral)
As “danças dramáticas”, como foram chamadas por autores como Mário de Andrade (1959), Oneyda Alvarenga (1950), Renato Almeida (1965), Guilherme dos S. Neves (1976) e Araújo (1964), entre outros, também conhecidas como teatro, auto, folguedo ou teatro tradicional popular, construídas e perpassadas a partir do processo de aprender a fazer fazendo, bem como seu uso como prática educativa, constituíram razão primeira da investigação.
Nos estudos de teatro, muito se tem abordado sobre a relação entre teatro e cultura popular. Paralelamente a todas as teorias do teatro desenvolvidas e experimentadas ao longo do tempo, em busca de melhor formação do ator para uma eficiente representação e composição da personagem, sempre existiu um teatro espontâneo, partindo da imaginação e da inventiva popular do homem simples e de sua força criadora diante do cotidiano.
Esse teatro, de certa forma empírico, possui ação rica em gestos, movimentos e vozes advindas da tradição e perpassadas pela oralidade e pela memória de seus mestres e brincantes.
Em minha experiência de magistério como arte-educadora, sempre me dediquei ao estudo e à prática de expressões cênicas e musicais do Folclore Brasileiro. Esses estudos e experiências, que sempre envolveram jovens e adultos, tiveram como resultado performances artísticas assinadas, buscando o envolvimento e o reconhecimento deles em relação ao universo plural da cultura brasileira e facilitando especialmente o encontro com a cultura tradicional popular.
Tenho observado que, apesar de estarem presentes nas recomendações pedagógicas para seu uso no ensino em Arte, raramente se observa a utilização das danças dramáticas com seu, universo plural (música, dança, teatro, adereços). Provavelmente as dificuldades de dominar tantas áreas de expressão e o conhecimento da diversidade cultural brasileira dificultam seu uso na ação docente.
Contudo, desenvolvi competências para trabalhar no universo cênico pela convivência com folguedos e danças tradicionais. Minha relação com o palco veio do
trabalho prático de dançarina popular1. Meu estudo formal na Universidade foi no campo da música, mas sempre busquei outros conhecimentos no universo da tradição e do ensino. Posteriormente, o Mestrado na área de Turismo melhorou meu saber do universo popular, ampliando e dando qualidade, principalmente, à metodologia das pesquisas do que sempre gostei de fazer no campo do saber tradicional. No Mestrado, estudei cinco festas populares da cidade de Fortaleza: O
Terço do Siqueira, festejo rito religioso no dia de São José, que ocorre há mais de 80
anos às margens do Rio Siqueira; a Festa de São Pedro, com procissão marítima na Avenida Beira-mar; a Festa de Yemanjá, no dia 15 de agosto, na praia do Futuro; a
Festa da Coroa do Bom Jesus dos Aflitos, que ocorre em Parangaba no período de
setembro a dezembro e tem mais de 300 anos, e o carnaval de rua, com foco no corso da Avenida Domingos Olímpio.
Na década de 1990, fui convidada para atuar como facilitadora na disciplina “Cultura Popular”, no Colégio de Direção Teatral, pelo Instituto Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza, no Ceará. Dessa forma, me envolvi formalmente com o contexto do teatro popular, ou do teatro de raiz popular na academia. Usei de toda a experiência com danças dramáticas e outros saberes tradicionais para contribuir na formação de atores e diretores teatrais. Foi o resultado positivo dessa atuação que me conduziu para as disciplinas de “Teatro e Cultura Popular” e “Danças Sociais e
Dramáticas” no Curso de Licenciatura em Teatro do Instituto Federal de Educação
Ciência e Tecnologia do Ceará - IFCE, onde trabalho.
Sendo como se fosse é uma frase que sempre escutei na convivência com os
Mestres2 da tradição, nas minhas andanças sertão adentro. É a resposta que eles
1
Dançarinos populares são profissionais que dançam em lugares públicos, em festas populares, folguedos, rituais religiosos e também em salões, teatros, etc.. Particularmente no caso das danças populares, o aprendizado costuma se dar por intermédio de cursos informais, ou em oportunidades de contato direto com Mestres e brincantes. CBO – Cadastro Brasileiro de Ocupações. Disponível em: http://www.mtecbo.gov.br/cbosite/pages/pesquisas/ResultadoFamiliaDescricao.jsf Acessado em 23/03/2013 (V. ANEXO A).
2
Mestre – é aquele que detém o saber popular ancestral mantido na memória, e o vai repassando pela convivência, no cotidiano, na vida que leva para sua comunidade ou seu grupo. É conhecido também como “tesouro vivo” do lugar e se relaciona com os bens Imateriais, nos estudos do patrimônio. Hoje, existem várias recomendações, inclusive da UNESCO, para a atuação e relações de experiências com estes nas escolas para valorização e reconhecimento desses saberes ancestrais, principalmente no lugar onde elas existem.
sempre têm sobre como escolhem entre seus brincantes aquele que vai fazer determinado personagem. Sendo como se fosse expressa a capacidade de improviso que se deve ter para representar, o mais perto firmemente possível, aquilo que se deseja. É como se faz de conta que é o que se sabe conhecido ou que se imagina que seja. Neste trabalho procurei descrever, caracterizar, registrar e reconhecer o fazer das danças dramáticas e algumas formas de sua utilização no ensino em Arte. Enfatizei as diversas nuances de sua prática no contexto de Mestres e brincantes, com o intuito de que esses elementos pudessem posteriormente auxiliar na revisitação da tipologia por meio de prática educativa.
As danças dramáticas, cujo contexto conceitual explicitarei adiante, sempre exerceram em mim enorme fascínio. A cada encontro que julgava saber do que se tratava era sempre grande o aprendizado. A história conhecida era uma nova história ou uma nova forma de ser contada. Os personagens iam e vinham numa troca sem fim, proveniente de cada momento vivido, no qual dança e música sempre estabeleciam a representação por meio de brincadeira, rito ou fé.